Liga no meu celular

Pois então… eu agora passei do bege prá um areia clarinho, clarinho, uma coisa assim algodão cru. Já perdi o rebolado, a fala, tá faltando só a compostura. Se antes eu não entendi foi nada, agora eu quero mais é que o entendimento se exploda! Pro inferno com a ansiedade, eu vou mais é me acabar! Eita porra! :D

Recomendações médicas

A partir de agora eu sou uma pessoa totalmente zen, sem um pingo de ansiedade, um espetáculo de autocontrole e paz interior; nirvana, me aguarde! O próximo passo é sair por aí de cabeça raspada com um ar de absoluta enlevação, trajando um manto alaranjado e batendo sininhos — não confundir com pinos que estes já os bati faz tempo. Quem sabe não estruturo um novo e revolucionário método de ensino de canto todo baseado em mantras? Ó que beleza!

Mecânica celeste

Bambayuque
(Zeca Baleiro)

Enquanto você na arquibancada eu na geral
Enquanto eu além de tudo você afinal
Enquanto eu rondó você madrigal
Enquanto eu paro você avança o sinal
Enquanto você carta marcada eu canastra real
Enquanto eu lugar-comum você especial
Enquanto eu na cozinha você no quintal

Você dois prá lá
E eu dois prá cá
É a dança da nossa paixão

Enquanto você kamikaze eu general
Enquanto eu paquetá você cabo canaveral
Enquanto eu média luz você carnaval
Enquanto você no olimpo ai de mim mortal
Enquanto você brisa eu vendaval
Enquanto você Roberto eu Hermeto Pascoal

Enquanto você monumento eu pedra de sal
Enquanto você na folia eu no funeral
Enquanto eu matriz você filial
Enquanto você Branca de Neve eu Lobo Mau
Enquanto eu papai-e-mamãe você sexo oral
Enquanto eu na canção você no parque industrial

Nunca gostei muito dessa história de paralelas se encontrando no infinito; me parece um lugar tão longe, tão ermo, tão improvável! Pior que isso só as ditas retas reversas que, além de não serem concorrentes (não se encontrarem num ponto do espaço), nem paralelas são. Ou seja, não vão se encontrar nem aqui, nem no infinito, nem na Conchinchina. Que tédio desse mundo cartesiano!

E contra essa maldição geométrica eu acendo uma vela: Valei-me São Einstein! Que venha a gravidade, dilatando o tempo, contraindo o espaço e transformando reta em curva, desencontro em convergência, tangenciando, entortando nossos planos e aproximando nossos corpos cheios de relatividade.

Contagem regressiva

Muito bem, segundo o relógio, hoje já é amanhã. E uma semana depois de amanhã, que já é hoje, meu aniversário — é, 3 de maio, agora pega a agenda e escreve. Você já anotou? Não vai esquecer? Vê lá, hein! Eu tô carente e quero ver o telefone rouco de tanto tocar e os e-mails pululando. Nem que seja uma vez por ano, eu preciso me sentir rodeado de pessoas que me amam. Aliás, é um bom pretexto prá você que não dá sinal de vida, ou você que me esqueceu, ou mesmo você. Mas se não é esse o seu perfil não se aflija, tome o tempo prá, sei lá, limpar a prataria, fazer as unhas ou, quem sabe, praticar uma boa ação; eu não ligo. Quero mesmo é receber o carinho e dengo que eu mereço e de bom grado; presentes são bem-vindos! Ah, eu sou fácil de agradar, vai?

Mas então, a segunda será minha e de quem mais vier. Mas a festa mesmo, como eu gostaria, à fantasia, tá difícil; os lugares ou não têm data, ou são caros prá mim — o que não é uma possibilidade ultimamente —, ou são caros pros convidados, enfim, sabe deus o que será dessa história. Mas em branco é que não vai passar!

Enquanto eu rondó você madrigal

É uma delícia quando dois pares de olhos se enxergam de longe.

— O que é esse sorriso lindo nesse rosto?
— Obrigado! — corando (ah, eu não consigo evitar!).
— Você não deve nem lembrar dessas músicas! — ah, tolinho…
— Você tem cara de menino também, quantos anos acha que eu tenho?
— Uns 21, acho.
— Ha! Eu te daria uns 25, mas bem no máximo! Tenho 27.
— É mesmo? Eu tenho 29.
— Prazer, meu nome é Guilherme.
— Fulano. Tudo bom?
— Tudo. — dança, meu filho, abstrai e dança…

Avança o filme; uma cena rápida ao pé da escada.

— Oi. — ó lá, de novo, olhos nos olhos… isso não vai prestar!
— E aí, tudo bem? Você tá sozinho?
— Tô só com uns amigos.
— Ah, legal! — segura esse sorriso, caralh… Ei, não me olha desse jeito!

