Horóscopo

Dia de fazer um balanço geral no orçamento, para começar o mês de junho com pique total. Talvez você precise diversificar um pouco as fontes geradoras de riqueza de que dispõe. Como o clima astral sugere um mergulho mais profundo dentro de si, ao invés de grandes agitos sociais e românticos, vá na onda intimista. (Folha)

HEIN??? *HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA* Fontes gerandoras do quê, mãnch?
Onde? Cadê? Pra que lado foi? Tu viu? Devem estar do outro lado do mundo.
Eclipsadas. :P Cada coisa que eu tenho que ler…

Chave-mestra

Você vai me seguir
(Chico Buarque – Ruy Guerra)

Você vai me seguir
Aonde quer que eu vá
Você vai me servir
Você vai se curvar
Você vai resistir
Mas vai se acostumar
Você vai me agredir
Você vai me adorar
Você vai me sorrir
Você vai se enfeitar
E vem me seduzir
Me possuir, me infernizar
Você vai me trair
Você vem me beijar
Você vai me cegar
E eu vou consentir
Você vai conseguir
Enfim, me apunhalar
Você vai me velar
Chorar, vai me cobrir
E me ninar

Porque às vezes eu queria ser levado, conduzido, tutelado, pela mão. Por um dia ser cuidado, mimado, amado, abraçado, trancado de forma a não poder andar descalso. E na hora de dormir ser ninado, lendo no olho alheio, contraposto, a perfeita história de um mundo imperfeito. Tudo isso para acordar depois de um sonho bom. E sair andando, levando, conduzindo, cuidando, amando, abraçando… embalando esse sonho.

No porta-retrato

Prá eu naná feliz — versão cibernética do ursinho de pelúcia. :)
PS: Preciso comprar porta-retratos.

Soneto

Labial

E de quem, afinal, é o beijo?
De quem beija ou de quem é beijado?
De qualquer maneira,
um beijo é ato consumado.

Se incerto em seu intento
o toque salivar ainda assim
registra em mim o que
é sincero, é sensível, é sagrado.

Mas no instante oscular reside
a emoção que de fato importa.
E o efeito que dali consiste

É o senão que muitas vezes acorda
um coração distraído que assiste
enquanto outro, desavisado, bate à porta.

Um beijo é só um beijo, mas um universo em si.

Humpf! Nhé! :P

Tô cansado, com sono, indo pra SP mais cedo, pensativo, sem meu gorrinho – ou outro cobertor de orelha que o valha. O diagnóstico é simples: tô precisando de Ella Fitzgerald.

Update: ou de geléia de pimenta.

São tantas emoções

Masterclasses com a tal professora, regente e violinista da Old Dominion University, em Virginia, EUA: o primeiro da fila — é melhor que ser o último, não sou besta —, nervosismo, exposição, elogios. Ufa! Mas — auto-crítica dos infernos! — eu devia ter estudado direito. Mau sapão!

Masterclass relâmpago com a professora de canto de Goiânia: “ele tem uma bela voz, mas é teimosinho, né?” — comentário reiterado delicadamente pela minha querida e meiga (tal e qual o aluno) professora de canto. Sim! Eu sou teimoso, pergunto demais, mas o povo abusa do estereótipo. Eu me esforço! No fundo (beeeeem no fundo) eu sou um anjo. :P

Pouco tempo para os e-mails, blogs e afins — administrado sob minha classificação sabidamente parcial de prioridade: nem ligo, ó! Tem dias que dá e tem dias que não dá. Falei?

Alemão: eu vou colocar essa merda na ponta da língua nem que eu tenha que mudar de nacionalidade, porra!

E tenho dito. E tenho fome.

Corte na linha pontilhada

O post abaixo foi truncado porque I didn’t mean it, sacumé? Às vezes, eu falo (besteira) demais – a música fica, ela fala por si só. Daí, quando vejo – oops! – não era bem assim que eu queria que soasse, quem manda eu ser verborrágico?

Em tempo, eu gosto de ser muito bem entendido, mas a-do-ro ser entendido por poucos, capisci?

Vai Azulão

Blackbird
(John Lennon & Paul McCartney)

Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise

Blackbird singing in the dead of night
Take these sunken eyes and learn to see
All your life
You were only waiting for this moment to be free

Blackbird fly Blackbird fly
Into the light of the dark black night

Blackbird fly Blackbird fly
Into the light of the dark black night

Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise…

What the hell is going on?

