Estréia

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Fazem parte da cultura oral brasileira, os orixás heróis Euá, Iansã, Oxóssi, Oxum, Ogum, Iemanjá e Xangô trazidos pelos negros em seus rituais religiosos. Seus relatos míticos narram histórias da criação do mundo, questões morais e éticas universais.

No espetáculo da Caixa de Fuxico à narrativa são incorporados pontos cantados, objetos e cores. Símbolos pesquisados a partir do Candomblé enquanto manifestação estética e cultural. Essas histórias foram recentemente registradas por pesquisadores como Reginaldo Prandi e Carlos Eugênio Marcondes de Moura ressaltando a importância dessas narrativas.

Nossa escolha recai sobre essas histórias não só por uma afinidade estética, mas por que, enquanto arte-educadores, frequentemente nos deparamos com situações de preconceito e desconhecimento em relação aos elementos que compõe a cultura afro-brasileira. Geralmente associados a questões religiosas e ritualísticas (o candomblé, à macumba), o que limita a riqueza cultural e estética das narrativas que compõe a cosmogonia yorubá – a criação do mundo, da natureza e seres que o habitam.

No espetáculo Histórias e Cânticos dos Reinos Yorubá são contadas as aventuras do sábio adivinho Ifá: seu encontro com a bela deusa Euá e as aventuras dos meninos Ibejis.

Bonecos artesanais, panos, brinquedos populares e objetos são manipulados pela atriz enquanto conta as histórias, a música realizada ao vivo acompanha toda a narrativa.

Sinopse da história:
Em um povoado africano o adivinho Ifá, muito querido por todos, tem que escapar da sua maior inimiga: A Morte, uma senhora muito poderosa que vêm trazendo muitos problemas para o povoado. Para escapar da danada da Morte ele conta com a ajuda da bela e misteriosa lavadeira Euá. A lavadeira é protegida por Olorum e quando seus filhos, os gêmeos Ibejis, têm sede ela se transforma em fonte para lhes dar de beber. Os meninos são corajosos e também enfrentam e enganam a Morte.

Endereço: Rua Brig. Haroldo Veloso, 150
Horário: 16h30
Ingressos: R$ 14,00 e R$ 7,00
Faixa etária: a partir de 3 anos

+++

A irmã manda avisar que neste fim de semana bruxesco a entrada é gratuita. Avisa também que “Donati” é com um “t” só.

Eu super acho que devia ir todo mundo assistir e aviso que ela é linda e canta, toca conga, pandeiro, djembê e caxixi que é uma cousa! Digo também que véspera de estréia é um inferno — ainda mais com o tambor tocando pela casa o dia inteiro; é já que me baixa o santo!

Time’s up!

Daí — duas aulas depois, um ensaio depois, dois treinos depois, um chocolate depois — a gente pega um livro e vai prá casa, ler na cama com o pé — o direito — apoiado na janela, de sola prá lua.

(foda-se o) Horóscopo

Practice your “I think I can, I know I can, I have confidence” speech before a full-length mirror. The Sun is supporting Mars, the planet of making it happen, and as your aims become clearer (and truer), so will your sense of who can help you get there and whose calls you should screen.

Ah, vai prá puta que te pariu, horóscopo! Tô de saco cheio de provação, de dificuldade, de dar conselho, de receber conselho, de ouvir que eu mereço — cadê? —, de ouvir que eu sou especial, que isso, que aquilo, que me amam, que me adoram, que sentem saudade — ah, jura? —, “você tá lindo!”, “você é um amor!”, “e aí?”, “o que tá fazendo?”, “e os amores?”, “mas como?”, “e a faculdade?”, “e o trabalho?”. Tudo, tudo, muito lindo e muito sincero, eu sei. Mas tem hora que a vida dá nos nervos, dá no peito, dá na bunda. E cansa. Cansa pensar, analisar, mudar, tentar, tentar, tentar e acordar com a sensação de que, ok, você fez, você ajudou, você evoluiu, você cresceu, parabéns. Mas a merda continua a mesma. Prá quê, meu deus, prá quê? Prá eu virar pai dos outros? Terapeuta dos outros? Ser o balaústre equilibrado da vida alheia? — que piada! Prá eu pegar esse ombro enorme, esse costado do tamanho de um mapa mundi — “ok” prá analogia — e tatuar um 0800-ligue-já-que-eu-tô-aqui-só-prá-te-fazer-se-sentir-melhor? Pro diabo! Deu no saco! Cansei! Cansei de ouvir que eu vou ser feliz — sim, eu serei, eu acredito, eu tenho que acreditar — se ninguém sabe quando. Cadê a troca? Cadê a entrega? O que foi feito do amor? Chega de conversa! (Meu minuto e meio de surto patético que acaba aqui). Eu quero a MINHA prenda!

