Para dias frios e corações quentes

Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra-mola que resiste

Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera
(Primavera nos dentes, Secos & Molhados)

Pedrão, tu tá bem doido, não? Sentou no termostato? Que tempo é esse?
Pois eu sei, não adianda, eu sei que atrás de tanto cinza meu sol brilha mais forte.

Sim, eu continuo acreditando, teimosamente. Um inverno ainda é pouco pra mim.

Tem, mas acabou

— Moço, tem carinho pra dar?
— Hoje não, volta amanhã.

E eu só queria não me sentir contrariado — mas eu me sinto, não nego. Porque eu sei que afogo, mas o que eu faço com esse mar dentro de mim? Eu me fiz onda e senti teu barco se afastar. (Isto aqui se chama ansiedade, e exagero; tenho disso.)

Amor quase crônico — dedicatória

“Pro Gui,
(de quem eu sou fã,
diga-se de passagem)

com beijocas, com admi-
ração, com carinho e
com tietagem

:)
Fal
set/05”

Comprei o livro e ganhei uma fã?
Ora, e eu nem sabia que tava em promoção!

Agora tenho Drops na mochila — doçura alheia pra algumas daquelas horas.

+

Fora uma meia-dúzia de dois ou três, mais as pessoinhas que conheço de outras bandas, sempre me espanta descobrir que alguém me lê de fato, e gosta. É bom.

Longe dos olhos, perto do coração

Ando sumido — é a vida. Mas nunca estive tão perto de mim.

Certas coisas que a vida traz não têm preço. Também não pagam contas, não resolvem problemas ou evitam tristezas, mas te ensinam a ser cada vez mais você. E olha, vale o esforço até a última gota, pode apostar. (Viver é quase uma teimosia, não? — talvez por isso eu ache que ainda vou me dar bem; é, assim faz sentido.)

Mondo Bizarro

Eu tava aqui lendo a Folha, querendo tacar ovo podre no Serra e em seu subprefeito cretino por causa dos moradores de rua da região da Paulista — e me pergunto: por que ao invés de construir maneiras de expulsar esse povo, não se constrói maneiras de abrigá-los? Daí fui ver se tinha alguma notícia interessante no Mix Brasil e quis tacar uma bomba na escola cristã que expulsou uma aluna porque as mães (é, mães, no plural, duas) eram lésbicas — não importa se tinham uma união estável de 22 anos, 3 filhas nesse casamento, uma de 19, outra de 14 (a expulsa) e uma uma de 9, não importa, são lésbicas e isso é imoral, vão pro inferno; eu digo, eles que vão pro diabo que os carregue!

Mas devo confessar que a notícia que me causou mais… agonia foi esta:

Fazendeiro romeno “quebra? o próprio pênis
Ghoeghe Popa, fazendeiro de 52 anos de Galati na Romênia, fraturou seu pênis depois de ter se excitado ao ver sua mulher. Ghoeghe estava levando sacos de grãos para o estábulo da fazenda quando parou para assistir sua mulher Loredana, de 25 anos, pendurar as roupas lavadas no varal. Ele se excitou e acabou por derrubar o saco sobre o pênis, esmagando e rompendo tendões e ligamentos vitais de seu órgão sexual.

O médico Nicolae Bacalbasa, que atendeu a vítima no pronto-socorro, disse que “foi um acidente bizarro e ele sofreu muita dor. Nós fizemos tudo que pudemos por ele, mas possivelmente ele nunca mais poderá usar seu órgão novamente, pelo menos, não para fins sexuais?.

Que historinha mal contada! O que será que o cidadão fez pra merecer uma dessas? Ou é de um azar a toda prova? Ui, não gosto nem de pensar!

