Um dia de fúria

Adoro meus vizinhos. Sério, não tenho do que reclamar. Mas nos últimos dias (fim de semana, inclusive) eu poderia jurar que aquele pedreiro maldito tem me acordado com a marreta na cabeceira da minha cama. Se reforma já é um porre, imagina reforma alheia!

Posso alegar insanidade temporária se eu matar alguém?

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Presentes! Eu adoro dar presentes, embora possa dar muito menos do que goste — adoro ganhar também, é claro —, mas fico doido quando escolho a dedo, embrulho direitinho, encho de fita, entrego… e a pessoa não abre! Como assim? Eu tenho que correr atrás, perguntar se viu, se ganhou, se gostou? Nem um alô? Tenha dó!

Eu quero morrer.

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Pronto, passou.

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As formigas não ganharam ovos de Páscoa este ano. Tive que guardar o meu dentro de um tupperware, longe das bandidas. Tirem os zóio do meu ovo, suas compulsivas! Compulsivo aqui, só eu.

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Se amo tua ausência é porque me faz querer ficar do teu lado — e te carrego sempre aqui comigo. Amo mais tua presença que me faz querer ficar mais e melhor contigo. Mas meu esporte predileto ainda é te acordar pela manhã, não vou negar.

“Vieni a me sull’ali d’oro…”

O que vocês ouvem é um pequeno excerto de uma das árias de Rinaldo, da ópera Armida de Antonio Salieri — que não era o inimigo mortal de Mozart pra você que viu Amadeus, ok? —, na voz da inenarrável Cecilia Bartoli.

Já disse que eu quero este CD de-ses-pe-ra-da-men-te? Tipo assim, não custa lembrar, afinal, o mês de maio está chegando, tal e coisa, coisa e tal…

Desaniversário

Quatro meses. É inútil não querer contar o tempo se a gente sonha com ele, planeja e faz de tudo pra que se alongue, hoje e daqui a um ano, dois, quem sabe? Conto o tempo como um bem-me-quer de horas: cada pétala uma hora a mais contigo.

As pessoas gostam de correr contra o tempo, mas de tanto correr não vêem que o tempo passou. Tempo bom é tempo curtido, embalado, dividido, multiplicado. É o que escapa com um suspiro, escorrega pela nuca e nos lembra de nós mesmos. E sonhamos com viagens e comemorações vindouras, enquanto só o que podemos fazer é viajar em sonho; minha mão na tua. Enquanto há tempo, digo que te amo.

Vejo o tempo passar na janela enquanto te abraço urgentemente e sorrio. O tempo sorri pra nós. Você sorri pra mim e sinto que sou feliz. Mais quatro meses?

De Páscoa e de pregos

Em um tradicional e sangrento ritual de penitência por conta da Sexta-Feira Santa, 17 pessoas foram crucificadas — veja bem, espontaneamente, para repetir a saga de Cristo — no povoado de Catud, nas Filipinas. Observados por mais de 20 mil pessoas, os fiéis foram arrastando pesadas cruzes de madeira até a colina do povoado, onde foram crucificados. (…) A eles, se juntaram centenas de penitentes que golpeavam as próprias costas com chicotes até sangrar, com o objetivo de pedir perdão por seus pecados.

É mais fácil eu dividir o mar em dois do que me oferecer pra enfiarem um prego de 12cm na minha mão — precisava ver que linda a foto da pessoa com um close da mão pregada na cruz. O que será que esse povo bebe? Já não disseram que Cristo morreu por nós? E depois pagãos é que são bárbaros! Enfim, ou é pecado demais, ou crença de menos; e loucura demais pra minha cabeça.

Todos os anos, o espetáculo atrai milhares de turistas até o local (…). Desde 1997, apenas os filipinos podem se crucificar. Tudo porque um ano antes, um japonês filmou a própria crucificação para depois usá-la em um filme pornô. (Jornal da Tarde)

E eu pensando que os turistas eram apenas um bando de sádicos. Quando a gente acha que já viu de tudo nessa vida… Crianças, não tentem isso em casa. De minha parte, acho que vou continuar acreditando no coelinho, é mais seguro.

Paixão

Ovos de chocolate.
Beijos escarlates.
Incenso de rosa.