Vale a pena ler de novo

quando você chegar
e minha felicidade for demais
que eu não agüente,
me abraça forte
e espreme de mim
cada grama,
cada filigrana de amor,
pois cada fio
e cada gota será
uma flor diferente
da gente.

Verdades são muitas, poucas delas fáceis…

Vero
(Natan Marques e Murilo Antunes)

O que se vê é vero,
o teu sabor eu quero.
Mas nem só beleza eu vi.

Vi cidades degradadas,
pessoas desamparadas
nas grades da solidão.

Fogo nos campos, nas matas.
Queima de arquivo nas praças.
Chovia nas ruas do meu coração.

O que se vê é vero,
o teu sabor eu quero.
Mas nem só beleza eu vi.

Vi cidades turbulentas,
chacinas sanguinolentas.
Pensei que morava nas terras do mal.

Choro dos filhos, maldades.
Fora dos trilhos, cidades.
Pensei que sonhava e que tudo era real.

O que se vê é vero,
o teu sabor eu quero.
E a tua beleza eu vi.

Vi uma estrela luzindo.
A minha porta bateu,
querendo me namorar.

Lua cheia clareava,
imaginei que sonhava
e era tudo real.

Ninguem mais coça bicho de pé.
Nem ninguém mais caça arrasta pé.
Vida é assim… é o que é.

…o que não diminui minha crença nelas.
Mas esses dias de chuva, vou te contar, são de matar.

Confete

“ok, so i can do away with the music, but, still, this is one of those blogs that are pushing the boundaries of “dreamweaver-less” design. it really shows what is possible with a web service such as TypePad. just so you understand how funky this site it, refresh your browser’s screen a few times. oh, did i mention that the author is brazilian and it is written in português? bemvindo figaro!” (seções Eye Candy, Great Concept, Notables — The Typepadistas Director)

Tá, eu tenho que dar um jeito no áudio desse layout, eu sei. Mas toda a vez que eu penso em html, plugins… ai, me dá um sono! Projeto para um novo layout: playlist.

But I’m funky! Uia! ;)

Um dia, uma noite e uma caixa de bis

E no entanto, você escolheu o vento. Entristeço, não posso negar, mas não o censuro. Como poderia se esse é o mesmo vento que trouxe você prá mim? — o vento da mudança, do início, do retorno, da esperança; algo maior, tanto em mim quanto em você. Então, suspiro.

Mesmo assim quedo uma dia mais no lar que não é meu — mas que me acolhe uterinamente — e absorvo a languidez ainda teimosa das horas que leio. Pois meu corpo se acostumou rapidamente ao teu — teu cheiro e teu sorriso já indistintos dos meus. Sinto tudo isso plenamente — lembre-se!

Maria Rita canta meia garrafa de vinho, o último pedaço de pizza, o último bis. Beijo o último gole d’água, leio um soneto, lanço-me ao vento. E digo: não se preocupe — estou bem —, seremos felizes.

Pré-datado

Aviso aos navegantes, Atlântico Sul, Brasil: isso é uma gravação, de fato. E se eu não estou aqui é porque a vida é bela, o sol reina, os pássaros cantam, os olhos brilham e a alegria impera, logo lá atrás da porta. Recados aqui, telefonemas ali — café, um bar, talvez, sim, tal e coisa, coisa e tal… —, tudo após o suspiro:

*sigh*

Gone by the wind

Fazia tempo que eu não saía lendo TODOS os blogs da minha lista (eternamente desatualizada) e mais uns tantos pela frente. E vai levar ainda mais prá eu fazer isso de novo, já aviso que não dá — nunca mais meus mil braços vão poder segurar o mundo; a ilusão não existe mais, partiu-se, quebrou, morreu; do meu abraço nasce a minha flor no peito e ela é mais importante do que qualquer mundo, qualquer ego, qualquer vórtice paralelo —, mas eu tento, observo, assisto porque e quando quero, porque e quando sinto, porque e principalmente quando posso. Há vagas. Vagueio.

