São as águas, mas nem é março

Só eu mesmo pra aceitar cantar num casamento em São Caetano de Deus me Livre em plena sexta-feira embaixo de chuva. Puro engarrafamento. Quer dizer, eu e o cheque do pagamento que eu não sou besta. Fui lá, cantei minha Ave Maria e voltei. Algo mais de três horas pra cantar uma música que não deve ter nem três minutos.

Tô vendendo a minha alma, mas é pro céu!

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Por que em São Caetando não tem placas? Eles sabem os nomes das ruas de cor?

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Acendi uma vela pra São Judas Tadeu. Agora vai ou vai que eu não quero rachar!

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“Seu sorriso singelo será sua salvaguarda garantida”, diz a sorte.
Sei. Meu “sorriso singelo” só me arranja encrenca, Orkut, se liga! :P

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Eu adoro quando me mandam convite pra participar da comunidade em homenagem ao menino que morreu há dois anos e que era irmão de uma outra que eu nem conheço — nem a outra, nem o irmão. Quando o moleque morreu nem tinha Orkut, ó, capita! Deixa ele descansar em paz e me esquece!

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Clau, lindona da minha vida, pela hóstia consagrada, por Baco, pela unha encravada do Beato Salu, escreve alguma coisa! Tu e o Gábis tão competindo, é?

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Este vai ser, basicamente, um fim de semana de trabalho. E sem beijo na boca. Então, vamos mudar de assunto? Vocês vão lá no concerto, certo?

Claudete Thunder

É o Katrina em New Orleans, o Wilma em Cancun e Miami… Sabe, eu acho que os furacões tinham que ter nomes de drag queens. Tudo bem que uma mulher faz um estrago, mas um estrago daqueles, meu bem, precisa é de muita plataforma!

Nascente

E de repente
era tarde e meus olhos
se encheram d’água
como nascente
sem saber porquê.

Crucifixus

Ainda que seja noite
O sol existe
Por cima de paus e pedras
Nuvens e tempestades
Cobras e lagartos
O sol existe

Ainda que tranquem o nosso quarto
E apaguem a luz
O sol existe
(Maiakovski)

O medo e a dor. Nunca se sai ileso a ambos, não é mesmo? Eu vejo.
Mas eu ainda prefiro a dor ao medo. Prefiro a certeza à dúvida.

Bangue-bangue

E o resultado desse referendo de necessidade e execução duvidosas — que não ia salvar o mundo, a pátria ou trazer a paz na terra aos homens de boa vontade, mas enfim — me faz pensar em que diabo de conceito de “cidadão de bem” é esse corrente por aí. Cada um escolhe a ótica que mais lhe apraz na hora de pesar os argumentos — ortogonais, a meu ver —, mas acho que era, antes de mais nada, uma questão de princípios. O que piora ainda um bocadinho o quadro, né não?

Como acreditar em pessoas que acham que a melhor forma de defesa é o ataque? Gente que acha que a melhor prevenção é a bala? Aliás, quantas pessoas você conhece que reagem imediatamente de forma agressiva quando se acham — não necessariamente foram — atacadas? Pois então, dá uma arma de fogo pra elas!

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E por falar em defesa, já parou pra pensar se aquilo do que você se defende é real?
É que armadura foi algo muito em voga na Idade Média, mas hoje é meio demodê.

Justiça Divina — a vingança pelas mãos de um deus qualquer

Vão até me dizer que eu tenho que perdoar, que quem faz vai receber de volta, etc. Mas já que hoje é dia de referendo, se pudesse eu votaria pra que pessoas que cometem atrocidades como esta — coisa que eu já sofri quando envenenaram a minha princesa — deveriam, na hora certa de sua morte, sofrer muito, muito, muito e bem lentamente. Não seria nada mais que o merecido, na minha opinião. E de preferência com alguma insipiração divina a sussurar em seus ouvidos: “Foi bom dar veneno pro gatinho, não foi? Tá gostando agora?”