And so it goes…

— Arre, cansei! Uma água, por favor! — eita porra, é ele! — Olá, de novo!
— Oooooi! Quer um gole?
— Não, obrigado. Vou beber um pouco d’água. Você é do Rio, não é?
— Na verdade eu sou daqui de São Paulo, mas voltei a falar português no Rio.
— Como assim? Você morava fora? Onde?
— Ah, pela Europa.
— É mesmo? O que você fazia?
Cirque du Soleil, eu era malabarista, ator, cantor. Mas deu saudade, família, amigos, enfim.
— Cê tá me zoando! Jura? Que legal! Eu sou cantor também! Cantor e regente.
— Nossa, é mesmo? — sorrio — Mas você é lindo demais! Olha esse sorriso! — danou-se!
— Ai, não faz assim…
— Ué, por quê? É lindo mesmo, é um elogio. Aliás, você é todo lindo… — fodeu! fodeu!
— Ah, você também é! Mas sabe o que me chamou a atenção? Os olhos.
— Ah, bobagem… obrigado!

“Blablablablablá…”, “Blablablá…”, “Blablá…”, “Blablá…”, “Blá…”, “Blá”, “…”, “…”.

— Mas então, Fulano… E se eu te pedisse um beijo?
— Ah, complica… — hein?
— Ué? Por quê? O que tem de complicado num beijo?
— Tem um monte de gente aqui que me conhece, um monte de gente batendo foto.
— Ah, sei… — e o que diabo eu faço agora?
— Mas eu beijaria esse corpo todo, hm…
— !!! — é o quê, homem?!!!
— Olha só, você é todo lindo! — não me faz essa cara, inferno!
— …
— …
— Eu… bom, deixa eu ver onde meus amigos se enfiaram. Ok, faz assim então: meu telefone, me liga se você quiser. A gente sai, conversa, toma alguma coisa, tal e coisa, coisa e tal.
— Ah, legal, vou ligar! — aí, a Branca de Neve disse: “nooossa, quanta gente!”.
— Beleza! — sorrindo, né, fazer o quê?
— Ei, se cuida pela noite aí, gatinho! Tem que tomar cuidado, hein! — de fato.
— *Rindo* Fulano, eu não tenho 21 anos, esqueceu?

Você entendeu? Porque eu entendi foi porra nenhuma! Olha que eu já levei fora nessa vida, mas pelo menos eu sabia quando tava levando um. Muito melhor do que essa coisa que não fode nem sai de cima; cara eu não faço isso não, acho sacanagem! Mas enfim, diz prá mim que isso é coisa de inferno astral mesmo, que vai passar? Porque eu não tenho mais certeza de onde eu larguei minha carteirinha de hétero a essa altura do campeonato — firme e forte no zero a zero, por sinal.

Das coisas que a gente só faz em inferno astral

Episódio de hoje: Meu amado ferro-velho.

Prá quem ainda não me conhece, meu quarto é um modelo de caos compacto. As minhas coisas, minhas partituras, livros, CDs, roupas, meu computador, o servidor, tudo de que eu preciso está aqui… em algum lugar… onde foi mesmo que eu larguei, diacho? Enfim, está tudo aqui, é só procurar. Mas tem hora que eu extrapolo. E hoje me deu os cinco minutos e eu resolvi fazer uma limpa nas caixas em cima da estante. Em tempo, socorro!

Horas depois eu me deparo com uma caixa dessas de supermercado cheia de peças de computador, cabos, placas, drives, manuais, mouses, teclados, gabinetes… uma pilha imensa de tralha, algumas ainda funcionando, das quais eu não preciso, outras simplesmente imprestáveis. Olho e penso como é que isso tudo veio parar aqui. É ridículo! Nem eu consigo ver motivo prá tanta tranqueira, credo!

Agora pensa, se eu consigo guardar tanto lixo sem nem perceber, se eu não me desfaço das coisas mas também não as organizo, apenas deixo que se empilhem, imagina quanta coisa inútil eu não entulho aqui dentro de mim há anos. Calcula o trabalho prá lidar com tudo isso. Como é que pode haver sossego? Como é que pode haver liberdade? Não dá prá andar com esse monte de coisa enrroscado no meio das pernas.

Pois chega. Assim como o caixote — é quase uma terapia —, vai tudo embora! Minha cabeça, meu coração, meu corpo todo precisa de ar. Eu preciso de vento novo, preciso de tempo de novo e aqui não há mais espaço. Então que valha a vassoura; ficou pela frente, não serviu prá nada: lixo! Levanta os pés e dá licença!

L’amour, toujours l’amour

“Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus”
(Chico Buarque)

— Eu te amo! — ela disse, e havia tristeza em seu olhar. Mas não a tristeza de uma garota adolescente, não a tristeza desenxabiada e tola de quem é feliz e ainda não sabe (pois todo mundo descobre mais cedo ou mais tarde que foi feliz e não sabia). Não. Era a tristeza de quem sabe o que deve ser feito e mesmo assim duvida. Suas mãos lhe seguravam as duas faces de barba mal feita e tantas outras mais que ele tentava sustentar inutilmente. Conhecia intimamente cada uma delas; e as amava.

