Ora pro nobis

Quem me conhece deve estar sentindo falta de um pouco de presença, um pouco de verbo, um pouco de carinho, um pouco de implicância… um pouco mais de mim. E devo dizer que no momento não tenho. O ano fez o favor de consumir muita coisa. Não quero cair na tentação de dizer que foi um ano bom, nem na armadilha de que foi um ano ruim. O ano foi — bom e ruim — e eu ainda não consigo digeri-lo, então coloco ele pra fora. Nesse ano eu conquistei muita coisa: o diploma que eu buscava e me devia, antes de mais nada; espaço profissional, que eu construo pedra a pedra; algumas boas amizades (e liberdade de outras não tão boas assim); enfim, eu cresci mais um bom tanto. Esse ano me exigiu muita coisa: amorosamente, nem preciso explicar, há quem soube, há quem viu, ponham vários asteriscos nesse item; me trouxe faltas, ausências que me tocaram; não tentei a pós que eu nem sabia ao certo se queria; amarguei meio ano meio sem saber o que fazer, contando as moedas, dei de cara com muita porta até achar uma que abrisse; senti a inveja e o veneno alheios, a mágoa sem porquê.

E esse ano não acaba! Neste exato momento minha tia, a irmã mais próxima de minha mãe, que já havia fraturado a fíbula num tombo de escada, está internada no Hospital do Servidor com um tumor no cérebro, aguardando a cirurgia na segunda. Entre ela sentir que as vistas não estavam batendo e a internação, foi um mês, apenas um mês. Passou o Natal no hospital, vai passar o Ano Novo também. E agora a chance de que sua vista direita fique com seqüelas é grande. Não há certeza de que o tumor seja primário ou secundário, só de que ele precisa ser retirado imediatamente, pois a sua localização e tamanho oferecem risco de vida.

Qualquer sensação de impotência que eu já tenha sentido é pinto perto deste ano. Eu me agarro às minhas conquistas como a amuletos, como se uma coisa desse créditos pra resolver as outras. É muita coisa pra eu digerir de uma só vez.

Então, eu agradeço os votos de todos e peço desculpa se não separo o joio do trigo na hora de fazer os meus. Eu quero, acho, apenas que esse ano termine da melhor maneira possível; eu não agüento, não quero mais — peço, rogo, imploro pela saúde de minha tia! De conquistas e alegrias estou satisfeito; de dores, farto. Que 2006 seja um ano de alívio. Que cada chuva venha pra lavar, pra encher regatos, lágrimas pra apagar incêncidos d’alma. Que o vento venha pra soprar feridas e pra fecundar as plantas. Que a noite caia, silenciosa. Que o sol nasça mais uma vez. E outra. E outra. Pois o sol existe. Que este seja um ano de sonhos despertados.

(sic)

Abre aspas.

e vocês não sabiam que amores não expressos morrem? ou matam, é verdade. (Zel)

Fecha aspas.

“Voar, voar
Subir, subir…”

Eu preciso de-ses-pe-ra-da-men-te viajar.
O chão que eu piso aqui hoje me dói dos pés à cabeça.

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Ontem fiz um bate-e-volta até Valinhos pra visitar uma prima que mora no Canadá e está aqui de passagem — único dia possível. Alguém há de me entender quando digo que senti tanto alívio como se eu fora pra outro mundo, fora de mim.

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Falta muito pra Porto Alegre chegar? Dia 2 é muito longe?

Profundas reflexões de Natal. Ou não.

Acho que foram umas 10h batendo perna nesta última sexta-feira. Da Paulista ao Shopping Center Norte e de volta, e pra Fnac, e de volta pra outro shopping. É, deixei tudo pra última hora. É, é, promessa de ano novo, vai esperando!

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Eu odeio shopping sem localizador! Acho um absurdo ser obrigado a ficar rodando à toa quando já sei o que quero, como em 90% dos casos. Os outros 10% e a sola do sapato são por conta da tia velha (amigo secreto) que não disse o que raios queria ganhar. Azar dela se não gostar! E não adianta, eu enrolo até a morte pra sair e comprar se eu não sei o que escolher.

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Também odeio não encontrar o presente idealizado, mas adoro quando o faço. E quando o faço, pago, quando posso. O problema é que às vezes eu embaralho essas condições. Só não dou mais presentes porque eu ainda tenho alguma noção de que eu preciso viver até os trabalhos voltarem no começo do ano.

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Ganhei/comprei um relógio tão lindo! Eu explico. Ganhei um relógio bem legal de uns alunos — eles deram um presente assim pra cada regente/professor, mas era um modelo esportivo e eu já tinha um muito bom. Então lá fui eu trocar por um modelo social. Claro que o que eu escolhi era mais caro e claro que eu paguei. Seria muita falta de educação rejeitar um presente dado tão de bom grado! ;)

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Já tenho a minha sandália de couro nova pro Ano Novo! Então com a máquina fotográfica, o meio-relógio e o livro encomendado acho que posso — pra não dizer que devo — encerrar o capítulo compras. Mas eu queria tanto alguma camiseta, camisa, bata bem branquinha! Assim, bem simplezinha… Alguém me prende, já!

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Tá feliz neste Natal? Fez feliz neste Natal? Então tá bom. Faz de conta que você leu aqui uma mensagem inspirada. Agora vai lá dar um pouco de amor a quem se ama, a quem te ama, porque tem horas, nêgo, que é só isso que se pode fazer, e a gente simplesmente esquece. Não se esqueça da luz. Vou tentando daqui, com alguma fé.