Ressurreição é todo dia, a cada hora uma promessa de felicidade renovada.

Pra não dizer que eu não falei das flores

Diz aí: feitos um para o outro, não? Também achei.

Festa à fantasia do , foto do Ético. Pensou mesmo que a gente saía assim na rua, né? É não, a gente já chama a atenção naturalmente. Basta o sorriso. ;)

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Mas… ah, deixa pra lá. Tá tão frio essa noite.

Cruz-credo, pé-de-pato mangalô treis veiz!

Pré-inferno astral. Existe isso? Se não existe eu acabei de inaugurar.

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O monitor fez PA-PUF! O bom, o confiável, de 15 polegadas que quase não é usado. O de 17, não tão bom, não tão confiável, mas de todo o dia, deve estar esperando um momento mais dramático. Vou começar a limpar o vidro dele com água benta.

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Pouco mais de duas semanas de hospedagem nova e o disco primário do servidor bateu com as botas ontem no meio da tarde. Um baita de um data center e não foi nem o da esquerda, nem o da direita, foi o nosso — mega-sena, nem pensar! Se não fosse o meu São Backup vocês estariam hoje, 24 longas (e lentas, suporte lerdo do caralho!) horas depois, lendo os posts da semana passada, sexta-feira, literalmente — yeah, go figure!

Fala sério! Pra que diabos serve um backup semanal hoje em dia? Só se for pra você cortar os pulsos ao invés da jugular e morrer devagarinho.

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Um post foi pro espaço; que deus o tenha. Quem manda eu ser ansioso?

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Ô, Seu Inferno, pega leve aí que abril não vai ser fácil. Não mesmo!

A erma imensidão da minha cama

sinto falta de você
como a um cheiro bom
que me faz respirar
mais fundo

Tinha que ser lei, dogma ou postulado: pessoas apaixonadas deviam ter seus horários automaticamente conciliados. O universo inteiro tinha que depender disso.

Chá de fita cassete

Às vezes penso que adolescência tá mais pra doença (mental) do que pra qualquer outra coisa. Jura pra mim que a molecada anda fazendo chá de fita de vídeo e fita cassete pra ver se dá barato? Depois vão dizer que eu sou careta, mas rapaz, minha mãe me ensinou que a gente não pode comer essas porcarias não! Faz mal!

Pensando bem, nem na minha adolescência eu tive esse tipo de idéia infeliz. Bote alguém uma coleira nessa gente que eles nasceram na espécie errada, faz favor.

Páginas ?ntimas

“Era uma casa muito engraçada
Não tinha teto, não tinha nada…”

Mas tinha páginas, muito íntimas. Veio um vendaval e derrubou a casa, levando algumas páginas, bagunçando outras. Daí veio um rio, mas o rio era tão grande, era tanta água que as páginas não pararam ali. Então, um dos três porquinhos resolveu construir uma casa pras páginas morarem — sem um teto, mas com backup. E todos serão felizes pra sempre, logo que as páginas íntimas voltarem.

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Se você conhece o Gábis — ah, você conhece, não se faça de besta! —, deixe lá seu recadinho, sua chantagem emocional, pra que ele saiba que tem casa e que não se pode viver sem ele — sim, eu sou maquiavélico, nascemos no mesmo dia.

Caso sério

— Eu queria dedicar esta música pro Gui, meu querido, porque a gente é mesmo um caso sério…

Românticos em Cuba. E se tivesse alguém passando com um rodo ali eu já tinha ido parar no ralo, derretido. Ele estava lindo, o ponto alto da noite. Tão lindo que, além do meu bilhete do correio elegante, deve ter ganhado bem mais uma meia dúzia — ainda bem (pra eles(as), é claro) que a brincadeira é anônima. Não sou ciumento, mas ô povo abusado! Acho que vou começar a fazer xixi na perna dele. :P

Convite

Eu, se fosse você, iria ver meu amor cantar aqui, hoje. Lindo! Imperdível!
É, segunda-feira, lá pelas 22h30. Todo mundo sabe que artista não trabalha… :P

Rua da Fraternidade

Na realidade chamava-se Rua Harmonia e tinha um apartamento de dois quartos, cozinha, sala e banheiro, com jeito de colo, cheiro de café (ou chá) e luz de fim de tarde de inverno com edredom. Mas a foto me fez sorrir por dentro. Seu nome: Gabriel Arcanjo. Um anjo, sim, que eu vou morrer chamando de fratello.

