X-Dicionário

Meu mundo caiu. Muçarela???
Eu não como isso não, obrigado! Cê-cedilha me dá azia. Prefiro mozarela, sim?
Se possível, um pouco de mozzarella, por favor. Pode ser?

[Etimologia
it. mozzarella (1570) ‘id’, dim. de mozza ‘leite de búfala ou de vaca talhado com sp. de fungo chamado mozze’, do dial. napolitano]

Vai saber o que diabos seria “muça”. :P

Alô, Rio de Janeiro!

Dia 3 de outubro, terça-feira próxima, me apresentarei com o grupo de música sacra do qual faço parte, o Audi Coelum — Solistas, Coro & Orquestra. A apresentação abre a mostra do CCBB-Rio de Música Sacra e de Devoção, a mesma apresentada no fim do ano passado, no CCBB aqui de São Paulo, com muito sucesso.

O concerto, entitulado “Música Devocional na Espanha Renascentista”, conta com um octeto vocal de solistas do grupo, acompanhados por instrumentos de época, regência e direção musical de Roberto Rodrigues e com um repertório de expressiva relevância no período.

Por favor, compareçam e divulguem!

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CCBB Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 66 – Centro Rio de Janeiro RJ – CEP 20010-000
Informações pelo telefone (21) 3808-2020

Teatro II
Dia 3 de outubro, às 12h30 e 18h30

Devoção na Espanha Renascentista – Grupo Audi Coelum – A Espanha do século XVI e seu caráter multifacetado de estilos e tendências, marca do Renascimento europeu. No programa, interpretações de obras sacras ibéricas dos principais polifonistas espanhóis e singelas obras devocionais, com emoção e elevação espiritual. Regência: Roberto Rodrigues.

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Música Devocional na Espanha Renascentista

Rosemeire Moreira, soprano
Juliana Damião, soprano
Fabiana Portas, mezzo-soprano
Guilherme Bracco, tenor
Rúben Araújo, tenor
Silas de Oliveira, baixo
Carlos Eduardo Vieira, baixo

David Castelo, flautas doce
Marcelo Queiroz, flautas doce, voz
Patrícia Michelini, flautas doce, voz e percussão
Rosimary Parra Gomes, alaúde
José Olmiro Borges, viola da gamba

Roberto Rodrigues, direção musical e regência

Programa

Ay mi Dios
Pedro de Cristo (c.1450-1618)

Virgen bendita
Pedro de Escobar (c.1465-após 1535)

Pues que tu, reina del cielo
Juan del Encina (1468-c.1529)

Asperges me
Hernando Franco (1532-1585)

Ave regina coelorum
Alonso Lobo (c.1555-1617 )

Regina Coeli
Cristóbal de Morales (c.1500-1553)

Peccantem me quotidie
Cristóbal de Morales (c.1500-1553)

Gaude Maria virgo
Tomás Luis de Victoria (1548-1611)

O magnum mysterium
Tomás Luis de Victoria (1548-1611)

Replet sunt omnes
Juan Esquivel (c.1563-após 1613)

Santa Maria
Anônimo (em língua indígena)

O virgen, quand’os miro
Francisco Guerrero (1528-1599)

Antes que comais a Dios
Francisco Guerrero (1528-1599)

Pues mi Dios ha nacido
Matias de Durango (1636-1698)

Convidando está la noche
Juan Garcia de Zéspedes (c.1619-1678)

Pega a doida!

Tá, eu sei que jardinagem tem lá os seus truques e caprichos. Também sei que minha mãe se empolga com as verdinhas (e amarelinhas e vermelhinhas e branquinhas…). Mas vocês conseguem imaginar a minha cara quando entro na cozinha e dou de cara com ela “cozinhando” vasos de barro e pedaços de madeira?

Horroróscopo

Astral contraditório beneficia estudos e considerações profundas e graves, mas não ajuda você em empreitadas arriscadas e ousadas. Mesmo que não seja do seu perfil fazer isso, talvez esteja inclinado a tomar atitudes apenas para se livrar de algo que incomoda e pesa. Campo amoroso caminha bem — pausa: hein? —, mas seja criativo e tope mudanças de planos sem reclamar. (Folha)

Argh.

O Espelho

Duas coisas. Coisa um: eu ando muito chato. Coisa dois: tenho achado o resto do mundo mais chato ainda; vazio, desinteressante. Vou vasculhando minhas gavetas porque é aqui nelas — é sempre nelas — que se encontra uma resposta, mas, ai… Algo emocionante, algo realmente inspirador, desafiador até — no bom sentido; tá, eu sei que reclamei, mas veja, desafio é diferente de roubada. Urgentemente!

