Declamar é preciso

Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
(Soneto do amor total, Vinicius)

Porque amargo, só café ou chocolate; eu não.

Poucas e boas

Olha, pra ser bem, mas bem sincero mesmo…
Ah, nem tô no pique! Outra hora, quem sabe.

Novalgina (como é amarga essa porra!)

Olá dipirona sódica. Adeus febre. Olá bolinhas no alto da minha garganta. Quem são vocês? Digam lá, o que há de bom aí na minha rinofaringe. Já conheceram as amígdalas? Ainda não, né? Melhor assim. Ah, se fosse eu acho que ficaria longe da laringe. Sei lá, não me parece um lugar legal pra vocês, bolinhas de família.

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E não é que o vôlei masculino levou ouro? Tá bom, tá bom, eu sei, é a melhor Olimpíada da história do Brasil (sic). É pra eu sorrir? Cadê a câmera? Xis!

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“Minha felicidade é maior que o ódio”, declarou o maratonista brasileiro — eu mesmo a gente vê que ia dizer meia dúzia de putaqueparius — Vanderlei Cordeiro de Lima, que levou bronze (e não ouro) na maratona porque um lesado de um ex-padre irlandês simplesmente o agarrou no meio da pista. Nas costas, um cartaz com os dizeres: “Israel cumprirá a profecia, diz a Bíblia”.

Que profecia, doido? Onde é que diz na Bíblia que o Brasil não levará o ouro? Só se for do lado do versículo que diz que ex-padre levará chute no saco. Ah se sou eu!

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Eu tô um doce, né não?

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Eu não sei se é a lua cheia ou se foi a febre que por aqui passou — ui, tinha esquecido que ela dá uns calafrios —, mas eu tô naquele estado “não me toque”. Melhor, “toque, mas com jeitinho, e não diga que eu não avisei!”; eu tô um perigo!

Boys don’t cry

Isso não quer dizer, corpitcho, que só porque eu não consigo render lágrimas — e era tudo que eu mais precisava — você tenha de me vir com uma sinusite e uma febre (meio fajuta) de 38,7ºC assim do nada. Pra compensar, uma boa caganeira já daria um belo processo somático; já lavaria a alma, com o perdão da escatologia.

Até pra adoecer eu sou tinhoso. Não, eu não me orgulho disso.

Assim na Terra como no Céu

Che farò senza Euridice?
Dove andrò senza il mio ben?
Euridice! Euridice!
Oh Dio! Rispondi!
Io son pure il tuo fedel
Euridice! Euridice!
Ah, non m’avanza
Più soccorso più speranza,
Né dal mondo, né dal ciel!
(Orfeo ed Euridice, Gluck)

O que me dói mais não é a perda em si que é doída, sim, mas que é inevitável, cedo ou tarde; Coala teve uma vida tranqüila e foi muito amada. O que me deixa puto é a violência, o fato de um desgraçado ter causado sofrimento a um bichinho inocente e debaixo do meu nariz; isso não me desce e não vai me descer jamais! Se uma pessoa desse naipe não se arrepende de ter feito essa barbaridade, se age como se um animal de estimação fosse uma posse, um bem material e, portanto, outros animais que não os dele são um estorvo que pode ser eliminado, se ele assim julgar — sei lá, é doentio demais pra eu conceber —, de onde é que se tira perdão? Onde é que a gente pode, com pureza d’alma, encontrar alívio? Isso pra não falar no coitado do pastor alemão neurastênico que vive naquele quintal de proporções diminutas — e depois são os gatos que destroem o jardim! Eu realmente não sei. Não desejo o mal, não acredito no olho por olho, dente por dente, mas… me conformar?

Eu vou à justiça. Vou fazer barulho porque é o que eu posso fazer — falta só o laudo do laboratório para corroborar tudo. E pode ser que não dê em nada, mas vai servir pra transformar a vida daquele casal num inferno — dá pra perceber que eu me contradigo? — e, talvez, isso traga alguma consciência ou civilidade aos seus atos. Minha gata não vai voltar e isso é algo que eu entendo já há muito tempo, faz parte da vida. E eu acredito, ou quero acreditar, que os céus cuidam de cobrar seu preço, mas talvez meu espírito não seja assim tão enlevado afinal; eu vou fazer a minha parte, como manda o figurino e a lei garante.