— Entende isso! — mas ele não entendeu. Ela também não, prá falar a verdade, nunca foi capaz de entender o amor e isso só fazia doer mais. Havia tanta sinceridade naquela voz que ele vacilou; o corpo tenso, a altivez dando forma à própria dor que ele não queria e que ela despertava.

Ela tentou sorrir. E de repente compreendeu: não havia o que ser feito do amor, ele existia como uma força elemental, era ao mesmo tempo o sol que amadurece o fruto e esturrica a terra, e traz a chuva que lava o solo, que arde nos olhos, que dói no peito, que cala a boca. Era assim, o amor. E ele existia quer ela quisesse, quer não. O amor era dela e de mais ninguém. Foi pensando nisso que suas mãos soltaram aquele rosto com um leve tremor de adeus.

— Tchau! Eu vou… se cuida! — ela falou então. Era prá ela mesma que dizia, que ordenava, praticamente suplicava. E foram suas pernas que tomaram a iniciativa que ela quase não tomou: virou-se e foi. Levou o amor junto com ela, como alguém que se recusa a deixar o animal querido de estimação, o companheiro fiel, na casa antiga e abandonada, mesmo que isso signifique criá-lo num quitinete sem varanda com uma única janela que toma sol apenas das 2 às 3 horas da tarde. Era isso, levar embora o amor que ele não quis, ou fazê-lo de mortalha; ela não teve opção.

Faz de conta que eu errei

Então eu me emendaria dizendo que “a moça de óculos ficou segurando a mão dele e passando os dedos no seu cabelo enquanto ele chorava, um dos rapazes disse que ia até a cozinha fazer um chá de artemísia ou camomila, o outro falou que ia colocar aquele disco de música hindo que ele gostava tanto, embora ninguém mais gostasse, só que teve que botar bem alto para que pudessem ouvir do quarto.” E se alguém reclamasse eu diria “que sentia muito, mas infelizmente naquela noite não podia baixar o volume do som, não era uma noite como as outras, era muito especial”, e perguntaria “se o síndico não sabia que Urano estava entrando em Escorpião”, ou alguma coisa do gênero. Então, lá do quarto, o rapaz de blusa vermelha ouviria e daria um sorriso largo antes de adormecer, acho eu.

Mas sinceramente eu não sei como, é tão fácil se perder nessas frases, apropriar-se delas — o Caio que me perdoe! — e desviar do caminho do sono!

Post em cadeia

1. pegue o livro mais próximo de você
2. abra o livro na página 23
3. ache a quinta frase
4. poste o texto em seu blog junto com estas instruções

“O rapaz de camisa vermelha chegou a colocar uma das pernas sobre o peitoril, mas os outros dois o agarraram a tempo e o levaram para o quarto, perguntando muito suavemente o que era aquilo e dizendo que ele estava nervoso demais, e que estava tudo bem, tudo bem.” (Caio Fernando Abreu; Morangos Mofados. Editora Brasiliense, 1985.)

Era isso — comigo desde ontem — ou um velho e surrado dicionário de latim. “Dicionário de latim?”, perguntaria você, e eu morreria de preguiça em responder.

Alguém sabe quem lançou essa moda?

Coisa de Guilhermes

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas…
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram… choram…
Há crisântemos roxos que descoram…
Há murmúrios dolentes de segredos…

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!…
(Fumo, Florbela Espanca)

Noite boa aquela…
Tava devendo esse post, né coração? ;)

O chiado da lembrança

Só porque minha memória tem o hábito desconcertante de se antepor ao meu presente sem pedir licença. É assim, por exemplo: eu estou andando por uma calçada de manhã, olho pro céu, vejo o sol e quando olho de novo pro chão sob meus pés não é o mesmo caminho de pedras irregulares que vejo, mas uma calçada larga, preta e branca; seu desenho de ondas acompanhando o rumorejo do mar ali do lado. E você está comigo e estamos conversando; é quase uma epifania.

A lembrança vem e vai, mas a vontade de estar junto, caminhar ao fim da tarde — meu ritmo atlético abusando dos seus pulmões de fumante —, tomar água de coco e falar bobagens muito sérias só faz aumentar. Ouço o sotaque arrastado e meio malandro das pessoas chiando ao passar. Rio dos nossos comentários — lembra daqueles dois, aquela encoxada nas barras de exercícios ali na areia? —, “ô, coisa boa!”. Rio de tão pouco tempo e que parece desde sempre, desde um Janeiro qualquer. Sei não, parece que quanto mais eu for, mais vou querer ficar. Que seja, então; quem sabe um dia?

Pré-segunda-feira

— O que é teu tá guardado, não se preocupe!
Guardado ou escondido? Porque, valha, tá difícil de encontrar que é a porra! Dá prá entregar logo, não?