Será que ele tem consciência da importância que ele tem pra mim? Saberá que se não tivesse me estendido a mão e as palavras hoje talvez eu não fosse quem sou? Parece bobagem, mas eu o escolhi como irmão. Aquele mais velho, aquele mais sábio. Não sei se ele me tem como um irmão mais novo — anjos têm irmãos? —, mas que importa? Pra mim basta sabê-lo aqui no peito, como uma luz azul.

O que eu queria agora é poder pegar o primeiro avião pra Manaus e chegar de surpresa com um presente e um bolo, gritando “Feliz Aniversário!” e pulando pela sua casa nova que eu não conheço. Queria mesmo, egoísta, que ele não tivesse partido daqui. Mas queria também vê-lo doutor, professor, filho, amor e feliz. Queria fazer massagens nos seus pés.

Fratello, mando um beijo pra ti nas nuvens, um abraço na chuva, um sorriso no sol e muito amor. Feliz Aniversário é muito pouco, mas eu espero que sirva.

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Aquele safado bem que podia voltar a escrever por aqui nem que fosse uma vez por mês pra matar um pouco a nossa vontade, porra!

Glamour!

“A barata diz que tem sete saias de filó
É mentira da barata, ela tem é uma só…”

Ela disse que só sai com cara de louca em foto, mas é mentira!

Ela também sai com cara de perua, basta estar em seu habitat natural: a bibolândia. Pra vocês verem como a natureza é injusta, tudo o que ela queria na vida era ser uma drag-queen, mas nasceu no sexo errado…

Pensando bem, a natureza é sábia.
Já pensou essa aí, homem, gay, com 1,80m, plataforma e purpurina?

Uma palavra e muitas maneiras de dizê-la

Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
(Clarice Lispector)

Escrevo enquanto você dorme, em pensamento. E tento ser leve para não abalar teu sono que é como uma pequena chama. Assim também é o que sentimos um pelo outro: fogo que os vários ventos de todos os dias atiçam, balançam, ondulam enquanto o alimentamos de nós mesmos. Porque há o que eu sinto, o que você sente e o sentimento que se delineia no espaço mínimo entre nossos corpos, como faísca; na nossa ausência, como relâmpago.

Hoje, nem sei o que dizer. O que eu sinto por você começou uns quatro meses atrás, veio chegando silenciosamente como gato, docemente e, ainda assim, penetrante como os teus olhos de felino. Era algo que eu não esperava, que eu já não buscava, mas que recebi de peito aberto. Amo você! E quando digo que te amo, não é pelos teus lindos olhos azuis, pela bela voz. Também não é pelo teu jeito carinhoso e dengoso de menino. Tampouco pela maturidade e pelo talento, do qual tenho tanto orgulho. Não te amo porque você me faz feliz — embora eu adore.

Acho que te amo porque meu peito busca se fundir com o teu e, mesmo eu sendo um, busco sempre ter um pouco de você dentro de mim, onde quer que eu vá. Amo essa covinha da tua face direita só de olhar, e de querer mordê-la amo mais. Eu te amo por tudo que nós somos juntos e que é só nosso, e que sozinhos não sabemos ser; nunca ninguém mais será, minha vida. E o que nós somos, bebê, é um milagre!

Feliz Aniversário, meu amor!
Ou, tal e qual minhas pernas nas tuas: eu te aniversário amo feliz!

Jamais diga “era apenas um gato

Tava aqui pensando e obviamente relutando em tocar no assunto porque ele me lembra da minha Coala e isso me dói onde eu ainda não consigo assoprar. Mas não posso parar de achar que quem diz uma frase dessas é essencialmente egoísta.

Diminuir a dor e a perda alheia é um dos atos mais mesquinhos que eu conheço.

Ad saecula saeculorum, amen!

Ontem minha finada vozinha faria cem anos. E já faz sete anos que eu não vejo aquele sorriso cândido de quem soube em uma vida chegar mais perto de Deus — seja lá ele(a) quem for, seja lá de que forma. Minha avó era católica, daquelas de verdade, que ia às missas todo santo domingo, que ensinava os netos a rezar, mas cuja crença nunca aprisionou ninguém — sua maior força era a da fé —, e que também nunca, jamais recusou um prato de comida da própria mesa a algum necessitado que batesse à porta. Minha avó era cristã no sentido exato.