Acho que me sentiria vingado. Não é um desejo muito nobre, mas quer saber? Foda-se. Não quero que morram. Quero que sofram a dor que causam. Cada gota.

Ó, cruz!

Daí meu pai vem, recebe um e-mail sobre uma assinatura da Veja que ele não fez, avisando de uma cobrança bancária que ele não autorizou, com um link que definitivamente não é da Editora Abril, e faz o quê? Clica, é óbvio! Não contente em fazer download do arquivo DUAS VEZES ele abre o arquivo executável — arquivos “.exe” são arquivos executáveis desde que o DOS foi inventado — porque ele precisava conferir se aquilo era da Veja mesmo, afinal, eles iam cobrar da conta dele! E quando eu tenho um piti daqueles, o leonino fica todo ofendido! É, de novo.

Eu piquei salsinha na tábua dos dez mandamentos e não lembro, só pode ser.

Voa, condor!

Contei que a linda-irmã ia passar uns dias na Colômbia? Pois foi, hoje. Foram tocar seus tambores lá em Bogotá — ela me mata se me ouvir chamando o djembê de tambor —, as meninas do Ilu Obá. Vai longe, a minha pequena. Baita orgulho.

“Eu vi… pois é, eu reparei”

Incrível e angustiante. Algumas coisas parecem não perder o poder sobre a gente. Sinto que tenho dois tempos: um que em mim se arrasta; outro que a mim arrasta. E sigo em dois andamentos. Por que os caminhos parecem sempre os mais difíceis?

Ainda assim há o que não muda, minha disposição de ser e estar. Permanência. Minha maior força é também uma grande e aquileana fraqueza, com dor e silêncio.

Olá, como vai?

Isso aqui é meu, né?
Pois é, tinha até esquecido.
Você vem sempre aqui?

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O bom de encontrar a colega de academia no supermercado é a cara de cumplicidade na fila da padaria — porque a gente sofre, mas até que se diverte.

Sal grosso

Foram dias de mau humor. Irascível. Sorte de quem não tava por perto do meu azar. Mas haja cristandade pra dar conta do atraso, do ônibus que te deixa plantado no ponto — parece que sabe, o desgraçado! —, da grana que não entra de uma vez, da carência, do telefonema que não foi, do copo que quebra, do tombo, da partitura que some, da Amazon.com que te fode justo quando você resolve comprar aquele brinquedo de gente grande. Nem sei mais, passou. Cansei. Quero flores.

Se um dia eu tiver um saco de pancadas, ah, mas vai se chamar Murphy, ô se vai!

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Pedrão, um pouquinho menos aí no termostato.
E dá uma regada nas plantas, faz favor.

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Hm. Praia e cerveja. Hm. Brisa. Hm. Carinho. Hm. Eu tô salivando, Pavlov.

Zé Serrote

Primeiro o digníssimo senhor prefeito me fecha a casa de apoio a doentes sem chances de cura, considerada modelo na área pela Academia Nacional de Cuidados Paliativos, às véspera do Dia Mundial dos Cuidados Paliativos. (Acabei de ler, no entanto, que a gestão do prefeito recuou e decidiu manter a casa. Estava eu me perguntando se ele não ia pelo menos esperar as pessoas morrerem primeiro!)

Depois leio o que na realidade já sabia, que a prefeitura resolveu — entenda: decidiu que sim, sem nenhuma consulta à população ou às pessoas envolvidas, ignorando abaixo-assinados, inclusive — fechar o Tendal da Lapa, um espaço destinado a ensaios e apresentações gratuitas de grupos de teatro, música e circo há 16 anos pra, no local, instalar uma unidade do Poupatempo. Como se na Lapa, aquele bairro pequenininho, não houvesse nenhum outro lugar pra isso e a cidade não carecesse de suporte cultural como o do Tendal.