(Des)considerações gerais

Ninguém merece a fila da Trash aos sábados, mas aquilo já é abuso! Vontade de bater no cidadão com a pranchetinha e cara de “ai, como eu sou uó!” e pisar no dedão do segurança; na unha encravada, de preferência.

+

Como já cantaram uma vez, festa estranha, com gente esquisita. Quem foi que disse que aquele tal de Não-Sei-Das-Quantas Borges sabe fazer discotecagem? O conceito de transição do cara é um primor. “Roubaram o guaxinim, cadê o guaxinim? Roubaram o guaxinim cadê o guaxinim? Lerê, lerê…”

Enfim, os céus mandam um sinal — “vá prá casa, meu filho!” (coro de anjos) —, mas a pessoa tá toda arrumada, se sentindo lindo, divino e maravilhoso, quem disse que ele ouve? Não, apela pro plano B e quase perde a comanda da festa vizinha — “vai prá casa, sua besta!”. Tá bom, tá bom…

O que salva sempre é a boa companhia. Bom, preferências à parte, pelo menos você tem com quem maldizer a loirinha vagabunda que quis passar na tua frente na fila; ah, a elevação espiritual…

+

Uma aula de história que eu nunca tive num jardim, um professor arrogante, vários rostos desconhecidos na fila de um banheiro escorregadio, uma carona embora prá aquele colega de treino que sabe deus como foi parar ali, corpo-a-corpo, tensão, olho nos olhos, quero ver o que você faz: “…você sabe que a gente não tem futuro, não?” Puf! Acabou o sonho. Um dia… Ah, inconsciente, eu ainda dou na tua cara!

+

Entrementes, notaram como o dia está lindo? Todo de algodão-doce!

Canta noturnamente mais uma faixa do CD

Onde está você
Se o sol morrendo te escondeu?
Onde está você
Se a tua voz a chuva apagou?

Onde buscar, se o coração
Bater de amor, pra ver você?

Hoje a noite não tem luar
E eu não sei onde te encontrar
Pra dizer como é o amor
Que eu tenho pra te dar

Passa a noite tão devagar
Madrugada é silêncio e paz
E a manhã que já vai chegar
Onde te despertar?

Vem depressa de onde estás
Já é tempo do sol raiar
Meu amor que é tanto
Não pode mais esperar
(Oscar Castro Neves / Luvercy Fiorini)

Na voz leve do renascido,
o meu coração agudo.
Não sei do dia os seus
afazeres de semblante empedernido,
sei apenas da noite e os sonhos ditosos
que várias asas estreladas me estendem;
acordar é sempre um problema.

Iogurte

Neste exato momento me assomam instintos assassinos: não sei se mando a legião de “amigos de amigos” — a mais nova designação prá malas-sem-alça — do Orkut, que acha super demais distribuir seu lixo eletrônico a deus e o mundo, à puta que pariu, com força, ou se chamo de imbecil, prá começar, os infelizes que projetaram o sistema e deram essa oportunidade de bandeja aos boçais; deveriam tê-la chamado de spam-it! logo de uma vez!

Mas como isso não faz bem nem à pele, nem ao estômago, ah não, talvez amanhã; vou domir! Bem que algum desses vírus que fazem patê do sistema podia deixar esse povo fora de navegação, não? Já pensou que maravilha?

Eu? Intolerante? Com spam (e falta de educação) sou mesmo, e daí? :P

Wise-fat thoughts

Todo gordo é subversivo.
Gelatina diet fica tão melhor com leite condensado…
Todo ex-gordo ainda é gordo em essência; espírito não emagrece.

Sinal Fechado

9534-97…!!!
— Hein?
Minha amiga gostou de você!!! — disse a outra, entre os risos e cochichos (algaravia é a palavra) das quatro amigas, todas muito lindas, dentro do carro.
— Ah… — sorrindo, corando — obrigado! — sorrindo mais, corando mais.
É tua namorada?!!! — alto o suficiente pro cruzamento inteiro ouvir.
— Ah, não, é minha irmã!
AAAH!!! — descaradamente aliviada — 9534-9713!!!*
— Tá, mas…
Anota!!!
— É que…
Parabéns pelo filho, hein?!!! — agora à minha mãe, no banco de trás, enquanto o farol abria; o carro disparando tão louco quanto as donas.

Eu tentei explicar, mas não deu tempo — é cada uma! Agora, pergunta se isso me acontece em versão masculina? E desde quando deus dá asa prá cobra? Fosse em outros tempos não tinham nem me visto; o que se passa, alguém pode me dizer?

* o número é fictício, ok?

Voz de anjo

Felicidade é, na mesma semana, comprar finalmente um CD do Renato Braz e de quebra assistir ao show do próprio, assim, de última hora, no Sesc Pompéia — com ingresso comprado prá fila K, mas assistido da fila C. Tudo pela metade do preço. Afe, como é bom!

