“Amor, meu grande amor…”

E se você chegar com esse olhar maroto, essa cara de safado? Será que eu vou gostar? Eu e minha cara de menino não sabemos muito bem o que queremos, mas teimamos em tentar. Tem que ser carinhoso, é verdade, mas e se for grudento demais? Ah, mas aí eu não quero! Ou quero? Será? Se for assim de tal forma envolvente que me tome o ar violentamente, será que eu vou gostar? — a vertigem, a vertigem; tira-me os pés do chão que eu preciso voar! Tem que saber dizer o que pensa, o que sente, ou pelo menos tentar — tem que querer dizer! — porque essa coisa de “leia nos meus olhos” é linda, poética, romântica, fica ótima aqui nas letrinhas… mas não funciona. Não, não funciona! É como apresentar três exclamações em grande circunstância e esperar que o leitor deduza todo o parágrafo que o antecede — ó, dando um desconto, depois de muito, muito tempo de convívio… um parêntese ou dois. Não, tem que ter atitude, culhões mesmo, porque eu não tô aqui pra brincar. Ah, mas tem que saber brincar também porque não é pra somar agonias, é pra multiplicar desejos, alegrias, vida.

Em suma, que bobagem! Por que você não chega junto — tira essa roupa de expectativas, medos, traumas, mágoas, dúvidas, delírios —, aí a gente vê no que vai dar? Me beija. Mas chegue na hora (certa).

Evil thoughts

Meu ódio pela Microsoft se supera a cada dia. Não sem motivo. Não bastasse a pentelhação de eu ter que usar o porqueira do messenger — eu resisti bravamente, mas os amigos insistem em usar aquela bomba, o que eu posso fazer? —, a irritante política de enfiar coisas não desinstaláveis no sistema — estrategiazinha escrota de ganhar usuários — agora eu sou obrigado a fazer os (n+1)! updates? Como assim? Deixa eu aqui com os bugs que eu já conheço, inferno! Que falha de segurança o quê? Como se o Windows tivesse sido seguro algum dia. :P

Anti-metamorfose

Ok. Quatro pessoas desconhecidas me chamando, na lata, de Ricky Martin — tá bom, tá bom, mini Ricky Martin — não dá pra ignorar.

Agora, ou o mundo padece de uma miopia epidêmica, ou eu (anti-)padeço de uma anti-metamorfose kafkaniana — ou uma metamorfose anti-kafkaniana, whatever. E não é que é bom? ;)

Quem sabe minha conta bancária não desbarateia também…

Elegância

Fim de manhã de sol. Domingo. Pessoas sentadas à frente de um palco feminino, no gramado da Praça da Paz. Tudo para ouvir Dame Kiri Te Kanawa cantar. A orquestra abre alas para a diva passar e ela vem, tão elegantemente ali quanto é fina sua intrepetação doce e delicada do repertório. Para “diva”, aqui, cabe a melhor acepção da palavra. A segurança no palco, o domínio da técnica e mais, a compreensão do estilo em cada peça.

O repertório… bem… havia dois momentos, quando Kiri cantava e quando não cantava. Ali, árias do repertório lírico romântico da ópera, algum musical, uma canção maori, tudo no seu tom; ela sabe o que faz — mas nenhum Mozart, nenhuma Condessa, nenhuma Dona Elvira, estranho… Aqui, uma demonstração de falta de jeito e senso de oportuninadade tremenda: um interlúdio orquestral de gosto duvidoso ao evento, um tema da Pantera Cor-de-Rosa, Passo do Elefantinho (sei lá como se chama) e congêneres — ninguém pensou em Villa-Lobos, Pixinguinha, Ernesto Nazaré, Tom Jobim, (o nosso Mozart) Camargo Guarnieri, não? é triste! —, mais um arranjo hediondo de Io con te partirò com o tenor cantando em terças, acima do tema — urgh! E a única canção brasileira (Eu sonhei que estavas tão linda), soou xucra e afetada na voz do tenor. Pra quê?

Não, não é fácil cantar ao lado de um mito — merecidamente um mito, pois o que faz o cantor não é a voz, mas a inteligência — e eu tiro meu chapéu pela coragem. Mas a direção musical, arre, errou feio.

