Yo no buscaba a nadie y te vi

(ou, quem disse mesmo que os opostos é que se atraem?)

Os sonhos mais lindos sonhei
De quimeras mil um castelo ergui
E no teu olhar
Tonto de emoção
Com sofreguidão
Mil venturas previ
O teu corpo é luz, sedução
Poema divino cheio de esplendor
Teu sorriso prende, inebria, entontece
És fascinação…

Pausa! Aviso aos navegantes, Atlântico Sul, Brasil: não mais me responsabilizo por crises agudas de diabetes; entre por sua própria conta e risco! Fim da pausa.

…amor

Dedicação

Se te escrevo, amor
Não é para ti, mas por mim
Enquanto o tempo é jovem
E da dor não sei o que seja ainda

Para ti dedico meus mundos
De impossíveis cores lindas
Minha vida um tanto doida
Meu canto de amador

E não sei se é verdade — diz!
Mas o ardor da tua vontade
Eu rezo, seja igual ao meu

Pois assim é a mais pura realidade
Que meus versos são famintos de saudade
Esta fome que os meus olhos têm dos teus

Todas as cartas de amor são ridículas

Orkut has unmasked a shared affection
And shown twinned wounds from Cupid’s darts
But while we aid in love’s detection
Its future path lies twixt your hearts

E olha que eu sou ridículo à beça, hein! Mas esses versinhos… vou te contar!
Pelo menos agora eu tenho uma história pra contar pros meus sobrinhos! :D

Pra bom entendedor meio beijo basta (mas pra mim é pouco!)

Em sessão extraordinária a assembléia deliberou que dia 28 é um dia bom.
Tão bom, de fato, que aproveitou e deliberou o resto do dia. Viva a burocracia.

+

Será que não bastam as letras de forma, vou ter que pôr legenda aqui também?

…Serás o meu amor
Serás, amor, a minha paz

Abestadely: you know what I mean

Tem idéia do que seja ver a lua nascer, redonda e branca, e em vigília acompanhar o arco de sua trajetória errante por um céu de azul profundo? Ah, tem?! Que bom porque eu mesmo a gente vê que só creio que ela andou passando. Pra onde foi, só deus! Até tento contar estrelas, mas sou meio abestado e perco a conta. No dois.

Mó responsa!


(ilustração: Weno)

Quem me disser que Mozart é facilzinho, apanha!
Ô, troço complicado! Mas, valha, como é lindo!

+

Eu achei melhor não deixar meu punho nu dessa vez. Sei lá, vai que o povo acha que só porque eu pego na batuta eu vou reger pelado! Tem doido pra tudo…

It’s a little bit funny

…So excuse me forgetting but these things I do
You see I’ve forgotten if they’re green or they’re blue
Anyway the thing is what I really mean
Yours are the sweetest eyes I’ve ever seen…

E a vizinhança quase enlouquecendo de tanto ouvir Moulin Rouge ad eternum, na marra. Mas o que eu posso fazer? Não sou eu, é o tempo! Nem é minha culpa se a lua é cheia, se o vento é quente, se de estrelas me bastam duas…

Reta final — a luz no fim do túnel

(ou, Ói, ói o trem…)

O último e derradeiro — o ensaio geral, logo mais, à tarde.
E depois, lar doce lar; nunca me senti tão mineiro na minha vida. É de se ficar até mais leve. O concerto? Bobagem, fichinha! Não fico nervoso diante da orquestra em concerto, o que pega mesmo são os ensaios, é não saber se vai dar tempo; segunda é só alegria — minto, tirando a gravata, é só alegria.

Mas se eu vou começar com esses subtítulos nos posts, então é bom o processo acabar logo, antes que seja tarde e eu comece a gritar “Toca Raul!” por aí.

O Poeta Inventa Viagem, Retorno e Morre de Saudade

Se for possível, manda-me dizer:
— É lua cheia. A casa está vazia —
Manda-me dizer, e o paraíso
Há de ficar mais perto, e mais recente
Me há de parecer teu rosto incerto.
Manda-me buscar se tens o dia
Tão longo como a noite. Se é verdade
Que sem mim só vês monotonia.
E se te lembras do brilho das marés
De alguns peixes rosados
Numas águas
E dos meus pés molhados, manda-me dizer:
— É lua nova —
E revestida de luz te volto a ver.
(Hilda Hilst)

Ontem a lua, cheia de si, sorriu pra mim.
É só isso que eu tenho a dizer.