Ele canta tímido, lindamente e é impressionante como é leve aquela voz; aguda sem ser estridente. Arranjos de muito bom gosto e um inegável jeito de quem gosta de viver no mato; ele tem cara de mineiro, daqueles que não ficam dois dias longe da sua casinha — será? —, o que explica muito do estilo, do repertório.

Não conhecia Anabela; apaixonei. Acho inclusive que ele devia contratar a mulherada da platéia prá fazer coro — inexplicavelmente afianadas, todas.

Mas como nem tudo são flores, deixa eu bancar o chato um pouco:
– Quem foi que disse que contrabaixo precisa de reforço nos graves?
– De quem foi a idéia de um reverb interminável no vocal? Prá quê? O teatro é pequeno, não carece.
– Tem sempre alguém que acha super normal desembrulhar bombom no meio na música, não é? Ô, inferno…

O Tom do orgulho…

…tem um acorde verde e amarelo com sétima maior. Tô eu aqui matando aula — ah, não enche! —, gastando os olhos e descansando os ouvidos em uma rádio alemã “clássica” via internet; muito boa por sinal: Joaquín Rodrigo, Richard Rodgers, Claude Debussy, Ennio Morricone, Edgard Varèse, Antonio Carlos Jobim… “Eita, porra! É o quê?!”

19:52:43 Antonio Carlos Jobim, O Amor em Paz; Paula Morelenbaum (Gesang), Jaques Morelenbaum (Cello), etc.

Genial, não? Ô, orgulho!

Autopsiconiricografia

Sonhei que lia com sofreguidão um velho livro surrado de Caio Fernando Abreu; suas páginas manchadas e de bordas carcomidas, suas capas moles de tanto serem dobradas, porém, inteiro. Devorava página após página e me encontrava ali escrito, como um conto que ele-eu-mesmo me contava enquanto lia; linhas e mais linhas de uma linda história recém-antigamente escrita: alegre, triste, não sei mais dizer — o sonho me foge.

Chove. Acho que vou até ali na biblioteca e já volto.

A broca deu curto-circuito no meu cérebro

Eu falo e muito. Como bom neto de italiano verbalizar é uma atividade diária, quase religiosa. Mas eu tenho certeza de que vim com defeito; um bug, por assim dizer. Não que eu não fale bem, não que eu escreva mal, é a parte do sotaque que me fode. Eu tenho um problema, gente, é sério!

Tendo a imitar o sotaque de quem está falando comigo, assim como as expressões de sua linguagem regional, tanto faladas quanto escritas. Quem vê pensa que eu estou de onda ou querendo me passar por conterrâneo, mas não é nada disso; eu não ligo prá essas coisas. Há também quem diga que isso é uma facilidade que eu talvez tenha em aprender línguas, mas me parece mais uma aptidão para encrencas e gozação. Segundo o Dr. Dráuzio Varella, “a área de Broca é responsável pela nossa expressão verbal e escrita”. Só faço crer que a minha está mais prá um verumão!

Agora imagine você comigo, por favor. Eu sou um paulistano típico — falo teimpo, geinte, muito constanteme(i)nte. Estudei em pré-escola japonesa. Cresci falando (pelos cotovelos) com empregadas dos quatro cantos desse país. Na faculdade, em Campinas, o que eu menos ouço é paulistanês. De amigos pode incluir manauenses, gaúchos, cearenses, alagoanos, paraenses, baianos, cariocas, mineiros, paranaenses, maranhenses, capixabas, goianos, assim, por alto, sendo que volta e meia eu estou junto a mais de um deles ao mesmo tempo; é quando dá pau.

Obviamente, falo um péssimo cearês, um mineirês meia-boca, um baianês lastimável e por aí vai, mas que me importa? O problema é que dá uma hora em que eu começo a querer falar carioquês com o cearense, paraês com o alagoano, mineirês com o maranhense e gauchês com a minha irmã que não entende é nada e acha que eu endoidei de vez! Vou te dizer que não é fácil.

Qualquer dia eu conto como foi estagiar com um professor de ascendência alemã e gago; eu não sei como ainda tô vivo, é só o que eu tenho a dizer.

Alta Noite

Alta noite já se ia
ninguém na estrada andava
No caminho que ninguém caminha
alta noite já se ia
ninguém com os pés na água
Nenhuma pessoa sozinha ia
Nenhuma pessoa vinha
Nem a manhãzinha
Nem a madrugada
Alta noite já se ia
ninguém na estrada andava
No caminho que ninguém caminha
alta noite já se ia
ninguém com os pés na água
Nenhuma pessoa sozinha ia
Nenhuma pessoa vinha
Nem a estrela guia
Nem a estrela-d’alva
(Arnaldo Antunes)

Pronto, passou… acho que já dá prá ir dormir agora.

Foteeenhas!

Alguém segura o meu ego! (tô me achando, sim, dá licença!)

Agora é que eu acabo com a minha reputação de vez! Eu juro, pelos ovos do coelhinho da Páscoa, que a única cerveja que eu tomei no casamento — a noiva, liiinda, na quarta foto, à esquerda — foi a da foto. Mas de que adianta? Com essa cara de safado ninguém vai acreditar mesmo. :P

Quem sabe se eu parar de fazer a linha bom moço o efeito não vem ao contrário?