Dentre mortos e feridos — e nem tão mortos, e nem feridos —, rapaz, como tem vida por aí, não? Às vezes me encanto com tantas bolhas e é impossível não pensar n’As Horas que leio… Life; London; this moment of June, embora não seja Londres, tampouco junho. Mas ainda sim é (minha) vida, a cidade, ainda assim é (minha) primavera. Mrs. Dalloway said she would buy the flowers herself, e eu jogo minhas sementes ao vento. Encontro outras. Algumas mesmas. São belas as flores. São verdes meus amores.

Bem-me-quer(o), assim te quer(o). Nunca gostei do bem ou mal-me-quer. Minha fantasia sempre superou esse maniqueísmo e, que eu saiba, sempre quis, bem até demais. Ainda quero, muito! A bem da verdade é que quero muito mais. Mas antes de mais nada, quero-me. Intensamente, voluptuosamente, imensamente, imediatamente. O mundo, quero a seu tempo — assim como a você. E quero que queira, se assim o quiser e se assim nos for dado. Porque o tempo nunca obedeceu aos meus desígnios, mas, parece, sempre me esperou. Por que não haveria de esperar por você também? Ao invés de arrancar pétalas, sempre fui fã do dente-de-leão — num único sopro alentar todas as sementes, todas ao vento — e sua vontade de voar.

Não posso (e não quero) negar a primavera. Nem a minha, nem a sua. Portanto, solto-me ao vento. Que seja ao seu, pois que ele sopra agora em meu rosto. Mas que seja o alento primaveril ou o sopro quente do verão. Que não seja a decadência do outono, nem o frio cortante do inverno que ainda não é tempo. Ainda não tivemos tempo. Não se afobe, não / Que nada é pra já / Amores serão sempre amáveis, é o que me digo. (Se eu soubesse disso antes, talvez o errado fosse certo. Mas o talvez não existe, vê. Nunca existiu. O que sempre existiu foi nosso desejo retrógrado — a expressão retroativa do nosso desconsolo.)

E se não for você e a ti eu não for, sejamos nós ao vento, sejamos sementes, rodopiando, sejamos lentos, sejamos leves e coloridos como o dia cai à tarde — vem, me dê a mão, vamos dançar. E saiba que ainda assim eu sou teu e apenas teu, na exata medida em que tu me és. E ponto. Chega que enquanto se pensa a vida urge.

Há sol — simbora brotar, é primavera!

Pedinte

Ninguém teria uma… bem, duas — ;-) — passagens pro Rio por aí, assim, dando sopa? Caráter de urgência, urgentíssima! Não, né? Imaginei. Deveria existir um Fundo Monetário Pró-Erradicação da Saudade. Eu teria conta especial, com toda certeza!

O melhor e mais Feliz Aniversário

LXIV

De tanto amor minha vida se tingiu de violeta
e fui de rumo em rumo como as aves cegas
até chegar a tua janela, amiga minha:
tu sentiste um rumor de coração quebrado

e ali da escuridão me levantei a teu peito,
sem ser e sem saber fui à torre do trigo,
surgi para viver em tuas mãos,
me levantei do mar a tua alegria.

Ninguém pode contar o que te devo, é lúcido
o que te devo, amor, e é como uma raiz
natal da Araucânia, o que te devo, amada.

É sem dúvida estrelado tudo o que te devo,
o que te devo é como o poço de uma zona silvestre
onde guardou o tempo relâmpagos errantes.

Mando nas poucas cem páginas nerudianas um tanto menos do que eu gostaria que elas levassem além de mim, em corpo, alma e sentimento. Só que este, não, este não me serve de arauto. Não presta porque há muito ele por mim deveria ter sido escrito, e não por Neruda. Eu o roubo! Enciumado e descabidamente.

