Céu de domingo

Eu não sabia. A vista lá de cima do prédio do Banespa, principalmente com o céu de São Paulo “lavado”, é realmente de tirar o fôlego. Mas tudo bem porque venta tanto que é impossível ficar sem ar. Agora, eu queria subir só mais um pouquinho, ali mais perto do mastro. E (doido) queria admirar a cidade num dia de tempestade também, mas suspeito que não seja muito recomendável. De onde será que vem esse meu desejo (que não é mórbido) por limites, picos, precipícios e profundezas? Desejo de voar? De mergulhar? De explorar? Eu sempre tenho vontade de olhar o mundo ali da bordinha, ver o que tem ali no fundo, onde vai dar aquela trilha…

Descobri o que eu já sabia: muita coisa no centro é perto uma da outra. Porque eu basicamente conheço o centro de metrô e com aquele monte de prédio tapando a visão na rua os meus caminhos nem sempre são os mais eficientes. Aliás, é isso que me agonia, a falta de céu. Como é possivel migrar sem céu, sem mar?

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A mostra de arte erótica do CCBB não é tão erótica assim, não? Ou a minha libido é mais convencional do que eu pensava. De qualquer forma, eu não me excitaria com aqueles azulejos de banheiro. Azulejos… Banheiro… Acho que o artista — cujo nome eu não lembro, é óbvio — tava era se ocupando com outro pincel, isso sim!

Mas dentro de uma mostra de arte erótica, dar de cara com um “Rolla” é o máximo!

Contudo, eu preferi a exposição do Henfil. Os meus preferidos ainda são a Graúna e o sádico do Fradim. Será que os adolescentes de hoje vão saber absorver aquele humor, que não é tanto assim nem da minha geração? Pronto, já tô eu dizendo “isso não é da sua época”. É engraçado se sentir jovem e velho ao mesmo tempo.

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Já é segunda? Eu olho pela janela e tá com uma cara de domingo! Mas daí olho do meu lado e vejo que é segunda mesmo. Fazer o quê? Só mais um pouquinho, vai?

Quase bipolar

Lindo o domingo que fez hoje, não? Coisa boa…
Não, eu não ganhei na mega-sena, não adianta nem pedir.

Humpf!

Tu quer saber?
Tu quer mesmo saber?!
Melhor não. Daqui a pouco, quem sabe?

Cair da cama às 7h do sábado não contribui em nada pro humor da pessoa.
Dormir com os pensamentos/sentimentos contrariados/embaralhados também não.

Fora de área

Hoje eu senti tua falta. Mas não foi qualquer falta. Não foi da tua mão acariciando a minha, foi ainda mais sutil. Não foi daquela piscadela que você dá, com um leve aceno de cabeça quando eu não canso de te olhar no fundo dos olhos. Não foi de você deitado no meu colo, tampouco de mim, deitado no teu, nem dos pequenos beijos soprados. Foi daquela olhadela com olho pequeno, de lado, meio pra trás, de quando você percebe que eu te observo e tento escutar teus pensamentos, e daí me olha assim, como que pra me provocar e me dando vontade de te morder.

Eu escuto a tua voz no telefone e espero que você fale comigo. Abre essa janela.

Bicharia

Deu na TV. Mulher que abandonou 35 gatos num parque dos EUA foi condenada a passar uma noite ao relento no parque — num frio de 7 graus abaixo de zero —, mais 14 dias na prisão. Os gatos foram recolhidos, sendo que alguns deles apresentavam um quadro de infecção respiratória, devido à baixa temperatura.

Ai, que eu achei lindo! Mas é pouco. Pelo visto abandonar animais lá, nos parques pelo menos, é contravenção. Bem que essa moda do olho por olho, dente por dente podia pegar. Eu ia adorar ver gente tendo que tomar veneno por aí. Ah, se não ia!

Silenzio

E o que acontece se eu também me calo?
Se eu não falo, como é que a gente fica?
Apenas essa tristeza muda no ar? Ou sou eu?

Assim eu não te entendo. Cadê você?
Eu também tenho medo, você não vê?

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Às vezes eu vejo fumaça e são fantamas.
Às vezes eu vejo fantasmas, mas são fumaça.
E há as nuvens que eu sopro.

Gato escaldado

Eu devia aprender de uma vez por todas que quando eu tô com a rinite bem atacada o melhor que eu faço é não botar o nariz pra fora de casa. E não pelos espirros, não, é pelo humor que fica de dar um misto de dó com ódio. Credo!

Mas é bom que algumas questões vêm à tona — efeito maré baixa, como ela diz. Definitivamente, eu não quero ver juntar pneu velho nas minhas (nossas) águas.

A gente aprende com o passado a suspeitar de águas calmas demais, infelizmente.

Bonança?

Som! Som! Sssssom! Tudo funcionando agora? Ufa…
Vou te contar, o inferno deve ser um eterno embate com um serviço de suporte.

Weirdo, weirdo freak!

Quer dizer que eu posso escrever posts normalmente, os comentários entram as usual, mas não importa o que eu faça com a página de links — incluindo apagá-la por completo dos templates —, ela não muda, não arreda pé, e há um ÚNICO caracter acentuado mal codificado em toda a página (de links)? Isso não é mais problema de DNS, banco de dados, php, roteamento. Tá mais pra poltergeist!

Eu vou pra luz. Essa migração de servidores tá bizarra demais até pra mim. Se vocês notarem qualquer comportamente estranho aqui, na Zel ou no Gábis, me avisem. Enquanto isso, eu vou brigando com o suporte que tá com viadagem por conta dos meus scripts de backup — eu vou mostrar o “security hole”, seus porras!

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E essa rinite que não me larga mais, inferno!

