Blego

Faz tempo que não passeio a esmo por blogs, tirando o punhado de conhecidos e amigos meus. Calhou que hoje eu cliquei aqui, cliquei ali e fui indo. Calhou ainda de eu cair em um desses blogs de língua mais afiada que, por acaso, tecia um comentário desdenhoso sobre um outro que às vezes leio e no mais das vezes gosto. Discordando, eu, taurino que sou, comecei a dizer no comentário, mui educadamente, que ele estava enganado, que ele tinha enfiado todos os gatos em um único balaio, inverti seu próprio argumento contra ele — pra falar a verdade, adoro quando levantam essa bola pra eu cortar — e parei. E apaguei — é, apaguei.

É que lendo com mais calma eu vi que o blog pouco se prestava a escrever e muito se prestava a criticar. Na verdade até tinha uma ou outra idéia interessante, mas se dava muito mais a apontar o dedo para os defeitos (?) alheios. Daí eu brochei. Veja, o dito era muito rápido em criticar o ego alheio e criar tensão entre este e aquele outro blog enquanto usava isso de palco pra desfilar o próprio ego belicoso.

Deu pra perceber que eu falo aqui do blog como entidade e não do blogueiro? Tem porquê: é que eu não gosto de falar de quem não conheço, acho grosseiro mesmo. Falo do que vejo, e quando ouço dizer, faço-o com ressalvas. Porque, ah, criança, eu não tô aqui de hoje! Sei o que é criar um personagem e, pior, o que é viver esse personagem. Isso aqui é muito pequeno, um pedacinho codificado e colorido da realidade. Não se fie pelo que você lê por aí assim tão rápido, nem se apresse em atear fogo nas palavras alheias. Em outras palavras, cuide primeiro da sua vida que você ganha mais porque, na hora que o monitor desliga, esse seu mundo acabou.

Como bem me disse uma professora — muito boa, por sinal —, a gente compete é com a gente mesmo, e muita gente que critica não sabe fazer o que a gente faz.

O Girassol

Sempre que o sol
Pinta de anil
Todo o céu
O girassol
Fica um gentil
Carrossel

Roda, roda, roda
Carrossel
Roda, roda, roda
Rodador
Vai rodando, dando mel
Vai rodando, dando flor

Sempre que o sol
Pinta de anil
Todo o céu
O girassol
Fica um gentil
Carrossel

Roda, roda, roda
Carrossel
Gira, gira, gira
Girassol
Redondinho como o céu
Marelinho como o sol
(Toquinho e Vinicius)

+

Quando eu era criança, adorava essa música.
E ainda adoro, pra falar a verdade.
Acho que é da Arca de Noé 2.

+

O girassol da foto é curioso, mas tá com vergonha. Oi, girassol!

“How wonderful life is now you’re in the world”

…I hope you don’t mind
That I put down in words…

Eu pisco os olhos e já se vão cinco meses…

Mas acho que hoje minhas palavras serão só dele. Afinal, a gente merece um tesouro só nosso, de flores, ouro e sonhos, ou mesmo pedras catadas no chão.

O pênis do inferno e o lacu profundo

Domine Jesu Christe! Rex glorie!
Libera animas omnium fidelium
defunctorum de poenis inferni et
de profundo lacu!…

Daí que o regente despirocou e soltou essa:
— Sopranos! Abram a boca pro “poenis inferni“! — um salto pra uma nota aguda.
E lá se foi a concentração do coro, especialmente a dos sopranos. Que loucura!

A saber, de poenis inferni et de profunfo lacu (leia-se “pênis” mesmo, ui!), em bom latim, quer dizer “das penas do inferno e do abismo profundo”, mas na hora, nêgo, o povo se anima. Ah, Mozart… Réquiem também é putaria, digo, cultura!

Rapidinhas, porque eu tô com sono

Antigamente, quando se escrevia “R.S.V.P.” no fim de um convite as pessoas entendiam que era pra “responder, por favor”, pra confimar presença. Hoje, além de ninguém saber mais o que quatro palavras abreviadas e em francês querem dizer, parece que por e-mail — o que deveria ser mais fácil — ninguém se dá o trabalho de responder mesmo.

Eu não vou adivinhar quem vai ou não vai no meu aniversário, tão me entendendo? Se o bolo não der pra todo mundo, quero que se dane! Ponto.

+

Sou só eu ou mais alguém teve a sensação de que era fim de ano quando ligou a TV e viu aquele monte de globais em clima de retrospectiva. So weird!

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Esfriou. Acho que vou hibernar. Alguém me acorda na primavera?

+

Ó senhor, não deixeis que eu faça nenhuma besteira neste fim de inferno astral que me resta! Porque, juro, eu tô ligando no automático, senão eu piro. Não vejo solução pra nada, tudo parece um drama sem fim, uma tragédia imensa! Eu queria era me enterrar num buraco escuro e só sair de lá segunda à noite, lindo e feliz. Porque eu sei que isso passa. Quer dizer, isso passa, não passa? Diz que sim!