Bicudinho

Abre os teus armários, eu estou a te esperar
Para ver deitar o sol sobre os teus braços, castos
Cobre a culpa vã, até amanhã eu vou ficar
E fazer do teu sorriso um abrigo

Canta que é no canto que eu vou chegar
Canta o teu encanto que é pra me encantar
Canta para mim, qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz, tristeza nunca

Mais vale o meu pranto que este canto em solidão
Nesta espera o mundo gira em linhas tortas
Abre essa janela, a Primavera quer entrar
Pra fazer da nossa voz uma só nota

Canto que é de canto que eu vou chegar
Canto e toco um tanto que é pra te encantar
Canto para mim, qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz, tristeza nunca mais
(Casa pré-fabricada, Marcelo Camelo)

Las brujas, las brujas… sai daqui, urubu-de-vassoura!

Eu não sei o que diabos, mas em 24h o telhado da minha casa deve ter virado estacionamento de vassoura. Não tem a menor graça, vou tacar fogo na piaçava.

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Meu gravador de CD agoniza. Salvei duas vezes já, mas acho que dessa vez vai.

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Ontem foi quase, não pedi as contas no trabalho (o velho, não o novo) por pouco. Mas é um inferno ter que seguir uma direção musical com a qual não se concorda. Händel deve estar revirando na tumba. Até aí, tudo bem, mas ver o coro levando a culpa é o ó do borogodó! Não agüentei, lá fui eu defender meus pupilos — o chefe não gostou muito não; foda-se, eu sou responsável pela saúde vocal deles, não?

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Graham Bell era um gênio incompreendido. Ponto. Humpf!

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Discussão ao telefone ontem (bem) à noite. Eu não, minha irmã e o namorado. Eu tava bem lindinho no meu quarto tentando dormir. Mas quem consegue dormir com a sua caçulinha daquele jeito? Uma agonia da porra! Não adianta, eu sofro junto, pra mim é o fim do mundo, o apocalipse, o desespero, o desentendimento supremo, o rompimento com o divino, o caralho! E olha que o namoro nem é meu. Avalie.

As pessoas morrem um pouco cada vez que se desentendem desse jeito.

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Acendi uma vela antes de deitar. E como o lume fosse claro demais, levantei pra afastá-la um pouco, mas não muito que afinal não acendi sua chama à toa. Daí que derrubei o despertador e as pilhas rolaram. Pega, coloca fecha e reajusta. Durmo. Resultado: fui descobrir já na academia que acordei uma hora imensa antes do que deveria. Ai, que ódio, que idiota, que toupeira, que anta de tênis! Nadei bufando.

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Mas era uma manhã de um azul tão impossível e tudo estava tão verde que eu sorri. E subi a rua assobiando pra espantar as bruxas enquanto pensava em você.

Domingo

Dia santo, né? Pois foi, entreguei pra deus.
E vi (vi?) o dia passar ali da janela, feliz e quentinho.
Afe, é tanta preguiça que eu nem sei, esqueci até o que ia dizer.

Na verdade sei. É vontade de ninho — cansei de tempestades e barcos à deriva.

Pulso

De repente me deu uma vontade doida de pegar um avião, um ônibus, um lombo de mula e sumir, voar pra uma praia, pra um outro mundo, pra uma outra vida, pra um outro tempo. Assim, sem mais, mas também sem muito menos — coisa do meu ascendente. Sinto que é hora de dormir (pra acordar), que é nos sonhos que os caminhos se abrem (embora seja aqui, na sola dos meus pés, que eu os ando).

O meliante em ação

Essa é da série “Eu não podia deixar passar”.
Alê, e quem é que vai proteger você, mulher-gata-mulambo? ;-)

Antes que eu me esqueça — não me esqueça

Eu sou melhor mostrando que sou feliz do que dizendo — meu sorriso nunca mente.

Melhor ser alegre que ser triste, mas acontece que uma coisa não impede a outra. (Eu sei que pra algumas pessoas isso não faz sentido, mas sentir é assim mesmo.)

