We apologize — and yet, we don’t.

Às vezes, simplesmente é muito. É quando aquelas defesas, tão fragilmente erguidas, despencam. É como encarar a audiência nu, sem piada nem gracejo, sem toalha, sem jeito. E nenhuma audiência, por mais crítica que seja — e nunca o são tanto assim —, é pior que o próprio espelho.

“…Se lembra quando toda modinha
Falava de amor
Pois nunca mais cantei, ó maninha…”

Cinza

“Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou…”

Carnaval traz sempre um quê de ressaca, mesmo quando não se bebeu — o meu caso. É um sentimento de vazio, quase tristonho, de quem quis muito e acabou meio sem querer no final. É aquele beijo que você quis roubar. Aquele rosto que levou teu olhar e não devolveu. Ou a cantada que você recebeu. O sorriso que alguém te deu e você não teve onde guardar. Não há bolsos no carnaval, a gente só leva o que consegue pendurar no pescoço. É uma alegria que, mesmo não sendo forçada, não é natural. Tanto desejo parece que esgota a gente e acordar na quarta-feira é sempre um pouco gris.

Acho que nosso problema é querer viver um eterno carnaval, como se não fosse possível ser feliz fora da folia. É a loucura que se instaura, fantasiada de razão, já que nada disso vale a pena, pois no carnaval — não me leve a mal — nada é certo, nada é prometido, apenas o querer constante e insaciável é permitido. E nosso desejo continua bloco afora, por entre uma gente que nem se vê, se abraça e se beija e caminha sem rumo, sem jeito, sem fim.

Mas no entanto, é preciso cantar. É preciso encontrar novos carnavais. E algum deles há de ser menos folia e mais canção, menos tristeza e mais sorriso, menos saudade e mais coração. E que o Carnaval seja apenas uma lembrança de dias gostosos de uma felicidade sem motivo. Uma fantasia de nós mesmos onde a gente achava que sabia e cantava cantigas de amor, quando o que buscava, sem saber, era um canto de paz.

“Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe…”

Oscarito

Eu nunca tive realmente muita vontade de assistir à premiação do Oscar — eu nunca fui um fã que preste, é verdade. Daí que quando, pela primeira vez eu tenho esse impulso, devo agradecer à maravilha que é a internet e suas trasmissões… well, piratas. Porque claro que eu cancelei a TV a cabo por falta de uso (fora o preço abusivo).

Pena que mesmo assim eu não me toque do horário da cousa — não é que eu esqueci, eu não sabia mesmo! Mas valeu pelo gran finale ao ver o Sean Penn levar o douradinho. Não valeu pela Meryl Streep — quero meu dinheiro de volta!

Got Milk?

Nasci em meados dos 70, mas acho que só comecei a acordar no finalzinho dos 90, já que na adolescência a gente só pensa que sabe das coisas; a adolescência é um sonho — ou um pesadelo. Talvez por isso a questão toda da emancipação do movimento gay pra mim seja apenas… história. Mais ou menos a diferença que deve ser quando eu penso no período da ditadura e quando meus pais é que pensam. Eles tiveram amigos presos, eles conheceram gente que sumiu ou fugiu às pressas pro exterior, e isso porque nunca pegaram em armas. Da mesma forma, as histórias mais tristes que eu conheço do mundo gay não são minhas. Minha saída do armário foi tão simples quanto dizer: “mãe, você sabe que teu filho é gay, né?”, e apresentar meu primeiro namorado, ou levar o outro pra almoçar numa casa cheia de família italiana num domingo de Páscoa; sem exagero. Não tenho mérito nenhum nisso. Eu tenho é sorte, muita sorte de ter nascido numa família amorosa e tolerante, que tem lá seus vários problemas, mas que nunca tratou esse tipo de diferença como um fantasma, um estigma.

Isso não me livrou de ter meus próprios fantasmas, entretanto. As maiores opressões que já sofri até hoje foram minhas, frutos de insegurança, medo, carência, etc. Mas sobretudo, o sentimento que a gente compra do mundo de ser errado. Tudo isso cai por terra quando você se sente pronto pra (se) enfrentar. Com 16, 20, 40 anos ou mais, há sempre um processo de emancipação, em relação ao mundo ou a si próprio.

E é por isso, acho eu, além da lírica humana (que atenua certas cruezas históricas) e da interpretação irretocável do Sean Penn no papel principal, que Milk me pegou em cheio. Porque não dá pra ficar indiferente quando você vê sua natureza sendo atacada impiedosamente, num exercício de hipocrisia sem limites. Muito menos quando de dentro da minoria uma voz se ergue, uma luz se acende, uma esperança se impõe. Isso é épico. Isso mexe com a gente.

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Deixei os gatos ontem assistindo Aristogatas na TV, na esperança de que eles ganhassem um pouco de bons modos.

A julgar pelo rolo destroçado de papel higiênico que eu encontrei esta manhã, não gostaram nem um pouco do filme.

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Acabei de ver que este ano sai uma refilmagem de Star Trek. Vai ser um fiasco, os personagens não terão o mesmo jeitão, eu não sei como o enredo terá a mesma força depois de tanta ficção científica e uma horda revoltosa de trekkers vai se inflamar contra o que eles dirão ser indigno da memória da USS Enterprise — eu vou ficar de olho no Sr. Spock.

Vai ser lindo, mal posso esperar!

“…While combing my hair now,
And wondering what dress to wear now…”

Sabe que eu gostei dessa história de ficar mudando de template?