Unchained Melody

…Oh, my love, my darling
I’ve hungered for your touch
A long, lonely time
And time goes by so slowly
And time can do so much
Are you still mine?

I need your love,
I oh I need your love
God speed your love to me…

Tava passando Ghost na TV. Peguei o finalzinho, aquela parte onde as pessoas choram, sabe? Então. Deu uma saudade do meu amor! É o frio, carência, ou falta de chocolate, diriam. Mas acho que não, é algo mais fundo, inominável e urgente.

Às vezes eu me sinto intangível como um fantasma — melancolia é a palavra?

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Eu já disse pra vocês que eu namoro o filho do Patrick Swayze? (Eu ia falar irmão caçula, mas acabei de descobrir que o cara tem 52 anos!) Só que eu prefiro o meu.

Ah, cuma? Acharam a mochila?

E eu paguei o maior mico da paróquia porque a mochila estava enfiada num armário completamente diferente do que eu jurava por nosso senhor jesus cristinho lá na cruz do altar que ela deveria estar. Estranho… muito, mas muito estranho!

Daí eu me dei conta de que o meu chaveiro havia sumido. Não as chaves, apenas o chaveiro, um sapo estilizado de metal da Zoot. Que bom, pensei eu, pelo menos eu não tô doido, alguém levou esse chaveiro! Mas ao olhar pra cara da funcionária que definitivamente pensava “sim, coitado, ele é doido”, achei melhor deixar pra lá.

Isso é inferno astral, né? Só pode ser. Wicked! Que senso de humor bizarro!

Ok, eu não quero mais atropelar o ladrão porque, tadinho, ou é doido, ou é um guaxinim! Quem tem coragem de atropelar um guaxinim? Tão bonitinho o bichinho!

Pega ladrão!

Eu já não morria de amores pela biblioteca da ECA por conta de uma infindável e infrutífera discussão quando, ainda na Unicamp, eu precisei fazer um empréstimo entre as universidades que era fundamental pra eu completar minha pesquisa. Eles dificultaram os prazos e azucrinaram tanto a minha paciência — não fui eu que entrei em greve, veja bem — que eu considerei seriamente a possibilidade de devolver os livros um de cada vez, de preferência em páginas avulsas.

Hoje eu tive a minha mochila roubada simplesmente de DENTRO do armário daquela bodega, em plena luz do dia e em frente ao balcão de atendimento. É, coloquei minha mochila lá dentro e quando fui pegá-la, — surpresa! — ela havia sumido. Acontece que eles, muito modernos que são, inventaram de trocar a tradicional fechadura a chave ou cadeado por uma fechadura eletrônica com senha de quatro dígitos. Escolhi o armário do canto (impossível de esquecer) e coloquei uma senha nada óbvia, mas que eu uso normalmente — não lá, é a primeira (e única) vez que eu usei aquela porcaria —, trancando o armário. Algum filho da puta provavelmente observava e abriu o armário quando eu me afastei. Eu conferi: a menos que você cubra o painel muito bem (coisa difícil pra mim quando o armário é no alto), pode-se ver facilmente o número digitado a bons metros de distância.

Agora me diz: quem é que vai me cobrir o prejuízo de uma mochila nova, óculos escuros e de grau, minha agenda, um livro que não era meu, pra não falar de coisas menores como chaves, itens de higiene pessoal, papéis? E mais: o que seria se eu tivesse seguido as instruções que mandavam desligar o celular e guardá-lo no armário, junto com a minha carteira e a chave do carro? Tava mais fodido e muito mal pago, certo? Imaginei. Porque a biblioteca “não se responsabiliza”. Veremos.

Ah, sim, e o ladrão eu espero que seja atropelado — sem a minha mochila.

Amor herói

No meio da aula, eu tento pensar em algo pra te dizer. Parabéns? Acho que já disse. Felicidades? Você sabe que terá. Paz, amor, saúde, sucesso? Eu espero e desejo do fundo do coração que você tenha em excesso. Enfim, é seu aniversário e eu espero que você tenha aproveitado seu dia (afinal, eu sei que só vou estar perto de você no final dele). No mais, aproveitando a data, eu preciso te dizer o quanto você é importandte (errei, tava prestando atenção no professor): amigo, honesto, intenso, eu não consigo pensar, agora, em adjetivos para descrever o que vejo quando olhos nos seus olhos. Entendo, e vejo, toda a solidão, todo amor guardado esperando para ser entregue, toda a necessidade de afeto, a amizade verdadeira. Oquei, eu sei que isso tá a maior rasgação de seda, mas eu não podia perder a oportunidade. Te conhecer foi um grande presente. Hoje, eu gostaria de poder te presentear, materialmente falando, com alguma coisa à altura. Só que isso é impossível. Fique, e aproveite, por ora, com toda a minha amizade e todo o meu amor. E seja feliz.

Te amo, baby. PARABÉNS!

Beth.

Ela vai me matar por conta dessa. Mas ainda hoje, quase um ano depois, eis talvez a melhor, minha mais precisa descrição. Guardo o bilhete como parte integrante e indispensável do presente: um par de bolinhas japonesas, ou chinesas, ou tailandesas — não, acho que essas são outras. Enfim, guardo-o no peito e ao lado da cabeceira, com as “bolinhas de gato com sinos que miam quando as giro na mão” (tenho certeza que é isso que tá escrito naqueles símbolos), em sua caixinha.