Não caberá nunca em verso ou prosa o quanto a tua amizade me é importante, amore. O quanto o teu crente ceticismo me ilumina. O tanto que eu te desejo de vertigem e substância. Porque a tua maior beleza — que, deus, já se fez tanta! — é essa capacidade de nos causar beleza, esse amor afrodisíaco que nos torna irremediavelmente belos e traz no sol o dia inteiro em cada instante.

O melhor e mais feliz aniversário prá ti, coração. E meu melhor beijo.

Concurso de Narrativas Breves Haroldo Maranhão

Saiu o resultado do concurso. Está aqui. E olha, a qualidade das narrativas premiadas tá de encher os olhos! Vai lá ver. Anda, anda!

E eu acho que a iniciativa das pessoas envolvidas, tanto na organização, quanto na comissão julgadora é, sim, digna de nota. Eu, que sou um projeto de escritor — nem sei se um dia pretendo assumir esse fardo, nem se terei cacife prá isso —, escrevo porque gosto, porque me faz bem, interna e externamente. Mas quando se coloca um pedaço de si em cada frase é bom demais ver-se prestigiado. Vaidade, sim, mas sensação de trabalho bem feito, de esmero recompensado. E o concurso tá aí, prá gente meter a cara, tirar do sangue, fazer bonito. Eu sei que fiz e por mais (auto)crítico que seja me orgulho do meu esforço.

Aos vencedores, meus parabéns e meu obrigado pelo lindo trabalho compartilhado.

Neruda, faça as honras

XLVIII

Dois amantes ditosos fazem um só pão,
uma só gota de lua na erva,
deixam andando duas sombras que se reúnem,
deixam um só sol vazio numa cama.

De todas as verdades escolheram o dia:
não se ataram com fios senão com um aroma,
e não despedaçaram a paz nem as palavras.
A ventura é uma torre transparente.

O ar, o vinho vão com os dois amantes,
a noite lhes oferta suas ditosas pétalas,
têm direito a todos os cravos.

Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
nascem e morrem muitas vezes enquanto vivem,
têm da natureza a eternidade.
(in Cem Sonetos de Amor, Pablo Neruda)

Como já cantaram por aí, “traga-me um copo d’água, tenho sede…”
(…e você nem imagina o quanto)

Central de Notícias Piadas de Mau Gosto

:: Beyonce é contra beijos entre mulheres
“Eu tenho padrões morais, há coisas que não faria? (…). Ao ser questionada sobre quais seriam esses “padrões? já que em seu show ela faz um strip tease, a cantora de 22 anos disse acreditar que para “Deus isso é ok?. “Honstamente acredito que Ele quer que as pessoas celebrem seus corpos desde que isso não comprometa a cristandade?. Sobre o beijo, Beyonce disparou: “Eu não poderia fazer o que Britney e Madonna fizeram na MTV. Eu sabia que ia acontecer mas ainda assim fiquei chocada quando vi?.

Pois sim… beijar não pode, mas desfilar as ancas e as peitarras como num açougue pode? Ah, vai dar prá quem tem tempo! You bitch!

:: Travesti é “exorcizado” em delegacia no PR
Deu no Paraná Online. Dois dias depois de participar de uma “sessão de exorcismo”, que aconteceu no prédio da Delegacia de Homicídios, Fulano, 23, afirmou que foi libertado da travesti “Tainá”, que o acompanhava.

Travesti que o acompanhava? É culpa da pomba-gira, agora? Sei… Ok, cada um acredita no que lhe faz bem. Sério, se é prá ter paz de espírito, vai em frente. Só não tenta pacificar o meu porque vai dar merda.

:: Prince vira testemunha de Jeová e prega na porta de vizinhos
Depois de praticar excentricidades como trocar seu nome e se recusar a falar durante entrevistas, o astro pop dos anos 80 e 90 Prince abandonou a carreira musical e vem se dedicando a pregar os ensinamentos dos Testemunha de Jeová de porta em porta em sua cidade Minneapolis. (…) Prince ficou conhecido por suas performances voluptuosas e incentivadoras do sexo livre. Sua nova religião prega que a homossexualidade é perversão e que os homens são superiores às mulheres.