— Gui, de uma vez por todas, presta atenção: não!
— Ah, mas que mal tem?
— Pra você, nenhum!
— Não é assim, vai?
— Não? Você por acaso pensou nas conseqüências?
— Claro que não, quem tá aqui pra isso é você, não é?
— …
— Eu tô aqui pra sentir, se eu começar a pensar, como é que fica? Mas você também não pode me acusar de inconseqüente.
— Você é louco!
— Exatamente! E já que chegamos a um acordo, dá licença…
— Não senhor, volta já aqui!
— Sim?
— Tenho cara de idiota agora?
— Bem…
— Ó…
— Eu não disse nada, tô só escrevendo…
— Onrron! Inocentemente?
— Inocentemente.
— Sem a menor intenção?
— Nenhuma.
— Jura?
— Então…
— Jura?!!
— …
— Tá vendo? Tu não presta!
— Opa! Nem vem, eu presto e presto MUITO!
— Então cria juízo!
— *HAHAHAHAHAHAHA* Se eu fizer isso você perde o emprego!
— *SUSPIRO* Pelo menos esquece isso.
— Ah, não! Aí já é demais. Primeiro você me pede juízo, agora me pede pra esquecer. Mais algum milagre? Quer que eu vire padre também?
— Mas você precisava fazer aquilo?
— Por acaso eu estava sozinho? E o que foi, afinal, que eu fiz de tão grave, diacho?
— Você sabe muito bem!
— Sei, não sei? Tá vendo, tô falando que eu presto. Ui, como é bom!
— ARGH!!! Raciocina!
— Não dá. Você fala isso porque nas suas veias corre lógica. Teu temperamento é binário: 0 ou 1.
— É? E o que você vai fazer com tanto sangue?
— Ser feliz. Não dá pra ver nos meus olhos?
— Ah, vai?
— Pelo menos eu vou tentar.
— Vai doer.
— Valeu a força, hein?
— Disponha. Agora, tenta pelo menos não enfiar os pés pelas mãos.
— Como se eu soubesse, na hora, o que é um e o que é outro. Não tenho escolha, você não entende.
— Tem sim! Deixa isso pra lá. É sonho!
— *SUSPIRO*
— O que foi?
— Você não vai aprender nunca, não é? Não adianta deixar pra lá, isso não muda a matéria de que sou feito.
— Como assim?
— Eu sou sentimento, me alimento de sonho.
— Mas isso é impalpável, intangível, improvável!
— Incrível? Não é. Você é prova disso.
— Eu? O que eu tenho a ver com isso?
— Tudo. Presta atenção, Gui: eu sou o sonho que você vê, mas você é a realidade que eu sonho.

Quimera

Mas como ninguém vai me livrar do flagelo da segunda-feira: addio!

Olhar de Midas

Às vezes tenho a sensação de que algumas coisas que olho viram ouro — ou é o ouro que às vezes me sorri em meio ao minério — e ao mistério — bruto? Que estranho milagre é esse que (novamente) ocorre? Não faz o menor sentido — e lá estou eu, de novo, querendo que tudo faça sentido, seja lógico e estruturado, quando eu, justo eu, já tive provas mais do que substanciais de que é em meio ao caos lodoso que a lótus sempre brota.

A questão é a seguinte: se tenho ou não vocação para a catequese, não importa. Eu estendo a mão — impensada e genuinamente. E na minha mão há tudo de que sou feito: força, lirismo, vontade carinho e poesia, mais um tanto de indecifrável lealdade e teimosia. Sou intenso, direto e entregue aos meus princípios. Meus pianissimos só existem para dar sentido ao êxtase — ou seria contrapontisticamente o contrário? Não sei. Desisti de saber de muita coisa. Sei da minha felicidade que transborda e invade mundos e mundos sem fim. Sei da minha tristeza que é só minha e de mais ninguém, mas que eu compartilho porque também eu preciso de um abraço quente e zeloso. Sei que um cafuné sempre me cai bem. Sei que vinho e posts são uma combinação perigosa — mas eu reviso, ah, reviso que eu não sou besta, tudo o que eu digo é (cada vez mais) pensado, só que por mim, para mim e não para os outros. Porque hoje eu me preocupo mais em entender o que sinto, antes de tentar entender o que os outros sentem. E isto é crucial.

Mas vê, o milagre reside não em mim, mas ao meu redor. E a miríade que finjo reger é o que tanto me conduz. Sigo como ária angelical em poesia endiabrada. Talvez a grande mágica, afinal, seja catalítica. E o grande milagre que eu encerro não me pertença. Vai, então, o desígnio maravilhoso de que cada um é feito, exterior, pois, ao conteúdo que cada (outro) um vê. Segue a obra de arte, viva, pulsante e pungente, independente e livre do artista. Voa o destino e seus afins. Que rufem os tambores e soem os clarins!

