Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim…
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim perdidamente…
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
(Ser poeta, Florbela Espanca)
Amo-te muito e sem descanso e sempre
E mais que a tudo e que à realidade
E como um louco e com serenidade
Amo-te com a dor de um amor ausente
Amo-te agora e pela eternidade
Como um bom deus sempre presente
Amo-te aflito e amo-te contente
E sem passado e nome e sem idade
Amo-te como uma criança, puro e casto
E com desejo e um amor devasso
E com saudade e mais do que podia
Amo-te enfim como um castigo
Sem fim, errante e sem amigo
Te esperando pra me raiar o dia
(Soneto de amar, Gabriel Dinnebier)
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E é assim que, subindo no ônibus no meio da tarde ensolarada, na cidade que é sua sem dela ter nascido, você se vê refletido em você mesmo, duas vezes.
Pelo jeito mais um poeta, que apesar de nao ser porto-alegrense, merece o título de cidadao honorário por encontrar lá a sua poesia como um dia o fez o poeta-passarinho.