Requiem para uma princesa envenenada

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Coala (1993 — 24/09/2004)

De seu trono acolchoado ela desvelava o mundo sem maldade. A almofada amarela em meu quarto ainda sustenta o peso diminuto de seu corpo. Depois de onze anos de convívio, Coala era a matriarca felina da casa, a que tinha regalias e porte de princesa, a que escolhia o colo — coisa rara, por sinal. Sempre com um gatês aristocrático e absolutamente impecável ela conversava, ou do topo da escada, ou de cima da cama, ou do chão mesmo, ou quando queria cafuné, com quem estivesse por perto. Avessa à bagunça, exigente com a comida e absolutamente carinhosa, Coala tinha o hábito de acordar no meio da noite e pedir que eu abrisse a porta do quarto, miando baixinho mas insistentemente. Sempre, no meio do caminho, me olhando com aqueles olhões azuis de mestiça de siamesa, como quem diz “você vem?”. Não ia, e ela seguia preguiçosamente casa adentro. Adorava entrar no quarto da frente pela uvaieira do jardim, por onde também subia no telhado da garagem do vizinho ao lado para tomar sol. Comia sua ração grão por grão, elegantemente. Era muito recatada aquela gata.

Agora, resta o sonho do peso das suas patas pela casa, um traço de calor, o eco de um miado, um sopro ronronante que ouço com os olhos fechados sem conseguir chorar; Coala foi covardemente envenenada. Nossa princesa se foi e nos deixa a todos com um buraco aqui no peito, cheio de uma saudade doída. Tão triste quanto a ausência de despedida. Ainda a procuro, enganado, pelo canto dos olhos. Mas é São Francisco quem há de olhar pela minha pequena. Descansa em paz, meu amor.

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Eu tenho um ódio gelado dentro de mim, um metal pesado escorrendo pelas veias. A única coisa que desde terça-feira me impede de fazer uma besteira muito grande é um sangue frio que agora me assusta. Acho que nunca senti tanta raiva por um ser humano quanto a que eu venho sentindo hoje.

Enquanto o laudo do laboratório não vem eu rezo aos céus que esse ódio diminua. Mas por mim, apenas, que ele me envenena e eu não quero que a lembrança me sirva de mortalha. Quero poder lembrar da minha gata com carinho. Para o resto, para a corja abjeta, para aqueles filhos da puta que tiraram a minha gata de mim, há as leis, e é bom, é muito bom, para o bem deles, que elas dêem conta.

Decifra-te ou vai-te embora!

Nestes tempos de Mercúrio retrógrado, além de sobressaltos indigestos no cotidiano, é posssível revisitar antigos segredos. Aqueles que o impedem de ser mais desenvolto ou mais profundo, que travam a leveza. Este é um bom motivo para animá-lo hoje: desvendar mistérios pessoais! (Barbara Abramo)

Ah, pois sim! Como se nos últimos dois anos eu não estivesse fazendo outra coisa senão isso. Muito bem, horoscopozinho do meu coração, você resolveu me trazer Saturno de volta e agora me vem com essa como se fosse uma novidade ultra moderna, mas eu tô aqui na lida, ó, faz tempo! Então puxa uma cadeira, pega uma xícara de café; vamos brincar de jogo da verdade — você agüenta?

O pai que todo hacker quer (para os outros)

— Pai, você instalou algum programa no micro?
— Não, por quê?
— Tá estranho, não quer dar logoff, shutdown, restart… Também não rodou nenhum programa que tenha recebido por e-mail?
— Não.
Eis que eu o pego conversando ao telefone com o meu irmão, provavelmente:
— …e o cara do banco disse que é um Cavalo de Tróia, que o anti-vírus não pega e que eles acabaram de descobrir. Quando eu entro na página do banco abre uma janela pedindo os meus dados… — aí, eu surtei:
Pai!!! Você não me disse que não tinha instalado nada?!
— Mas eu não instalei!
— E como é que esse trojan veio parar aqui?
— Ué? Não sei! É por isso que eu nunca salvo arquivo que vem por e-mail, eu abro direto, pra nem salvar no disco! — não acredito que ele disse isso!
Como é que é?!!!
— É! — com a cara mais certa que um leonino é capaz de fazer.
— Dai-me paciência… Muito bem, e o que são esses arquivos aqui na tua área?
— Ah, mas isso não é arquivo! São fotos! — indignadíssimo! — Taí, ó: “photos”.
— !!! — eu mereço; não sei por que, mas deve ser um pecado imenso!

Justiça seja feita: como pai de amigo ele é ótimo! Nenhum amigo meu reclama. Alguém quer um pai emprestado? Diversão garantida e o meu sossego de volta!

Põe o dedo aqui!