Primavera nos Dentes

Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra-mola que resiste

Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera
(Secos & Molhados)

Coquetel molotov

Inútil tentar explicar, mesmo porque 90% do que anda me engolfando não é muito racional. Pra simplicar: estresse. Fato é que eu não ando muito estável esses dias e dá pra imaginar o quanto isso me incomoda. A sensação é mais ou menos a seguinte: imaginem aí que à sua volta tem todo um sortimento de emoções, fim de curso, duas formaturas, desaconchego, vazio, ensaios, muitos ensaios, concerto, irritações, frustações, alegrias inesperadas, desejos furtivos e um sorriso iluminado, daqueles de torcer o pescoço e te arrancar do mundo sem que você queira — ou queira. Imaginaram? Pois bem, agora coloquem tudo numa coqueteleira, agitem bem e empurrem goela abaixo, passem tudo pelo funil. Tudo!

Não é fácil ficar pingando do céu pro inferno tão rápido assim. Haja foco!

+

Este fim de semana eu vou pra Vênus, ou Saturno. Se não tiver passagem, Lua.
Segunda, quando eu baixar a batuta, acho que volto a ser gente novamente.

Auto-bofetadas

Chega! Pára! Já deu!
Nem eu agüento, autocomiseração é demais pra minha cabeça.
Dá licença que eu vou ali fora contar estrelas, pedir bênção pra lua.
E de uma vez por todas: felicidade é exercício, criatura!

S.O.S

Gritos de socorro são sempre ridículos.
Ainda mais pra mim que sei nadar — mas cadê a praia?

E antes que eu me esqueça…

…porque eu já me esqueci de dizer que sábado foi aniversário da irmã — mas não me esqueci dela! —, que há, sim, luz por aí, sei lá onde, que semana passada eu fui à Sala São Paulo duas vezes, a gentil e amigo convite, ver a Orquestra de Câmara da OSESP tocar os 6 Concertos Brandemburgueses de Bach — muito bom, e o cravista era um figura, mas eu prefiro com instrumentos de época — e que, sei lá, mil coisas, enfim:

Feliz Dia dos Músicos, ou dia de Santa Cecília, padroeira da classe, de quem não posso dizer que seja devoto, já que eu sou um fiasco neste quesito, mas a quem, junto de São Francisco de Assis dos bichinhos, sou um tanto tendencioso. É isso.

Ave Maria

+

Mãezinha do Céu,
eu não sei rezar,
eu só sei dizer,
que quero te amar.
Azul é teu manto
e branco é teu véu
Mãezinha, eu quero
te ver lá no Céu.

Um dia eu aprendo que, quando eu sinto vontade de ficar quieto, isso é porque é pra eu ficar quieto, que o que dói nem sempre machuca, e que o contrário, às vezes, sim, pra mim também.

+

A vida sempre foi e sempre será cheia de erros e acertos. O que me agonia são esses períodos de não-tempo, quando não sei se erro ou se acerto; às vezes não sei se sou.

+

Vocês já tiveram a sensação de não se reconhecerem por um segundo? Não digo em atos e gestos, digo no espelho, no corpo. É como se, por um instante, ficasse cruelmente claro que aquilo não é você, aquele não é teu corpo, nem tua vida; não há vida, tudo não passa de uma simulação que recebeu um sopro de consciência. E de repente passa, tudo é físico e de novo ao seu redor, mas a sensação de inadequação tarda um pouco a se esvair.

+

Saudades de vó. Às vezes, quando nada tem solução (nem problema), me dá uma saudade da minha vozinha, mãezinha ao quadrado, a minha Yolanda, vó Landinha. Talvez por eu ter crescido quando era já ela bem velhinha e quase menina novamente, sua imagem sempre me vem imbuída de uma doçura atemporal, incondicional, permanente. Tem dias que só a memória salva, essa eternidade em movimento.

+

Uma coisa, assim, MadreDeus.

+

Hoje é dia de concerto e minha alma (sempre) canta, bem ou mal.