Virada à paulistana

Eu descobri que não sou muito fã de super mostras de cinema, artes, espetáculos. Veja, o problema não são nem o cinema, as artes ou os espetáculos, o problema não são os eventos culturais, muito pelo contrário, mas as super mostras. É que essa história de ter que virar a madrugada correndo atrás de espetáculo, sem saber pra onde vai, de onde vem e — argh! — que fila pegar me soa mais como queima de estoque em loja de departamentos. E daí eu morro de preguiça e desisto. Não gosto da cultura com essa cara. Não dá pra parcelar? De que adianta 24h com 3000 artistas? Pega isso, amplia, distribui e deixa um mês acontecendo, aí eu acredito.

Eu vou se matar

Não, não e não! Olha que eu já tô acostumado às bizarrices do Orkut, mas agora doeu. Ser adicionado por alguém que carrega a alcunha de “AMO GORDINHOS” foi demais pra minha pobre e fofa pessoa. Vou ali costurar a minha boca e já volto.

Nem tão Chico assim

Faz um ano. Lembra? E de tanto te conhecer não sei mais se te reconheço.
Isso me incomoda. Aliás, toda a vez, sempre me incomodou esse desconhecimento.

Folhetim

Revirando seu sótão ele teve a idéia de ir aos jornais:
“Vendem-se amores usados. Excelente estado de conservação. Motivo: mudança”.

Guardou as lembranças com amor, como era devido, como era de praxe.
E foi tomar sorvete — fazia calor demais e qualquer amargura não caía bem.

Recuerdos de Ypacarai

A praia estava ótima. Falei como gosto, conversei o quanto quis, andei, entrei no mar e fui feliz. Mas ninguém vai acreditar no sol, pois graças ao Sundown 30 eu passei do bege clarinho para o bege, e só. Já ele, o caiçara, o local, o acostumado, tá um boto cor-de-rosa-quase-roxo. E fez pouco das minhas recomendações — eu não sei, afinal, por que diacho eu me preocupo. A sorte dele (ou de seus ombros ardidos) é que o ambiente não era propício aos meus arroubos de bandido.

E aqui entramos em outro capítulo. Mais precisamente, a minha cobrança pelos beijos. É que eu sou assim mesmo, gosto de beijar, de pegar, de abraçar, de fazer carinho. Respeito o espaço alheio, mas não espere que eu mude porque já não tem nada a ver com ansiedade: é vontade, gosto, sentimento, desejo, tesão. E tudo acumulado. Então aviso logo, que conste dos autos. Vem cá, vem? Demora não.

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Rinite de novo? Que é, nariz, é protesto? Queria ficar na praia também?

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Mais um casamento amanhã. O bolso agradece. Eu só não sei o que leva alguém a escolher Love Of My Life como música pra entrada do noivo. Tá, a música é linda, mas começa com “Amor da minha vida / Você me magoou / Você quebrou meu coração / E agora você me deixa…”. Boa maneira de começar uma vida a dois, né?

Das coisas que a gente (não) vê e das que eu preferia não ter visto

O beijo no último capítulo da novela, por exemplo, eu não vi. Mas já me disseram que ninguém mais viu também, então, tudo bem. Tirando um punhado de gente “engajada”, a maioria tava mesmo é querendo beijar o bonitinho por transferência — até eu que sou mais besta!

Eu sei que sou desencanado, ando de mão dada, beijo no meio da rua e quero mais é que o mundo se foda e me deixe (foder) em paz, mas eu queria saber que diabos de “opinião pública” é essa que as pessoas têm tanto pudor em chocar. A essa altura, parece que nunca viram viado na vida! Alguém acorda esse povo?

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Eu fico meio assim de falar mal, já que a gente ganhou os ingressos, tava à toa, fim de domingo, coisa e tal. Mas valei-me deus, que peça ruim! Como é que alguém deixa uma drag queen de língua presa fazer — muita licença poética aqui — teatro? Aliás, como é que alguém deixa qualquer pessoa de língua presa fazer teatro? Não fosse o gênero em voga e não faziam nem papel de samambaia, o elenco todo.

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O tempo. Menino, passou, você viu? Voando.
Mas o fim de semana teve gosto de bolo de laranja com Nutella, em resumo.

É no frigir dos ovos

Eu podia dizer muita coisa, mas a vontade é mesmo de cozinhar em banho-maria. É que é tanto de tudo, de trabalho, de correria, de angústia, de alegria, de ansiedade, de medo, de vontade, de dor, de saudade, de tempo, que eu sinto falta de sentir os dedos dos meus pés agarrando o barro do chão. Acho que isso é vontade de vida em sua essência. Então não escrevo, não falo: faço. Nunca quis que medissem minha intensidade por aqui — acho patético, inclusive, quem gosta de bradar aos ventos “eu sou intenso” e usa isso como desculpa pra sua falta de profundidade ou comprometimento; intenso é o caralho, eu sou imenso, eu sou perene. E você só vai conseguir medir minha voltagem se enxergar os poros da minha pele. Você só vai me ter se segurar a mão que eu estendo, nunca alheio, nunca longe de mim.

Nem amostra grátis

Sabe quantos filmes da mostra eu vi até agora? Nenhum. Nadica de nada. Com os meus horários completamente surtados, cantando e ensaiando aos domingos e feriados, eu tô querendo ver o cão dançando tango na minha frente, mas não quero enfrentar aquelas filas do inferno. E olha que eu gosto de cinema! Mas nem assim.

Pra ser bem sincero eu tava mais é querendo passar um dia inteirinho de frio embaixo do edredom, a dois. Mas, arre, tá tão difícil que o negócio é trabalhar mesmo. (Neste meu meio feriado eu quero você aqui, entendeu? E mais ninguém.)