Burle Marx sentimental

…às vezes sentimentos ruins chegam de fora, muitas vezes sem nosso controle ou mesmo consciência. trabalhamos silenciosamente nosso chão enquanto jogam lixo muro adentro…

…em contrapartida, às vezes cai uma flor da árvore vizinha; uma semente do fruto do lado de lá cai no nosso chão e brota, virando uma nova árvore no jardim de cá. um pé de maracujá pode deixar cair seu fruto aqui deste lado, e será recebido com felicidade.

deixe que venham as intervenções, boas e más. concentrar-se no crescimento saudável do próprio jardim é a melhor contribuição que se pode dar para os muros vizinhos: cultivar flores e vida, administrando com tranquilidade o lixo e as ervas daninhas.” (Zel)

Não sou só eu que gosto da analogia da jardinagem. E como está sol e o dia brilha vou andar de bicicleta pelo meu. Vamos?

“Um jardim deve ser uma alegre demonstração de vida: dinâmico, repleto de cores, cheiros, sons e, sim, amores. O triunfo, sobre a aridez entrópica, da estreita flor.” (+)

Recitativo

Vou ser sintético:

FALSTAFF. Muito boa a montagem, o cenário, os cantores. Bravo! para Frederick Burchinal, barítono dramático, no papel principal — excelente representação do papel. Brava! para Regina Helena Mesquita que já havia dado um show de palco no Chapéu de Palha de Florença e fez bonito mais uma vez. Palmas para as comadres! Senão: um ou outro desencontro entre orquestra e cantores, nada sério, mas às vezes a orquestra encobria a cena. No mais, espetáculo de primeira, sim!

DIDO and AENEAS. Complicado reafinar o ouvido de Verdi para Purcell e as sutilezas do barroco. Montagem clean, mínima até. O problema aqui é o libreto que é muito fraco, mas a qualidade musical estava indiscutível. Senão: de quem foi a idéia de amplificar o espetáculo? Em um teatro daquele tamanho, com aquela acústica, com aquelas vozes o artíficio era desnecessário, prejudical até. Ficou parecendo gravação — uma gravação excelente, mas, ainda assim, uma gravação.

Entrevista

Poderia ser assim, talvez não:

— Mas o que você viu em mim?
— Não sei, apenas vi. Vi que você me olhava e olhei pra você. E naquele um segundo, dois, três, quatro, cinco… não desgrudei meu olho do teu que não desgrudou do meu. E talvez eu tenha visto o que você não queria que fosse visto — que não é esse óbvio que você está pensando —, nem no espelho onde você nada viu. O que posso fazer? Vi. Vi você. Ou não, acho que me vi. Você me olhou com tanta força que roubou meu olhar e eu vi o que vias: meu reflexo. E você? Viu-se em mim também a ponto de perder seus próprios olhos? É inesperado, mas não deixa de ser curioso…
— Por que eu?
— Ah, não sei! Essa eu também pergunto: por que eu? Por que eu soube e vi? Por que eu estava ali e você também? Talvez você deva perguntar “por que você?”, mas eu temo que a única resposta adequada seja “porque sim” em ambos os casos. Só que sozinho eu não sei dizer.

Embalos de sábado à tarde

Meio difícil falar de ópera agora — ambas do meu agrado, cada qual em um extremo. Cabeça confusa, hormônios irriquietos, ouvidos sensíveis — sem Bailão essa noite, vou ficar com Montserrat Figueras, aqui no barroco mesmo.

Não, não é só você que se confunde, mas talvez os motivos sejam diferentes. Talvez não. Ou talvez não caiba a mim descobrir o que vi. E fica esse misto de sei lá com não sei o quê.

?lter

Dei-me conta — eu juro que não sei como me vêm essas coisas — no caminho para o Theatro Municipal de que convidei para irem comigo à ópera pessoas que me representam olhos — que muito me brilham —, ouvidos — que muito me escutam — e boca — que muito me dizem —, respectivamente e assim sintetizados pelo convívio. Ver-me, ouvir-me e falar comigo.

Não faço a menor idéia do que isso significa. Mas há no ar a velha e conhecida sensação (forte) — nunca comentada aqui, acho — de que o que eu fazia era catalítico, mais uma vez. Aproximando, alinhando, estimulando, atuando como elo de possibilidade. O que será agora?