Parênteses

E por falar na Rita, a Maria, se ela cantar Menina da Lua, assim na minha frente… ah, eu caso! — no ouvido, não, que eu não respondo por mim.

Pancadas isoladas no decorrer do período

Santa Chuva
(Marcelo Camelo)

[ele]
Vai chover, de novo
Deu na TV
Que o povo já se cansou
De tanto o céu desabar
E pede a um santo daqui
Que reza a ajuda de Deus
Mas nada pode fazer
Se a chuva quer é trazer
Você prá mim
Vem cá que tá me dando
Uma vontade de chorar
Não faz assim
Não vá prá lá
Meu coração vai se entregar
À tempestade

[ela]
Quem é você pra me chamar aqui
Se nada aconteceu?
Me diz?
Foi só amor? Ou medo de ficar
Sozinho outra vez?
Cadê aquela outra mulher?
Você me parecia tão bem
A chuva já passou por aqui
Eu mesma que cuidei de secar
Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha TV
Que eu vou de vez
Não há porque chorar
Por um amor que já morreu
Deixa pra lá
Eu vou, adeus
Meu coração já se cansou de falsidade

É como se eu caísse. De uma altura sem medida, é como se eu me jogasse e sentisse apenas o vento e a gravidade, solto numa imensidão de azul do céu. Não há medo, não há susto, apenas o desejo do fôlego preso, curto, vertiginoso no despencar de pernas e braços soltos. Minha cabeça jogada prá trás. Essa emoção que me persegue em sonho desperto e olhos fechados.

E a música me dispara. (Joga-me daqui que eu não sei mais voar!)

Quem é você, Seu Camelo? Quem foi que disse que você podia escrever assim tão chicobuarquemente as duas de minhas tantas metades e dar pra Rita levar no seu sorriso? Onde você foi buscar essas notas que eu julgava tão encerradas, tão absorvidas na melodia que ferve em veias só minhas? Tão intenso, assim, tão em mim que só me resta lembrar da chuva, cair por gotas de lembrança vivida. (Pular, jogar-me, cair!) Imagens, esquinas e sarjetas que só eu conheço, sonhei, enquanto me secava. Caminhos vivos por onde andei, parei e me perdi — prá me encontrar.

A pétala dourada

Estão Voltando As Flores
(Paulo Soledade)

Vê, estão voltando as flores
Vê, nessa manhã tão linda
Vê, como é bonita a vida
Vê, há esperança ainda
Vê, as nuvens vão passando
Vê, um novo céu se abrindo
Vê, o sol iluminando
Por onde nós vamos indo

Uma pequena marcha-rancho em homenagem ao equinócio da primavera — que foi ontem, se não me engano. Se Elizete Cardoso cantava, você também pode. :)

Equidistância, a equivalência, o que é importante no desabrochar da (vida em) flor. Veja.

Né?

Eu rio, vou fazer o quê? Tô lá, tranqüilo, na praia na casa dos pais da minha melhor amiga — que me conhecem há tempos, vale lembrar — e o pai dela lasca, sem dó nem piedade, de brincadeira:

— Pô Gui, você tá bem, hein? Tá magro, tá malhado.
— É que eu tô nadando bastante. Tô treinando.
— Cuidado, viu? Assim você vira viado.
— …

Rapaz, eu não sei como é que eu não ri.

É culpa da marvada

A gente vê que beber (daquele jeito) eu não devia, mas já que bebi pelo menos bebi feliz — embora a prática esteja em falta. Tá, eu não devia ter derramado vinho na mesa. Tá, eu não devia ter assediado o moço loucamente — ah, não? ih, já foi… Tá, eu podia não ter matado a coitada da menina de medo levando ela pra casa — caralho, eu nunca faço isso! Disso tudo aí eu só garanto que a última eu não faço mais, tá? De resto… ó, eu sou bobo mas não sou besta. De resto eu não garanto. ;P

O céu, o sol, o sal…. vamos a la playa!

Vamos falar de coisas boas. (As bizarrices continuam, mas o que eu posso fazer se os encontros desencontram — e se eu desecontro com os encontros, ainda por cima —, se roubam a bolsa da minha irmã, se meu pai resolve reiterar — over and over, meu deus, até quando, até quando? — a ladainha autopiedosa? — aliás, “pai” e um assunto complicado… deixa prá lá que não é aqui que eu vou resolver isso)

O que vale é que eu ganhei um cachecol lindo e completamente laranja — O Sol brilha por si só, segundo a mãe crocheteira da criança. O que vale é o compromisso do abraço — e poucas horas de sono, já tô vendo.