“Our love is here to stay…”

Nem que seja em uma serenata (bem) regada a vinho, porém afinada — meu orgulho! —, na caixa postal do meu celular; de novo.

Um beijo prá quem adivinhar quem foi a cantora.

Não-diálogos noturnos

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar e dançou por meia noite, livre de si e dos outros; livre de tudo.

+

Olá. Eu acho que gostaria de ter conversado com você algumas das vezes em que nossos olhos se cruzaram; você parecia animado na sua rodinha. Mas não sei se quereria mais que isso, entende? Eu estou um pouco cansado dessa coisa toda agoniante de ser, de estar. Ir, caçar, ficar e sumir vira quase uma obrigação — ai, que preguiça! Dá próxima vez, vem você; vamos conversar um pouco, prá variar.

+

E você, hein menino? Não, não, pode esquecer, nessa eu não embarco mais; conheço bem os sinais a essa altura do campeonato. Você me olha quando pensa que eu não estou vendo, quase nem se mexe; o que é um pecado porque se já é bonito assim parado, imagine em movimento. Mas não, já disse. Se você me olha quando eu danço e vira o rosto quando te vejo, então é melhor segurar logo a mão da tua amiga antes que ela perceba, rapaz — você está se traindo! —, ao invés de ficar nesse pedido velado de socorro. Sabe, fosse antes e provavelmente eu me sentiria impelido a lhe mostrar o caminho. Mas quanto tempo você andaria por um caminho que não é teu, e novo, e desconhecido? Um conselho, só aqui, entre nós: ó, é bom, viu, mas você tem que arriscar as próprias pernas que eu já quebrei as minhas pelas dos outros e hoje não dá mais. Vai, boa sorte.

+

Senão, vejamos… você foi de lascar, hein, vou te contar! Me agarrando com os olhos desse jeito enquanto ele te agarrava; não tem vergonha, não? Ele percebeu, viu, sinto lhe informar. Não sei o que você tinha em mente, mas topou com a pessoa errada; e não se faça de rogado, você entendeu o meu sorriso, tome tento! Ah, sim, é verdade, eu dancei freneticamente na tua frente — *risos* —; foi de propósito que eu não sou de ferro. Mas depois abri minhas asas e voei prá longe de ti e sabe por quê? Você não presta.

+

Quase não te reconheci! E não que você estivesse assim tão diferente, não é isso; o cabelo ficou engraçado, meio clubber, você está mais forte, a boina te deixa um pouco diferente. Mas são os olhos, ou o que há por dentro deles: o ritmo, sei lá; estão lânguidos. É, você continua lindo, mas tua voz também mudou ligeiramente, está ao mesmo tempo mais suave e firme. Talvez te ligue, talvez nos vejamos — fiquei curioso —, depois de ontem; você cruzou a pista e me abraçou divinamente.

Piscina crucis

Cristo nadava? Que eu me lembre foi Moisés quem separou os mares e foi Cristo quem transformou água em vinho, mas não me lembro de nenhum episódio… espera, ele andou sobre as águas? Foi, não é? Então procede. É, passar a tarde da sexta-feira santa (não que eu ligue muito prá isso) competindo na piscina contra equipes de nadadores geneticamente alterados (tenho certeza!) até que serve; posso dizer que eu tive a minha versão da paixão hoje.

Esporte é saúde! — diz isso pro meu corpo que tá doendo.

Segura o doido!

“Depois da Terra, a Lua é o elemento cósmico mais próximo a nós e por isso aquele que imprime um relacionamento astrológico bastante fácil de ser detectado. Mas a Lua é inconstante e variável. Ela transita por cada signo do Zodíaco por aproximadamente 2 dias e meio e, toda vez que está prestes a abandonar um signo e ingressar no seguinte, passa por um período de tempo, nunca o mesmo, em que fica vazia em seu curso, ou fora de curso. (…) A explicação deste fenômeno é difícil de entender por quem não estuda astrologia, mas os resultados são fáceis de ser percebidos, porque nos tempos em que a Lua está fora de curso a angústia tende a crescer, e a possibilidade de cometer-se desatinos é muito maior.” (Quiroga)

Bom, segundo o calendário, também do Quiroga, a Lua esteve fora de curso desde as 8h06min de ontem até as 8h51min de hoje — um tempão! Isso explica porque eu estava tão estranhamente esgotado, o dia todo; praticamente dormindo em pé na minha própria aula de canto. Mas será que serve como justificativa prá minha compra repentina de CDs um tanto… fora de órbita?

Ai, ai… lá se foi o mês! Mas vai-se em maravilhosa companhia, de mãos e ouvidos dados com Maria Callas, Jussara Silveira, Leny Andrade, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan (with Clifford Brown) e Bethânia; isso é que é harém!