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Nem tanto os presentes, mas a presença aqui e agora — ser presente. Quem sabe isso ajude a me entender? Deponho todas as minhas armas aos pés de um grande sentimento. Pra me fazer feliz basta não ter medo do meu amor. E um beijo.

O valor das aparências

Eu contei que a TIM me ligou pra dar satisfações? Pois é, ligou rapidinho, no dia seguinte, mas em resposta à minha carta ao Estadão, não do Procon.

Vocês sabiam que eles (TIM) têm um departamento de imprensa? Pois têm, e pra responder às denúncias e/ou reclamações que a imprensa encaminha à empresa. Que medo, não? Pois então, o tal do Fernando Aurélio — eu sei que funcionários de atendimento usam codinomes (e eu espero mesmo que seja, coitado), mas precisava ser de novela mexicana? — mui educadamente me informou que o reajuste estava de acordo com o permitido pela Anatel e que esta era a posição da empresa. Ponto. Bem decoradinho. Ignoraram solenemente o meu argumento sobre a cláusula 9.1, a ausência da data de lançamento do plano no contrato, o fato de eles darem um nome novo a um plano antigo e conseqüente propaganda enganosa referente à venda do plano. Natural, afinal, um jornal faz barulho mas neste caso não constitui ação legal. Quando perguntei sobre a resposta à reclamação formal encaminha pelo Procon, ele rapidamente me respondeu que quem analisava isso era o departamento jurídico; aquilo era referente apenas à carta enviada ao Estadão — Pilatos.

Ou seja, o que importa não é resolver e respeitar os moldes da lei, mas ficar bem na foto. Tá certo, eu espero o contato do departamento jurídico — eles têm 10 dias úteis. Senão, um processo por propaganda enganosa vai custar bem mais caro.

Serotonina

Sabe o que eu queria agora? Uma barra de chocolate.
Coisa pouca, quaisquer dois quilos e meio e já tava bom.

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Meu reino por um telefonema. Teu. Meu. Nosso.
E deixa eu ir dormir antes que eu pense besteira.

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Carência é meio como febre: parece bobagem, mas se sobe demais, socorro!

De uma vez por todas, por favor

Vamos esclarecer:
Quem toca violão é violonista.
Quem toca violino é violinista.
Quem toca viola (a da orquestra) é violista.
Quem toca viola (a caipira) é violeiro.

E quem anda escrevendo jornais por aí é analfabeto ou leso!
Por acaso eu chamo os profissionais de jornalismo de jornaleiros?

Joseph Ratzinger é eleito o novo Papa

Ah, que bosta! Tudo o que o mundo realmente precisa hoje é de um papa ultra-conservador. Alguém pra azucrinar a vida das comunidades de base, pra minar qualquer foco de pensamento progressista dentro da igreja, pra incutir mais culpa às almas cristãs pelo mundo. Enfim, um retrocesso à Idade Média. Inspiração do Espírito Santo, o meu caralho! O que passa pela cabeça desses cardeais, deus?

Agnus Dei qui tollis peccata mundi, misere nobis!
Agnus Dei qui tollis peccata mundi, dona nobis pacem…

Brigue você mesmo — kit básico

Uma boa dica pra quem quer fazer uma reclamação junto ao Procon, no caso de não ter dúvidas, ou seja, saber bem quais são os seus direitos lesados, ou ainda pra quem está na dúvida e precisa de orientação pra ver se sua reclamação é devida: ESCREVA PROCON.

O ESCREVA PROCON é um formulário que pode ser retirado e entregue em qualquer posto de atendimento do Procon — melhor mesmo só se estivesse disponível na internet — através do qual uma consulta ou reclamação (juntamente de xerox simples de toda a documentação referente ao assunto como contratos, recibos, notas fiscais, orçamentos, etc.) pode ser efetuada e entregue também via correio ou fax. O Procon se comunica com o requerente pra informar sobre o andamento da consulta.

É uma excelente dica pra quem quer evitar as filas que, vão por mim, demoram mais que morte de soprano em ópera, ou não tem como estar lá às 7h da manhã — ah, se eu soubesse disso antes…

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E se você também tá querendo comprar briga com a TIM pelo mesmo motivo que eu, me escreva. Será um prazer inenarrável fornecer o texto protocolado da minha reclamação junto ao Procon e facilitar a sua vida (dificultando a dela).

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Caso encerrado.

Num Poupa Tempo perto de você

O Procon é meu amigo, o Procon é meu colega… Demora que é a porra, mas funciona. E o sorriso sádico que a funcionária do pré-atendimento deu quando eu expliquei meu caso já valeu o transtorno: “Vai ser uma briga boa!” — é das minhas.

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Diretamente do Acessa São Paulo, a carta que eu tô tentando enviar aos jornais — tentando porque a gente vê que o e-mail da Folha tá com a caixa postal cheia e o anti-spam entupido; alguém aí tem um bom contato midiático pra me passar?

