Ensaboa, Concetta. Ensaboa!

Ei! Psiu! Tem alguém aí com bom domínio de italiano — o meu tá falhando — que poderia traduzir isso aqui pra mim? É o pedacinho que falta. Traduzir ária de ópera é um trampo!

“Ah! da quel giorno che insiem le soavi
aure grate con essa spirò,
queste mura a Fernando son gravi
altra sorte sognando anelò.
Ah! mio padre, mio padre,
di mie pene nell’altra procella
un’aita ricerca il mio cor,
ah! ed al nume mi volgo, ma quella
allo sguardo presente m’è ognor.”

Não basta cantar, tem que traduzir e montar programa de recital também. Blé! :P

[Do lat. procrastinatione.]

Por que, meuszóvo, eu não sou um prodígio, um primor de eficiência, determinação, disposição e concentração logo no começo do jogo? Tem que ser sempre no segundo tempo, bem nos pênaltis, com a água na bunda, com a faca nas costas?

Maldito seminário! Tinha que estar justo na frente das minhas férias? :P

Fever!

E por falar em sexta-feira, morder e arranhar — também, não necessariamente nessa ordem —, coisas que eu já pensei e não disse: sabe o que é melhor em cuecas modelo boxer? A sensação constante e deliciosa de que tem alguém agarrando a parte alta das tuas coxas, ui!

(caralho, a lua nem tá cheia ainda…)

Todo mundo tem seu momento Pavlov

Diga “sexta-feira” e meus olhos brilham. Diga “fim de semana” e eu babo. Mas, rapaz, diga “férias” em alto e bom tom que eu abano o rabo, lato, mordo, arranho suas pernas, pego a coleira e finjo de morto — não necessariamente nessa ordem.

Justiça versus vingança

Eu não tinha parado prá pensar com calma ou falar a respeito do brutal sequestro e posterior assassinato daquele casal de namorados em Embu-Guaçu — praticamente não vejo TV e faz quase duas semanas que eu não páro prá ler jornal. Ouvi falar da passeata “pela paz” e já foi o suficiente prá um alarme aqui dentro disparar: ânimos exaltados + percepção rasa da realidade + a maldição da mídia = perigo!

Mas se você quer saber o que eu penso a respeito — ou algo bem próximo —, vá lá ver o que ela tem a dizer porque mais uma vez ela disse tudo. A doutora é foda: justiça é algo muito diferente — diametralmente, eu diria — de vingança.

Club Social

Normalmente eu tenho horror a atendentes de serviços telefônicos e operadores de telemarketing em geral. Aqueles devem nutrir um ódio visceral pela minha pessoa porque eu sou uma pedra no sapato. Principalmente quando eu sei mais do que eu tô falando do que eles, dos peões aos supervisores, o que não é raro — é praticamente um milagre que um raio nunca tenha me acertado direto na orelha.

Mas o mundo é cheio de exceções e eu sou uma pessoa super social — enxerido, sei. Educação, cordialidade, bom humor e solicitude são coisas que me cativam. Junte isso aos vapores etílicos — será? — e eu sou seu mais novo amigo de infância. Mas nunca que eu iria pensar em bater papo com um atendente da VIVO, em plena madrugada da segunda, enquanto o coitado ativava a linha do meu aparelho novo. Um doce, o rapaz.

(…)

Pera! Esse povo agora tá mandando beijo e abraço, fazendo elogio no fim da ligação? Então eu acho que ele me cantou! (Guilherme, como tu é dado…)

Relapso e meio

Claro que eu esqueci de ligar prá ele. Claro que eu esqueci de mandar as músicas prá ela. E claro que, agora, só quinta. Ô, aperreio…

Relapso

Eu contei que eu ganhei bronze nos 200m revezamento medley? Contei que das equipes reunidas no clube a nossa (UNICAMP) foi a única a invadir o tobogã? A gente vê que competir, competir mesmo foi só um detalhe. Por um acaso eu comentei que minha irmã — a saber, a mais linda de todas as irmãs — tava toda feliz no botecão e amou o meu presente? Falei que fui ver Matrix Revolutions ontem? Eu disse que acabamos todos no bar com participação especial da senhora minha mãe cantando à mesa e na calçada, ao fim da bagaceira? Mencionei que adorei as novas presenças e que amo, imensamente, as antigas? E que foi bom, muito bom poder sentir tranqüilamente o que se sente, reciprocamente e expressamente, até que enfim? É, sim.