“Touch me, trust me, savour each sensation…”

Eu já acreditei em tanta coisa que hoje nem sei mais. Acreditei que era feio, sem graça, que o grande amor não era pra mim, que nunca ninguém poderia saber, que a vida era assim. E acreditei em olhos, acreditei em mãos, em promessas não ditas e milagres — em sonhos conjugados. Acreditei, mais que tudo, que se eu estivesse ali, se eu mostrasse que era possível, se eu amasse — e nunca ninguém amou mais que eu —, então não haveria obstáculo intransponível. E não havia, pra mim. Acreditei na dor e nunca, jamais duvidei da alegria. Mas nunca pude amar por ninguém. E foi assim. Toda vez foi assim. Cada vez mais. E penso que sempre o será, pois disso tudo, hoje, acho que no que eu mais acredito é em mim. Já pensei nos porquês e não gosto de pensar no se, ou acabo acreditando no que não foi e prefiro acreditar no que é. O que será? Não sei. Mas quando for eu vou acreditar.

Eu acredito em cada pedacinho do que sinto. É o que me faz acreditar que existo.

Porque a tristeza é senhora, vocês sabem

Hoje eu ouço as canções
Que você fez pra mim
Não sei por que razão
Tudo mudou assim
Ficaram as canções
E você não ficou
Esqueceu de tanta coisa
Que um dia me falou
Tanta coisa que somente
Entre nós dois ficou
Eu acho que você
Já nem se lembra mais

É tão difícil
Olhar o mundo e ver
O que ainda existe
Pois sem você
Meu mundo é diferente
Minha alegria é triste

Quantas vezes você disse
Que me amava tanto
Tantas vezes eu
Enxuguei o seu pranto
E agora eu choro só, sem ter você aqui
(As canções que você fez pra mim, Roberto Carlos)

Robertão, por Bethânia, pra sublimar esses dias frios — dentro de mim.
E eu sei que eles vão e vêm, como as ondas. Só posso esperar que o sol já vem.

É o que é (o que será?)

Alta noite já se ia
ninguém na estrada andava
No caminho que ninguém caminha
alta noite já se ia
ninguém com os pés na água
Nenhuma pessoa sozinha ia
Nenhuma pessoa vinha
Nem a manhãzinha
Nem a madrugada
Alta noite já se ia
ninguém na estrada andava
No caminho que ninguém caminha
alta noite já se ia
ninguém com os pés na água
Nenhuma pessoa sozinha ia
Nenhuma pessoa vinha
Nem a estrela guia
Nem a estrela-d’alva
(Alta noite, Arnaldo Antunes)

Era noite apenas. E o tempo não parecia disposto a nenhum grande destino.

E nonsense às vezes faz todo o sentido do mundo, sem sentido algum.
Deve ser porque cada um pensa o que lhe apraz — como (quase) sempre, aliás.

O preguiçoso versus o surdo

— Pai, vai sair? Aproveita então e passa na Drogaria São Paulo pra mim, por favor? Se o remédio X estiver por uns 23 reais e pouco e o Y por uns 13 compra pra mim que eu te pago. Liguei lá na Ultrafarma e na Farmácia em Casa — que só entregariam no dia seguinte — e tava nessa faixa, mas a São Paulo tá com uns avisos de desconto.
— Essas contas tão ficando altas este mês!
— Ué? Mas eu te pago, já disse, oras! Que coisa…

Passa o tempo e ele volta.

— Mas pai, tá mais caro!
— Ué? Mas você falou pra comprar lá!
— Eu disse SE estivesse uns 23 reais um e uns 13 o outro, pai! SE estivesse!
— Ah! Mas também você fica falando de longe e quer que eu entenda!
— Como assim? Bebeu? Eu tava do teu lado! Você tava olhando pra mim, inferno!

Eu acho engraçado que quando é o meu dinheiro não precisa nem prestar atenção. E não são uns 8 ou 10 reais que vão me matar, é verdade, mas eu juro que se pudesse fazia ele levar os remédios de volta. Ai, que ódio que eu tenho disso!

