Fecho os olhos para ver melhor.
São tantos os pensamentos que se vão naquele espaço entre os minutos que penso existir um outro eu, em um outro lugar, feito de pensamentos perdidos. Um outro eu que não existiria neste mundo, é certo, mas que é essencial para a minha sobrevivência. Sou eu.
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Há marés em mim. E dia desses revivi emoções antigas. Difíceis, doídas. Foi como assistir a um filme onde a gente chora. Não chorei, mas foi como se tivesse. Imersão pura. Engraçado isso de se assistir… Engraçado, o caralho! Pode ser necessário, revelador, libertador — e várias outras palavras que também acabam com “dor” —, mas eu podia passar sem essa; não há Cristo que me convença do contrário.
Tá, ok, revi, reli, revirei minhas entranhas. Agora vai mais uma pá de cal por cima, que a vida segue é adiante. E eu quero é mais.
E melhor.
Tem uma música na minha cabeça: “Você não soube me amar! Você não soube me amar! Você não soube me amaaaaaaaaaar!”
Olha só que coisa boa: eu soube amar. Eu sei. Deus, como é bom!
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E por falar em Cristo, eu não devia, mas vou falar, só para deixar bem claro que não me considero um espírito evoluído, mas ainda sou dono do meu nariz.
Você, cristã criatura que veio aqui dizer que falta Jesus no meu coração, vê se larga a mão de ser arrogante e não estraga a minha catarse. Ah, que coisa mais chata! Como você mesmo disse, leu um pedaço da minha história. E este pedaço, criança, é muito pequeno, é muito parcial e, acima de tudo, é muito meu. Sim, há um vazio, mas ele não tem o tamanho de Jesus, não, tem o tamanho da minha vida e de tudo o que eu ainda tenho para viver — duvido que Deus tenha te passado o script. E se Deus te mandou dizer que eu sou “dEle”, desculpa, ou você tá ouvindo coisas, ou Deus decididamente tá te encontrando pouca utilidade. Eu não discordo (nem concordo) que Deus pode me preencher esse vazio (sic), eu só discordo da sua interpretação da vontade divina. Estamos entendidos? Não responda, foi retórico.
Que Deus também te abençoe. Ou Namastê. Ou Saravá. E não, eu não estou sendo irônico, estou sendo inclusivo, e não intolerante.
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Porto Alegre continua tendo o céu de azul mais impressionante que eu já vi. As pessoas me perguntam: “mas o que de tão especial você vê naquela cidade?” Como se, para ser especial ela tivesse que ter praia, ou isso, ou aquilo. Eu vejo de olhos fechados. Porto Alegre tem a cara de um segundo lar para mim, onde eu sou extremamente bem recebido e acolhido; mãos cuidadosas onde eu repouso meu coração. Eu entendo, e me basta.
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Entrei na loja para comprar umas velas e acabei levando uma estrela. E as velas. E saí correndo antes que fosse tarde demais. Mas lá está ela, brilhante sobre o livreiro, iluminando o meu céu particular. Não é linda, linda, linda?
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Me alimento de sorrisos. Dos meus sobrinhos — as coisinhas mais ricas e doces. Dos meus amigos. De quem estou conhecendo. De quem revejo — e de quem não vejo guardo um sorriso no bolso. E de mim, quando miro o rosto no espelho antes de sair para a rua e cuidar da vida. Tenho esse cuidado: sorrio, para não me esquecer de ser feliz.
É verdade que eu choro. Mas quem não come torresmo, mesmo sabendo que lhe entope as artérias?
Linda estrela. Que ilumine teus sonhos!
=)
Me vejo em você…
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Eu soube amar, e tenho essa mesma sensação, de dever cumprido. Mas, mesmo com tudo, eu ainda acho que queria tudo de novo. Absurdo, né? Maldito vício do drama!
Eu não quero tudo DE novo, não, Fê. Eu quero tudo NOVO. :)
Com vício a gente não brinca! Hehehehe…