Mas e o sono? Já falei que tô um prego? Ai, pois é. ;)

Bagaceira

Amanhã, amanhã. O álcool tá é muito em evidência prá qualquer coisa — o que é? onrron! Travesseiro, vem cá, meu nêgo… :P

Em suas marcas…

Amanhã — que “hoje” só depois que eu dormir —, às primeiras luzes da aurora, mais um momento atleta na vida deste que vos fala. É nóis (aquaticamente) rumo às olimpíadas. [trilha de Carruagens de Fogo]

Eu invento cada uma…

Maninha

É nas grandes coisas pequenas que a gente brinca de ser feliz. Como na lousa onde ensaio a melhor dedicatória possível — aquela que a gente espera que encha os olhos d’água — pro presente de aniversário perfeito da melhor irmã caçula do mundo: a minha.

(Sábado, no samba, no boteco, na bagunça, a gente entorna todo esse amor prá brotar no chão, minha pequena… por enquanto, o que as letras exprimem mas não emolduram — beijo —, o que o telefonema diz mas não encaixa — abraço.)

Porto seguro

Coração Ateu
(Sueli Costa)

O meu coração ateu quase acreditou
Na sua mão que não passou de um leve adeus
Breve pássaro pousado em minha mão
Bateu asas e voou

Meu coração por certo tempo passeou
Na madrugada procurando um jardim
Flor amarela, flor de uma longa espera
Logo meu coração ateu

Se falo em mim e não em ti
É que nesse momento
Já me despedi

Meu coração ateu
Não chora e não lembra
Parte e vai-se embora

Estou cansado, com o nível de tolerância batendo no dedão do pé. Não é tristeza, não é raiva, apenas cansaço. Mas o pior de tudo não é sentir-se cansado, é sentir-se culpado por isso. Porque eu sei que, se for prá contabilizar, tem gente por aí, não muito longe, que tá camelando muito mais do que eu. Trabalhando por horas a fio, lidando com gente tosca, com gente chata, com gente burra, entra sol, sai sol. Cada um com a sua cruz — eu odeio esse conceito!

Mas mesmo assim me sinto cansado. O fato de ter de ficar longe do meu canto, das minhas coisas, das (minhas) pessoas me deixa cansado — Campinas é um saco! Não é um cansaço de quantidade, mas de qualidade de coisas acumuladas — é quando vem a tão famosa maré baixa. Cansaço de final que não acaba, de processo que não chega ao seu fim objetivo. É aquele desalento que dá quando você olha prá um questão e pensa: eu tinha que sair daqui e estar ali a essa altura do campeonato, mas não estou e não tenho a menor idéia de como fazê-lo. É a punhalada de ler na testa das pessoas que elas esperavam que você estivesse, que você fosse, que tivesse feito. E, no entanto, você não está, nem é, tampouco fez — parece não fazer diferença o quanto tentou. E eu tento separar a cobrança alheia da minha própria cobrança refletida. (Algumas d)as pessoas percebem, nem todas lidam bem com isso, mas provas de insensibilidade e falta de tato são tudo o que eu não preciso no momento.

Minha autocrítica nessas horas é cruel. Seja nos estudos, no trabalho ou nas relações pessoais, meu eu racional sabe exatamente o que tinha de ser feito. Em alguma parte minha mais profunda eu sou metódico. Extremamente metódico. Uma pena. Talvez, sendo intrinsecamente caótico eu não me importasse com o não funcionamento das coisas. Talvez até elas funcionassem. Mas eu não sou. Eu espero, no íntimo, mesmo quando não espero, que as coisas dêem resultado. Anseio por algo que não acontece. Afinal, poxa, eu aceito um andamento lento, mas não cada vez e sempre mais lento, como se o passo seguinte fosse sempre a metade do anterior e, dessa forma, anda-se sempre, mas nunca se chega. E quando eu me pego sem direção, quando as pedras do meu caminho me parecem tão boas e tão ruins como quaisquer outras, aí e só aí, acho, eu perco as forças. E qualquer companhia ainda assim faz eu me sentir sozinho.

É nessas horas, quando o vento perde os sentidos nas velas esgarçadas, quando o leme queima nas mãos e relego o barco à deriva, é aí que mais sonho com o porto seguro — senão com férias.