O que vale é sempre o caminho. Capisce? E esse fim de semana, dá licença, mas ele leva à praia. Beijo na bunda e até segunda. Tchau, hein!

Nem oi, nem tchau

Me diz aí como é que pode. Num dia fulano senta com você à mesa do restaurante, conversa um monte, abre a vida, ouve a sua, sorri, te abraça, dá oi e tchau. Tudo como manda o figurino, ou melhor, a educação e a (suposta) amizade. No outro, nem oi, mal te olha na cara e, quando olha, a distância é clara. Uma semana depois, o mesmo fulano — sim, porque eu ainda estou descartando a hipótese de possessões demoníacas ou alienígenas — consegue desenvolver o seguinte diálogo, DE COSTAS:

— Fulano?
— Ô… — ô, como assim?
— Como é que foram os exames, tudo bem?
— Tranqüilo… — e sai.

Ô? Ô de cu é rola, antes que eu me esqueça! :P Há um ano eu insistiria no diálogo, quereria saber, me preocuparia — um tanto por mim, se foi algo que disse, um tanto pelo outro, preocupação mesmo, genuína e nem por isso de direito. Hoje, nêgo, so sorry, é tchau e benção! Quer fechar a cara, pois feche. Se quiser falar, fale, eu escuto, todo mundo sabe. Mas venha atrás, ok? De loucuras já me bastam as minhas. Preciso disso não. Minha dedicação vale mais do que isso e meu humor também. Eu, hein!

Ei, Hugo!!!

Um dia desses eu aprendo que quando meu estômago diz “não!” — o que é muito, muito raro, mais raro do que eu consigo me lembrar — ele é mais teimoso do que eu.

*ufa* — que alívio…

Horóscopos

ONTEM: Power play, perhaps: Not only is your ruler changing signs, giving it the home court advantage, but Venus is annoying unpredictable Uranus and grouchy Mars. This suggests that you may come across some people who, er, got up on the wrong side of the bed this morning, and if so, that you shouldn’t take it personally.

HOJE: Same game, same rules as yesterday. Sorry to be repetitive, but for another 24 hours your best strategy is to put on wraparound (dark) sunglasses and put in industrial-strength earplugs. This will help your “hear no evil, see no evil and therefore not be forced to comment upon the idiosyncrasies of mankind” program tremendously.

Astros, não abusem, faz favor, que eu tô tentando. Ah, eu tô tentando, mas tem gente pedindo prá levar um “escuta aqui, meu nêgo…”. Dá prá bancar o autista por muito tempo, não…

Kisses for a distant Diva

This is for you, milady, who have those beautiful lips, to read. A little poem that’s not mine, as doesn’t the maiority of the photographs found here — thanks to GettyImages —, but who speaks volumes too.

your slightest look easily will unclose me.
though i’ve closed myself as fingers,
you open always petal by petal,
myself
as spring opens, touching skillfully, misteriously, her first rose.

i do not know what it is about you
that closes and opens
only something in me understands

the voice of your eyes is deeper than all roses
nobody, not even the rain has such small hands
(e.e cummings)

Quem fica parado é poste

Vai levando
(Caetano Veloso – Chico Buarque/1975)

Mesmo com toda a fama
Com toda a brahma
Com toda a cama
Com toda a lama
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa chama

Mesmo com todo o emblema
Todo o problema
Todo o sistema
Toda Ipanema
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa gema

Mesmo com o nada feito
Com a sala escura
Com um nó no peito
Com a cara dura
Não tem mais jeito
A gente não tem cura

Mesmo com o todavia
Com todo dia
Com todo ia
Todo não ia
A gente vai levando
A gente vai levando
Vai levando
Vai levando essa guia

Fazer o quê? Eu leio as coisas que ela escreve e só faço dizer: “pois é…” — ela consegue, sei lá como, exprimir coisas mesmas de um jeito que me falta; she’s strangely and lovely a doc, afterwards. Reviro aqui o meu mundinho — essa bagunça —, olho os mundinhos nesse mundão afora e espero — com muita, muita, muita força — estar apertando os parafusos certos. Mas acho que um deles eu meio que acertei: o do querer a longo prazo e não imediato — eu posso esperar mais um pouco, não posso? Já fez toda uma diferença.