MAS, HEIN?! *HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH*
É piada, não é? Alguém, por favor, me diz que isso é piada. Prá riba de moi…

:: Austrália vive onda anti-gay
Depois de ser considerada uma das capitais tolerantes do mundo, por sediar um dos maiores eventos públicos, o Mardi Gras, ser sede dos últimos Gay Games e possuir uma pujante produção cinematográfica gls, Sydney vive uma onda contrária às conquistas e visibilidade gays da última década. O arcebispo anglicano de Sydney, o ultra-conservador Peter Jensen (…) classificou a homossexualidade, em entrevista coletiva nesta segunda-feira, 13/10, de “pecado público bruto?. No mesmo dia a Procuradoria Geral publicou estudo realizado com 600 homossexuais revelando que 48% dos gays e lésbicas residentes em Sydney foram vítimas de violência física ou verbal nos últimos 12 meses, e 85% disseram já ter sido agredidos em algum momento nos últimos anos. Cerca de 70% declaram se sentir vulneráveis à violência, sendo que os mais atingidos seriam os jovens de 16 a 19 anos.

Essa é prá chorar. Trocaram o flúor da nossa água por hipocrisia, tendo a crer. Stripper bancando a pudica — em nome de deus! —, travesti sendo exorcizado, ex-ícone pop de comportamento sexual… livre — eu não sei definir — pentelhando pregando de porta em porta e uma das cidades mais purpurinadas do planeta sofrendo uma onda anti-gay. Isso não entra na minha cabeça. Digo, essa mania que o povo tem de querer mandar os outros pro inferno que eles criam. Cada um realmente acredita no que quer, mas não dava prá deixar cada um acreditar no que quer EM PAZ?! Se eu tiver que ir pro inferno pode deixar que eu encontro o meu. Preciso do teu, não.

Horóscopo

If your friends, relations, nearest and dearest, etc., are irascible or are complaining about their lot and the hand they’ve been dealt, smile considerately and lard on an “oh, dearie me” or ten. Never mind that their snarking and kvetching would try the patience of Mother Teresa – a few empathetic tut-tuts and they’ll do whatever you ask.

Rapaz, que horóscopo mais interesseiro! Cruzes! :P

Ê, coração…

XLIV

Saberás que não te amo e que te amo
posto que dos dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo todavia.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desditoso.

Meu amor tem duas vias para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.
(in Cem Sonetos de Amor, Pablo Neruda)

Então…

Outras palavras

Quer me entender melhor? Então dá uma olhada no que ela escerveu aqui. Dá só um desconto na parte do “semioticista” porque, em mim, isso ainda é pretenção pretensão — oops! No mais, tamos aí, firme e forte no intento — repitam comigo: “eu não vou cair em (minhas) velhas armadilhas, eu não vou cair em (minhas) velhas armadilhas, eu não vou cair em (minhas) velhas armadilhas…”

“Se eu quiser falar com Deus…”

Então, velhinho… você tem certeza de que essa história de escrever certo por linhas tortas funciona mesmo? Nunca pensou em usar um daqueles cadernos de caligrafia? Funciona que é uma beleza, viu? Show de bola!

Por falar nisso, se você tiver uns dois relâmpagos aí dando sopa, dá prá rachar o crânio dos dois que me deram o cano no ensaio hoje? É, de novo. Valeu, hein?

Loucura

Loucura? Loucura é o meu segundo nome quando você me agarra as pernas e o sossego com as duas mãos. Loucura é não encostar minha barriga na tua — toda a minha eletricidade — e perder a chance de te ver perdendo o chão. Desabo enquanto meus lábios tomam os teus em desatino. A demência me consome no momento exato em que a tua boca encontra a nudez do meu pescoço — ah, eu tenho um troço! Imprudente é trancar a porta e não jogar a chave fora porque o dia… ah, o dia, este, sim, é louco! A noite, o carro, o céu, a lua, o beijo, a cama, não! Tudo isso é santo.

Vudu é prá jacu!

Febre?! Como assim? — além de todos os desencontros, mais essa agora. Ô, barbudo, qual é a tua? Que vudu é esse? — eu sou mais teimoso que isso, pode esquecer, pó pará com essa história!

E agora, que faço? Fico ouvindo o CD que eu gravei prá você aqui, assim, sozinho?

