Da não-linearidade das coisas

Porque faz tempo.

+

Coração na mão. É quando você não sabe o que fazer. Ou quando sabe, mas não pode. Ou quando pode, mas não deve. Ou quando deve, mas não consegue. Ou quando consegue, mas não adianta. Ou quando adianta, mas é pouco…

Deu pra entender?

+

Oito anos de blog. E para quê? Metade poderia muito bem não ser escrita — ou dita, bem como na vida. Erros. Acertos. Bolas na trave. Ora bolas, quando eu paro para pensar, vejo que não sou mais eu em muita coisa, mas é aí que mora a injustiça: todo prado deve ao seu solo, cada camada que nele se assenta, a sua exuberância.

É por isso que eu estou ali e que cada pedaço, cheio de sua verdade temporal, sou e sempre serei eu, mesmo sem mais ser.

+

Chorei muito quando você se foi. Muito. Mas respeitei sua escolha silenciosa de partir. O mais difícil foi dizer adeus — um adeus que você nunca ouviu, dito para aquele pedaço de você que carraguei comigo (onde será que você me guardou? não importa). Foi quando fiz a minha escolha de não te procurar mais, de não saber de ti. Tive que colocar a razão sobre o desejo, simplesmente, e não por outro motivo: te procurar me faz mal e eu não posso permitir que você me machuque desse jeito, se você nem está aqui.

Mas se a razão acode, ainda assim o sentimento prevalece. Sem drama. E eu sinto, muito, como sempre senti. Sinto tudo, mesmo quando não faz sentido, porque é da minha natureza e porque é preciso purgar, pois sentimento engolido vira doença; e sentir é muito nobre. Portanto, eu sinto muito. Eu sinto muito…

…Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

+

Doismesesemeio sem monitor, vocês têm noção?
Eu quero que a Samsung morra e a notícia corra.

Sabe aquele jogo que eu tava doido pra jogar? Não joguei. Sabe aqueles filmes que eu tava esperando janeiro pra assistir? Não rolou. As séries? Nem. Eu tô para ver pós-venda mais esculhambado.

Amiga dona de casa, se você tem algo da Samsung, reze para que continue funcionando bem bonitinho porque senão… Agora, se a garantia acabou há, tipo, um mês, como no meu caso, reza, mas reza muito, pode ir rasgando a própria roupa e pedindo perdão se você, como eu, deu peteleco nas bolas de Cristo pendurado na cruz.

E prepare-se para muito Procon, que eu tô me preparando para um Pequenas Causas.

+

E tudo o que eu queria naquelas noites era abraçar teu cheiro e beijar teu sono.
Era o que você não queria me dar e o que eu não podia te pedir.

+

E como a vida não pode deixar de ser bela, a casa anda cheia dela. Rabicó e Menina crescem como se não houvesse amanhã. As plantas trazem serenidade e suas cores pouco a pouco vêm tomar conta do espaço. Quer dizer, isso quando a Menina não resolve arrancar-lhes as folhas ou derrubar o vaso — o exuzinho de quatro patas.

Para ajudar mantenho água e sal grosso do lado da porta. E alfazema nos travesseiros, sempre fofos, os lençóis limpos. Enquanto isso o corpo pede alma e a vida pede calma.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

(Spamcheck Enabled)