Anti-relatividade

Há algumas horas atrás eu tinha um tranqüilo fim de semana de estudos pela frente com alguma atividade lúdica e social. Tinha, foi só piscar os olhos e agora há um almoço irrecusável, um aniversário imperdível inafiançável, duas óperas e eu bem que queria — do verbo ah-vírgula-tô-maluco-para — ver Matrix Reloaded. Aí você me diz: “Ué? Você não tinha que decorar o primeiro ato da Flauta Mágica?” Pois é, tenho. O santo tá aqui e vai — sabe lá deus como — dar conta, mas o milagre eu não explico.

E por falar em inversões de ditados, eu me lembro que nas minhas aulas de Física III aprendi que Einstein teorizou que em velocidades próximas à da luz ocorriam dois fenômenos relativísticos, interessantes por sinal: dilatação do tempo e contração do espaço. Mas quanto mais eu corro, mais meu tempo encurta e mais as distâncias aumentam!

Pra você ver, até a Teoria da Relatividade anda relativa hoje em dia. :P

Dia das crianças — overdose lírica

Imagine uma criança feliz, daquelas que acabou de ganhar um presente imenso, multicolorido, com uma laço vermelho enorme, papel amarelo, dourado, rasgado, jogado pra todos os lados. Esse sou eu! Onrron! :)

Acabei de ganhar ingressos para a ópera Falstaff, de Giuseppe Verdi, hoje, no Municipal. A MELHOR COISA! Baita presentão de aniversário — obrigado, Fábio, muito mesmo! Nunca fui a uma montagem, só vi em vídeo e a ópera é ótima, a última, inclusive, composta no limiar de seus 80 anos — estamos falando de século XIX, veja bem, um espanto.

Como se não bastasse, vou ao Theatro São Pedro amanhã assistir Dido and Aeneas, ópera de Henry Purcell — a primeira ópera inglesa. Ambas contam com um elenco de primeiríssima linha e, no caso desta, um preço bem razoável.

Vou do romantismo italiano ao barroco inglês em grande estilo. Um espetáculo! :)

Psicologia infantil

Diz pra mim: o que a gente faz quando a pai da gente fica assistindo Teletubbies? Mas pensa bem porque a hora em que minha sobrinha começar a assistir telejornal — ou melhor, Roda Viva — eu vou daqui direto pro divã!

Meu querido diário

Hoje eu conheci a Cláudia. Ponto. Ela é louca. Ponto. Perua que só! Exclamação. ADOREI ELA!!! Muita exclamação. ;)

PS: Pois é, gosto de tirar sarro disso aqui de vez em quando. Ajuda a manter o ego no lugar.

Analogia comentada — gostei!

Sensibilidade é a tônica. Diálogo — corpóreo ou verbal —, a dominante.
E que seja, então, cheio de sétimas, nonas, trítonos, suspensões e inversões dissonantes que quanto maior a tensão… ah, melhor o repouso. ;)

Homem ao mar!

— Anda, pessoal! O treino hoje tá com 2000 metros!
— Eeeê! Viva! Iupiii! GLUB! Glub! glub! glub…

Dos presentes esquecidos – da vida, inclusive

O Louco e o Cínico

— Não posso.
— Fica!
— Não quero.
— Dou-te as minhas meias. Fica!
— Já disse, não quero!
— As minhas meias?
— Não, não quero a ti!
— Sem meias?
— De qualquer maneira.
— Dou-te as minhas camisas, fica!
— Não quero, não entendes?
— Não, não entendo!
— Não esperava que entendesses…
— Dou-te, então, o que mais me vale. Dou-te meu coração. Fica…
— Não. Guarde-o para quem quiser tuas meias.
(Matilda Zurá)

Eu havia me esquecido que aquela doida de cabelos azuis tinha deixado um recado no meu caderno no dia da minha festa de aniversário – não tenho nem idéia de quem seja Matilda Zuká Zurá, mas desconfio…

Engraçado encontrar isso só agora. Eu sei que sou louco, mas hoje eu entendo.

Hein?! Vitrola!

Às vezes eu tenho a sensação de que por mais que eu tente falar aqui o máximo que eu consigo é balbuciar. Ou então discurso para uma platéia de surdos. Ou tudo ao mesmo tempo agora. Ou não.

É por essas e por outras que eu gosto de conhecer ao vivo e em cores as pessoas que eu conheço aqui – isso aqui é tão limitante! Até agora, tive muito mais gratas que ingratas supresas no mundo real.