Desalento

Eu tô perdendo o ânimo de ir às aulas de canto — notaram que o Figaro está mudo, isto é, sem música? pois. Acho bom esse ano acabar logo antes que algo se quebre. (Não é o tamanho da carga, mas a qualidade dela.)

…dai-me fôlego!

“As águas vão rolar…”

Que é, Pedrão? Tá lavando as tuas mágoas hoje, então? Benzadeus! E olha que tu tá aí no céu, hein? Avalie a gente que tá aqui com os pés no chão e o coração no dia-a-dia…

Chique no úrrrtimo!

“…Pois quem mo presenteou com tal mimo, foi Monsieur Guilherme, dono do blog www.cantorum.com/figaro, famoso operístico que andeja suas efélides na terna e doce Ville de Campagnes, se me permitem a livre tradução para o francês. Monsieur Gui, le Paysan, como é ele conhecido dos pampas do sul ao seringais do norte, por sua vez, foi-me apresentado, pelo dileto amigo Asclepíades. Isso, em imemoriais tempos d´antanho, quando ambos, Gui, le Paysan, e Asclepíades venceram um concurso de Duplas de Dominós em Campagnes.

Para comemorar tal evento, Monsieur Gui abriu a boca para agradecer o prêmio, que vinha a ser um frango assado, e dela, não lha saiu uma mísera palavra, mas sim as esfuziantes notas que Giacomo, o lucanês, escrevera febril sobre a obra de Prevost, Monsieur, le Abbé.

E o mundo parou, atônito, tal a emissão de diamantes, lápis-lazúlis, cassiteritas, opalinas, águas-marinhas em que transformaram-se as notas que suas cordas vocais entoaram aos céus.

Foi um raro momento de êxtase. Soubemos depois, que quando ele nasceu, um arúspice já havia predito-lho um futuro passarinheiro no sentido lato da palavra, pois que, como mo disse ele depois, foi ouvindo os pássaros que aprendeu a cantar…” (Alexandre Bulhões, no Jornaleco No. 29)

Je suis très enchanté, mon ami :) Hoje, seus préstimos herbáticos são necessários por toda Ville de Campagnes, pois todos sofremos de gota. Muitas. Da chuva. Mon Dieu, aos cântaros! Não teria o mui dileto amigo um guarda-chuva — e talvez alguma botelha de boa safra — para mo emprestar?

No vôo das borboletas, o refúgio dos vagalumes*

RAH MILJAEY GI TU CHAL TO SAHI
DER WEG MACHT SICH ALS DU GEHST
THE PATH IS MADE AS YOU WALK
IL CAMMINO SI FÀ AL CAMMINARE
EL TARIH EN AMAL ALA MACHE
O CAMINHO SE FAZ AO ANDAR*

Quatro e vinte da manhã. A Avenida Paulista dói noturna sob meus pés enquanto o vento sussurra segredos invernais sobre um rosto primaveril. Dorme o colosso metálico e hiperbólico onde viaja meu coração cada vez mais ateu a sete palmos do mesmo chão que piso. Milhões de janelas espiam um mundo de fotos três por quatro. Desejos, feitiços, semáforos, a tudo isso a lua ri, egoísta e indiferente às mil e uma pegadas do caminho que meus passos desconhecem. Minha espera tem ao mesmo tempo o gosto doce e amargo do chocolate e do asfalto. Cadê essê ônibus que não vem?

Ferradura

Você vai, né, barbudo? Vai providenciar um fim de semana desses, assim, que aprazem, não? Um fim de semana leve… tranqüilo, sem cobranças, sem angústias. Assim, bem lânguido. Cheio de riso. Vai, não vai? Tô pedindo, vai?

E-1/2 humor

Ah, apaguei o e-mail! Tinha muito erro e eu tô com preguiça de corrigir. Já bastam os meus erros — que são relativamente poucos, graças a… mim que não matei as aulas de português —, não vou ficar corrigindo e-mail tranqueira dos outros. :P

“Diga, Maricotinha, que eu mandei dizer que eu não tô…”

Entendi… a segunda-feira trocou de lugar com a terça prá me enganar — a safada! Ok. Já que é assim eu vou trocar a quarta com a sexta, valeu? E se mais alguém resolver dar tranco vai acertar o vento. :P

Depois ninguém sabe por que o doido abraça árvores pela rua — elas não dão coice.

Pilhagem

Também quero!