Quem quer bater em Campinas, reger meia dúzia de musiquinhas e voltar?!!!
Ninguém? Tá bom, eu vou! Mas que conste dos autos: hoje é sábado, o dia tá lindo, tá sol e eu vou de preto! Isso tem que valer como atenuante no dia do juízo final! :P

Talvez

Porque há dias que eu não sei se existem. Dias de fermata que apesar de lindos não inspiram amores, não refletem saudades nem temores. E como os dias há também as noites de um silêncio atemporal e sua lua que observa o mundo com desinteresse, estrelas distantes, mentes que eu não sei, sonhos que não são meus.

É nesses momentos que eu me sinto estranho, como se quando alguém me perguntasse “tudo bem?” eu abrisse a boca em seco, sem saber o que dizer; nem tristeza, nem alegria. Como está você? Estou. Há as horas e seus ditames. Há a vida e os desejos. Há quereres… sempre os há. Mas há um grande espaço nascido entre o sim e o não. Um talvez aqui que nunca antes existiu, agora vejo. Há um ser que olha pra si e não vê semelhança nem diferença com o mundo. E há um mundo em mim, dimensionalmente paralelo e cheio de escolhas ainda não feitas.

Uma tela limpa. Um papel em branco. Uma quase partitura. Meu canto. Escrevo.

São Vaporetto

Se fosse pra canonizar alguém eu canonizava logo o inventor do vaporizador. Não aquele de limpar — se bem que também seria uma boa —, mas aquele que fica cuspindo vaporzinho no quarto, sabe? Ô, invenção santa! Coisa mais abençoada!

E já que estamos em clima de eleição, meu candidato é São Vaporetto! Porque falta pouco pra eu começar a ter pesadelos com o Deserto do Atacama ou acordar me achando uma uva-passa. Não dá pra ser cantor com esse clima, credo! (Cof!)

Momento irmão coruja deslumbrado

Posso falar que a caçulinha tá na mídia, na propaganda do Itaú, em campanha nacional, horário nobre, rede Grobo, essas coisas? Meu orgulho! :)

Agora só falta eu assistir TV.

Guilhotina

[histérico, louco, insano, gargalhando, virando os olhos, muitos raios e trovões]
MORRA, SPAMMER!!! EXPLODA, MALDITO! VAI PRO INFERNO, DESGRAÇADO!
PRO DIABO QUE TE CARREGUE, FILHO DE UMA ÉGUA! CRETINO! CACHORRO!

[ufa! passou… ai, ai, que bom, que alívio, anjos cantando, o céu se abrindo, etc.]

É a salvação! Ó, o alívio, a vingança, o desprezo, o fim dos spammers malditos!

Se você também usa o Movable Type, eu recomendo fortemente o MT-Blacklist. Instale! Satisfação garantida ou seus spams de volta. Bem que o plugin podia explodir o monitor na cara infeliz dos spammers, mas nem tudo é perfeito! >:)

Decifra-me ou te devoro!

Decifro não! O que eu ganho com isso?
Quer ser Esfinge, sou Saci. Ou Curupira.
Teu rabo de mentira já sei de um pulo
E teus mistérios há quem mais invente.
Quando você pensa que está voltando
Meu coração de fogo, minha cabeça…

já foi pra frente.

Vale a pena ouvir de novo

Amanhã! Música coral sacra a cappella (ou seja, sem acompanhamento instrumental, só no gogó) com o Audi Coelum. Ali na esquina da Av. Nove de Julho com a R. Lorena, às 17h. Um programa que vai da renascença ao contemporâneo e ao folclórico, estrangeiros e brasileiros (Aichinger, Palestrina, Victoria, Hassler, Arcadelt, Machaut, Alfonso, Irruarizaga, Rachmaninov, Franz, Bruckner, Taverner e Guarnieri), para o seu bel prazer, ascensão espiritual, meditação transcendental, o que o valha; só não vale dar uns catos porque é na igreja!

Eu mesmo não poderei estar presente, vou cantar em outra freguesia.
Eu sei, não é a mesma coisa — cof! cof! —, mas vai lá, vai?

Brincadeira e verdade

Então tá combinado, é quase nada
É tudo somente sexo e amizade.
Não tem nenhum engano nem mistério.
É tudo só brincadeira e verdade.
Podemos ver o mundo juntos,
Sermos dois e sermos muitos,
Nos sabermos sós sem estarmos sós.
Abrirmos a cabeça
Para que afinal floresça
O mais que humano em nós.
Então tá tudo dito e é tão bonito
E eu acredito num claro futuro
de música, ternura e aventura
Pro equilibrista em cima do muro.
Mas e se o amor pra nós chegar,
De nós, de algum lugar
Com todo o seu tenebroso esplendor?
Mas e se o amor já está,
se há muito tempo que chegou
E só nos enganou?
Então não fale nada, apague a estrada
Que seu caminhar já desenhou
Porque toda razão, toda palavra
Vale nada quando chega o amor…
(Caetano Veloso)

+

Então, tá combinado?