So british!

Dia nublado + Tarde fria + Companhia quente = Chá das cinco e muito tricô, quer dizer, chochê.

It was marvelous, isn’t it, darling?

Sob as cobertas

Há muito tempo não sentia o cansaço como uma presença física, às minhas costas, uma mão pesada sobre o meu (dolorido) ombro. Estar em casa — não a casa de destino ainda não encontrado, mas a de origem —, na própria cama, é como entrar no olho do furacão, onde a calma é circundada de tormenta. Qualquer caminho parece levar à tempestade e minhas armas são um edredom, um livro, minhas palavras e esperançosa paciência — mais paciente que esperançosa, devo confessar — o que fiz eu da minha tranqüilidade? adentrei onde ela ainda não alcança?

Estou cansado. Prá lá do físico. Emocionalmente cansado seria a melhor expressão possível. E deixo meu corpo reclamar à vontade o repouso que ele sabe alcançar e eu não, pois ele dói do esforço físico e condoe-se do não-físico, simultaneamente. É, em parte, o rejubilo da competição — a primeira —, bem nadada, a resposta à adrenalina liberada e a ressonância de algo tenso e mais profundo, angustiantemente sem vertigem.

Tenho consciência de que todo o exercício que venho fazendo — e que não é assim exagerado mas muito bem acompanhado —, faço-o por mim, prá me sentir bem. Mas sei, com uma desconfiança psicoterapêutica, que todas essas calorias são gastas também porque é a única maneira que meu corpo tem prá me ajudar: gastando, queimando, transformando o que me estressa em prol de um conforto endorfínico. Coisas que a cabeça e o coração não têm condições ainda — nem sabem como, eu não sei como — alcançar. Deixo-o descansar, pois.

Googlelices

Eu tô até agora sem saber de onde é que vieram os quase 400 acessos da terça-feira. Achei que fosse o aniversário — não o meu. Não foi. Daí, fui fazer o que normalmente não faço: vasculhar o log de acessos do blog — embora mantenha um log completo que vai longe. Não faço porque não tenho saco mesmo de ficar olhando todo dia quem viu, de onde, de onde veio, por que, quais são suas intenções. Ah, tem dó, tenho coisa mais interessante pra fazer.

Mas dessa vez lá fui eu, munido de estatística curiosidade. Não deu outra: google. Dá medo! Mal-e-mal eu joguei o Figaro no Typepad e eles já indexaram TODOS os meus arquivos, desde o primeiro post! — de fato. Sem o menor critério, claro.

Mas mesmo assim tem muito acesso caindo aqui de pára-quedas — do além mesmo —, vai entender. E o curioso: foi acabar Agosto, esse mês desgostoso, que os acessos — que estavam minimalistas, vi agora — simplesmente explodiram. Presságio? Que seja dos bons — e bem-vindos!

Saudade ad libitum…

Eu disse que devia ter ido pra Angra. Alguém me arranja um plano de fuga, um desvio, um extravio, um desfalque? Meu deus, que saudade do (a)mar!

Horóscopo

Even if you don’t quite know how to pay for, fund, organize, incorporate, etc., it yet, you will soon. So don’t talk yourself into forgoing an arrangement or acquisition that you really want because it materialized on a day that you were in “if I can’t see it that must mean it isn’t there/going to happen” mode.

Isso lá é conselho que se dê pra quem *optou* por não ter mais cartão de crédito e mecanismos similares de endividamento? — ok, há um outro lado do conselho. Por que, pitombas, ninguém me aconselha a fazer paraquedismo ou sua versão vitaminada, sky diving?

Era tudo o que eu queria nessa manhã de sol — que já foi um presente e tanto pra eu acordar bem: vento, vôo, uma imensidão azul.

Quanto mais eu rezo…

Eu sabia! Eu tinha certeza. A hora em que botei os pés em Campinas eu soube que tinha pegado o ônibus errado. Devia ter pegado o ônibus pra Angra que foi o que me deu vontade — alucinante, quase incontrolável, não fosse a pindaíba. Só aparece problema, caralho! Não é meu inferno altral, Saturno ainda não voltou. Por que, diabos, os problemas insistem em fazer fila? Fantasmas, tchau! Vão ver se eu tô na esquina! :P

E o pôr do sol tava tão bonito… droga!