CID J01.9

Este é o Código Internacional de Doenças para “sinusite aguda não especificada”. Em tese, significa que a rinite que eu tive no fim de semana, além de ficar me empatando, causou o congestionamento das minhas vias aéreas superiores (fossas nasais, seios paranasais, essas coisas), entupiu meus ouvidos (o que é a parte mais irritante de todas: pense num mundo com volume baixo e na sua voz com volume alto, mais a perigosa vontade de desentupir os ouvidos na marra) e uma sinusite inflamatória não infeccionada. É isso. Anti-alérgico e descongestionante. E não dói.

Na prática (é mais legal), significa que eu vou ficar aqui em casa, lindo, loiro e mesopotâmico, e não vou trabalhar hoje — ô, tragédia! Foi o médico que mandou.

Acho que vou fazer um bolo pra tomar com café. Ou chá? Decisões, decisões….

Embutidos

Lingüiças virtuais procês. Porque assunto não falta, mas eu ando sem cabeça ou vontade pra tocar em alguns temas — sim, eu também tenho privacidade.

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“Eu, eu, eu… o Severino se fodeu!” — tomara, ah, meu deus, tomara!

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“Eu, eu, eu… o Maluf se fodeu!” — rapaz, tomara demais, mil vezes, amém!

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Depois de três semanas — duas e meia, vai, que esta última foi bem miguelada — o povo da academia resoveu marcar minha avaliação física. Pra quê diabos eu não sei, só se for pra ver se eu tô vivo ou fazer teste de resistência de materiais porque já tive dor, já tive preguiça, já querem me incluir em revezamento — 24h nadando em equipe, tô fora! —, já montei meus treinos, etc. Só os meus tendões eu ainda não me convenci de que existem: essa história de abre-as-pernas, estica-e-puxa, deita-sobre-a-perna-direita e segura-a-ponta-do-pé-com-as-DUAS-mãos é algo muito abstrato pra mim. Eu digo, alongamento é uma questão de fé — martírio?

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Eu tenho um blog secreto, sabia? Não, claro que não, ninguém sabe e ele tem senha. Porque tem vezes que eu preciso verbalizar mesmo o que é indizível e que é só meu, o que não tem ou não encontra eco e substância, o que machuca, o que me machuca e foge a qualquer princípio de razão — memórias emocionais, embora eu ache que quase todas elas o são. Transcrevo tudo lá, onde posso revisitar, onde não vai machucar ninguém, pra quando não mais me machucarem. Um caderninho, mas esse não tem chance de eu perder. São meus diários de montanha-russa.

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A vida traz muitas cores e eu aprendo a misturá-las sem borrar tudo ao meu redor. Não vou dizer que eu consigo, nem que é fácil, mas eu tento — tenho que tentar.

Defesas

Tem dias que bate um banzo, como se fosse uma saudade de um lar distante, um ninho que às vezes duvido ter sido meu de fato — estou sendo ingrato. Carrego tempos comigo e eles têm o péssimo hábito de se interpor ao meu presente. Este frio chuvoso e cinzento me deprime um pouco, já comentei. E olha que eu gosto de chuva, mas sou mais das tempestades, que inundam, que lavam, que levam, não esta coisa que enregela — me pelo de medo de morrer gelado; não os pés, que pra eles existem meias. Então me cerco de palavras pra tentar me proteger do que os sentidos me trazem — eu sou um ser sensual —, mas desvio de outras, tento não verbalizar o que o pensamento insiste em lembrar. É tudo tão inútil — pergunto?

Fui!

Dá licença que eu tenho um fim de semana pela frente — e eu mereço!

Horóscopo, pra variar

Quanto movimento em casa, logo no comecinho do mês! E você fica mais contente também, vendo que seu esforço deu resultado e conseguiu criar um clima de calor e novidade. Aproveite o embalo astral e converse bastante, colocando tudo às claras, sem meias medidas e sem medos bobos. (Folha)

Toma, besta! (É sim, eu tenho um medinho — deu pra notar, né?)