Se eu fosse uma cor, amarela
uma flor, (sempre) bem-me-quer
um bicho, felino

Se eu fosse uma música, lírica
um sabor, oscular
um livro, manuscrito
uma fruta, mordida

Se eu fosse uma estrada, costeira
uma estrela, no palco

O Tártaro

Seu eu quisesse provar a existência do inferno usaria os pernilongos como sua prova cabal. Mas qual foi o filho de uma remelenta que deixou os desgraçados saírem das profundezas, especialmente à noite e de violinos (desafinados) em punho, aliás?! :P

Quando o amor vacila

Não, Zel. Isso é muito mais lindo do que você imagina. (Se eu pudesse te mandava o CD agora.) Prá quando (se é que) o amor vacila.

Eu sei que atrás deste universo de aparências
Das diferenças todas a esperança é preservada
Nas xícaras sujas de ontem o café de cada manhã é servido
Mas existe uma palavra que eu não suporto ouvir
E dela não me conformo
Eu acredito em tudo, mas eu quero você agora
Eu te amo pelas tuas faltas, pelo teu corpo marcado, pelas tuas cicatrizes
Pelas tuas loucuras todas, minha vida
Eu amo as tuas mãos mesmo que por causa delas eu não saiba o que fazer das minhas
Amo teu jogo triste
As tuas roupas sujas é aqui em casa que eu lavo
Eu amo a tua alegria
Mesmo e fora de si eu te amo pela tua essência
Até pelo que você podia ter sido
Se a maré das circunstâncias não tivesse te banhado nas águas do equívoco
Eu te amo nas horas infernais e na vida sem tempo
quando sozinha eu bordo mais uma toalha de fim de semana
Eu te amo pelas crianças e futuras rugas
Eu te amo pelas tuas ilusões perdidas e pelos teus sonhos inúteis
Amo teu sistema de vida e morte
Eu te amo pelo que se repete e que nunca é igual
Eu te amo pelas tuas entradas, saídas e bandeiras
Eu te amo desde os teus pés até o que te escapa
Eu te amo de alma para alma
E mais que as palavras
Ainda que seja através delas que eu me defenda quando digo que te amo
Mais que o silêncio dos momentos difíceis quando o próprio amor vacila.

Boa sorte

O Quereres
(Caetano Veloso)

Onde queres revólver sou coqueiro
E onde queres dinheiro sou paixão
Onde queres descanso sou desejo
E onde sou só desejo queres não
E onde não queres nada nada falta
E onde voas bem alta eu sou o chão
E onde pisas o chão minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo eu sou o irmão
E onde queres cowboy eu sou chinês
Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato eu sou o espírito
E onde queres ternura eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido sou herói
Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock’n roll
Onde queres a lua eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro sou obus
O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim

Quase te liguei ontem prá desejar boa sorte. Não liguei. Não liguei porque, porque, porque não liguei. Não liguei porque ligar é um esforço. Ligar é um desejo traiçoeiro de querer ligar o que não está ligado. Prá desejar boa sorte — toda a melhor e boa sorte que o desejo pode alcançar — eu não ligo. Me desligo do desejo prá poder querer apenas e acredito — quero acreditar — que a armadilha da qual me desvio ao me desviar de ti não é, enfim, uma armadilha dentro da outra, dentro de mim. Acendo uma vela. Queimo um incenso. Penso incessantemente na tua aprovação nessa segunda-feira de sorte. E rogo a deus que o tempo mude o andamento torto desse descompasso.

Então, beijo a boa sorte (como beijo teu rosto) e lanço-a ao vento.

Anti segunda-feira

E depois de uma tarde
(D. Sophia de Mello Breyner)

Apesar das ruínas e da morte
Onde sempre acabou cada ilusão
A força dos meus sonhos é tão forte
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos estão vazias

Ninguém tem um primo como eu. Tão magro, tão sisudo, tão formal, tão inacreditavelmente… doce.