Pode ser? Ou tá difícil?

Não votem em mim!

E por falar em voto, acho que o Brasil de hoje já atingiu um estágio de desenvolvimento político que permite um novo grau de evolução no sistema de sufrágio universal. Não, é sério! Eu tava aqui pensando: ao invés de incentivar o voto nulo, por que não criamos o não-voto e invertemos o processo todo?

Dessa maneira, eu votaria no candidato que eu NÃO QUERO DE JEITO NENHUM, NEM FODENDO, DEUS ME LIVRE. O candidato que fosse menos não-votado seria eleito. Diz aí se não é espetacular! Assim a gente acaba com essa viadagem de “ah, eu vou votar em fulano porque não quero que sicrano entre!” que vive pontuando os “debates” políticos e troca por uma eleição por exclusão; em caso de empate de menos não-votos, apenas, teríamos um segundo turno. Tudo muito simples, muito prático, você ainda pode descarregar toda a sua raiva e indignação num único voto e nem precisa ser criticado por desperdiçar o seu voto, já que está sendo um cidadão consciente. E eu já tenho meu NÃO-candidato a NÃO-deputado NÃO-federal (muitos nãos, por precaução, cruz-credo, bate na madeira): Paulo Maluf.

Eu sou um gênio. Não votem em mim. :P

Senso de noção

Hoje pela manhã, voltando do hospital com minha mãe, vemos a seguinte placa:

OFICINA NÁUTICA
MOTOR DE POLPA

Eu juro que a minha vontade era parar e perguntar que sabores eles tinham.

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Daí que eu fui essa semana assistir a um masterclass com dois gringos fodidões; tão fodidões que eu me arrependi de me inscrever apenas como ouvinte — a grana, o tempo, o caralho a quatro. Daí que o gringo, habitué de palcos como o Metropolitan Opera House, de NY, fez toda uma preleção sobre como o cantor deve se apresentar a uma audição ou concurso e que isso é a primeiríssima coisa que qualquer pessoa presta atenção quando se põe o pé no palco.

Qual não é o meu desgosto ao ver que o primeiro cidadão a subir no palco veste uma calça social cinza-escuro, uma camisa social meio cinza, meio azul-quase-bem-claro e imperdoáveis sapatos e cinto ca-ra-me-los! O que foi feito do bom e velho preto, meu deus? Não consegui prestar atenção como queria, imaginando que a qualquer momento um celular fosse brotar como que por maldição, pendurado naquela cintura cor de doce-de-leite.

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Hoje à noite, no metrô. Eu, me despedindo da colega e amiga que já tinha passado pela catraca, a última, a do canto, quando uma moça que, claro, queria passar por AQUELA catraca — as demais, vazias, certamente não serviam —, literalmente cospe um “DÁ LICENÇA!” às minhas costas. Eu não sei se ela percebeu a grosseria ou ficou com medo do “NÃO!” que eu mandei de bate-pronto, mas ela foi atravessar o bloqueio umas quatro catracas pra lá.

Depois apanha e não sabe o porquê.

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E tem o Orkut? Tem lugar pra catalisar mais gente sem noção que o Orkut? Eu não me dou mais nem ao trabalho de perguntar de onde me conhece, etc. e tal; não fez uma apresentação mínima — dizer que eu estou na comunidade “Chico Buarque” não é apresentação mínima, é chover no molhado —, apago de vez; insistiu eu bloqueio. Ó, eu nem sou o ser mais anti-social da face da Terra. Mas ajuda, né?

E os candidatos mandando mensagenzinhas pseudo-íntimas pelos scraps? Eu não conheço maneira mais rápida de perder o meu voto, mas enfim, cada um é livre pra ir e vir, se expressar e queimar o próprio filme como quer, né? :P

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Eu tô bonzinho, podem acreditar. Tô só cuidando do meu jardim.

XII. Prece

Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.

Dá o sopro, a aragem — ou desgraça ou ânsia —
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistaremos a Distância —
Do mar ou outra, mas que seja nossa!

(Fernando Pessoa)

Por que tanta dor?