Reclame (pra quem quiser me ver cantar)


Música na Capela Sistina durante o Renascimento
Alma redemptoris mater Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525-1594)
Missa Papae Marcelli
Kyrie
Gloria
Sanctus
Benedictus
Agnus Dei I
Agnus Dei II
Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525-1594)
Ave Maria Jacob Arcadelt (c.1505-1568)
Alleluia, Christus surrexit Felice Anerio (c.1560-1614)
Peccantem me quotidie Cristóbal de Morales (c.1500-1553)
Miserere Gregorio Allegri (1582-1652)
Veni Creator Spiritus Furio Franceschini (1880-1976)
Canto para a Festa de Santa Cecília Pe. João Lyrio Tallarico (1922)
Motete à Virgem Santíssima e Mãe nossa queridíssima Pe. João Lyrio Tallarico (1922)

20 de novembro, sábado, 20h
Capela do Colégio Nossa Senhora de Sion

Av. Higienópolis 983 – Higienópolis (São Paulo – SP)

22 de novembro, segunda-feira, 20h
Paróquia Santa Cecília

Largo Santa Cecília s/n – Santa Cecília (São Paulo – SP)

ENTRADA FRANCA
Para maiores informações, visitem a agenda de concertos no site do Audi Coelum.

orkut – Fulano has written you a scrapbook entry

“Fulano has scribbled in your scrapbook. To read the new entry, visit orkut.”
Eu tento! Juro que tento! Digo mais, até respondo quando aquela porra deixa.

+

Espera é algo que acaba comigo. Numa sociedade perfeita tudo deveria ser definido e (in)deferido imediatamente, até sentenças de morte. Mas não haveria sentenças de morte numa sociedade perfeita.

+

Se o telefone tocar mais uma vez eu enfarto.

+

Folheando o jornal — Turismo. Não consigo imaginar agora uma maneria mais sem graça de passar as férias do que num cruzeiro marítimo. Pensa quantos dias de férias a gente joga pela janela, ou melhor, pela escotilha, dentro de um navio, vendo o mar, mas sem poder entrar no mar. Pra quê? Pra gastar dinheiro em cassino, no mesmo restaurante todos os dias e em noites temáticas de duvidoso embasamento cultural? Obrigado, prefiro turismo in loco. Ou na louca, se preferir.

+

Meu estômago já passou das tradicionais cambalhotas para o triplo mortal carpado, barras assimétricas, salto sobre o cavalo e bungee jump. Resta saber se vai cair de bunda no tablado ou de quina pra lua.

+

Cinqüenta por cento. Tudo se resume na meia probabilidade de sim ou de não. Ou é, ou não é. Mas a gente morre mesmo é no talvez. Odeio estatística!

+

Eu queria conseguir pensar em apenas uma coisa de cada vez. De preferência, no ciclo reprodutor dos Sula nebouxii, os atobás de pés azuis, dos Galápagos. Ficar observando seus ninhos nas pedras e sua rotina de mergulhar no mar pra pescar.

E mais nada.

Vigília

+

É como o fôlego preso
diante da chama
que balança

Assim é a alma
que não se apaga
diante do palco

Uma punheta por dia torna a vida sadia

Estudo australiano aponta que pornografia faz bem à saúde.
Pronto, institucionalizaram a punheta! :D Eu me divirto com as notícias do Mixbrasil: “De acordo com um estudo promovido pelo governo australiano, há uma nova maneira de se livrar do médico: pornografia”. É já, não demora, e inventam um novo condicionador pra palma das mãos, vei vendo.

Mas o melhor mesmo é que tem um estudo por trás (opa!), das Universidades de Sydney e de Queensland, Austrália (opa de novo!), corroborando. Segundo eles, “a pornografia ensina os adultos a ficarem mais relaxados sobre sua sexualidade, torna os relacionamentos mais saudáveis e faz com que as pessoas conheçam mais sobre os prazeres alheios”. Válido, muito válido.

+

A criação de manchetes deve ser uma arte: “Forças Armadas do Peru permitirão sexo homossexual”. Quem escreveu isso é um gênio! (Eu e minha mente suja… :P)

Pobre de marré de si

Impressionante. Sempre que eu entro na FNAC eu sofro. Mas não é uma dorzinha à toa, é um martírio visceral, profundo, pungente… Por que tudo tem de ser tão caro?