Tem graça…

pt saudações

Fui ali cuidar de ser feliz — gotcha?
Você tem problemas? Olha só que coisa, eu também!
Mas esse fim de semana eles vão pra debaixo do tapete.
Tô por aí. Não sei onde, como ou quando. Só sei com quem.
Vista seu sorriso e me liga, quem sabe a gente se vê, os três?
Mãos dadas, sorriso besta, languidez, essas coisas… Tchau, hein!

Smorzando

O relógio
(Vinicius de Moraes / Paulo Soledade)

Passa, tempo, tic-tac
Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria
De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac
Tic-tac
Dia e noite
Noite e dia

Tudo é uma questão de andamento. Condução harmônica. Tensão. Modo menor. Dominante invertida, fechada, com nona e sétima no baixo — a sensível não resolvida no pedal. Cadê a tônica maior (que eu)? — leva-me daqui!

Se eu botar meu dedinho ali será que ele anda mais rápido?

Prá ontem

Alta vai a noite. Toca o celular:

— Alô?
— Guilherme? Aqui é fulana, tudo bem? — ih… lá vem!
— Tudo bem. Diga!
— Você tem compromisso prá esse sábado à tarde?
— Tenho, mais ou menos, por quê? — ela não vai fazer isso.
— Então… por causa do workshop de canto — ai, não… —, eu marquei com as meninas prá esse sábado. — não creio, ela FEZ isso!
— Mas Fulana, você ficou de me passar essa data, as duas, por sinal, dois meses atrás! Eu tenho que preparar a aula, separar o repertório, preparar o material didático! Quantas pessoas são?
— Tantas. Mas é terça ainda, não dá tempo? — grrr…
— Mas eu tô em Campinas, criatura! Meu material tá em casa!
— Ah…
— Faz o seguinte, eu vou mudar a estrutura do workshop, então. Começo com a parte prática, preparação corporal, vocal, vivência, coloco essa mulherada prá cantar e, na próxima data — que, rogo aos céus, será comunicada com antecedência — direciono prá um trabalho infanto-juvenil, ok?
— Tá perfeito! Então você vai querer fazer no parque — ai, meu saquinho, de onde esse povo tira essas coisas?
— Não! Cantando a céu aberto elas não vão ter a menor noção do que tão fazendo — assim com você, pelo visto, não tem.
— Ah, ok. Então te espero no sábado, às 14h.
— Tá certo…

Desliga o telefone: INFEEEEEEEEEEEEEEEEEEEERRRNO!

Acho graça! Esse povo pensa que músico é mágico. Tudo é lindo, maravilhoso, extraordinário. Cantar é um dom divino, blablablá… Agora, o trabalho que dá manter a voz em dia, estudar, manter-se atualizado, entender de fisiologia e técnica vocal, preparação, regência, condução de ensaios, ninguém tá nem aí! Tá bom… dá próxima vez eu enfio a faca. Logo duas!

Terças Caipiras

Luar Do Sertão
(Catullo da Paixão Cearense e João Pernambuco)

Oh, que saudade do luar da minha terra, lá na serra,
Branquejando folhas secas pelo chão!
Este luar cá da cidade, tão escuro,
Não tem aquela saudade do luar lá do sertão.

Não há, ó gente, oh não,
Luar como esse do sertão

Se a lua nasce por detrás da verde mata
Mais parece um sol de prata prateando a solidão
E a gente pega na viola que ponteia,
E a canção é lua cheia a nos nascer do coração

Não há, ó gente, oh não,
Luar como esse do sertão

Quando vermelha, no sertão, desponta a lua,
Dentro d’alma, onde flutua, também rubra, nasce a dor!
E a lua sobe, e o sangue muda em claridade,
E a nossa dor muda em saudade, branca assim, da mesma cor!

Não há, ó gente, oh não,
Luar como esse do sertão

Ai! Quem me dera que eu morresse lá na serra,
Abraçado à minha terra, e dormindo de uma vez!
Ser enterrado numa grota pequenina,
Onde à tarde a sururina chora a sua viuvez!

Não há, ó gente, oh não,
Luar como esse do sertão

Diz uma trova, que o sertão todo conhece,
Que, se à noite o céu floresce, nos encanta e nos seduz,
É porque rouba dos sertões as flores belas
Com que faz essas estrelas lá no seu jardim de luz!!!