Ontem fui visitar minha tia. Não há o que dizer, não há muito o que fazer e eu tento não pensar em tudo o que talvez pudesse quem sabe e etc., mesmo porque isso envolve outras pessoas e suas dores não são menores que as minhas. E eu fui ser o que sempre fui, desde que me conheço por gente: sobrinho. Ela dormia com a mão (tão magra! céus, tão magra!) agarrada à grade da cama hospitalar levemente inclinada e instalada no seu quarto como quem se segura sem perceber, por medo de cair. Acordou num sobressalto mudo, e não sei se me via, mas voltou a dormir um sono estranho, contrariado. Há alguns meses ela dizia que se estivesse boa no fim do ano iria viajar com os amigos em mais uma das excursões que costumam organizar aos fins de mundo por aí afora; hoje ela quase não diz mais nada.

Chorei como sobrinho que vê a tia definhar sem poder fazer absolutamente nada. Cadê os milagres e misericórdias e o caralho que tantos dizem por aí?

Quando vai alta a madrugada

Eu penso nos dias de tom azul e deito minha cabeça no travesseiro. Fui atrás do meu velho travesseiro de penas, tão puído e tão mais velho do que eu, que as pluminhas precisaram de uma capa nova pra que não fugissem mais pela trama do tecido. Mas só este, magrinho, já tem a curva de tantos sonhos.

Durmo bem, sempre dormi, é raro eu perder o sono. Mas naquele momento de entrega ao sono e quando do seu abandono… Sabe quando não encaixa? Ando carente de aconchego, mas onde, como, quando? A gente sempre pode contar com velhos travesseiros. Porque os dias andam azuis, mas eu ando cinzento.

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De tão infiel que fui a mim, me respeitei tanto e de tal forma que ora não sei o que sinto, ora sinto o que não devo e sei que minto, tentando em vão me desviar de conhecidas arapucas; me agarro a sentimentos conhecidos enquanto me desgarro de mim; perfilam memórias pelo meu corpo e ele responde prontamente, desrespeitosamente, anarquicamente. E às vezes há tão pouco de mim em mim que a solidão é algo que dói na alma. É como se entre eu e a casca e entre a casca e o mundo houvessem anos-luz. E eu cansei de (me) entregar e (me) perder. Amo meus amores; amo o amor, mas eu quero um descanso, uma boa sorte, uma brisa quente. Eu só quero esquecer de amar um pouco pra poder me lembrar em paz, pra poder me lembrar como se faz. Pois amar demais não é pecado, mas é tabu.

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Acontece que eu ando assim, meio desgostoso, meio sem sentido e os equilíbrios são custosos e instáveis; pequenas camadas de um esmalte. As alegrias parecem não fechar a trama dos meus dias e eles vão, nascem, morrem, nascem, morrem, sem que saiam do lugar; parece que tudo foi esquecido por algum deus mais desatento e eu me sinto desatrelado, como um barco que não está ancorado no cais, nem navega, apenas flutua, sem rota, brisa, sem horizonte.

Take six (or seven)

Marie me jogou esta batata quente e ainda me elevou a padrinho, pra dificultar a recusa — ela me conhece suficientemente bem pra saber que eu dificilmente iria seguir o esquema, mas enfim.

Seis coisas sobre mim? Dignas de nota? E aqui? Senão, vejamos…

(i) Eu carrego comigo doses cavalares de um eu racional e um eu emocional; na verdade, eu oscilo pelos dois universos que sou apenas eu, em busca de equilíbrio. Eles brigam feito cães famintos por um osso; eu sou o osso. Cada qual já teve sua época menor de florescimento, decaimento ou reflorescimento, e crescer me trouxe algumas camadas de concreto, mas eu lembro muito bem quando foi que eu finalmente comecei a atentar pra força, importância e necessidade de não bloquear o que eu sinto — e que é basicamente, livre de construções complexas, estruturas e conceitos estagnados; sou eu, o que eu sinto me define e eu sempre sinto tudo e me entrego com uma intensidade que poucos agüentam —, mesmo que isso pareça não ajudar. Foi quando eu saí da USP, do curso de Matemática Aplicada e fui de vez pra UNICAMP, estudar regência e depois, juntamente, canto. Parece óbvio, não? Não é. Aquilo foi decorrência de um grito interno de vida e não o contrário.