Relato agora, na esperança de obter algum auxílio desse jornal, o ocorrido que, infelizmente, demonstra a prática abusiva da operadora de telefonia celular TIM sobre seus clientes.

Entre o Natal e o Ano Novo do ano passado (2004) adquiri, aqui na cidade de São Paulo, um celular com linha pós-paga da operadora TIM. A linha e o aparelho, em caráter promocional, foram oferecidos com uma permanência mínima de 18 (dezoito) meses à franquia de R$99,00 mensais, sob o plano denominado pela operadora como “TIM são outros 500” que oferecia 500 (quinhentos) minutos para ligações locais (400 para celulares TIM ou telefones fixos e 100 para outros celulares).

Qual não foi meu susto quando, já este mês de abril, a minha conta veio com um aumento de mais de 10% no valor do plano — R$110,60 —, que foi reajustado em meados do mês de março sem sequer um aviso nas contas anteriores. Após longas e insistentes ligações ao serviço de atendimento da operadora, onde fui mantido por várias vezes em esperas intermináveis sem que ao menos minha reclamação fosse devidamente protocolada — liguei durante três dias seguidos, por mais de cinco vezes —, consegui registrar minha queixa e recebi um número de protocolo no sábado último (16/04), sem, no entanto, receber uma resposta ou um prazo para que a operadora me contatasse.

Em uma das minhas malfadadas tentativas a atendente me respondeu que o aumento era previsto no contrato e que, portanto, a reclamação não era devida. A cláusula 9.1 do contrato em questão, que não me passou desapercebida quando da compra efetuada, diz o seguinte: “Os valores cobrados pelos serviços prestados pela TIM serão reajustados a cada 12 (doze) meses, contados da data do lançamento comercial do plano de opção do CLIENTE, ou na menor periodicidade permitida em lei (…)”. Quando li e assinei o contrato, confirmei com o funcionário da loja credenciada TIM que o plano promocional “TIM são outros 500” entrou em vigor apenas no final de 2004. O argumento da atendente da operadora foi de que o plano ao qual eu me vinculei foi lançado no mês de setembro do ano de 2003. Não há em todo o contrato ou termo de compromisso por mim assinado a menor citação da data referida de lançamento do plano, sendo a única data constante a da assinatura do contrato.

Ora, concluo que a operadora agiu ilegalmente e de má fé quando anunciou e vendeu amplamente um plano como novo (vinculando novos assinantes sob pena de multa proporcional ao tempo restante de carência contratual), sob uma denominação nunca antes usada, mas que se referia na realidade a um plano muito mais antigo e, portanto, passível de reajuste a qualquer momento como, de fato, ocorreu. Considero um absurdo e sinto que fui vítima de um engodo! Espero sinceramente que a operadora TIM reveja sua posição sem que eu precise recorrer legalmente, já que o que se fez não tem outro nome, senão “propaganda enganosa”.

Sem mais para o momento, agradeço e subscrevo-me.

+

Em compensação, o Estadão não só recebeu meu e-mail, como respondeu e o encaminhou para a coluna “Seus Direitos” do jornal. Vale saber: a coluna sai às segundas e quintas no Caderno de Economia, mas a procura é grande e há também o prazo de resposta dado às empresas; o endereço é consumi@estado.com.br e as reclamações devem ser encaminhadas com nome, endereço, e-mail e telefone do reclamante, juntamente com o nome e telefone e/ou e-mail da empresa reclamada.

O Inferno

Se Dante Alighieri vivesse hoje, certamente sua descrição do inferno conteria um capítulo especial sobre sistemas de auto-atendimento e os esquemas das grandes empresas prestadoras de serviço de jamais permitir que um cliente alcance uma resposta às suas reclamações.

A TIM não perde por esperar. Eles brincaram com a pessoa errada e agora eu só saio dessa briga com a cabeça (física ou jurídica) de alguém nas mãos. Tá me tirando de otário?

Momento Carlos Gomes

Tão longe de mim distante,
Onde irá, onde irá teu pensamento!
Quizera saber agora
Se esqueceste o juramento
Quem sabe se é constante
S’inda é meu teu pensamento
Minh’alma toda devora
Da saudade agro tormento
Vivendo de ti ausente,
Ai meu Deus que amargo pranto!
Suspiros angustiadores
São as vozes do meu canto
Quem sabe
Pomba innocente
Se também te corre o pranto
Minh’alma cheia d’amores
Te entreguei já n’este canto

A saudade também faz dessas com a gente — isso e sono.
E porque eu agüento a distância, mas dizer que gosto? Gosto não.
E fico eu aqui, cheio de modinhas. Tão previsível…

Ursinho Pimpão

Fico bem de barba? Aproveitem as fotos porque a barba já se foi (e o resto já tem dono). Os ângulos são obra da Beth que bebeu muito milkshake de Ovomaltine.

Elmos protetores

A prova: Billie Fields passou por aqui.
Outro Guilherme, outro taurino (porém antípoda).
Será que o mundo está preparado?