Não há, ó gente, oh não,
Luar como esse do sertão

Mas como é lindo ver, depois por entre o mato,
Deslizar, calmo o regato, transparente como um véu
No leito azul das suas águas murmurando,
Ir por sua vez roubando as estrelas lá do céu!

Não há, ó gente, oh não,
Luar como esse do sertão

A gente fria desta terra, sem poesia,
Não se importa com esta lua, nem faz caso do luar!
Enquanto a onça, lá na verde capoeira,
Leva uma hora inteira vendo a lua, a meditar!

Não há, ó gente, oh não,
Luar como esse do sertão

Coisa mais bela neste mundo não existe
Do que ouvir um galo triste, no sertão se faz luar!
Parece até que a alma da lua é que descanta,
Escondida na garganta desse galo, a soluçar!

Não há, ó gente, oh não,
Luar como esse do sertão

Se Deus me ouvisse com amor e caridade,
Me faria esta vontade – o ideal do coração!
Era que a morte, a descantar, me surpreendesse,
E eu morresse numa noite de luar, no meu sertão!

Não há, ó gente, oh não,
Luar como esse do sertão

E quando a lua surge em noites estreladas
Nessas noites enluaradas, em divina aparição,
Deus faz cantar o coração da Natureza
Para ver toda a beleza do luar do Maranhão.

Não há, ó gente, oh não,
Luar como esse do sertão

Deus lá no céu, ouvindo um dia essa harmonia,
A canção do meu sertão, do meu sertão primaveril
Disse aos arcanjos que era o Hino da Poesia,
E também a Ave Maria da grandeza do Brasil.

Não há, ó gente, oh não,
Luar como esse do sertão

Pois só nas noites do sertão de lua plena,
Quando a lua é uma açucena, é uma flor primaveril,
É que o poeta, descantado, a noite inteira,
Vê na Lua Brasileira toda a alma do Brasil.

É irritante o poder de uma segunda-feira de jogar a gente de volta pra realidade.
É igualmente impressionante a capacidade de uma Orquestra Filarmônica de Violas Caipiras — sim, existe isso, tem até ONG — de lançar os nossos pés pra cima novamente.

É essa vontade danada de enroscá-los!

Prelúdio

Mudança de caminhos, mudança de posturas, mudança do tom. Modulação. Faz-me maior. Porque a vida anda, levanta, canta, grita e voa; (im)perfeita e boa. Desabrocha.

Prá semana, mudança de trilha: Bach. Primeiro movimento da Sonata Suíte* No. 1 para Cello. Não sei o número de catálogo (BWV) nem quem tá tocando — tampouco me importo —, mas gostei mais do que a versão que eu tinha do Yo-Yo Ma — ninguém é perfeito, nem ele. Esta é mais viva, mais verdadeira, menos mecânica e mais próxima de um pulso que se prenuncia — tente ouvir e não voar.

Porque a primavera é a estação dos prelúdios.
(* ó eu trocando suíte por sonata, ê laiá…)

Olhos nos olhos

Mais uma noite que acaba com o dia — ou um dia que me acaba com a noite, apressado? Quem disse que eu vi? Minha percepção paira presa a um metro e meio, intangível aos demais. Mais uma vez o sol raiando. Aurora. E eu não posso evitar o olhar perdido, a languidez, ah, aquela sensação de que cada segundo é a antecipação de um momento raro, delicado e simplesmente belo que está prestes a dobrar a esquina pelo canto do meu olho, assim como eu avancei pelo canto do teu — ou foi você? Brilhante. De onde veio assim tão novo, tão nova e inesperadamente? Assim, tão de repente a me roubar o fôlego? Tão leve, tão claro, tão sem porquê me desarmou. Conheço esse filme. Não, o filme é outro. Igualmente outro. Diferentemente igual. O meu filme que pede novas cenas, novo enredo e improvisa um novo começo.

Estrelinha, isso é coisa tua — obrigado. Eu nunca usei tantas palavras pra descrever um suspiro, suspiro ainda e só. Fermata.