(ii) Eu tenho uma capacidade assustadora, mas não freqüente, de amar o amor amante (e o amor-amigo, de forma mais tranqüila). Digo assustadora porque ela geralmente se pauta no que eu vejo dentro das pessoas. E embora isso soe prentencioso, na verdade é estúpido. É assustador porque assusta, simples assim; assusta quem não quer ser visto com os meus olhos, não com esses olhos. Eu me apaixono nem sempre pelo que os outros têm de melhor, mas pelo que podem ter, só que pra mim eles têm; aí reside o dilema, além de ser uma percepção completamente abstrata e nem um pouco prática. Apaixonar-se pelo casulo porque dentro se vê a borboleta pode ser muito bonito, poeticamente, mas um casulo é sempre um casulo; ele existe pra separar a borboleta do resto do mundo e só tem uma força da natureza capaz de fazê-lo romper: a vontade da própria borboleta de sair. Tenho aprendido essa lição, acreditem, a mui duras penas. Acho que há um boa dose de intuição e poder empático aí, meio desconhecido e mal administrado.

(iii) Tirando as questões amorosas, eu sei ser extremante prático, pragmático, o que me facilita na hora de dar conselhos; sou o famoso ombro pra todas as horas e adoro ajudar, adoro ser útil. Isso já me fodeu a vida um bom tanto porque eu usei da minha grande solicitude como forma de não olhar pra mim; vesti uma capa, fui super-homem, um prato cheio pra uma auto-estima e um amor-próprio que já foram mais baixos que o nível do mar. Ainda adoro ajudar, tenho certa facilidade em me colocar na posição do outro, ainda sou muito bom em dar conselhos e desmascarar mecanismos de auto-sabotagem alheios — venho treinando muito com os meus —, mas, bicho, eu não sou idiota, passei muito longe disso, na verdade. Então, não vem dar uma de coitadinho ou santo pro meu lado porque eu não escolhi não ser psicólogo à toa — talvez hoje eu tivesse a lucidez, a imparcialidade necessária à tarefa, mas não tenho mais as cascas protetoras; tô fora!

Voltando, eu sou prático — o que não quer dizer que eu seja organizado — e odeio tudo que é estupidamente elaborado, projetado ou construído, desde aparelhos ou programas que ne-ces-si-tam de manuais que expliquem seu obscuro modus operandi, até pessoas e relações que preferem dificultar, complicar ou retorcer, ao invés de seguir em linha reta; o bom e velho modo direto-ao-ponto de ser.

(iv) Isso não significa que eu despreze a doçura, o carinho, o cuidado pelos sentimentos alheios. Muito pelo contrário, até por isso acredito que os sentimentos envolvidos são o que há de mais importante e carente de atenção — e quando os sentimentos ali vigentes não são do tipo que deveriam ser, então devem ser separados da questão. Eu acho que nada justifica a violência sentimental, assim como a física, mas a dor de um sentimento é em mim muito mais torturosa e penetrante que uma dor física. Sentimentos são a maior riqueza do ser humano.

Estamos todos sujeitos à cagadas, mas não há uma só pessoa próxima a mim por quem eu não valorize seus sentimentos; já cuidei muito deles, mesmo quando tropecei miseravelmente nas armadilhas que os nossos quereres nos armam. Tenho muita consciência disso e enquanto eu acho que vale o esforço, vou atrás.

(v) Eu sou extremamente argumentativo e um tanto prolixo quando preciso explicar ou defender alguma idéia — resumir vem sempre depois. Eu listo, eu ordeno, eu organizo o raciocínio de uma maneira dissertativa. Quando a questão não pode ser tratada cartesianamente, aí me rendo, sinto mais e penso menos — lembra do primeiro item? Isso é fruto, acho, de uma necessidade de não explicar nem justificar nada pela metade. Eu gosto de deixar claro, de não largar brechas; mais que uma necessidade de controle, é uma necessidade de clareza e perfeição.

(vi) Ah, sim, eu sou perfeccionista. Não existe meio torto; tá, ou não tá torto! Não é quase o mesmo tom; é, ou não é o mesmo tom! Operadores de xerox me irritam — por que eles são incapazes de alinhar, copiar e encadernar direito? Eu odeio serviço porco! Qualquer coisa que eu compre é minuciosamente avaliada, verificada, as costuras conferidas, os encaixes testados, os detalhes observados. É normal eu experimentar ou pedir pra ver outra peça do mesmo modelo, igual àquele, seja lá o que for, e se eu não faço tudo isso, volta e meia me arrependo depois. Eu nunca compro alguma coisa que é quase o que eu quero; se é quase, não é o que eu quero, não compro. Vivo num mundo de detalhes que compõem o todo.