— Fábio, tem um CD embrulhado aqui no banco, de “Eu” prá “Você”.
— Eu sei. É teu.
— ???
— Então, quando eu fui comprar o presente de amigo secreto…
— Amigo secreto? Natal do ano passado?
— É! Eu comprei o CD, mas depois achei o livro — O Mito do Maestro — e fiquei na dúvida.
— Sei…
— Então comprei o livro. Acho que é mais difícil de achar, não?
— Sei…
— Pois é. Comprei o livro que eu te dei e guardei o CD prá dar depois. E esqueci. Não dei na hora prá não ficar chato dar dois presentes. E esqueci. Joguei na estante e esqueci.
— Sei…
— Quase esqueci prá quem que era!
— Sei…
— …
— E é prá mim?
— É! Não tô dizendo?
— Nossa! Puxa… Oba! Obrigado! :D

Vindo de alguém que esquece que tá com fome — é possível isso? — até que não é de se espantar. Eu conversava com minha mãe ainda ontem que precisava desse CD prá viver. Não é de se espantar. Então, agora eu sou uma pessoa sem dívidas e com o duplo da infinita Bethânia, ouvindo feliz da vida. Não é de se espantar. E olha que é segunda-feira! É, mas não vou. Vou não.

(13. Texto: Quando o amor vacila 1’51” — “…eu amo as tuas mãos mesmo que por causa delas eu não saiba o que fazer das minhas…”; 14. Noite de Estrelas 1’48”)

Eu vou chorar. Eu sei que vou.

Alforria

Eu preciso dizer aqui que, até que enfim, eu sou uma pessoa livre de dívidas. Ô, senhor, que coisa boa! :-D Já não era sem tempo! Tirando o capital de giro praticado amiúde entre amigos, não há mais cartão de crédito a pagar, cheque especial, prestação de violoncelo ou pendura na mercearia. Nada! Acabou! Enfim, a alforria!

Agora dá até prá pensar nas férias. “Minha alma canta…”

Baba Lilás

“Giacomo Puccini fechou a porta da sua casa, de madrugada, tirou sua parker do bolso do colete e com ela escreveu Manon Lescaut. Que seu trisavô, também compositor, também nascido em Lucca, por descuido, se esquecera de compor. No dia seguinte, ele pegou um avião e foi aos estúdios da Columbia, em Nova York, e lá deixou sua voz registrada. Na saída tomou um cálice de anis, molhou o dedo na língua e levantou-o para o alto, para saber a direção do vento. Se fosse sul ele voltaria para dentro do estúdio e para a garrafa recém-aberta de anis. Não era. E ele sumiu na bruma daquele inverno.”

Pois é, babei (mas não de raiva).

Barrados no baile

Será que você achou que eu ia puxar teu saco, viado? Eu? Em plena lua cheia, perigoso do jeito que eu tava? Você achou mesmo que eu ia encher a tua bola de promoter descolado super, hiper enturmado que acha que a vida de boate é o must, ultra, mega high society? Sinto, esse teu tipo não me inspira nada. Talvez, cansaço. Prefiro a rua com seus bares, seus flertes tímidos, olhares, fuxicos, seus ares. Que pena, mas eu troco de bom grado a lua cheia pelo sol. Fica aí na tua pose de lombriga que eu vou pedalar meu tom no brilho do sol do parque.

The Holy Trinity — Revolutions outside the Matrix

(ou, a gente enche o caneco é com o pé na calçada mesmo e volatiliza os humores no salão)

A gente tenta. A gente jura que tenta, mas é culpa da lua. Era prá tomar uma coisinha, beliscar e bater muito papo. Ok, bebeu-se, petiscou-se, papeou-se e dançou-se. Muito. Prá variar. De novo. Fazer o quê?

Fazer o quê se é bom assim? O que fazer se o rapaz de gorro da mesa ao lado me come com os olhos pela nuca, mas só me encara enquanto o amigo vai ao banheiro? — atutide, nêgo, a-ti-tu-de; mostre a que veio que eu te mostro o que você não viu. Que faço eu se quando eu viro prá direita o garçom me enche o copo pela esquerda? Se o mesmo coitado moleque me oferece chiclete prá comprar umas 547 vezes? — quer um pastel, garoto? toma, é teu; e esse sorriso, agora é meu? O que fazer, ó senhor, se o ambulante tem Ney Matogrosso a 10 reais? — eu juro que nem olhei muito, foi ele (o CD) que me escolheu! Não posso fazer nada se há amor, se há dor, alegria, se há sabor, calor e um tambor em algum canto que quando lhe descem a mão me lenvanta os pés.

    Quando comecei a pensar
sobre o que seria este disco,
percebi que ele deveria falar
sobre amor.
    Todas as tonalidades
do amor.
    …Paixão, dor de corno
        amor correspondido
        amor não correspondido
        saudade,
        desejo…
        e amor ao próximo.
     Penso ter conseguido colocar
algumas das minhas intenções
                           Ney Matogrosso

(no encarte do CD “Seu Tipo”)

Amo muito vocês dois.