Beijos lunares

Menina da Lua
(Renato Mota)

Leve na lembrança
A singela melodia
Que eu fiz prá ti, ó bem amada
Princesa, olhos d’água
Menina da lua
Quero te ver clara
Clareando a noite, deusa deste amor
O céu é teu sorriso
No branco do teu rosto
A irradiar ternura…

Quero que desprendas
De qualquer temor que sintas
Tens o teu escudo,
O teu tear
Tens na mão, querida
A semente de uma flor
Que inspira um beijo ardente,
Um convite para amar…

Para uma menina amiga querida minha.

Doce de leite

Que o interior é famoso pelos seus doces, isso eu já sabia. Mas que eles adoçavam assim a boca dos seus rebentos, valei-me, eu não sabia, não! (ui! como é bom!)

When you wish upon a star

Estrela, Estrela
(Vitor Ramil)

Estrela, estrela, como ser assim
Tão só, tão só, e nunca sofrer

Brilhar, brilhar, quase sem querer
Deixar, deixar ser o que se é

No corpo nu da constelação
Estás, estás sobre uma das mãos

E vais e vens como um lampião
Ao vento frio de um lugar qualquer

É bom saber que és parte de mim
Assim como és parte das manhãs

Melhor, melhor é poder gozar
Da paz, da paz que trazes aqui

Eu canto, eu canto por poder te ver
No céu, no céu como um balão

Eu canto e sei que também me vês
Aqui, aqui com essa canção

Estrelinha, eu tô fazendo a minha parte. O resto é contigo. Ser o mais leve e o mais livre que a minha natureza permite — de trangressão em trangressão não foi nem um pouco fácil chegar até aqui —, mas falta ainda a faísca, o estalo, a vertigem do teu brilho sobre mim. Sobre nós. Cuido do meu sorriso e da minha arte. Eximo-me de procurar o que não se encontra, simplesmente acontece quando do encontro, em duas estrelas, a contraparte — lume! —, o contraponto.

Perco as amigas, mas não perco a piada!

Eu já sacaneei os sopranos aqui? Não?! Como assim? Mas é prá já! :P

Soprano: The female singer with the higher vocal and salary range. In opera, sopranos are usually the heroines, and sometimes also the heroine’s best friend, faithful servant, long-lost sister or whatever. Generally pretty clueless, te soprano’s main job is to stand around looking good while others fight over her. Sometimes gets to die in the end — tragically and at great lenght. (in Tenors, Tantrums and Trills — An Opera Dictionary from Aida to Zzzz, David B. Barber)

O homem elástico

Então, lembra do ombro? O esquerdo? Vai bem, obrigado. Às veiz dói, às veiz não. Mas ele e o coração andam se entendendo e acho que me deixam nadar/andar em paz. Descobri o que eu tenho (no ombro), é genético. Em palavras complexas, hiperfrouxidão cápsulo-ligamentarlassidão para os íntimos, hiperlexity para os gringos. Bonito, não? Em termos práticos, lembra aquela boneca de borracha que você tinha na infância, aquela cujos bracinhos você praticamente virava do avesso e ela ainda sorria? Pois é mais ou menos assim. Segundo o (novo e mais competente) doutor a estrutura do meu colágeno é mais flexível que o grosso gaussiano da população, o que causa uma predisposição, principalmente no ombro, nossa articulação mais livre, a uma movimentação mais ampla do que o fisicamente recomendável — algum tendão, músculo, nervo, cartilagem, sei lá, não anda gostando da brincadeira. Como eu nunca luxei nada disso, ninguém sabe — devem ser esses ossinhos meigos que deus me deus; tanto melhor. A solução, pasmem, é musculação. Mas eu preciso rever todas as séries para não estender o arco de movimento para além de posições seguras — que eu, obviamente, por falta de dor e limite, desconheço — ou a cabeça do meu úmero vai ficar servido de pilão e aí, fodeu.

Pelo visto, deixei passar a chance de uma gloriosa carreira no Circo Imperial da China e ganhei minha carteirinha de homem elástico, é isso? Então tá, sejamos práticos: do Quarteto Fantástico o Coisa não me interessa — de pedras, já me bastam as do caminho. Não vou ser eu a ficar correndo atrás de Mulher Invisível — ou qualquer um que não queira mostrar as caras e se esconde atrás de campos de força intransponíveis —, o que nos leva ao Tocha Humana. Hmmm… vem cá, foguinho, vem? Onrron! :P

(eu preciso parar com essas associações esdrúxulas)