Nascida em 1905, mãe de quatro filhas, casou-se muito tarde com meu avô, camponês e imigrante italiano ainda mais velho e a quem o tempo permitiu que me conhecesse, mas não que eu me lembrasse dele. Vejo minha avó na minha mãe, sua caçula — céus, como são parecidas! —, e às vezes parece que sinto, como um enlace do tempo, a mesma força de fé e ternura emanar, embora minha mãe não seja católica. Eu só queria ter tamanha fé, ser imbuído dessa crença maior que si, maior que o mundo. Não sei se sou, infelizmente.

Uma das alegrias de minha avó era escrever. Ela, que não terminou a quarta série do primário e se lamentava disso, batalhou muito para ter as quatro filhas educadas e formadas, e se encantava de ver seus netos estudando. Há vários poemas seus espalhados em gavetas, em papéis, com as filhas e a sobrinha, com alguns netos. Mas ontem me foi dado um caderno com capa de madeira com o qual a presenteei para que escrevesse seus poemas, e que ela, já muito velhinha, mal chegou a usar: há apenas dois, porém um “hymno” e uma canção. Minha pequena avó Yolanda, filha devota de Maria, me deixou um presente. Benção, vó Landinha!

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O nome de Maria
Hymno

Quantas vezes densas trevas
Minha pobre alma envolveu
Andei errante como os Magos
Quando a Estrela se escondeu
Mas ao invocar teu nome
Oh! terna Mãe de Jesus
Dissiparam-se as trevas
E raiou em minh’alma a Luz

(Côro)
Virgem Santa Aparecida
Oh! Maria Mãe do amor
Quero passar minha vida
A entoar o Teu louvor.

Ao teu nome, Mãe querida
Deus deu o santo poder
De auxiliar nesta vida
A quem dele se valer
Para mim sempre Teu nome
Oh! terna Mãe de Jesus
É mais doce do que o mel
E mais do que o Sol tem luz

Quero invocar teu nome
Sempre, sempre oh Mãe querida
Pra que na morte me ampare
Quem eu invoquei em vida
Pois teu nome doce santo
Tem o poder Divinal
De elevar a Deus nossa alma
E nos afastar do mal

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Yolanda Nóbrega Donati
Bragança Paulista
Há muitos anos
E passada para este em
Março de 1991
S. Paulo

Cabeça de pirajica

Eu fiz de novo. Anotei um telefone no celular e, na pressa, taquei lá um único “H” no nome pra editar depois. Agora me diz, quem lembra de quem é? Quando e onde foi que eu anotei? Tava com a pessoa ou falando pelo telefone? E era importante?

Por que, ó céus, por que cuernos eu faço dessas coisas, inferno?!

Além-mar

É devagar que eu vou. Cada dia um pouquinho mais perto do horizonte, cada onda me leva um tanto mais longe do cais. Viver é encurtar e crescer distâncias, penso eu, buscar além-mares, nem que seja com a água e o sal dos olhos.

Sonho com ilhas, mas as vejo e deixo passar sem tentar abraçá-las. Elas existem infinitamente? Será que sou eu-barco que passo por elas, ou elas que passam por mim? Quem é que flutua? Na verdade sou o mar e estou em todas elas. Mas minhas águas que vão e vem não chegam além de suas praias. E se há recifes, lamento, sou apenas o mar e no mar permaneço; uma onda maior só faria afogá-las.

Ondulo, mantenho-me e busco em mim o que há além de mim. Meras distâncias.

Com a faca e o bit na mão

Este é pro punhado geeks de plantão. Os demais, desconsiderem.

Então, hospedagem nova, né? Admins novos e a mesma história de sempre: eu quero fazer, eles não querem que eu faça. A desculpa, também sempre a mesma: “due to security reason, we cannot allow blablablá…“. Sei. Insisti um pouco e já liberaram o acesso via SSH. A hospedagem é boa, com WHM e cPanel, dá pra administrar praticamente tudo por conta própria, até DNS; vários brinquedinhos.