E agora eu descubro que aquela anta resolveu espremer as quatro faixas da 23 de Maio em cinco! As faixas, que antes tinham 3,5m de largura terão cerca de 2,65m, do Detran até o viaduto Pedroso. Brilhante! Ele realmente acha que com isso, além de dar mais vazão ao trânsito, os motoqueiros não vão mais trafegar em alta velocidade entre os carros, diminuindo os acidentes graves — vulgo patês de motoboy —, e ignora a quantidade de retrovisores que serão, claro, arrancados, os pequenos acidentes entre carros porque o motorista médio se apavora quando vê um veículo muito próximo ao seu, o gargalo logo adiante, com a volta das quatro faixas, pertinho da saída pra Radial Leste, enfim, a bagunça que acontece quando se coloca muita gente trafegando rápido num local muito apertado. Ele não dirige?

Eu achava que ele era só arrogante — não era disso que era acusada a sua antecessora? — e autoritário, mas não, é um cretino descuidado mesmo. Serrote.

Break

Folga hoje, inesperadamente. Deus existe.
Vou me preocupar então com a nobre realização de um bolo de chocolate — é o máximo de preocupação que eu estou disposto a ter, pra ser sincero. Quero aquela paz, com cobertura por cima, um copo de leite, musiquinha e aconchego. Ai, ai.

Dia estranho

Já teve a impressão de que o mundo faz silêncio com você? Assim, quando parece que você vai sozinho e anda e passa, e o vento parece que não balança as folhas, e os pássaros parece que não cantam tanto assim. Parece que estão todos te olhando com aquele jeito de olhar de pássaro, mudo, com olhos atentos, cabeça de lado, meio inclinada, tentando ver o que você está tentando ver, mas você não está vendo nada. Você está apenas olhando pra dentro, cansado de olhar pra fora, talvez, você está apenas olhando. Você está cansado e nem sabe. E quando você lenvanta os olhos pro dia, pro sol, pro céu, pras folhas, pros pásaros, o dia inteiro parece te perguntar com olhos assustados, porque você levantou os seus, uma levantada de sobrancelha, um suspiro: E então? Mas você não sabe nada. Você não sabe nem o que estava olhando. Você queria ter as respostas, mas nem mesmo fez as perguntas. É como virar do avesso um par de bolsos vazios. Isso te assusta?

E você toma outro banho. Você gosta de tomar banho. Você gosta de sentir a água escorrendo pelo seu corpo como mil mãos carinhosas e quentinhas e se sente bem com isso. Você almoça uma bandeja inteira de iogurte, diet — o feijão estava com muita cara de feijão, afinal. Você veste o seu terno e se prepara pra duas horas de concerto lá onde Judas perdeu o juízo. Você é pago pra isso. Mas o que você queria mesmo era dormir o resto do dia, não fazer nada, longe de qualquer coisa que te trouxesse à realidade. Porque hoje você simplesmente não a reconhece.

Doce lembrança

A irmã me apareceu hoje com um pacote de pão de mel da Panco — antiga Seven Boys, lembra? A gente roubava e matava por esse troço quando era criança.

Horas e horas de academia praticamente perdidas. Bandida.

Who cares?

Eu queria tanto acreditar no descaso, no desapego, nessa capacidade que muita gente mostra (ou inventa) de simplesmente não dar bola, deixar pra lá, esquecer, descomprometer-se. O problema é que eu tenho o péssimo hábito de acreditar em você, mesmo quando nem você acredita, mesmo quando desacredito. Isso é algo que você talvez nunca entenda. O que se há de fazer? Pergunto. Mas não respondo.

Bula

Porque me irrita um pouco, sim — no hard feelings —, então não custa explicar mais uma vez. Por exemplo, comentários. Já notaram que cada post (por mais imbecil que possa ser) tem um link prório, só seu, pessoal e intransferível para comentários? Pois é. Geralmente, eu espero que comentários àquele post sejam deixados através daquele link. E não sem porquê: nem eu, nem ninguém tem que ficar procurando ou adivinhando sobre o que aquilo se refere, e vamos combinar que comentários podem ser bem surreais. Mas não sei por que pitombas as pessoas às vezes querem deixar seus comentários sempre no último post — eu recebo todos por email, by the way. Parece um medo de que ninguém veja, sei lá! Sabe aquela pessoa que tem que falar por cima de todo mundo? Acho que vou começar a apagar comentários assim, então prestem atenção e depois não digam que eu não avisei. E, por favor, sem dramas, isso é um blog, não vai mudar a vida de ninguém.