Ópera Bufa

Eu ia colocar aqui um trecho qualquer de The Hours (Michael Cunningham), algo cheio de lirismo, poesia, etc. — tô gostando do livro. Mas tornou-se impossível. Depois que ISSO caiu nas minhas mãos eu não podia perder a piada. David W. Barber deve conhecer muito sobre música. Não que ele faça questão de mostrar seus dotes mais ortodoxos, mas que ele sabe, sabe! Genial, eu queria todos os livros. Daqui em diante só respondo perguntas sobre música por essa cartilha. ;)

Tenor: A male singer with a high voice and an even higher opinion of himself. In comic opera, the tenor usually gets to play the hero, adored by the people and lucky in the romance department. This can lead to problems off stage, where tenors mistakenly assume the same privileges still apply. In tragic opera, the tenor still gets to play the hero but rarely gets the girl, because either one or other of them dies, sometimes both. (Strangely, they never seem to feel this privilege should apply off stage as well. Too bad.)

O dia em que eu não conseguir tirar sarro comigo mesmo, me demito. :P

Palavrinha mágica

Podem até achar ranhetice da minha parte — “tô nem aí, tô nem aí…” já diria um amigo —, mas eu acho o fim da picada. Fulana faz uma busca no google e vem parar aqui, quer dizer, lá em abril. Não se apresenta — não me conhece —, não pede licença, deixa um comentário na base do “quero saber blablablá”, mal escrito, e lasca um econômico “grata” no final.

Assim, pode parecer meio anacrônico, mas minha mãe me ensinou a dizer “por favor” quando eu peço ou me dirijo a alguém. Principalmente alguém que eu não conheço. Nada pessoal, mas tem uma pessoa por trás desse blog, que está longe de ser um serviço de utilidade pública — nem assim eu me isento de ser educado. Então, vamos fazer um acordo? Tenta de novo. Ou então consulte uma enciclopédia de música — o Groves Dictionary of Music and Musicians é ótimo! —, sim? Aqui, um tiquinho mais de gentileza rende ótimos resultados.

Grato.

O Deus Mal Informado

Culpa dela que me lembrou do poema. Ela vive me lembrando das coisas. Ainda bem.

No caminho onde pisou um deus
há tanto tempo que o tempo não lembra
resta o sonho dos pés
              sem peso
              sem desenho.
Quem passe ali, na fração de segundo,
em deus se erige, insciente, deus faminto,
saudoso de existência.
Vai seguindo em demanda de seu rastro,
é um tremor radioso, uma opulência
de impossíveis, casulos do possível.
Mas a estrada se parte, se milparte,
a seta não aponta
destino algum, e o traço ausente
ao homem torna homem, novamente.
(Carlos Drummond de Andrade)

“…Arranca, vida
Estufa, veia
E pulsa, pulsa, pulsa
Pulsa, pulsa mais…”

Além do fogo que eu sinto, eu queria um pouco de vertigem…

Eu sei, tá difícil falar comigo de uns tempos pra cá. Ou eu não consigo ir nos lugares, ou o e-mail dá pau, ou quem dá pau sou eu… Tá difícil até de eu falar comigo. Justo eu que sou de verbalizar, dessa vez não consigo definir o que me deu. Quem sabe a lua, não sei. Não sei se não encontro o que quero porque não sei dizer o que quero ou se não sei o que quero porque não encontro.

Como é que a gente sente? Como é que se faz? Sim, porque a única coisa que eu tenho certeza de que estou fazendo é esperar. Sabe o que é, como é que eu vou definir o que eu ainda não vi? Eu só consigo parametrizar com base no que eu já tive e já senti — e eu sou uma pessoa que precisa, sempre precisou sentir, e no entanto, às vezes é tão difícil! — e, na boa, deve haver uma maneira menos dolorosa de se passar uma rasteira em si próprio. Até eu que sou mais besta sei disso. Tô fora, começo do zero, sei lá como.

Então é isso: eu não sei. E quando eu não sei me sinto acuado. Faço o pedido genérico que não sei se é escutado. Esquivo-me — justo eu! —, saio de lado. Assim.