Tá, eu não sou pobre. Eu tenho o que comer, onde morar, tenho estudo, etc. Mas veja, eu sou músico, certo? Ainda por cima, erudito: cantor e regente. A música dita “clássica” — sem referência ao período histórico aqui — é o meu objeto de estudo. E como toda área de estudo, necessita de muitas fontes confiáveis. Certo? Pois bem.

Vocês têm idéia do quanto custa qualquer edição crítica de uma partitura? Caro, bem caro. De orquestra, então, não se assute com uns 300 dólares. Daí que, pra piorar, eu paro em frente à estante de CDs de ópera (só pra ter uma idéia) de uma loja como a FNAC e tenho vontade de chorar, já que o álbum mais baratinho não sai por menos de 100 mangos! Se expandir esse escopo pra música clássica como um todo, danou-se! Eu fico pensando como se vira alguém que resolve estudar, por exemplo, joalheria. Quanto será que vale um diamante “para estudo”?

Então, se você tá assim, bem de vida, quer me agradar neste Natal, já sabe: passa lá e escolhe qualquer coisa, de olhos fechados; dificilmente vai errar.

Gauchesco

Ê morena quem temperou,
Cigana quem temperou
O cheiro do cravo
Ê cigana quem temperou,
Morena quem temperou
A cor de canela
A lua morena
A dança do vento
O ventre da noite
E o sol da manhã
A chuva cigana
A dança dos rios
O mel do cacau
E o sol da manhã
(Milton Nascimento)

Ser assim, de cravo e canela
E ter na boca vermelha
Tanto o lábio doce
Quanto a língua apimentada

Ter a vida por estrada
E a lua como companhia
Mesmo sendo bicho da terra
Ter a alma estrelada

Ser alegre, livre e louco
E também um pouco triste
Pra fazer da própria agonia
Elo com a beleza que existe

FELIZ ANIVERS?RIO, LUCA!

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo

Comprei canetas coloridas. Sabe aquelas da Stabilo, com jeito de lápis sextavado, de ponta fina e porosa? Adoro! Mas nunca compro porque as danadas são caras demais. Daí que eu fui almoçar com um amigo no centro, embucetei com o tempo chuvoso — fino, não? — e me enfiei numa daquelas papelarias. Pra quê? Bem quinze minutos me decidindo sobre quais as cinco cores que eu levaria. Sim, porque se eu não puser um freio na compulsão levo uma de cada — papelaria é a minha perdição! E ficamos assim: vermelha, verde, marrom, azul e roxa; todas escuras, pra escrever. A amarela, infelizmente, não veio. Se já tem vez que eu escreva pra ninguém entender, avalie em amarelo claro!

O sol permanece então como hoje: conceitual, mas aquecendo o plano amarelo e quente das idéias, quiçá do porvir, para que eles não morram de frio.

Me geek, you Jane!

Aleluia! Saiu a a versão 1.0 (não mais beta) do Firefox!
Adeus, Internet Exploder! Vê se morre.
Você usa esse lixo? Eca! Tenho nojo de você! :P
Sabia que este blog fica muito mais bonitinho no Firefox?
Sabia que ele é melhor? Mais confiável? Mais seguro?
Sabia que ele bloqueia os malditos popups?
E que diabos tá esperando que não instalou ainda?

+

Pronto, já fiz a propaganda, vou pro céu dos softwares livres.
Ou pelo menos não vou pro inferno da Microsoft. Tá valendo!

E agora dá licença que eu vou continuar na minha saga dramo-sentimentalóide.
Desracionalizar é preciso, nem que seja na base dos surtos.

That lonesome road

— Quem se apaixonar por você vai ser muito feliz!
— Só se eu me apaixonar também.

Duas frases, um estrago e tanto. Não, um estalo e tanto. Gatilho. Estrondo de onda quebrada de mar em ressaca. Fim do mundo. Beira da estrada. Ou tudo. Ou nada.

O que foi feito de ti, Amor? Em qual escuro recôndito eu lhe enfiei? Em que tempo esquecido lhe perdi a chave? Bato no peito e é pedra oca que ressoa; eco de poço profundo, insondável, frio, moribundo. E a dor do nada é como uma fisgada aguda, um rasgo na alma, capaz de me arrancar com força por um segundo da existência.