E e-mail? Você escreve e a pessoa responde quando dá na telha (até aí, tudo bem), mas apaga da resposta o que você escreveu e escreve de forma vaga ou lacônica. Daí, toca procurar o e-mail e ligar os pontos porque a essa altura eu não lembro mais do que eu tava falando. Ou melhor, eu lembro, mas geralmente eu falo um monte de coisa, só que de forma ordenada. E quando recebo uma resposta desligada do contexto me perco, claro. Por que não facilitar a comunicação, hein?

Causo

E por falar em culinária, lembrei de uma história. Eu acho que é de uma amiga da minha mãe, quase uma tia, no entanto posso muito bem estar me apropriando da história de outrem.

Mas a história. Alguém perguntou pra fulana por que ela cortava a cabeça e o rabo de um tal peixe lá pra assá-lo:
— Não sei, disse ela. — Aprendi com a minha mãe, ela sempre fez assim.
Nisso, como era uma festa, resolveram perguntar pra mãe:
— Olha, não tenho certeza mais. Acho que sempre fiz assim. Lembro, insclusive, que tua vó fazia assim também! — disse a véia.
Aproveitaram que a véia-vó tava viva e bem das pernas e perguntaram pra ela também por que cargas d’água aquele peixe era assado cortando a cabeça e o rabo. A resposta não foi outra:
— Bom, vocês eu não sei, mas eu cortava a cabeça e o rabo porque senão ele não cabia na assadeira que eu tinha!

Moral da história: Se você não tem cabeça, cuidado com o teu rabo!

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Pergunta: Como transformar um light e saudável macarrão integral com atum e ervas finas em uma refeição gorda? Resposta: Azeite, meu caro. Lóoooozico

Aliás, pergunta de opinião. Você “lava” o macarrão depois de cozido? Por quê? Eu já ouvi gente dizer que é pra interromper o cozimento. Mas daí a massa fica fria, diacho! Outros disseram que é pra não grudar. Ledo engano, se não colocar um pouco de molho, azeite, manteiga, sei lá, vai grudar tudo num tolete só quando secar, pode apostar. Um namorado meu teve um argumento mais convincente, embora eu mesmo não tenha certeza se faz muita diferença: principalmente com macarrão integral, ele acha que fica um certo resíduo na massa e prefere lavá-la; questão de gosto, na minha opinião. Mas diz aí, o que tu faz? E por quê?

Preguiça-gigante

Sim, vivo, operante e felizinho, arrisco dizer. Mas com uma preguiça monstra de juntar lé com cré. E a preguiça, a gigante, é um bicho pré-histórico, vocês sabem, então é melhor não mexer muito com ela. Vai que ela chama seus amiguinhos mamute e dente-de-sabre! Eu tô com uma preguiça de correr…

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Brotoejas. Se eu não comprar minha digital até mês que vem tenho um troço!

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Eu não vou nem comentar a matéria da Veja sobre o desarmamento. Disgusting.

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Agora minhas manhãs de sábado são minhas novamente. :D Pedi as contas no trabalho-mala! Tudo muito simples, muito fácil e civilizadamente, como convém a pessoas bem formadas — aquelas que sabem do que estão falando, entende? —, educadas e profissionais. Ao contrário de pessoas que gostam de fazer fuxico, falar mal de outrem e ir às suas aulas mesmo assim; espero que tenham aprendido alguma coisa, pelo menos. E eu não vou fazer a caveira do projeto — mesmo porque não é o caso, não mesmo — que é pra deixar uns e outros contrariados.

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Preciso desesperadamente de praia. Vários concertos. Falta muito pra novembro?

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Deu. Vou lá dormir no quentinho. O último que sair apaga a luz, faz favor.