E eu sou auto-crítico, isso é uma merda. Gosto de cantar, adoro vencer minhas limitações, mas odeio me ouvir cantando gravado porque nunca acho que tá bom.

Um tanto obsessivo compulsivo, acho que vem daí a minha vontade de tomar as rédeas das coisas; não é por competição, não é uma vontade de mandar pelo mandar, é querer ver tudo harmoniosa e perfeitamente acontecendo. Me tirassem a auto-crítica e eu seria um ditador num mundo perfeito (aos meus olhos). Utópico, ainda bem. Que graça teria fazer qualquer coisa que (ou viver onde) não tem mais pra onde crescer, que não se desenvolve, não se expande, não é diverso.

Amo a beleza em suas formas e manifestações físicas, abstratas e emocionais (que pra mim é concreto e abstrato), triviais ou não; me comovo com ela.

(vii) E como eu não vou indicar ninguém, vamos a uma sétima. Eu sou preguiçoso. É sim, eu nado (quase) todo dia porque isso me faz bem, mas eu gosto mesmo é de fazer coisas por vontades e impulsos. Tá, eu gosto de nadar, mas eu preferia ficar de pança pro ar em casa, comendo várias coisas gostosas e, quando me desse vontade de nadar, pedalar, caminhar, subir uma montanha, voar, qualquer coisa — no dia, no mês —, que eu estivesse plenamente em forma. Adoro aprender, mas detesto estudar; é sério, acho um saco, quero passar logo pra parte de saber. Mas adoro pensar, penso o tempo todo e resolver coisas é estimulante.

Isso deve estar ligado à maneira como as mudanças se dão em mim. Eu não tenho medo de mudanças, mas veja, elas têm pouco a ver com vontades. As mudanças me vêm lentas, nunca furtivas ou volúveis, elas não surgem, simplesmente; eu preciso entender e sentir a mudança, olhar pra ela, tê-la ali, vê-la em mim — o que não necessariamente garante que seja uma mudança pra melhor —, isso pode até ser mais rápido ou mais lento, mas é maturado. A partir daí a mudança está instaurada; pode levar um dia ou um ano, mais, mas eu caminho irrevogavelmente — contrariado ou não, reclamando ou não, feliz ou não — rumo ao novo.

Pronto. Tá bom assim?

Puto. Sai da minha frente.

Se eu tivesse que listar uma coisa capaz de me fazer ferver vermelho-sangue hoje provavelmente seria depender da fórmula loucura-egoísmo alheia. Pessoas que dizem (ou pensam e não dizem) uma coisa e fazem outra, me tiram do sério em vários pontos na escala Richter. Vai ser incoerente lá na puta que te pariu!

Mas como derramar o sangue alheio (especialmente o próprio sangue) não é uma opção moralmente ou legalmente aceitável, eu fico aqui com a minha taça de vinho e a minha 5ª Sinfonia de Mahler pra fazer girar essa energia, pelo bem da nação.

Definitivamente, a independência e o individualismo absoluto podem não ser o caminho mais simpático, mas eu quero mais é que se foda, sabe?

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Ah, sim, isso e, porém, sobrinhos. Crianças fofas fazem milagres.

Soupire

Dois terços (o que deve dar uns 500ml) de uma garrafa de vinho depois, pode-se dizer que tudo, absolutamente tudo se resume à falta que um abraço, o toque, a temperatura, o tato conhecido hoje me fazem. E embora eu saiba que o mundo, a vida, tudo o que me envolve, compreende e me surpreende pode ser maior que tudo isso, me pego, invariavelmente, querendo apenas o básico — eu quero aquilo que não aceita grandes e complexas construções; aquilo que brota sem porquê e está entre o fôlego contido e a confidência — com uma certeza de que me é essencial. O que eu quero é tão simples no conceito e, ainda assim, tão impossível na existência? Só sei que o caminho não é reto; suspeito que de tão torto não o compreendo — será que o retorço e me atormento? Eu me perco. E quando acho que me procuro, me encontro fora de mim. Por que, meu deus, eu sou assim?

Dilúvio

TÁ CHOVENDO!!! TÁ CHOVENDO, SIM!!! :D

Eu acho que vou chorar de emoção.

Pinga ni mim

TÁ CHOVENDO!!! :D

Quer dizer, parece que tá chuvendo, tem umas gotinhas caindo do céu. Isso é chuva? Tecnicamente, dizem que sim. Nem um “cabrum”, nem um “chuá”?

Tô começando a ficar com inveja de um bom furacão, em vários sentidos.