“You give me Flickr…”

Muito tempo atrás eu disse que só teria um álbum de fotos — ou fotolog, que seja — na internet quando tivesse uma câmera digital. Pois então, digam “xis”: I’m flickr’d!

Agora agüenta a psicose da pessoa… :P

Meio desligado

Ando calado, eu sei.
Em parte porque há o que eu não quero falar.
Em parte porque não sei o que (ou como) dizer.

É a idade…

E porque eu deixei passar: no último dia 10 este blog fez cinco anos!
Fala a verdade, é muita falta do que fazer, diz aí, que aqui já foi demais.

Santa Clarice, padroeira destas parcas letras, abençoai, abençoai…

Milágrimas

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu…

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Com a garganta meio estranha, áspera, peguei aquele CD finalmente pra ouvir — claro que eu chorei. Lágrimas doídas. Milágrimas. Dizem que a cada mil lágrimas um milagre acontece. O único milagre que eu espero hoje é que elas sequem de vez. Mas entre faixas e memórias eu vou buscando os acordes menos diminutos.

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O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração…

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A garganta tá realmente estranha. E eu com um ensaio, cinco casamentos, uma aula — a outra, cancelei — e um concerto importante (pra mim, pros outros, pra todo mundo), daqui até sábado à noite; definitivamente não é uma hora boa pra voz faltar. Daqui até domingo todo carinho é mais do que bem-vindo, já que ninguém pode cantar (ou chorar) por mim — e nem é isso que eu quero.

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A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar…

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“aqui dentro desse pedaço de corpo onde fica o coração parece que caiu uma bomba e ficou o buraco; ou que alguma coisa se foi sem eu saber pra onde. a gente sabe que não vai morrer e nem se acabar, mas tudo se mexe lá dentro pra ocupar o vazio e não deixar o estrago piorar e matar um pouco mais — e mexer coisas de lugar sempre dói, vocês sabem.”

Você já leu isso aqui que ela escreveu? Então leia. Quem sabe, com sorte talvez você entenda porque eu rio quando faz-se o dia, mas choro quando me cai a noite.

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Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá…

Milhagem

Um amigo queridíssimo precisando de mim no sul.
Outros por quem a saudade dói, no norte.
Saudade também à nordeste, aqui e ali.
Um amor que vem.
Outro que vai.
Dois aniversários.
Muito trabalho.
Algum rumo.

E eu aqui vivendo tudo, absorvendo, amando, chorando, querendo tudo e nada.
Há dias em que eu gostaria que o mundo existisse só até onde minha vista alcança.

A dinamização da libido

Entre os dias 29/11 às 14:33h e 21/12 às 03:58h, o planeta Marte estará formando um ângulo harmonioso em relação ao planeta Vênus do seu mapa astral, Guilherme. Este tende a ser um período particularmente positivo para o sexo, o prazer, uma fase em que você provavelmente sentirá que está irradiando um magnetismo pessoal maior, e de fato estará… Convém aproveitar o momento, circular mais, fazer-se ver, exibir-se um pouquinho não faz mal a ninguém, afinal de contas.

O magnetismo pessoal irradiado neste momento vai bem além da mera esfera sexual, entrando em todas as suas áreas sociais, do trabalho às amizades. As pessoas estarão percebendo em você um “tesão maior” para fazer as coisas, uma percepção de que você estará tendo mais prazer em viver a vida. E você, é claro, poderá contaminar positivamente os outros com esta qualidade, neste momento. (Personare)

Então tá, vou anotar na agenda — nota: comprar camisinha, opa!

As time goes by

Foi segunda passada, né? Eu esqueci e só fui me lembrar bem depois. Na verdade, achei estranho você no meu pensamento assim tão insistentemente e daí me dei conta — não sei se era você que se lembrava ou uma parte de mim, aquela que nunca esquece; algo me diz que ambos, mas acho que isso agora não importa.

Sabe, eu achei bom não lembrar. Foi bom não pensar no assunto. Pela primeira vez eu fiquei feliz em esquecer. E não é pelas lembranças, que quem realmente me conhece sabe que eu as guardo todas, em belas caixas, em lindas imagens, coisas que apenas meus olhos viram, somente meus ouvidos ouviram, tudo o que eu senti e sei que fiz — e eu fiz muito. Não, não é pelas lembranças, mas sim pelo peso que eu sempre dou a elas, o peso de tudo que eu sinto. Foi bom não lembrar da alegria de te ver pensando alto no tempo que passaríamos juntos ou o que faríamos então, por exemplo. Meu deus, foi bom escapar daquela dor! Uma dor que por mais que eu explique e todos entendam — até você —, só eu conheci. Foi bom não me lembrar um pouco de você. Foi bom mesmo não me lembrar de nós. E não me entenda mal, mas emocionalmente falando, eu já tô de saco cheio de ser esse burro de carga.

O Ministério da Saúde adverte

Corinthianos fazem mal à saúde — bem verdade que podiam ser flamenguistas, são-paulinos, palmeirenses, etc., bastava terem ganhado o campeonato. Taí uma coisa que eu não vou entender nunca: a estupidez potencial que se instaura quando torcedores se reúnem. Nada, nem o carnaval consegue gerar tanta barbárie.

Agora, triste mesmo é ver fulano andando de bunda de fora na rua porque nem levantar as calças depois da mijada ele conseguiu direito. Comovente. Dizem que cu de bêbado não tem dono, mas precisava anunciar? Depois não reclama!

Tempo

“É tarde! É tarde!
É tarde até que arde!
Ai, ai, meu Deus!
Alô! Adeus!
É tarde! É tarde! É tarde!…”