+

Tem algo de cósmico, cármico ou cômico acontecendo com o meu nome. Só sei que ando aglutinando Guilhermes — o maior (e melhor) desses encontros não preciso nem dizer com quem foi; se não sabe ainda é porque é besta, se liga! Mas bolhas de sabão furtacores à parte, a verdade é que, do balcão de atendimento da Ordem dos Músicos do Brasil à sala de espera da clínina de ornitorrincolaringologia, ou pela Nona Sinfonia — éramos três e tenores! —, venho dando de cara com esses seres (cujo nome, de Wilhelm, significa “elmo protetor”) em situações semelhantes à minha. É muito estranho, deve ter alguém lá em cima preparando alguma piada.

Quando se dá a cura

Estou imensamente melhor. Pelo menos agora, quando bebo água, não parece que tem vidro moído junto. Não sei se foi a injeção de anti-inflamatório, o antibiótico que eu comecei a tomar ontem de noite — só pra me arrepender hoje, já que melhorei (é, eu sei, pode ser, mas eu não gosto de tomar mesmo) —, se foi o medo pelo gogó não sair ileso porque eu me cago só de pensar nisso, ou se foi saudade.

Ele diz que foi saudade, resta saber se minha ou dele — não contrario: nossa, e não se fala mais nisso. Vão ainda uns bons dias sem cantar e meu silêncio é suspirante.

+

Diz uma coisa pra mim. Essa coisa de se sentir junto quando se está separado, de sentir falta, mas acreditar no reencontro, enfim, de sentir que alguém além de si mora hoje dentro de você e te dá calor; é amor esse dueto?

…Serás o meu amor
Serás, amor, a minha paz

Lonely

Solidão, carência, dodói, saudade…
Já faz tantos dias que eu não te vejo!
Desse jeito eu esqueço o teu nome. ;)

Pânico

Eu quero a minha voz de volta!
Vocês não têm idéia do desespero!
Alguém me arranque essa dor de garganta, já!

Parilisia

Não posso abusar da voz. Mesmo! O que significa que eu não posso ficar batendo papo e tenho que falar o mínimo possível — nem uma palavra, pra ser exato.

Conseqüentemente, fujo de assuntos que possam gerar longas conversas. Agora, me diz: o que tem a ver isso com responder e-mails? Teoricamente, nada, certo? Então me explica por que cargas d’água eu não consigo responder e-mails com mais de 3 linhas? Não ria, é sério! Dá aquela sensação de “não posso, tô doente”.

Será que aquela história de segurar os braços de um italiano pra ele não conseguir mais falar funciona ao contrário também? Nunca tinha pensado nisso.

Reminiscências de um enfermo

Eu não posso cantar, eu não posso sair. Agora, vocês me agüentem!

+

Quero beijo — hoje é dia do beijo, sabia?
Quero chocolate.

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O que mais me irrita é essa vontade de tossir (e doer!) e o ouvido entupido — parece que o mundo foi mal equalizado, um inferno. Já deu, né? Chega!

+

Quero beijo — hoje é dia do beijo, sabia?
Quero chocolate.

+

Vale a pena — hein? — ver de novo. Rapaz, o governo do Rio tinha que usar essa novela (Laços de Família) como propaganda de turismo. Tudo é tão maravilhoso (até as desgraças) que dá vontade de ligar pro 1406 e comprar dois daquilo. Eu se fosse a governadora que não tem mais dois diminutivos no nome ou da prefeitura trocava o horário político por flashes ao som de Bossa Nova.

Agora fala sério, eu tô pra ver classe média mais bem de vida do que a daquela novela. Tudo morando no Leblon (apê de 3 quartos, no mínimo), com carro novo, bem empregados, passeando na praia, lindos, a peruca sempre em cima, um escândalo! Só que a empregada continua preta e a patroa continua loira.

A Deborah Secco ainda não tava seca e o Daniel Boaventura ainda não fazia musical. Mas ela já tinha aquela vozinha sussurada de tele-sexo de deixar maluco qualquer fonoaudiólogo, no mau sentido, claro. A Vera Fischer então, nem (se) fala!

+

Quero beijo — hoje é dia do beijo, sabia?
Quero chocolate.

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A hora que começou a Sessão da Tarde eu não agüentei.
Que falta que faz TV a cabo nessas horas.

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Preciso repetir?

Retificando

A febre foi-se, mas o pepino não. A garganta resolveu irritar e agora dói de verdade, não é simplesmente um incômodo ali atrás do céu da boca. E quando pega a garganta o negócio é pessoal, vamos combinar, não dá pra ignorar — eu não suporto nem a idéia de ficar sem voz. O dotô disse que é viral — é, eu fui porque a coisa encrespou mesmo ontem à noite, bem rápido —, que o quadro de sinusite é por causa da inflamação, mas que não tem secreção nem pus. Sem antibióticos.

Resumindo: O papai aqui deu de cara com algum vírus mais fortinho dando sopa por aí e ao invés de ficar quieto no seu canto resolveu que um dia de descanso era mais do que suficiente (afinal a febre passou); saiu pra rua, tomou sol, passou calor e levou mais um chute pelas costas pra deixar de ser besta. Bem feito!