Com que roupa eu vou?

E esse cavanhaque revisitado, hein? Será que eu deixo? Sexta, lua cheia, eu com essa morenice toda, cacheado… é, até que vai bem um fim de semana mais latino. ;)

10 Re[descobertas]

– Geléia de pimenta com queijo branco arde, mas é bom.
– Beijar a noite inteira esfola os beiços, mas quem liga?
– ?gua e sabão em joelho ralado é de ver estrelas, mas limpa.
– Bebedeira faz mal pro fígado, mas às vezes desopila.
– Riso precisa de companhia, mas sozinho também acompanha.
– Solidão angustia, mas também ilumina.
– Chorar faz bem, parar de chorar mais bem ainda.
– Saudade aperta, mas alimenta a memória.
– Amar dói, mas não amar nem isso faz.
– A vida sempre anda, é só deixar.

Horóscopo

Dia de altos e baixos emocionais, que antecede uma tomada de consciência que vem a calhar. A Lua passa a transitar seu signo de hoje até segunda, período ideal para tratar de sua saúde e de assuntos pessoais. Eclipse lunar de amanhã indica que cuidados consigo devem ter destaque na agenda. (Folha)

Er… ô, Barbara, tem certeza de que isso não tá atrasado, não? Tipo, eu já andei vendo esse filme essa semana, sabe? Quer dizer que tem mais? Então tá, bom saber…

[Engenharia, aqui é o capitão: levantar escudos secundários e primários, preparar força de emergência! Dr. Spock, qualquer coisa tu segura as pontas. Uhura, prepara o SOS. Sulu, sebo nas canelas!]

Esse meu passado me condena

provadematematica.jpg

Acho que já vi algo semelhante em alguma finada prova minha na Matemática Aplicada — mas a idéia de entregar a prova assim eu nunca tive, que pena…

Urgh! Dá até arrepio. :P

CABRUM!

Ê, chuvão! Adoro cheiro de terra molhada.
Bebo cada gota da linda tempestade.

E chega. Vambora prá casa que a semana já deu. Os leões já foram mortos a dentadas e eu quero a minha cama, meu canto, minhas coisas e meus amigos, meus amores.

Em instantes voltaremos à nossa programação normal

Volto já. Vou logo ali ver o pôr-do-sol que tá uma coisa, um desbunde de lindo.

Explosão!
Um gozo de salmão
sobre um dia azul
Um céu que se confrange
em cobalto e algumas
pequeninas gotas de prata
Fermata de um Sol
enamorado da Terra
Sonho de grama verde
e de mãos dadas sob a Lua

(ficou melhor assim, não ficou? eu achei…)

Dois perdidos numa noite suja

Não entendi muito bem ainda como é que um filme pesado me fez voltar prá casa mais leve, mas tudo bem. Deve ter sido por contraste, afinal, a gente vê que tudo poderia ser muito, mas muito pior, logo aos primeiros 20 minutos de filme — é impossível não ser otimista com um céu azul de brigadeiro como o de hoje; impossível prá mim não querer, ao menos, sorrir.

Mas eu não me refiro ao retrato marginal que o filme emprega — retrato, aliás, que varia de adaptação prá adaptação, do teatro (Plínio Marcos, não?) pro cinema e, neste, prá variar, é contrapontisticamente bruto e sem glamour em relação a muito de Hollywood; não questiono. Não, refiro-me à construção psicológica dos personagens que impede o alcance de qualquer condição perene de felicidade, como se as feridas fossem tão profundas, os cacos tão esparsos que toda tentativa de amor, toda a expressão de afeto digno, então, requeresse sempre uma disposição titânica que se prova impossível de alcançar. O naufrágio, o surto, a autopiedade mascarada, a violência, tudo parece inevitável.

Cada um sabe o tamanho da sua dor. Quando trombamos com ela, sempre nos parece imensa. E é! Mas — e isso vai soar egoista — o contraste com a desgraça alheia, mais do que me despertar compaixão, lembra-me da esperança. Vejo-me caminhando, apanhando mas aprendendo. E se tudo não é como queríamos, veja, ainda sim é sincero e verdadeiro. Auto-ajuda? Sim, embora o termo esteja desgastado. Amor-próprio (assim, junto, prá soar ainda mais conectado) seria mais apropriado. Auto-conhecimento, o sempre e constante renascimento. A tranqüilidade que nos permite amar. O sorriso que vai desabrochar logo mais prá você e pro mundo. Lembro-me de tudo isso.

