Nasci em meados dos 70, mas acho que só comecei a acordar no finalzinho dos 90, já que na adolescência a gente só pensa que sabe das coisas; a adolescência é um sonho — ou um pesadelo. Talvez por isso a questão toda da emancipação do movimento gay pra mim seja apenas… história. Mais ou menos a diferença que deve ser quando eu penso no período da ditadura e quando meus pais é que pensam. Eles tiveram amigos presos, eles conheceram gente que sumiu ou fugiu às pressas pro exterior, e isso porque nunca pegaram em armas. Da mesma forma, as histórias mais tristes que eu conheço do mundo gay não são minhas. Minha saída do armário foi tão simples quanto dizer: “mãe, você sabe que teu filho é gay, né?”, e apresentar meu primeiro namorado, ou levar o outro pra almoçar numa casa cheia de família italiana num domingo de Páscoa; sem exagero. Não tenho mérito nenhum nisso. Eu tenho é sorte, muita sorte de ter nascido numa família amorosa e tolerante, que tem lá seus vários problemas, mas que nunca tratou esse tipo de diferença como um fantasma, um estigma.
Isso não me livrou de ter meus próprios fantasmas, entretanto. As maiores opressões que já sofri até hoje foram minhas, frutos de insegurança, medo, carência, etc. Mas sobretudo, o sentimento que a gente compra do mundo de ser errado. Tudo isso cai por terra quando você se sente pronto pra (se) enfrentar. Com 16, 20, 40 anos ou mais, há sempre um processo de emancipação, em relação ao mundo ou a si próprio.
E é por isso, acho eu, além da lírica humana (que atenua certas cruezas históricas) e da interpretação irretocável do Sean Penn no papel principal, que Milk me pegou em cheio. Porque não dá pra ficar indiferente quando você vê sua natureza sendo atacada impiedosamente, num exercício de hipocrisia sem limites. Muito menos quando de dentro da minoria uma voz se ergue, uma luz se acende, uma esperança se impõe. Isso é épico. Isso mexe com a gente.
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Deixei os gatos ontem assistindo Aristogatas na TV, na esperança de que eles ganhassem um pouco de bons modos.
A julgar pelo rolo destroçado de papel higiênico que eu encontrei esta manhã, não gostaram nem um pouco do filme.
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Acabei de ver que este ano sai uma refilmagem de Star Trek. Vai ser um fiasco, os personagens não terão o mesmo jeitão, eu não sei como o enredo terá a mesma força depois de tanta ficção científica e uma horda revoltosa de trekkers vai se inflamar contra o que eles dirão ser indigno da memória da USS Enterprise — eu vou ficar de olho no Sr. Spock.
Vai ser lindo, mal posso esperar!