Daí que eu resolvi fazer um scriptzinho pra automatizar o processo de backup das bases de dados dos nossos humildes blogs via e-mail — seguro morreu de velho.

Não pode. O shell responde: “/bin/mail: Permission denied”. É o quê? Decidiram que um comando do sistema de e-mails era potencialmente perigoso — mas deixaram similares liberados! O suporte, claro, não quis saber de me dar permissão. Pior, perguntou onde estava o script e, sem que eu ao menos pedisse (ou tivesse idéias), incluiu meu script na crontab. Do root! Agora eu posso, a qualquer momento e sem aviso prévio, alterar o script ao meu bel e malévolo prazer. Eu me pergunto como é que um admin dá uma faca desse tamanho a alguém que certamente ainda vai ficar muito puto com ele — premissa básica entre usuários e admins. Ô, tentação!

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Tá bom. Pra você que não entendeu lhufas do que eu disse, imagine assim: é como se escrevessem uma procuração a lápis, assinassem e dessem na minha mão.

Mea culpa?

Não fui eu, juro! Se você não tava conseguindo acessar nossos domínios hoje, don’t blame us! Sabe, tem vários computadorezinhos que servem pra transportar pacotinhos de bytes de um lado pro outro na internet. Eles se chamam ro-te-a-do-res — anotou? Acontece que alguma besta deve ter chutado um cabo da tomada por aí, mudou um configuração ali e pronto, fez-se a merda — eu voto na Telefônica, é sempre legal jogar a culpa na Telefônica e geralmente funciona!

Voltamos (eu espero) com a nossa programação (a)normal.

10 ciber-coisinhas que eu odeio

Não necessariamente nessa ordem:

1- E-mails com arquivos pps. Eu aviso uma vez.
2- Correntes. Eu ODEIO correntes! Tá escrito “LEIA ATÉ O FIM”, “É VERDADE!”, “FUNCIONA!!!” com um monte de “>>>” de e-mail encaminhado, eu apago.
3- Páginas que redimensionam a janela do browser. Popups eu bloqueio.
4- Falsa intimidade. Mensagens meigas e fofas de quem você nunca viu na vida — vale, claro, pro Orkut também. Eu sou meigo e fofo, o que eu não sou é hipócrita!
5- Pessoas que escrevem “oi, te achei super legal, me conta mais de você”, mas falar que é bom, nada. Meu filho, tá a fim de saber da vida alheia? Vai ler Contigo! Aproveita que o Chico tá lá. Ou então vamos con-ver-sar — é via de mão dupla.
6- Ciber-analfabetos. E pessoas que não lêem antes de escrever.
7- S?NDROME DE CAPS-LOCK. Parece que tão berrando com você o tempo todo. Pessoas que sempre escrevem com muitas exclamações ou muitas interrogações.
8- “Oi, te linkei. Me linka aí também!”. Onrron!
9- Cadastros que só faltam perguntar se você trepa de pé ou deitado e os e-mails de ofertas subseqüentes. Já ouviu falar em conta de e-mail fantasma? Pois.
10- Suportes em geral. Porque eles nunca são tão rápidos quanto eu gostaria e das duas uma: ou eu sei mais do que eles, ou eles não querem deixar eu fazer as coisas do meu jeito — o brinquedo é meu, sai!

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Nem uma semana e eu já tô querendo enforcar um admin.
Não sei quem é pior, se eles ou eu. :P

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Eu sou uma fera.
Ui, que meda!

Lar, doce (e novo) lar

Era pra escrever ontem, então vocês leiam hoje e finjam que é ontem, ok? Eu tava ocupado com a mudança, caixas e mais caixas de bytes — dela, óbvio, que a minha era até modesta — e uma conexão que resolveu dar pra trás (opa!) bem na hora agá — por que “agá” não tem “h”, eu nunca vou entender, mas descobri que também significa amante, no regionalismo português (de Portugal mesmo), um título concedido a chefes militares turcos, título do chefe espiritual dos ismaelitas (quem?) ou chefe poderoso que não pode ser contestado, uma coisa assim de distinção muçulmana; melhor não mexer com o agá.

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Foco. Começamos bem…

Sentiram saudades? Eu não tava planejando voltar ainda não — eu não disse querendo, disse pla-ne-jan-do, que a questão é prática —, mas ela foi bem convincente: não consegue viver sem mim, fazer o quê?