Ato fálico

Segunda-feira. Alguns colegas assistem ao filme Gladiador na TV; é noite, diria Shakespeare. Em meio às cenas de batalha — acompanhadas com mais fervor pelos que contêm menos sangue na testosterona em suas veias — e inspirada nelas, a conversa passa em tom coloquial pelas civilizações pré-romanas, quica na questão hierárquica, nos sistemas de poder e respeito entre os homens, e vai cair em Esparta, com a sabida conotação sexual que a história nos ensina.

Fosse só isso e tudo bem, nada de inesperado. Mas Fulano, aparentemente absorto em seu sonhos de guerreiro e pior, exatamente nesse momento, soltou o seguinte comentário:

— Cara, por que eu não nasci nessa época? — a inocência estampada em seus olhos.

— Ah, cuma?! — penso eu, não acreditando no tremendo ato falho ou na improvável porém possível falta de senso de oportunidade do cidadão; e arrematando, olhando-o de esguelha, sem conseguir me controlar: — Bom, Fulano — o porte espartano agora em evidência —, você ia ter que ralar, mas beleza.

Mas como tem gente muito pior e mais viperina que eu no mundo, a coisa desandou:

— É, Fulano, você ia se bem! — ele teve que ouvir; eu, agradecendo por ser Gladiador o filme e não Calígula, juro, queria então ler seus pensamentos porque, rapaz, a cara era de um vermelho cômico impagável!

Moral da história: a sexualidade é realmente uma coisa interessante e complicada, principalmente a dos outros!

Antipodagem declarada

“Queria entender o tal princípio da liberdade. Já ouvi dizer, certa feita, que, quando você ganha uma liberdade, perde outra e assim sucessivamente, como uma espiral (ou gangorra, qualquer analogia é boa, afinal). Liberdade, como diriam uns, é não precisar do outro. Acho que liberdade é exatamente o oposto disso: é precisar do outro e, mesmo assim, não se sentir preso.” (Trópico de Capricórnio)

Contraponto do bom, é disso que eu gosto. E viva a polifonia!

É a lama, é a lama

Ou São Pedro é surdo, ou não entende lhufas de português. Será que ele nunca ouviu Tom Jobim? “São as águas de março fechando o verão, é a promessa de vida no meu coração.”

Pedrão, vira a folhinha, homem de deus! Nós já estamos em abril! Eu já tô aqui cuidando do tum-tum faz tempo e tu ainda nesse aguaceiro? Sem noção…

Coelhinho da Páscoa, que trazes prá mim?

Pense, imagine uma criança feliz! Eu devia agradecer pelo meu inferno astral coincidir com a Páscoa. Bom, pelo menos quando se ganha um ovo Alpino de meio quilo no amigo secreto (é, de Páscoa, não pode?) da equipe de natação. Por falar nisso, eu acho que nunca me diverti tanto com um povo tão fora do meu estilo. Quando mais da metade de um grupo é formado por engenheiros, um quarto de educadores físicos e você é o único músico (aquele do “curso eclético”, vai vendo) — olha que eu nunca entendi essa fissura por competição que esse povo tem — e todos convivem em harmonia, a gente vê que boa vontade, camaradagem e respeito realmente funcionam e rendem boas piadas; milagres de um tal de espírito de equipe.

As coisas podem até não estar 100% — não estão, não, não vou negar — e minha intuição pode até estar apitando avisos de “não insista” ou “deu prá ti” — vacilos sorridentes de bom dia, é o que vejo —, mas sempre teremos chocolate. Isso e minhas escolhas; depois de tanto, esquece, não vou abrir mão delas.

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E por falar em amigo secreto, o que faz uma pessoa estudar Adeste fidelis ao trombone em pleno mês de abril?

Personal Promoter Tabajara

Eu já avisei que meu aniversário é dia 3 de maio? Pois. Quem avisa amigo é e quem lembra, mais amigo ainda. Então, podem ir sacando as agendas, palms, fitinhas, post-its e anotando, em letras garrafais: “Ligar, escrever, dar um alô, mandar lembranças pro Guilherme”. A pessoa aprecia e agradece, de coração. =)

Fora o aniversário, que não passará em branco, há a festa que está sendo planejada cuidadosamente com a ajuda da Sil, marketeira, dançarina de can-can e promoter de mesa de pizzaria nas horas vagas — a moça que conhece gente, que conhece gente que conhece os meus amigos e eles nem sabiam; ô mundo pequeno, redondo e cheio de esquina! A bichona é tão competente que praticamente já descolou o DJ; um espetáculo!

Dia 15 de maio, sábado, pode reservar a data. E se eu fosse você começava a pensar numa fantasia…

Aqueles dois

“…I announce adhesiveness,
I say it shall be limitless, unloosen’d,
I say you shall yet find the friend
you were looking for…

…Dear friend whoever you are
take this kiss,
I give it especially to you,
do not forget me…”
(Walt Whitman, So Long!)

