Suplício

E quando tudo o que se pede
e tudo o que se pode é meter
a mão no peito, rasgando
violento, contrafeito
a própria alma?

Oi, tudo bem?

Eu não tenho mais 15 anos. Quando você chega, eu não rio nervoso. Não mostro mais minhas qualidades como se fossem parte da minha coleção de figurinhas. Prefiro que você veja logo os meus defeitos. Prefiro estar nu. Se você passar por eles, então podemos conversar.

Mostrarei minhas boas faces uma de cada vez. E devagar, para que você se acostume a elas, para que você não ache que eu sou mais do que sou. Eu não posso com a expectativa, ela me sufoca. Ela me tira daqui de onde estou e me leva para onde não posso estar — é uma tortura.

Venha com a calma das nuvens e a urgência das chuvas. Seja como aquele vento que carrega lufadas, abraços mornos que cavalgam lambendo a campina verde, e te banham de ar. Mas não me carregue, que eu custei a caminhar.

E se você conseguir ver o que eu não mostro, ler o que eu não escrevo, ouvir o que eu não digo, não me conte! Espere, vá com calma, tome cuidado. Que para te conhecer, eu vou me conhecendo aos poucos.