Horóscopo

Yippee! Make hay while the sun shines: Mercury’s return to direct motion should be incredibly productive, but presupposes that you have some sense of what you’d like to derive from any given situation. So provided you do, vaya con dios. However, if you don’t, you may be inclined to seek out someone who can direct you.

Hmmm… sei! Mas, vem cá, explica melhor essa parte do if you don’t. Someone who, cara-pálida?

Revelação

Porque a verdade é que nós somos o que nós sentimos – e isso nos é primordial.
A realidade é mera projeção da nossa essência.

Tato

As mãos — e como são bonitas! Eu havia me esquecido do quanto elas falam — o quanto nos libertam. Desprovidas de palavras e cheias de linguagem, lembrei-me do tanto que as nossas mãos conversavam — tagarelas e sem culpa — quando as falas emudeciam no escuro da sala de cinema. Alguns dos diálogos mais sinceros que já tive ficaram ali, impressos na ponta dos meus dedos.

10. Why Does Someone Has to Die?

E foi assim que eu reencontrei um amor de outrora. E foi muito bom rever alguém cujos olhos carregam o brilho mais… verdadeiro que eu já vi. Uma das pessoas mais doces que eu tive a sorte de conhecer e que tem um coração enorme, cheio de vida — mesmo que ele não se dê conta, ainda, eu vejo e não acho que esteja errado. Não importa que os nossos momentos não tenham sido os certos, que o sentimento que brotava não foi capaz de romper barreiras — o sentimento existe e é importante por si só. Foi o início de um fogo que iria me queimar mais profundamente do que eu saberia dizer na época. Foi quando, enfim, comecei um difícil reaprendizado: amar. Foi ali que eu comecei a retomar consciência, lentamente, de que eu sabia amar e muito, pra depois aprender a muito mais amar a mim.

Ele estava lindo. Ele é lindo e brilhante sob muitos aspectos. No entanto, eu vi o brilho mudado, o olhar que não mais vislumbra barreiras, que observa um mundo desprotegido. Ele é forte, aprendeu a ser. Está bem, mas ainda assim não consegue esconder um certo medo, um desconsolo diante do inevitável. Ele, assim como eu, deparou-se com a impotência. Ele, ainda mais do que eu, teve que deixar alguém partir. Definitivamente.

Nessas horas, impossível não pensar na trilha do filme: “Por que alguém tem que morrer?”

Não dei pêsames. Chorei silenciosamente o que pude da sua dor. Mas o que eu tenho para dar está longe da morte, que morte nós temos apenas a nossa, pessoal e intransferível. Dei vida, em pequenas porções de vida vivida. Dividida. Dei meu carinho e meu afeto. Dei o ombro e alguns conselhos nos quais acredito — espero serem bons. E dei motivos, todos dele. Todos nele. Porque é em nós que reside, a princípio, o divino exercício de amar.

Não sei por que as pessoas morrem. A única coisa que me ocorre é que elas morrem para que, de uma forma ou de outra, possamos viver — a morte é delas, não nossa, como já disse, assim como a vida é nossa e não delas. Podemos encarar a morte com um passagem, um retorno, um descanso ou um fim em si, mas eu prefiro encarar a morte como uma conseqüência inevitável de viver. Dessa forma, ela existe para dar sentido a todo o resto. Contraponto. Mas por que vivemos, então, se nos é fadado o mesmo destino, ao fim e ao cabo?

Veja, não é o destino que importa, mas o caminho a ser seguido. Por mais que pergunte, não encontro em mim a resposta para a morte. Só sei da razão para a qual vivemos: sermos felizes — lembre-se disso, mio cuore.

Agora a Inês é morta

Como assim, Bailão? Ah, mas agora que me avisam, inferrrno? Logo agora que eu liguei o modo caxias — por pura necessidade, que fique claro. :P

Vamos lá, Monostatos, repita comigo: Alles fühlt der Liebe Freuden, schnäbelt, tändelt, herzt und küsst…

Shake it babe!

Alguns poucos rostos trocando aquele olhar de “eu te conheço… não?”. Uma profusão de ilustres desconhecidos pouco se importando se você é, não é, deixou de ser ou se parece, muito mais interessados no drama e comédia que deve ter sido a perfuração dos seus mamilos. Enfim, uma festa sem frescura.

Estrobo, som, pessoas, espaço — não se reprima! —, não precisa muito pra eu me render ao remelexo do compasso. Mais? Eu quero (pago pra) ver. Mas por ora tá bom.

