{"id":3915,"date":"2010-03-08T16:35:54","date_gmt":"2010-03-08T19:35:54","guid":{"rendered":"https:\/\/cantorum.com\/figaro\/?p=3915"},"modified":"2010-03-09T16:26:52","modified_gmt":"2010-03-09T19:26:52","slug":"todo-dia-ela-faz-tudo-sempre-igual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cantorum.com\/figaro\/2010\/03\/08\/todo-dia-ela-faz-tudo-sempre-igual\/","title":{"rendered":"Todo dia ela faz tudo sempre igual"},"content":{"rendered":"<p>Segunda-feira, dia internacional do #mimimi, da saudade, da dieta, da pregui\u00e7a, da to-do list, de perder a hora, de acordar pra vida&#8230; e tamb\u00e9m do novo. Quer dizer, dia de tudo aquilo que a gente um dia vai fazer. Mas hoje, n\u00e3o; amanh\u00e3, talvez. Melhor seria chamar de dia do de novo.<\/p>\n<p>(E calhou que hoje \u00e9 o Dia Internacional da Mulher, mas poderia muito bem ser o dia internacional da TPM. A semelhan\u00e7a \u00e9 patente: em qual outro dia um homem n\u00e3o sabe muito bem se o que vai dizer inspira amor ou \u00f3dio?<\/p>\n<p>Enfim.)<\/p>\n<p>Pra mim, segunda-feira \u00e9 o dia do sonho acordado. \u00c9 aquele dia em que voc\u00ea n\u00e3o quer, mas tem que; ou quer, mas n\u00e3o tem como. Ou como <a href=\"http:\/\/twitter.com\/giulieta\">@giulieta<\/a> disse hoje: &#8220;na segunda feira me sinto uma pen\u00e9lope desfazendo e refazendo as rendas das cores tecidas no final de semana&#8221;. Perfeita.<\/p>\n<p>\u00c9 assim que eu me sinto. E s\u00e3o tantas as cores, os sabores e o que sentir que a abstin\u00eancia \u00e9 quase uma s\u00edndrome; um ensaio do vazio. Me pego pensando no que estou sentindo e no que estava sentindo e no que (acho que) vou sentir e sei que essa \u00e9 a armadilha que eu mais tenho que evitar. Ent\u00e3o, contrariando a pregui\u00e7a, a languidez e a melancolia, pra mim as segundas-feiras t\u00eam de ser cheias, ocupadas, movimentadas. S\u00f3 assim pra eu me arrastar pra fora do perigoso devaneio e manter o fim de semana com seu encanto intocado, preservado no que ele \u00e9, simples e precioso, sem pondera\u00e7\u00f5es in\u00fateis; mas l\u00e1, no fim de semana.<\/p>\n<p>Ainda assim, segunda-feira \u00e9 o dia de uma m\u00fasica na cabe\u00e7a, no repeat. Uma tentativa sentimental de agarrar o tempo pelo rabo.<\/p>\n<p>Ironicamente, o tempo ta\u00ed pra ajustar tudo, tecendo seus dias com calma e paci\u00eancia, correndo solto feito rio. (E rio represado transborda, inunda, invade, afoga.) S\u00f3 \u00e9 preciso seguir a trama, sem medo de se perder ou se enroscar. A sensa\u00e7\u00e3o de deslocamento \u00e9 ilus\u00f3ria, j\u00e1 que o tempo e o espa\u00e7o das coisas nos habita (e n\u00e3o o contr\u00e1rio, como se cr\u00ea). Pois o aqui e o agora \u00e9 um s\u00f3 \u2014 somos n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segunda-feira, dia internacional do #mimimi, da saudade, da dieta, da pregui\u00e7a, da to-do list, de perder a hora, de acordar pra vida&#8230; e tamb\u00e9m do novo. Quer dizer, dia de tudo aquilo que a gente um dia vai fazer. Mas hoje, n\u00e3o; amanh\u00e3, talvez. Melhor seria chamar de dia do de novo. 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