Disse e repito: não se preocupe — estou bem; me queira bem —, seremos felizes.

Pode ser (apenas um)a gota d’água

Segue o seco
(Carlinhos Brown)

A boiada seca
Na enxurrada seca
A trovoada seca
Na enxada seca
Segue o seco sem sacar
que o caminho é seco
sem sacar que
o espinho é seco
sem sacar que
seco é o Ser Sol
Sem sacar que
algum espinho seco secará
E a água que sacar
será um tiro seco
E secará o seu destino seca
Ô chuva vem me dizer
Se posso ir lá em cima
prá derramar você
Ó chuva preste atenção
Se o povo lá de cima
vive na solidão
Se acabar não acostumando
Se acabar parado calado
Se acabar baixinho chorando
Se acabar meio abandonado
Pode ser lágrimas de São Pedro
Ou talvez um grande amor chorando
Pode ser o desabotoado céu
Pode ser coco derramando

Mas ainda assim é chuva e a visão me embaça.

Deu em mim

Se bem que das palavras escritas eu ando meio manco…

Na falta de vocábulos que me convençam à ponta dos dedos — tanto alegres quanto tristes —, passeio a colher pela sopa de letrinhas do meu umbigo: procuro as verdadeiras palavras internas.

Só eu sei o que pesco. Soletro do oráculo o quanto vejo — desejo.

Deu na Revista

Sete dias de silêncio — Revista passa uma semana em retiro de meditação que proíbe a fala em nome da busca ao “centro do ser”.

Seeete dias??? Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete? Na mesma casa, com as mesmas pessoas e sem falar com ninguém? Discordo à italiana! — gestos, muitos gestos. Tô fora. Ia precisar de muita yoga e umas sete — provavelmente — encarnações prá conseguir um feito desses. Sozinho, quem sabe? Imagina, eu, por sete dias, sem nem cantar no chuveiro. Que piada… :P

As fogueiras de Beltane

“Mais tarde, nesta especial noite de sexta pra sábado e durante todo o sábado, nós que rodamos a Roda pelo Sul, celebraremos Beltane; o Sabbat da alegria, da dança, da felicidade e do riso.

Em Beltane celebramos a vida em todas as suas manifestações, a sexualidade e a fertilidade. Época em que a consciência de que somos animais, que temos instintos e necessidades, nos invade e envolve por inteiro. Aceitarmos e nos harmonizarmos com esse nosso lado animal é a nossa principal força, um de nossos maiores poderes. (…)

Tempo de fertilizar, nutrir e encorajar tudo aquilo que plantamos (nossas escolhas, planos, desejos…) e que já começou a germinar em Ostara (o Equinócio da Primavera) para propiciarmos uma colheita farta e abundante nos meses vindouros…” (in Meu Mundo)

Nem bom cristão, nem bom pagão eu sou — aliás, quando eu enfim descobrir por onde o espírito me pega, mando avisar. Mas mesmo não seguindo o paganismo religiosamente, nele há uma verdade natural que me atrai imensamente: a noção de que a vida é feita de ciclos e passagens, a consciência de que o tempo assim como a chama existem também dentro de mim e não como uma entidade extra-terrena e destituída de humanidade.

É que eu sinto — acho que sempre senti — tudo isso muito mais internamente do que externamente. O divino, o sagrado sempre me pareceu ser algo que possuo, embora não saiba onde, nem como, nem quando. O sublime como ato ou efeito de elevar, transcender e tornar santo — pelo que se crê, pelo que se faz — é, portanto, aquilo que de melhor irradiamos, a quintessência do que nos faz tempo e vida. E nosso elo de ligação com a criação reside, então, aqui, em nossas células, em nossos poros, em forma e gesto, medos e sonhos, alegrias e desejos, anseios e aflições. Suas manifestações abençoadas.

E busco minha chama. Busco meu tempo. Tento descobrir o passo certo, a hora de ser — sem deixar de estar — e estar — sem deixar de ser — num mesmo andamento que por vezes atravesso. Caminho pelas minhas espirais em busca do amor rico e fértil, aquele que nasce, cresce, arde, queima e purifica. Um amor que é meu, está em mim, vê, mais do que em qualquer outro; aquele que grita aos ouvidos, ao mundo, toda a natureza: amo você!