Banda larga

Como se não bastassem endereço, telefone e celular arranjamos e-mails; foi o princípio do fim. Depois nos reunimos no ICQ, mas nem todos o usavam, então foi a vez do MSN Messenger, do Yahoo, do AIM e tentamos centralizar tudo num tal de Trillian, mas o coitado, sucumbiu, teve um troço; continuamos decentralizados. Foi aí que vieram os blogs. E os Fotologs. E saímos escrevendo sobre tudo e mais um pouco, a morte da bezerra, o sexo dos anjos e o processo de extratificação social das arraias azuis do sul da Patagônia. Ou não. Para facilitar, um domínio próprio e, cedo ou tarde, hospedagem própria também. Aí, fodeu. Inventaram o Orkut, e a gente desatou a colocar nossos contatos, nossos dados, fotos, gostos, palpites e foi aquela putaria que vocês já conhecem — fora o povo reconhecendo a gente na rua, aquela sensação de estar sendo filmado.

Agora inventaram esse tal de Multiply. Pronto, lá vamos nós apurrinhar os amigos, criar contatos, montar dados, criar álbuns, escrever notícias, criar pesquisas, deixar recados… ai, que preguiça! Do jeito que a coisa anda, logo logo cartão de visita não cabe mais no bolso!

Alguém me escreve uma carta contando como é que anda a vida lá fora, por favor? Se você não estiver no Orkut, eu mando o meu endereço por e-mail. ;)

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Os adendos:
1- Porra, Beth, tu tinha que inventar mais essa? Tem mais nada pra fazer, é?
2- Eu odeio serviços que fazem seu ID ser a própria URL ou apelido público.
3- Acho que vou colocar lá um link “vide orkut”, ou “vide blog”, ou “tá fácil a vida?”.
4- Compulsivos do meu .com.br, uni-vos! Mas em alguma turma de origami, sim?
5- AH NÃO!!! Sem essa de mandar aviso de e-mail do amigo do amigo do primo do cachorro do vizinho! Nem vem! (Como é que eu saio dessa merda agora?)

Mistyping

Tá lá no jornal. Propaganda: Celular Motorola V600, com hits poligônicos.
Só mesmo um músico ex-matemático poderia achar graça! :P

A verdade liberta

Esse mundo não pára de dar voltas e mesmo assim eu ainda me impressiono com cada verbo inconjugado e seus pretéritos mais do que passados. Vejo os quadros. Delícias e tragédias lindamente pintadas e pendentes das paredes por finos fios de seda: insustentáveis. Pergunto-me se vale a pena. Descubro com um quê de espanto que cada gota de tinta tem lá o seu valor. Mas toda obra de arte é retrato de um tempo e está fadada à iluminação mortiça do museu. O que é a verdade senão aqueles fios de fina teia que as aranhas em nossas idéias se esforçam tanto para tecer? Podem eles erguer as alegrias e dissabores da luz de nossos dias? Ou cabe à noite consolar nossos sonhos estrelados e revelar nossos medos incontidos? A realidade é outra. Por isso entôo meu canto na calçada. Presta atenção: a minha verdade é para quem passa e assim mesmo fica, não para o gosto de multidões entrelaçadas; o resto eu faço é no palco.

Síndrome de Garfield

Spam nos comentários: 80 brindes, todos lá pelo dia 9 de janeiro de 2001.
Não basta ser spammer, tem que ser burro também? Troféu anta-de-tênis pra eles.

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Acabou a greve. Trabalho pra ser entregue em duas semanas. Um projeto de estruturação e comprometimento orçamentário de uma orquestra sinfônica. Eu disse que a gente tinha que fazer em quinze dias o que muita orquestra não tem até hoje. Em voz alta. O professor não gostou — I’m soooo sorry. Cínico, eu?

A professora tá enfiando demais o dedo no meu recital. Alguém avisa que o recital é da minha formatura, sim? Quatro anos e ainda não aprendeu que eu sou tinhoso?

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Sabe quando você queima o céu da boca? Não, não é metáfora.
Alguém duvida que ontem foi segunda-feira?

Vanity fair

“He has curly hair, a cute little nose, one dazzling smile, and one stunning body.”

Little nose? LITTLE??? Eu aceito que meu nariz seja lindo, charmoso, até mesmo um tesão, praticamente um abuso sexual — não, errei, essa é a minha língua :P —, mas pequeno? Onde? Como? E esse perfil greco-romano como é que fica?

Só pra constar: eu gosto do meu nariz; e quem liga pro exagero do elogio? :o)