E eu adoro um brinquedo novo, de preferência cheio de botões.

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E por falar nisso, Zel faz aniversário hoje — ontem, lembram? Cada vez mais velha e cada vez com mais badulaques da Hello Kitty, é impressionante! Mas como além de ser a aniversariante ela ainda fez o favor de nascer no Dia Internacional da Mulher — tá boa, santa? —, eu tinha que prestar minha mui singela homenagem: adoro essa foto, principalmente porque ela tá com cara meio de louca e eu não. Mas enfim, te amo, amore. E você sabe onde é afinal que eu te guardo — não vou dizer que é fácil, mas você é minha irmã-escolhida, até hoje, por bem ou por mal.

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Se eu me descuido de pensar, descubro que tô feliz. A vida não tá fácil, sabe? E tem uns trocentos assuntos a resolver, de questões menores de saúde a processos legais, passando pela vida profissional, o diabo! Grana? Esquece. Mas não falta o amor, não faltam amigos e isso ajuda bastante a agüentar o tranco; não resolve, mas alivia. Enquanto isso a gente vai levando, vivendo e aprendendo a jogar.

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Quando você fizer aniversário quero cantar no teu ouvido, baixinho. Deixa?

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Apesar das ruínas e da morte
Onde sempre acabou cada ilusão
A força dos meus sonhos é tão forte
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos estão vazias

(E depois de uma tarde,
Sophia de Mello Breyner)

Deixa

Deixa eu explicar — porque eu sou assim mesmo: não me pergunte “como funciona?” ou “o que é isso?”, especialmente em música, principalmente em canto, se não puder passar a próxima meia-hora ouvindo uma explicação. Mas não me deixe hoje fazer muito sentido, a não ser que seja pra isso mesmo, sentir, que eu já fiz perguntas demais, busquei respostas demais e elas nunca vêm, só quando me esqueço delas — ah, sim, eu gosto de respostas, eu sou louco por respostas, mas sei ser tão desinteressado quanto curioso. E querer uma resposta e não tê-la às vezes é tão doído… Pensando bem, deixe-me assim, simplesmente.

Mas deixa eu dizer que eu sinto várias coisas. Sinto uma tristeza de quem nada, nada e morre na praia. Quer dizer, morre não, chega na praia errada, árida e deserta porque não nadou direito — ou se deu mal nas correntes. Sinto uma felicidade quente e tranqüila quando penso e sinto o amor que estou vivendo. Sinto orgulho de mim mesmo por sentir um amor assim tão desprendido — e me sinto estranho por senti-lo, como se sentir assim não fosse amor; é amor, mas não é amor de novo, é amor novo! E me sinto mais maduro. Mas também me sinto absolutamente imaturo por ser adulto e não saber como sê-lo. Tudo é sempre tão lento! Agora me sinto besta porque é só sentir um pouco que já começo a me cobrar a solução do meu sentir. Mas eu sinto isso, fazer o quê?

Eu me sinto confuso, com uma vontade de chorar o leite derramado apenas e de sorrir pro dia de sol, de querer morrer um pouco e dormir no colo amado, de arrancar os cabelos e beijar a boca, de rasgar o peito e buscar a alma, de ser apenas um, eu, de novo. Não sei escrever, só vejo que escrevi quando já está escrito, e só vejo que andei quando não posso mais voltar atrás — de quem foi a idéia de me misturar touro com sagitário? Quando me perco, oscilo. Então quando me perguntam como estou, deixa pra lá, não sei dizer. Hoje não, mas eu chego lá.

Feitiço de chocolate

Porque a vida precisa ser doce, ela disse.

Concordo. Mais do que isso, acho que cada receita é um encantamento. E cada encantamento, um feitiço por dentro. Escolho então um dos feitiços — que são tantos — de uma das minhas bruxas prediletas e faço um bolo de muito chocolate.

O verão logo termina e com ele vai-se a chuva; fica a estiagem e seus áridos caminhos. Melhor cuidar dos frutos cultivados, é bom dar colo às crias novas amorosamente e adoçar os nossos destinos, por precaução, pra que a boca não se esqueça dos seus (bons) sabores. E uma calda por cima.