Todo mundo que eu conheço quando pega uma gripe, um vírus desses ou tem um febrão fica moribundo; eu não, tenho 39ºC de febre, quando tenho, e o máximo que eu sinto é frio quando deveria sentir calor. O nariz pesado já é típico da rinite. Dor no corpo é algo que eu praticamente desconheço. Frio, choque térmico e gelado nunca me causaram nem cócegas. Eu não sei ficar doente, diacho! Não sei quando é que eu tenho que jogar a toalha, então é só na base da porrada. Mas era de se esperar: inferno astral, tempestades, sempre me pegam à traição. Não tem graça.

+

Pensando bem agora, acho que isso me torna elegível pra sessões extras de chamegos, dengos, carinhos e cafunés, não? Cabeçudo, deveria ter encarnado o doente logo de cara: “Ó, ceus! Ó, vida! Acho que vou morrer… É tarde!” — com as costas de uma das mãos na testa, o outro braço pendendo pra fora da cama, a respiração difícil, sofrida, nos olhos uma luz lúgubre; praticamente a Traviata.

Lavou, tá novo

A febre foi-se, tão rápida e maleducadamente quanto veio. Às vezes quase tenho inveja daqueles que estão acostumados a ficar doentes e sabem exatamente quando, como e por que adoecem. Eu até hoje não sei dizer com certeza nem o que detona a minha rinite, quanto mais o que me põe de cama; conseqüentemente, precaução não é o meu forte e médico é quase que nem um parente distante.

Sei não, se eu achasse que estou muito carente, apostaria que tudo não passa de um golpe muito baixo do meu inconsciente para arrecadar mais beijinhos, carinhos, cafunés e afins do meu amor e… bem, funcionou que é uma beleza, devo dizer. Afinal, todos nós sabemos que fazer dengo nessas horas é um direito constitucional.

Quem dera ser um peixe

…?gua, lava as mazelas do mundo
E lava a minha alma

(Caetano Veloso)

Hoje é um daqueles dias que, se deixassem, eu passaria dentro da banheira.
Isso, claro, ignorando o fato de que eu não tenho banheira.
Borbulhas de amor também seriam uma boa.

Só a água salva.

You give me fever

Febre. Eu acho que tô mesmo com sinusite. Ou alguma ite das vias respiratórias superiores — laringite não é. Vou ter que tomar antibiótico, é isso? Ai, quero não…

Contra quem?

Conversando, ocorreu-me agora que nem todo mundo pode entender contraponto como eu entendo — refiro-me ao significado do termo, claro, que eu ainda não tô tão arrogante assim — e, quando o aplico por aqui, posso gerar mal-entendidos. Falemos então de música.

Contraponto é a arte de combinar duas (ou mais) linhas musicais simultâneas. Floresceu e marca a passagem da história musical do ocidente da era medieval para a renascença. O termo deriva do latim, contrapunctus, “contra a nota”, e foi usado pela primeira vez no século XIV, quando a teoria do contraponto começou a se desenvolver a partir da teoria mais antiga do descante — polifonia medieval, caracterizada por um contraponto nota-contra-nota, em movimento contrário (enquanto uma voz sobe, a outra desce) e pela alternância apenas das consonâncias, sem dissonâncias (aqueles notas que parecem desafinadas quando soam juntas, sabe?), não muito bem vistas na época.

Isto posto, vale dizer que o conceito de harmonia é bem posterior ao de contraponto, vindo a florescer apenas no período barroco, junto com outras estruturas e formas musicais, quando o contraponto já está amplamente desenvolvido, aceito e difundido.

Falei isso tudo pra dizer que eu não sei por que cargas d’água inventaram de usar o termo contraponto para uma arte que visa a harmonia e lhe é irmã mais velha. Quer dizer equilíbrio: vozes que se movimentam juntas de forma equilibrada. Então, toda a vez que eu falar em contraponto, entendam que movimentos contrários são, antes de mais nada uma questão de equilíbrio. Senão a gente tropeça.

“Luz do sol que a folha traga e traduz…”

Eu adoro quando cai a tarde e a luz do dia adquire aquele tom sépia. Algumas cores parecem saltar à vista enquanto outras se apagam. E há um silêncio, um ar de sem-tempo, uma cara de retrato. É como se o tempo dissesse com sutileza que tudo um dia vira passado e memória. Porém, irretocável.

Pessoas

Quando escrevi o que era muito mais um recado pra mim mesmo não esperava que levantasse vozes — sempre espero que besteira faça mais barulho que coisa séria. E foi com grata surpresa, pois embora não tire uma vírgula do que eu disse, hoje acato que nem tudo é pra sempre, inclusive o que liga e existe entre as pessoas.

Mas também acho tedioso me alongar no assunto se a essência já foi toda dita. Leiam o contraponto dele — que é muito mais um complemento, não fosse o meu espírito outro bem no momento em que escrevi — que isso, sim, vale a pena.

O Freunde, nicht an dieser Töne Stunde!