Choro no trânsito, um choro sem rosto além do meu; choro pequeno, de conversa com perguntas e (sempre) sem respostas, com pequenas lágrimas de um veneno amargo que me calcinam as faces. Pouco a pouco não tenho mais dúvidas, é como se elas desistissem e apenas fossem embora, como que abandonadas pelo tempo, cansadas de duvidar. E eu fico. Cada elogio agora é sentido como faca. Cada vez que me perguntam ao coração hoje eu penso em morte e sacrifício — sou como algum fanático enlouquecido atrás de redenção. E no entanto, recuso-me, eu não! Mas o não da inexistência me dói mil vezes mais do que o não da negação.

E como tudo passa eu sei que um dia tudo isso passará e, talvez, o nada bastará. Não acredito mais em desígnios divinos e prometida bem-aventuraça — tudo é tão certo aos olhos alheios, ou talvez pleno de desejo e boa vontade; já eu… vou dizer apenas que não sei. Não posso mais viver de expectativas, contudo elas parecem não poder viver sem mim. É como um velho pássaro estúpido que busca o ninho cuja árvore o tempo arrancou durante a tempestade. Ou solidão. Ou não.

Inutilia

A última gracinha dos spammers deste blog tem sido deixar os usuais comentários perdidos por aí, mas com links a nenhum domínio válido, sites que sequer abrem, apenas mensagens assim: “Google linked me to this page, nice reading”.

E eu me pergunto, já que é óbvio que nice reading meu cu, pois o blog está todinho em português, o que esse povo afinal quer da vida? Um spam que ninguém vai ver, que não leva a lugar nenhum e portanto não gera tráfego em sites de putaria, não vende Viagra ou quaisquer desses super remédios… nada. Há algum novo conceito subversivo ou genialmente revolucionário de spam rolando por aí, algures, que minha parca inteligência deixa escapar, ou esse povo é meio cretino mesmo?

Ainda é ainda

Foi muito bom. Aquela alegria tranqüila de ver de novo que teus olhos brilham e o teu sorriso ilumina o mundo — a luz que eu carreguei com saudade daquela tarde, quando eu parti e você ficou. Melhor que isso foi te ver bem, caminhando — você cresceu, e vai crescer ainda mais. E que da paixão, o carinho permanece, ainda.

Sapolândia

frogland.jpg

Eu avisei que eu não posso ter uma câmera nas mãos, agora agüentem!

Uma amiga uma vez me disse que eu sempre narrava as coisas como se fossem desenho animado. Pois eu olho agora pros meus sapinhos e não consigo deixar de imaginar um daqueles grupos vocais a cappella de antigamente que cantavam aquelas músicas melosas, todos agrupados em volta do microfone, também antigo. O sapão fazendo o baixo, claro, e os outros três arrasando no vocal. Quase dá pra ouvir eles cantando a introdução: tchu, tchubidu, tchubidu, uauaaá…

Quase dá pra me enfiar numa camisa de força também, mas isso é detalhe.

Quem pariu Mateus que o embale

O que me deixa virado do avesso com essa história das eleições americanas não é nem aquele povo ter votado em quem votou — salvo as exceções, ô mentalidade escrota, hein? —, mas o fato de não-americanos se foderem com isso. Se eles se acham no direito de “cuidar” do resto do mundo à revelia, então que façam eleições internacionais! — taí, até que não é má idéia…

Aliás, lembrei de uma coisa. Sabe aquele tipo de marido que morre de medo de ser traído? O que lhes parece? Culpa no cartório, né? Pois é.

E eu ia comentar a demonstração absurda de arrogância daquela besta apocalíptica — que não deixa de ser reflexo da mentalidade do próprio povo de lá — que tem saído no jornal, mas se é pra ficar deprimido, que seja com humor, via e-mail:

— Pai, por que o nosso país invadiu o Iraque? — perguntou Billy, de 8 anos.
— Lá tinha armas de destruição em massa.
— Mas a TV disse que os inspetores não acharam nada.
— Os iraquianos esconderam. E nosso governo sabe que invasões funcionam mais que inspeções.
— Se tinham tais armas, por que não usaram quando atacamos?
— Para que ninguém soubesse que eles têm as armas. Preferem morrer a defender-se.
— Como um povo pode preferir morrer a defender-se?
— A cultura deles é diferente. Preferem morrer e ir logo para junto de Alá. E lembre-se que Saddam Hussein era um cruel ditador.
— Como cruel?
— Torturava e matava gente.
— Como na China comunista?
— A China é diferente, seu povo trabalha para as nossas empresas, reduzindo os custos da produção e aumentando os nossos lucros.
— Mas a China não é comunista?
— É.
— E os comunistas não são maus?
— Só os comunistas da Coréia do Norte e de Cuba, que prendem e torturam gente.
— Como fazemos em Bagdá?
— É diferente. Nós prendemos e torturamos em defesa dos direitos humanos e da liberdade.
— Foi o que fizemos no Afeganistão?
— Lá foi por causa do Osama Bin Laden.
— Ele é afegão?
— Não, é saudita.
— Como 15 dos 19 seqüestradores suicidas do 11 de setembro?
— Sim.
— E por que não invadimos a Arábia Saudita?
— Porque o governo de lá é nosso amigo.
— Como era Saddam em 1980, ao combater o Irã?
— Sim, quem combate o nosso inimigo é nosso amigo.
— E por que temos inimigos?
— Porque muitos povos têm inveja de nosso progresso.
— Mas, pai, inveja não é problema do invejado?
— O invejoso de hoje pode virar o terrorista de amanhã.
— O que é um terrorista?
— É uma pessoa que não pensa como nós pensamos.
— Mas não defendemos a liberdade de opinião?
— Só a que não vai contra a nossa opinião.
— O Iraque nos atacou?
— Não, mas agora fazemos guerras preventivas, evitamos o mal antes que a semente dele caia na terra.
— Nós é que produzimos as armas empregadas nas guerras?
— Boa parte delas, pois a guerra favorece a nossa economia.
— Quer dizer que ficamos ricos às custas da morte de outros povos?
— É a lógica do mercado.
— Mas, pai, uma vida humana não vale mais que um míssil? Não foi isso que você me ensinou?
— Teoricamente sim, mas na prática não é assim. Para o mercado, só tem valor a vida que está dentro dele, a do consumidor.
— E as outras vidas?
— Filho, nada em excesso é bom. Muito vento causa furacão; muita água, enchente; muitas bocas, fome.
— Quer dizer que nós matamos como Saddam e o Talibã matavam?
— Nós matamos a favor da liberdade; eles, contra.
— Inclusive crianças como eu?
— Você não é como elas. Não temos culpa de os nossos inimigos terem filhos.
— Deus aprova isso?
— Sim, nosso Presidente fala diretamente com Deus.
— Como assim?
— Ele escuta a voz divina em sua cabeça. Deus o elegeu para fazer a guerra do Bem contra o Mal.
— Mas Deus e Alá não são a mesma pessoa?
— Billy, chega de perguntas. E, por favor, não confunda o nosso Deus com o deles!
(Diálogo entre pai e filho, Frei Betto, no Correio da Cidadania)

Kill Billie

O telefone toca:
— Alô!
— Alô, Gui? Aqui é o…
Eu vou arrancar o teu couro, cachorro!!!

Com um início de diálogo desses a gente vê que essa história tem futuro.

Ok, placar zerado — mas a vantagem é minha! Tua carteirinha está comigo.
Venha sozinho, à meia-noite. Nada de truques! Se chamar a polícia, ela morre.

A pulga e a orelha

Desilusão, desilusão
Danço eu dança você
Na dança da solidão

Acho que vou abrir uma confeitaria: levar bolo tá virando a minha especialidade. Não vou nem comentar porque, se eu começar, agora, a coisa vai ficar feia demais.

Bienal

Vem cá, tá rolando uma falta de criatividade nessa história, não tá? Pra quê tanta instalação com vídeo? É projeção aqui, ali, multiprojeções pra tudo quanto é lado! Qualé?! Exigência de patrocinador, a Bienal virou ponto de venda de home theatre?

Da próxima vez eu sugiro um exercício de criatividade, que nem aqueles que a gente tinha na escola, lembra? Crianças, não pode usar vídeo, tá? Virem-se!

Eleições

Agora é que eu quero ver se tucano voa mesmo ou se é só bom de bico.

Vou dizer que tô feliz não, seria mentira. Mas vou dar aqui meu voto de confiança… Não, voto não, que eu votei mesmo foi na loira, claro. Enfim, vou dar aqui o benefício da dúvida, mais por esperança, que afinal esta é a minha cidade, do que por crença propriamente dita; em política, só acredito no que vejo.