Motivo

Mas como o momento vital não concatena as perguntas com as respostas — nem eu tampouco vejo o sentido do que (ou de quem) busco —, dispo-me do verbo, cubro-me com o Motivo de Clarice e vou pra cama, onde é escuro.

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E sei que um dia estarei mudo:
— mais nada.

Au contraire

Se o poetinha me permitisse a crítica eu diria que gosto — e muito! — do seu Soneto da Separação, mas que ao invés disso o teria feito ao contrário, des-separando. Ficaria mais ou menos assim:

De repente do riso fez-se o encanto
Silencioso e leve como a espuma
E das bocas unidas fez-se uma
E de mãos espalmadas fez-se tanto

De repente da calma fez-se o vento
Que nos olhos atiçou a primeira chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se a cama

De repente, não mais que de repente
Fez-se de vivo o que se fez distante
E de amor o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o amante
Fez-se da vida uma aventura urgente
De repente, não mais que de repente

Eu sei, não teria o mesmo peso, nem o mesmo drama, mas eu o queria (ao vivo, de preferência nessa vida) assim, de repente. É muito?

Horóscopo

No sábado deve-se procurar diversão e relaxamento, buscando doçura em vez de insistir em solucionar problemas da semana. Faltam informações, falta amadurecimento. Ao longo dos próximos dias, reconsidere as estratégias; assim poderá decidir melhor a respeito do que está em jogo.

Eu ouço e obedeço! Principalmente no que tange a diversão e o relaxamento — quem é que vai me fazer massagem nos pés? ;)

Rasteira

Cara, como eu odeio quando eu digo que A, rapaz entende que B, supõe que C, não diz e me deixa aqui pensando porque está emitindo sinais de D. Daí eu vou chegar e perguntar por que D, se achou C, que vai achar então que… sei lá o que vai achar, mas B e C é que não vai ser!

Agora vem você e troca A por “eu me preocupo e confio em você”, B por “ele está querendo se meter na minha vida”, C por “ele está dando em cima de mim” e D por “mantenha distância” e pronto, tá feita a merda hipotética.

Parece que quanto mais sincero eu sou, mais difícil fica, pitombas! Mas tudo bem, se sinceridade é o problema eu sou sincero e meio. E viva os pingos nos is.

Senta! Deita! Finge de morto! Vai pegar!

Por um momento eu achei que fosse alucinação minha — vai saber os efeitos transgênicos que a radiação de um monitor pode causar. Mas não, minha irmã entrou no quarto para me assegurar da minha sanidade:

— É impressão minha ou o micro tá latindo?
— Você também ouviu?!
— Tá latindo, não tá?
— Então, parece que tá, mas eu não tenho idéia do porquê!
— Na minha área não late, não!
— Ah, não?
— Não.
— Eita porra…

A hora em que essa geringonça começar a abanar o mouse e babar pelo canto do monitor eu vou ficar com medo de dormir com ele no quarto.

Dá a patinha, dá? Bom garoto…

Tiê Sangue

Eu digo que vou dobrar o treino no fim da tarde, mas é mentira, viu? Das 17h às 18h eu vou pra piscina ver o por do sol. Entre uma braçada, um fôlego e outro, há um pequeno retrato daquele imenso olho vermelho, um imenso coração pulsando com o meu. Meu espírito voa tranqüilo e solto feito tiê sangue no crepúsculo.

Horóscopo

If you’re getting butterflies in your stomach and sense something wonderful is in the wind, it’s absolutely appropriate: You’re about to hear the cue for your grand entrance. Let’s go over this once again: You’re fully rehearsed, you’re in your authority and most importantly, you were selected or hired because they wanted you. So, break a leg!

Isso sim é horóscopo pra uma terça de sol, enquanto a gente espera pela sexta. ;)

O que será que me dá?

Eu queria saber de que adianta eu nadar feito um náufrago possesso quase todo dia — alguns dias duas vezes — se depois me dá uma vontade alucinante, descontrolada e psicótica de comer Twix feito pipoca? Melhor seria ficar quieto, economizar energia, sei lá!

Ah é, eu comeria Twix ou BIS feito pipoca do mesmo jeito. Tem jeito não, minha boca é workaholic. :P (quem mandou ser taurino pra viver nesse império dos sentidos?)