Agora só falta eu criar vergonha na cara e mudar aquele branco da parede da sala… Devagar, né? Que lá não é só clicar e pronto.

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Eu ando doido com as coisas de casa. Quero uma luminária pro teto da sala. Quero que meu tapete fique pronto pra ontem. Quero almofadas coloridas. Quero uma mesa linda de jantar — essa é foda!

Só o dinheiro que não acompanha o meu ritmo. Ninguém deveria vir ao mundo com mais gosto que dinheiro. Parece que tudo onde eu bato os olhos é mais caro. Qualé? Tem graça não!

Se eu tivesse o mesmo gás pra arrumar as minhas coisas que eu tenho pra procurar coisinhas… Bom, eu seria virginiano, é verdade.

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Tirei aquela caixa do fundo do armário. O teu presente eu dei, o móbile de papel colorido acho que vou pendurar na sala. Mas os mil tsurus amarelos e prateados que eu dobrei pra você fiz voar. Eles agora habitam céus de algodão. Dizem que mil tsurus trazem sorte. Eu não podia mantê-los presos num fundo de armário, sorte — assim como o amor, assim como a amizade, assim como a felicidade — é algo que não se deve engaiolar.

O óbvio

Eu mereço um amor possível — não um amor inventado, não um amor idealizado, não um amor perfeito, não um amor bandido; possível.

Já tava na hora dessa verdade entrar na minha cabeça e no meu coração.

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Um oferecimento: coisas não necessariamente relacionadas anteriormente que poderiam muito bem passar longe daqui, mas não.

Da não-linearidade das coisas

Porque faz tempo.

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Coração na mão. É quando você não sabe o que fazer. Ou quando sabe, mas não pode. Ou quando pode, mas não deve. Ou quando deve, mas não consegue. Ou quando consegue, mas não adianta. Ou quando adianta, mas é pouco…

Deu pra entender?

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Oito anos de blog. E para quê? Metade poderia muito bem não ser escrita — ou dita, bem como na vida. Erros. Acertos. Bolas na trave. Ora bolas, quando eu paro para pensar, vejo que não sou mais eu em muita coisa, mas é aí que mora a injustiça: todo prado deve ao seu solo, cada camada que nele se assenta, a sua exuberância.

É por isso que eu estou ali e que cada pedaço, cheio de sua verdade temporal, sou e sempre serei eu, mesmo sem mais ser.

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Chorei muito quando você se foi. Muito. Mas respeitei sua escolha silenciosa de partir. O mais difícil foi dizer adeus — um adeus que você nunca ouviu, dito para aquele pedaço de você que carraguei comigo (onde será que você me guardou? não importa). Foi quando fiz a minha escolha de não te procurar mais, de não saber de ti. Tive que colocar a razão sobre o desejo, simplesmente, e não por outro motivo: te procurar me faz mal e eu não posso permitir que você me machuque desse jeito, se você nem está aqui.

Mas se a razão acode, ainda assim o sentimento prevalece. Sem drama. E eu sinto, muito, como sempre senti. Sinto tudo, mesmo quando não faz sentido, porque é da minha natureza e porque é preciso purgar, pois sentimento engolido vira doença; e sentir é muito nobre. Portanto, eu sinto muito. Eu sinto muito…

…Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

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Doismesesemeio sem monitor, vocês têm noção?
Eu quero que a Samsung morra e a notícia corra.

Sabe aquele jogo que eu tava doido pra jogar? Não joguei. Sabe aqueles filmes que eu tava esperando janeiro pra assistir? Não rolou. As séries? Nem. Eu tô para ver pós-venda mais esculhambado.

Amiga dona de casa, se você tem algo da Samsung, reze para que continue funcionando bem bonitinho porque senão… Agora, se a garantia acabou há, tipo, um mês, como no meu caso, reza, mas reza muito, pode ir rasgando a própria roupa e pedindo perdão se você, como eu, deu peteleco nas bolas de Cristo pendurado na cruz.

E prepare-se para muito Procon, que eu tô me preparando para um Pequenas Causas.

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E tudo o que eu queria naquelas noites era abraçar teu cheiro e beijar teu sono.
Era o que você não queria me dar e o que eu não podia te pedir.

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E como a vida não pode deixar de ser bela, a casa anda cheia dela. Rabicó e Menina crescem como se não houvesse amanhã. As plantas trazem serenidade e suas cores pouco a pouco vêm tomar conta do espaço. Quer dizer, isso quando a Menina não resolve arrancar-lhes as folhas ou derrubar o vaso — o exuzinho de quatro patas.

Para ajudar mantenho água e sal grosso do lado da porta. E alfazema nos travesseiros, sempre fofos, os lençóis limpos. Enquanto isso o corpo pede alma e a vida pede calma.

Temp[orary|late]

Preguiça. Eu odeio mexer em html, php então, nem se fala! Simplesmente não sei, tenho que ficar analisando os scripts pra entender como funciona e daí alterar, incluir, tirar o que eu quero. Já não tenho mais tanta paciência pra tentativa e erro.

Depois que troquei o MT pelo WP, o Figaro, que já estava às moscas ficou pra lá de largado. Cada vez que eu abro uma página de código um torpor dos diabos me toma e eu arranjo outra coisa pra fazer.

Então vamos aderir aos templates pré-fabricados, né? Não é muito original, mas eu não tô nem aí. Um dia, quem sabe, eu me animo. Ou não.

Será que alguém tá morrendo de vontade de me dar um template novo? Hm… não?