Um conto; dois pontos. E eu me senti tocado pelo presente, pelos traços de sutileza que delineiam a intensidade da história. Duas pessoas com todo o sentimento à flor da pele, a ponto de vivê-lo ou de quebrá-lo, mas sem sabê-lo exatamente; pela contramão dessa intensidade, ao lado dessa sintonia. Considero-o um primeiro regalo de aniversário, coisinhas assim que nos levam, leves, pelo malfadado mês que sempre o antecede; presságio de boa aventurança.

Uma coisa esse Caio Fernando Abreu, não? Eu fico impressionado como ele consegue trilhar seu lirismo por xícaras sujas de café, máquinas de escrever e boleros. E no fim, acho que é isso: o lirismo não é o feitio grandioso de soberbos melodramas, senão a filigrana que se estende e sobrevive pelo rumo dos nossos dias e tudo que é grande só faz ampliá-la. A maravilha é saber distingüi-la em plena tarde de quarta-feira, por entre um rosto que se adianta, um pássaro e um semáforo fechado.

É por isso, embora você compare meus morangos aos dele, que sou obrigado a declinar. Modestamente, meu gesto ainda é muito grande, dispendioso; eu sou exagerado. Mas a lisonja é um sopro na vaidade e eu agradeço com um lampejo de timidez no sorriso. Se é possível ver no macro o que eu anseio micro e intimamente, então o esforço já me fez feliz.

Ziriguidum!

Tava linda a minha pequena! Atrasada que só a porra, mas linda ainda assim. Cantou muito bem, fez bonito mesmo e sabe que vai poder fazer ainda melhor; os meninos são novos, mas muito talentosos. Depois da Páscoa tem mais!

Eu me encho todo de orgulho vendo a minha cachucha ali mandando brasa, sabe? Acho que só quem canta (com a voz ou não) sabe realmente o quanto é dífícil: a expectativa, a estréia, a exposição que te deixa nu às primeiras notas da canção; aquela porção de olhos e ouvidos todos virados prá você, esperando intimamente que o mundo a sua volta adquira um colorido diferente, vibre como se a existência de repente se sofisticasse e as emoções fossem todas perfeitamente traduzidas. E você ainda tem que cantar bem, respirar, desfilar dentro do compasso. Mas o grande segredo é que quando você abre a boca e inunda de som os sentimentos (alheios), de fato, você não pertence mais à realidade. Há no interior e muito lá dentro um pulso cercado de silêncio; é um pedacinho de ser. Quando você canta faz-se luz e é como se ele acendesse, divinamente.

Prata da casa

Hoje é dia de prestigiar a bela, vulgo irmã caçula, a mais linda, a mais gostosa, a mais serelepe, a semiparte feminina também cantante deste tagarela:

Acontecerá todos os sábados e domingos um encontro de admiradores da boa música. Este projeto é o ponto de partida para que referências da boa música brasileira tomem corpo e ressurjam nas mãos e vozes de jovens músicos.

Sábado: Malungo (Samba)
Horário: 15h às 19h

Domingo: Língua Brasileira (Choro)
Horário: 14h às 18h

Local: Só Empanadas — R. Inácio Pereira da Rocha, 295. Vila Madalena.

Isto não é um convite, é uma intimação! :)

Sei lá, mil cousas

Pêgo em flagrante delito — o brownie à primeira dentada — pelo abdômen mais bonito que eu já vi na minha vida; quem foi o desgraçado que colocou aquela revista bem ali, ao lado dos pequenos pecados da cantina? Folheio a maldita. É realmente muito fácil cultivar seu próprio tanquinho: bastam 1,5h de exercícios diários e nada, absolutamente nada de açúcar, gordura ou qualquer aditivo que torne a vida mais feliz. Iogurtes (desnatados), frutas, frango, salada, cereais, ok, eu adoro, mas e o meu brownie? “Não.” Mas nem… “Não!” Mas só… “NÃO!” Então foda-se! Eu fico com a minha borda recheada.

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Não obstante, 2800m nado solo; eu acho que merecia dois brownies e um sorvete, prá combater os danos que certamente o cloro causa ao cérebro.

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A minha vocação prá terapeuta só faz me espantar mais a cada dia. Muito menos pela minha competência e mais pela minha capacidade de inspirar confiança. Mas não, declino o fardo e sua responsabilidade — repito internamente: eu não sou psicólogo de plantão; eu não sei resolver os problemas dos outros; eu não estou aqui prá doutrinar ninguém, não importa. Amigos são amigos, pretês são pretês — aliás, não andam sendo e isso nem é bem uma reclamação — e pacientes, não os tenho. Ora, ponto.

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E na programação, caros telespectadores, aventura, (melo)drama e, por que não, comédia. Logo mais adentraremos mais um inferno astral. Este, plus ultra: Saturno, o famigerado, dá as suas caras, então é melhor apertarem os cintos; eu vou procurar as autoridades cabíveis que tá mais do que na hora.