Mamonas em Tempos de Guerra

Ninguém agüenta mais falar de guerra, mas o texto é bom e vale a leitura — pra quem, mesmo sem saber muito o que fazer, ainda assim mantém um certo olhar crítico sobre o assunto. Extraído do veículo editorial de traquinagens jornalistas do centro acadêmico do IA, o quique — arte, política e divertimento (nº 1, 07 de maio de 2003) que ainda não tem uma versão online, mas eu já dou um jeito nisso.

Ele descia correndo, com ar de assustado. Carregava um pedaço de pano branco na mão e gritava algo sobre rendição. Lembro-me da cena com exatidão, a mesma com que baixei o braço e ordenei que meus homens atirassem. A primeira saraivada atingiu-o no tronco e sua expressão de espanto, ao ver a camisa toda manchada, pareceu-me cômica. Seus olhos foram se enchendo de lágrimas, abriu a boca e soltou um enorme grito. Não tive dúvida, exigi outro disparo, que foi certeiro e entrou goela abaixo. O golpe de misericórdia… Para todos. Engasgado com a mamona que adentrara sua garganta, ele gritou ainda mais, dizendo que estávamos ferindo as regras da brincadeira. Os demais integrantes dos outros batalhões deixaram seus estilingues e se reuniram na rua. Eu permaneci com meus fiéis soldados e disparams mais uma vez. Os feridos iniciaram uma ofensa verbal, reclamando das manchas verdes nas roupas, do provável boicote das mães por tal sujeira e, principalmente, da minha deslealdade ao ver uma bandeir branca sendo acenada. Pouco me importei com tal argumentação, carregamos os estilingues e lá se foram as mamonas cruzando o ar. Estava em gerra e não poderia das ouvidos ao que dizia um bando de tecnocratas.

Minha carreira despótica acabaria em seguida, assim como meu interesse pelas artimanhas da guerra. Meu grupo se manteve fiel às minhas ordens e os demais, que se queixavam na rua, utilizaram um recurso baixo — ao menos tivessem se unido e lutado contra nós, seria mais louvável — chamaram minha mãe e fui obrigado a abandonar o posto, não sem antes atirar pela última vez. Minha mãe foi uma das vítimas do ataque derrdeiro, o que considerei uma baixa de guerra, e isso levou à desintegração do meu batalhão e ao fim do meu poder. Os dias nunca mais foram os mesmos daquelas tardes de guerras com mamonas.

Hoje estou num campo de batalha real, trajando um uniforme pastel e carregando nas costas uma mochila com metade do meu peso. Caminho pelos locais indicados pelos superiores; somos uma fila de formigas perdidas em meio ao nada. Tenho uma tarefa simples: atirar em qualquer elemento suspeito. A formalidade da ordem tem feito alguns estragos em nosso próprio grupo, ouvimos notícias de helicópteros e caças abatidos por fogo amigo. Tenho evitado olhar para qualquer direção que não seja em frente, não quero me defrontar com um elemento suspeito.

Minha mãe envia correspondências com informações estranhas. Não consigo entender o bem que estamos fazendo que tanto ela exalta na carta. Parece que nosso inimigo não tem nem mesmo mamonas, e o máximo de armas de destruição em massa que encontramos até agora foi um soldado inimigo trajando uma camisa com esses dizeres, rimos muito antes de baleá-lo até a morte — não fui capaz de dar um tiro. Sou tido como um “bundão” por meus companheiros e dizem que jamais sairei do status de soldado-raso. Alguns colegas de rua, que estão aqui comigo, pedem a liderança de outrora, eu apenas disfarço com devaneios sobre mamonas e manchas nas roupas.

Encontramos uma trincheira inimiga, fizemos a movimentação costumeira dos exércitos militares, um balé desajeitado de fazer rir a bailarina mais inexperiente, talvez seja essa a arte da guerra. Temos todo tipo de munição, armas… Eu mesmo, carego agora um lança-míssil, coisa que imaginava somente quando brincava com meus “Comandos em Ação”. Estamos prontos e uma bandeira branca amarrada num pedaço de pau é acenada. Vejo o braço do meu superior baixando, devemos atirar. Penso no elemento suspeito e ensurdeço com os barulhos das armas. Procuro munição no bolso da minha calça, carrego comigo umas mamonas, estão secas devido ao tempo, mas não hesito em arremessá-las com toda a força em direção do inimigo. Silêncio, a brincadeira acabou.

