Ditabunda

Tem todo um bafafá rolando por causa do tal editorial da Folha, lá por meados de fevereiro, né? Pois é, eu só fiquei sabendo mesmo por causa da celeuma. É o jornal e seu revisionismo tacanho — e oportunista, vamos combinar, para um jornal que sempre se orgulhou de ser de centro-esquerda —, são os intelectuais de esquerda inflamando-se indignados — e, se menos oportunistas, também parciais, como todo discurso inflamado —, é o militar reformado fazendo comparações superficiais, é o jornal de novo, perdendo definitivamente a isenção e a elegância. Enfim, é o pau comendo, para variar. A única expressão realmente sensata, pacrece-me, foi a de Fernando de Barros e Silva, na própria Folha, que veio elegantemente ilustrar o quanto todo mundo está errado.

Mas uma coisa que me chamou a atenção no meio da argumentação toda foi a intrigante definição de valores: quer dizer então que existem ditaduras melhores que outras? Me digam… Não, me digam com sinceridade! Eu não sabia que ditadura de direita era diferente de ditadura de esquerda! Vou tentar me lembrar disso da próxima vez que toda e qualquer liberdade humana for ameaçada. Ora vamos, uma ditadura só e melhor que outra quando somos a favor dela. No fim de contas (de corpos, se preferirem) dá na mesma. E acho que hoje podemos afirmar com tranqüilidade que qualquer ditadura — tenha ela o background histórico que tiver, e aí, sim, temos uma questão de fato para discutir, não para justificar, mas para entender, incorporar e evoluir socialmente —, eu repito, toda ditadura é vil.

Isso dito, podemos seguir adiante sem pisar no mesmo buraco?

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