Vida de cantor é fácil, super fácil! Hoje teve ensaio da Nona Sinfonia com a orquestra. Às OITO da manhã! É, sem vaselina. Vão dizer que é frescura, mas eu odeio cantar de manhã cedo — principalmente quando fui dormir tarde. Tipo assim, depois do meio-dia eu canto, antes disso eu peno. Ah, é um berreiro aquele troço!

“Ode à alegria”, pois sim! Eu quero é o meu travesseiro.

Overdose

Assim, eu sei que a coisa tá preta e que as bruxas tão soltas, mas no intervalo de um mês eu tive QUATRO pessoas queridas passando por maus bocados. Primeiro o Guiu tem seu ônibus de viagem seqüestrado em plenas férias. Depois minha irmã é assaltada — levaram-lhe a bolsa, carteira, celular; encontramos a bolsa, vazia, claro — na porta da capoeira por dois moleques, pirralhos mesmo, porém armados, bem no dia em que fomos ver meu amor cantar. Daí a Giu avisa que foi “levada pra passear” de carro, na porta do seu prédio. E agora o meu fratello me responde, sintético e exclamativo, que a sua casa foi assaltada e o gato atacado por cães!

Ao que eu me pergunto: Barbudo, tu não tá errando a mão, não?

+

Quando me dizem que é natural não atender ao celular, concordo — é uma invenção que virou mãe da necessidade. Mas há casos em que queremos, intimamente, ouvir apenas um “eu tô vivo e bem”; se possível, amoroso.

Por mais tranqüilo, meu sangue nessas horas é de uma frieza quase selvagem. Tenho medo de pensar no que eu seria capaz de fazer pra proteger quem amo.

Belo belo, tenho tudo quanto quero?

Não tenho sono.
Tenho meu amor, dormindo longe; quero perto.
Tenho chocolate, mas já escovei os dentes.
Não tive o prazer de ir ver Bethânia — dá pra pular essa parte?

Tenho tempo. Dinheiro, não.
Tenho força. Me falta foco.
Tenho medo.
Tenho coragem. Onde?

— Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

Mas eu quero mais, Bandeira. Mais, entende? Muito mais!

Think of me

Oremos: começou meu inferno astral. E vamos todos dar as mãos e fazer uma corrente para que ele seja ameno. Mas… não sei não, tem alguma coisa estranha aqui nas entranhas, sabe? Então, como cantaria Sarah Brightman no Fantasma da Ópera, if you ever find a moment, spare a thought for me… Já tá de bom tamanho. (Meu deus, eu tô mesmo citando isso? Alguém me dá um tiro, já!)

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Você de signo de terra, tá pensando em namorar um pisciano? Olha, vou dizer que é bom, muito bom, mas tem que fazer cursinho antes porque piscianos são que nem um dial de rádio desgovernado e mudam de frequência sem aviso prévio. Veja só você, meu amor viajou — foi tocar no casamento da amiga lá em São José de um Rio Qualquer. Como era de se esperar, eu liguei, ele também, pra perguntar se tava tudo bem, dizer que tava com saudade, aquela coisa melosa de sempre.

Enfim, ele ia pegar estrada de novo e eu liguei hoje no fim da tarde: fora de área, ou desligado. Passam-se as horas e eu recebo aquele torpedinho dizendo que o celular tá vivo. Ligo de novo, mas ninguém atende. Hm, ok. Passam-se mais horas, ligo mais uma vez: fora de área de novo. Mas que porra? O torpedinho. Ligo. Ninguém atende. Ligo. Fora de área. Torpedinho. Saco. Ninguém atende. Argh!

O que pode ter acontecido quando alguém vai pegar a estrada cansado e o celular misteriosamente não atende nunca? Se ele for taurino, é porque capotou com o carro, foi seqüestrado, assaltado, roubaram o celular, foi absuzido ou morreu mesmo. Mas se ele for pisciano… ah, se ele for pisciano é porque colocou o bendito celular no MUDO, tirou do bolso e esqueceu da vida. Dito e feito.

O amor é lindo. E notícia quando é ruim chega rápido, não se esqueça.

Banguela

Tá um domingo de sol deslumbrante, meu deus!
Mas eu tenho ensaio quase a tarde inteira.
E meu amor tá viajando — saudade…

Chover que é bom, hoje, não chove, né? Dai-me nozes!

Requiem aeternam dona eis, Domine

Não entendo aquele monte de gente rezando pela saúde do agora falecido Papa João Paulo II. Considerando que não existe oficialmente uma aposentadoria papal e que a saúde do velhinho já ia de mal a pior faz tempo, por quanto tempo queriam que Karol Josef Wojtyla, cujas origens já foram bem sofridinhas, continuasse agonizando? Nêgo, agora é com a consciência dele e com o Deus que ele escolheu, que até um papa tem o direito de descansar um dia!