Um buraco de terra, vários corpos estendidos, um deles, sem conseguir ao menos deitar para morrer, está ajoelhado, segurando a bandeira branca. Alguns disparos remanescentes selam a morte mais rapidamente. Todos parecem felizes, contabilizando os acertos como fazíamos quando criança. No momento, eu só gostaria que minha mãe aparecesse e acabasse com a brincadeira, mas temo que ela seja identificada como um elemento suspeito.

(Carlos Canhameiro Cênicas 01)

Lunático

Aproveitei a ilustre e alva presença para trocar algumas idéias sobre a minha subjetividade. Nada mais apropriado, simbologicamente falando. Como me disse um amigo querido, quem tem a lua em Câncer — signo que ela rege — tem suas características com sua maior força. E a minha vai e vem e grita em meu ouvido um bocado. Mas a julgar pela forma com que ela fechou seu grande olho enquanto eu lhe falava, acho que está ponderando sobre os meus assuntos.

Que eu sou uma pessoa zelosa, que envolve e tenta nutrir quem está a minha volta, não é novidade. Mãe coruja. Tenho aprendido a deixar partir, a deixar ser, deixar estar, mais por mim que pelos outros — o que é bom sinal, acho — pra me livrar de pesos auto-impostos. Não quero prender ninguém, muito menos me prender. Quero que quem está perto de mim fique por que assim quis, basicamente.

Mas não nego que é doído deixar partir. E que alguns laços que se esgarçam e afrouxam, mesmo que momentaneamente, me deixam, de certa forma, carente. É algo que penso e contesto a toda hora em mim. Não há nada que possa ser tão aconchegante e sufocante como um amor de mãe — às vezes para a própria mãe.

Mas o que é menos visível, o que mantenho sob a pele e reluto em deixar sair — demostração estúpida de força —, é o meu próprio desejo de aconchego, minha necessidade de colo — porque sim, porque sentir-se cuidado também faz bem. No momento, cuidar mais de mim me coloca de frente a essa face no espelho. Sinto falta — sem muito pensar nas razões — de alguns contatos. Entristece-me um pouco a ausência de convívio e a distância, mais mental e espiritual do que física. Vejo a falta de sintonia e sinalizo. Um gesto, um alô, um carinho. Um sorriso muitas vezes perdido na multidão.

Mas já é óbvio demais o meu desejo de troca. Estou aqui, vê? Sou imenso em meu afeto. Mas correr atrás — ficando atrás — é algo que eu não posso mais fazer, pois significaria viver mais ali do que em mim mesmo. Orgulho? Não, reconhecimento do meu (suposto) real valor, há tanto por mim subestimado.

Da ocasional inutilidade dos sites de busca

Google, tu só serve mesmo pra fazer busca esdrúxula! :P Faz mais de uma hora que eu tô atrás da letra da canção Olha a Lua, de John Neschling — é, o maestro. Era pra colocar no post com a redonda, mas quem disse que eu acho? Só encontro aquela tranqueira, mais conhecida como Andança: “Olha a lua mansa a se derramar — me leva amooooooooor…”

Traumas de um refrão. Ninguém merece. Alguém aí tem a letra de Olha a Lua? Manda pra mim, vai?

Norbelatedbirthday

Ok, ele mandou o e-mail falando de sexta, eu entendi que o aniversário era na sexta — claro que ele não facilitou a minha vida e disse a data oficial —, não abri a minha agenda e não dei os devidos parabéns… ONTEM!

Norbiesteka, cumpadi, meus cumprimentos: FELIZ ANIVERS?RIO! :)

Amor, saúde, felicidade, fartura e muita amizade!

Firmamento

E como eu sou uma pessoa provida de terraço, rede e edredon, adivinha quem vai bater um papo hoje com a redonda? Vem cá, vem, gorducha. Não se esconda, não, que a gente precisa acertar uns pontos.

Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima

Eu me recuso terminantemente a carregar essa uruca fim de semana adentro. Xô, urucubaca, vai atazanar a vida de outro! :P Hoje é dia de lua cheia – com eclipse –, amanhã é sexta, dia de Vênus. Dia de acordar com banho de sal grosso e anoitecer com banho de verbena. E depois, festa! :)

Em tempo, recuperei a bolsa. Obrigado, ô do script.

Backup

Ô, aí do script? Na boa, você não acha que errou na mão hoje, não? Será que não dava pra apagar a quarta e emendar a terça na quinta? Sabe o que é, tá vendo aqueles sapos? Então, não tavam no meu cardápio, eu não tava muito a fim de engolir, percebe? Pois é, o estresse eu bem que podia passar sem ele, não acha? Quer dizer, qual foi o intuito mesmo? Eu perdi a moral da história? Ah, e a bolsa – importante isso! Sabe, eu gosto muito dela. É, a laranja, grande, cheia de bolsos. Dá pra devolver? Por favor?

