{"id":3889,"date":"2010-02-27T01:22:44","date_gmt":"2010-02-27T04:22:44","guid":{"rendered":"https:\/\/cantorum.com\/figaro\/?p=3889"},"modified":"2010-02-28T23:53:57","modified_gmt":"2010-03-01T02:53:57","slug":"um-sonho-de-cais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cantorum.com\/figaro\/2010\/02\/27\/um-sonho-de-cais\/","title":{"rendered":"Al\u00e9m-mar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Para quem quer se soltar invento o cais<br \/>\nInvento mais que a solid\u00e3o me d\u00e1<br \/>\nInvento lua nova a clarear<br \/>\nInvento o amor e sei a dor de me lan\u00e7ar<br \/>\nEu queria ser feliz<br \/>\nInvento o mar<br \/>\nInvento em mim o sonhador<br \/>\nPara quem quer me seguir eu quero mais<br \/>\nTenho o caminho do que sempre quis<br \/>\nE um saveiro pronto pra partir<br \/>\nInvento o cais<br \/>\nE sei a vez de me lan\u00e7ar<\/em><br \/>\n(<em>Cais<\/em>, Milton Nascimento)<\/p>\n<p>Ele dorme.<\/p>\n<p>E eu, confesso, tenho medo. Medo de que, se o acordar, isso me desperte do meu sonho. Ah, porque eu sonho, sempre sonhei. A diferen\u00e7a \u00e9 que hoje, ao inv\u00e9s de negar o sonho (ou a realidade), tenho a cabe\u00e7a nas nuvens e os p\u00e9s no ch\u00e3o \u2014 passar dos 30 e fazer as pazes com seu ascendente tem l\u00e1 suas vantagens. Eu sei que vou sonhar, eu sei que se ele sumir eu vou ter que me virar na minha ansiedade, mas sei tamb\u00e9m que eu sou o dono das minhas escolhas e que tudo est\u00e1 a\u00ed para ser sentido.<\/p>\n<p>E sei mais. Sei da solidez do meu abra\u00e7o, da certeza do meu beijo, sei que sou exatamente isso que eu tento e represento ser na encena\u00e7\u00e3o de mim mesmo: um porto, uma certeza; terra firme. Eu me invento. E j\u00e1 est\u00e1 na hora de assumir \u2014 e n\u00e3o encenar \u2014 a minha natureza. Nem por isso n\u00e3o sou livre. Pois quem olha o porto n\u00e3o percebe que este \u00e9 uma ilus\u00e3o do im\u00f3vel; n\u00e3o nota, desatento, que a \u00e1gua que banha o cais nunca \u00e9 a mesma e que, portanto, nunca est\u00e1 no mesmo lugar.<\/p>\n<p>O que temos&#8230; n\u00e3o sei o que temos. O que ele tem n\u00e3o sei tampouco, pois n\u00e3o me pertence. Sei o que sinto agora, neste exato momento: felicidade, na forma de um calor gostoso, de querer bem; algo que me impele contra a dist\u00e2ncia. Sinto um tempo devagar quando ele n\u00e3o-est\u00e1 e um n\u00e3o-tempo quando enrosco os dedos em seus cabelos ou acompanho o vai-e-vem do seu ronco, como ondas de um mar profundo tombando em minha vasta costa. E mais n\u00e3o sei. Quando respiro fundo, n\u00e3o importa.<\/p>\n<p>Todo barco retorna ao cais. E quando ele n\u00e3o est\u00e1, o vento traz do mar o seu perfume.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para quem quer se soltar invento o cais Invento mais que a solid\u00e3o me d\u00e1 Invento lua nova a clarear Invento o amor e sei a dor de me lan\u00e7ar Eu queria ser feliz Invento o mar Invento em mim o sonhador Para quem quer me seguir eu quero mais Tenho o caminho do que &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/cantorum.com\/figaro\/2010\/02\/27\/um-sonho-de-cais\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Al\u00e9m-mar&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3889","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p4PwKf-10J","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cantorum.com\/figaro\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3889","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cantorum.com\/figaro\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cantorum.com\/figaro\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cantorum.com\/figaro\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cantorum.com\/figaro\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3889"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/cantorum.com\/figaro\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3889\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3901,"href":"https:\/\/cantorum.com\/figaro\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3889\/revisions\/3901"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cantorum.com\/figaro\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3889"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cantorum.com\/figaro\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3889"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cantorum.com\/figaro\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3889"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}