Horoscópico

Há um tempo eu gastava o meu tempinho publicando o meu horóscopo aqui — na verdade, há um tempo eu gastava o meu tempinho publicando qualquer coisa aqui. Mas ontem — a saber, domingo, que eu ainda não dormi —, depois de passar mais de seis horas numa mesa, petiscando, bebendo e falando da vida amorosa, da vida não-amorosa e da vida alheia com um amor de amiga, depois de uma semana de emoções saborosas, porém indigestas, fui dormir com febre. É, febre. Aquilo que eu nunca tenho, mas que às vezes eu tenho.

Daí que eu acordo hoje e abro meu e-mail:

A Lua se faz minguante entre os dias 17/11 e 19/11, Guilherme, sugerindo algum stress emocional. O risco aqui é de adoecimento por conta de excesso de passeios e farras. Procure observar a importância de manter o recolhimento e a discrição, ainda que a Lua na nona casa esteja lhe impelindo para viagens ou estudos em excesso. Relaxar as emoções é absolutamente essencial neste momento!

Então, né? Agora já foi. Dipirona ni mim.

Cafezinho

E tudo o que eu queria falar era do absurdo que eu tenho achado de pagar uma fábula por cafés por aí. Culpa do Google. É só nesta terra que Starbucks e que tais conseguem cobrar o absurdo que cobram por uma mísera xícara de café? E falando da Starbucks, QUALQUER coisa ali é absurdamente cara. E vive cheio. Quem entende?

Cafezes

Ok, eu já vi que não é novidade, mas é novidade pra mim. Ou não, vai ver que eu já soube disso, mas uma amnésia pós-traumática apagou qualquer vestígio dessa lembrança da minha cabeça. E, de qualquer modo, o absurdo também não ajuda, eu acho que vou acabar esquecendo tudo de novo, então vale a nota.

Quer dizer que eu estou aqui, quietinho, na minha, curtindo a minha vidinha, cuidando de coisas que só dizem respeito ao meu umbigo e tem gente por aí — muito pouca gente, acredito (ou espero) — tomando café de bosta?

Parece algum tipo de barrinha de cereais, não? Tá servido?

Eu sei que o tal do bichinho só come os frutos mais doces e maduros, eu sei que tem todo o processo químico que embosteia os grãos (mas não os digere, olha só, que maravilha!), conferindo aromas e sabores, hm… únicos, e sei também que tudo é lavado, lavado, lavado, torrado, moído, fervido, etc. Tudo isso eu sei, senhoras e senhores. Mas o que me espanta mesmo, não é o fato de ter gente que paga uma fábula pra experimentar essa iguaria — talvez um dia eu até experimente, vai saber! O que me espanta é pensar que alguém, um dia, viu um cocô cheio de bolotas, viu que era café, e teve a idéia piramidal de experimentar!

Você consegue se imaginar pensando: “Hmmm… Esses grãos de café quase não estão digeridos, o que significa que as enzimas do trato intestinal de seja lá o que for que os comeu deve ter apenas alterado ligeiramente a estrutura das proteínas da semente. Isso pode ter ficado muito bom!” Não, né? Você provalemente, como eu, pisaria em cima de um troço desses e pensaria, no máximo: “Eca! Algum bicho aqui cagou café! Que nojo!” E é provavelmente por isso que quem vende esse néctar deve estar podre de rico. E nós, não, caro leitor. Nós temos nojo de café com cocô.

Um mundo onde gente toma sopa de ninho e café de bosta. Não é à toa que às vezes eu me sinta meio deslocado.