Viu, eu passei lá na natação. O treino tava bem legal, eu tava até no pique, mas acho que não iam deixar eu nadar sem sunga – que tá na bolsa, lembra? E o bar, tá tocando salsa essa noite, né? Ia ser legar dançar, mas depois do pacote de hoje achei melhor vir logo pra minha cama. Pra debaixo dela.

Previsão do tempo

Tempo fechado com pancadas isoladas — de preferência na cabeça dos técnicos do speedy — no decorrer do período. :P Voltou? Vamos ver quanto tempo demora pra Telefanha sabotar o meu IP fixo de novo.

Em caso de anormalidades, por favor, avisem (se possível)!

Tema musical para um momento de auto-ajuda

(ou, o que toca na espera telefônica do cvv)

Mais Uma Vez
(Flávio Venturi – Renato Russo)

Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem
Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança
Mas é claro que o sol…
Nunca deixe que lhe digam
Que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende

Porque eu vou precisar — e é muito — de pensamento positivo pra conseguir decorar um ato inteiro da Flauta Mágica pra semana que vem.

E pra quem mais precisar de pequenos milagres, tamos aí, na torcida.

Torpor

Só uma vez que fosse eu gostaria de ir dormir no domingo à noite e acordar na segunda pela manhã – manhã é bondade pra aquele horário monacal – sem o desgraçado do despertador berrando nos meus tímpanos e SEM sono. Como é que alguém produz alguma coisa nesse estado?

Dia das Mães

…Eu só sei qua a visão de uma barriga túrgida e peitos fartos me enche de paz. Dá vontade de encostar o rosto naquele berço d’água e conversar com tão pequeno tesouro em formação. Sentir novamente o calor, o pulso naquele universo seguro. Dizer na hora agá que o mundo é, sim, muito maior mas que não importa, nada importa! Não importa o susto, não importa a dor. Não importa o medo da luz que o sol projeta agora ou a escuridão que a noite encerra, pois quando ele precisar poderá sempre encontrar aquele mar de aconchego novamente nos olhos de sua mãe, assim como eu posso. Assim como todos deveriam poder… (+)

Antes que eu me esqueça. Porque simplesmente eu não tive inspiração para algo maravilhosamente novo e também não tenho como fazer com que as mães que por aqui passam recebam o abraço de urso que eu dei na minha.

Ciberterapia

(ou: *TUM*-*SOC*-*POW*, a surra que eu pedi pra levar)

— Já viu taurnino trocar o certo pelo incerto? O problema é esse. Mas eu tenho fé: o que é meu tá guardado.
— Mas o que você tem de certo?
— Justamente, o problema é esse. A única coisa que eu tenho de certa é que eu tô sozinho.
— E-xa-ta-men-te! Se eu fosse uma terapeuta lacaniana eu diria nesse momento: sua sessão acabou. E te mandava pra casa… — *TUM*.
— E você acha mesmo que eu não pensei nisso há quatro frases atrás?
— Mas expressou e merece ficar com essa frase por uma semana na cabeça.
— Ela vai ficar, pode ter certeza.
— Pois… Fique, Gui, ela fala muitas coisas por si só. Muitas… — *SOC*.
— Eu sei… mas ainda não muda a sensação.
— Pode nem mudar com ele, porém, pode fazer muita diferença na sua vida — e, finalmente, *POW*.
— É… *sigh* Tô pensando nisso também.

E por aí foi, pensa que acabou? Terapia é isso mesmo: você paga — ou simplesmente dá o direito — para outra pessoa te dar as porradas que você até sabe que merece, mas quem disse que tem coragem de se dar? Tem que ser assim, no susto!

Ridículo

Tanto barulho por uma viagem até ali…
E ainda tem gente que me diz pra criar juízo. Só rindo mesmo.

Surto

Após meia travessa de brigadeiro — alguém me chicoteia! — eu estou com uma vontade insana, um impulso tresloucado de pular dentro de um ônibus para o Rio de Janeiro. (por um acaso, você tá me chamando?)

Se a Unicamp entrar em greve semana que vem eu não sei o que vai ser de mim, acho que vou cometer uma loucura — não, eu não posso de jeito algum, por que você acha que eu chamei isso de surto?

ô, senhor… isso vai dar merda!