Eu, particularmente, sou mais o Papa João XXIII, que as intenções deste último podiam até ser das melhores, mas suas ações foram muito conservadoras pro meu gosto. E quem é que pode dizer onde acaba a fé e começa a política? No entanto, abafar o movimento da Teologia da Libertação em prol de um Movimento Carismático, que tá mais pra um retrocesso animadinho e colorido, me soa mais político do que religioso. Não é à toa que a grande maioria dos cardeais hoje são conservadores. Outra coisa: eu sinceramente acredito que conservadorismo demais estimula a hipocrisia — quem é que quer seguir a linha dura da cartilha?

Enfim, vai lá ter com os teus do outro lado, Karol, que este aqui é por nossa conta agora. Vai com Deus e em paz que a tua parte, bem ou mal, já tá feita.

De grupos e seus modi operandi

O errado sou eu? É que no fundo eu sempre acho que há um desejo sincero e que por isso há um esforço real de estar presente, estar junto. Mentira. Pode haver desejo, mas esforço? Existe uma diferença muito grande em querer estar e querer que estejam, e sua essência é egoísta, no sentido próprio do termo.

Moro longe da maioria dos meus amigos, e por enquanto é esta a minha realidade. Ponto. Não tenho carro. E no entanto, sempre que pude, nunca me privei, sempre fiz um esforço enorme pra estar presente, pra dar o meu abraço, pra comparecer. Esforço demais, às vezes, admito, e a recíproca dificilmente é verdadeira. Fico até pensando no que aconteceria se marcasse reuniões aqui em casa, por exemplo, e a perspectiva sinceramente me entristece. Quando paramos de querer que os outros ajam como a gente, vemos melhor como agimos.

Então me revejo. E acontece que cansei. Cansei de estar disponível, cansei de ir, de perguntar, de querer saber, de querer estar. Isso cansa, sabia? Unilateralidade cansa. Cansei de enfeitar relações — eu sou sincero demais, nu e cru demais pra isso, sempre fui, e minha verdade você pode sentir na força do meu abraço. Como já pensei muito acho que impor a minha opinião nesse assunto em rodas, bares, encontros é apenas… desagradável. Não noto mesmo que todo mundo esteja preocupado e muitas vezes isso simplesmente não faz parte da realidade geral.

Digo aqui, por fim, a quem interessar possa e pra quem quiser ler: não estou me afastando, estou apenas me libertando. Não me cobro mais a necesidade de estar presente ou de agradar. Me preocupo quando posso e, quando for assim, procuro, ligo, me faço presente, como sempre, aliás. Não quero mais pra mim a obrigação de manter relações vivas; se é dessa forma, então não vale a pena.

E ficamos assim, tá combinado? Não vale só dizer que tem saudade e reclamar que eu sumi, como se minhas obrigações como amigo não estivessem sendo cumpridas. Você vai descobrir que a distância é sempre a mesma, de um lado ou de outro.

Amar-elo

Eu não quero, mas sei viver sem você. Talvez não tão bem, talvez meu sorriso não brilhe tanto e eu questione se a vida tem mesmo algum sentido, mas aprendi a te encontrar de várias formas e dentro de mim. A diferença é que eu tenho você aqui hoje e vejo, feliz, você construir um ninho nos meus galhos. Te dou sombra, colo e te busco como a mim mesmo, a cada dia, a cada instante. Meu canto hoje não tem as mesmas notas desesperadas que tivera outrora e sei que desafino, Amor, mas canto uma música minha e ela é bela — faço um convite pra você cantar comigo.

Sejam bem-vindos os sonhos de cascas brancas e finas, com suas pequenas gemas douradas. Se os quebramos pra dar vida ao dia-a-dia, não poderiam esses (dias) ter matéria mais elevada ou filigrana mais preciosa. Pois de amar, sei que não é um fim. É como dormir e morrer sonho, acordar e renascer vôo de asas pareadas.

Seguindo o modelo

…na minha mochila hoje você vai encontrar, por compartimentos:

– uma garrafinha de água vazia;
– escova e pasta de dentes, desodorante, protetor labial, cortator de unhas, pinça, uma pomada que eu tava passando e esqueci lá;
– celular e carteira com bilhetes de metrô e de ônibus, dinheiro, cartões, carteira de habilitação, a nota fiscal dos tênis que já tão ficando velhos e um pré-milionário bilhete da mega-sena;
– óleo de massagem e camisinhas;
– estojo com lapiseira, apontador (havia lápis coloridos pra marcar partituras), borracha, diapasão e 15 canetas Stabilo de cores diferentes, agenda, caderninho de notas, estojo com óculos de grau, estojo com óculos escuros da Chilli Beans;
– chaves num chaveiro de sapo da Zoot, Guia Mais 2005 de bolso, um cadeado pro armário da piscina do SESC que eu nunca mais fui, roupa suja;
– uma pasta com partituras variadas pra coro (Audi Coelum), partitura pra coro e redução pra piano do último movimento da 9a. Sinfonia de Beethoven, partitura orquestral da Sinfonia No. 39 de Mozart, uma batuta e um livro (O talentoso Ripley) que eu não acabo nunca.

É uma casa. Com um canivete novo — **dica de presente de aniversário** — eu já posso me mudar pra selva. Enquanto isso eu fico brincando de dormir alhures.