The Poet Acts — The Kiss

Eu tô aqui — absolutamente surtado — ouvindo o CD da trilha sonora do filme As Horas: o melhor presente de côco de Goiânia!!!

Meu querido, você acertou em cheio, na mosca, na lata, direto e reto, no peito — como eu disse, uma questão de afinidades… não se explica, constata-se. :)

A melhor coisa cehgar em casa pro feriado, depois de um dia cheio e encontrar um presente desses sobre o travesseiro. Lindo! O filme, as músicas, o encarte, as fotos, os textos — em português, ora vejam! Sinteticamente, perfeito.

PS: E ainda bem que não tem nenhum rio perto de casa — córrego não vale, muito menos canalizado, faça-me o favor à poesia — ou então eu seria obrigado a me atirar nele. ;)

Vou te contar o que é globalização…

Eu não sei por que as pessoas arregalam tanto os olhos por causa dessa coisa toda de globalização, como se fosse o resultado de um desequilíbrio místico do el niño.

Globalizado mesmo é o Figaro aqui, quer saber? Um alterego em formato bloguístico baseado em um personagem de peças de teatro de Bon Marché Beaumarchais (ó eu escrevendo merda! não pesquisa direito, dá nisso!) — que era francês —, cujo enredo se passa em Sevilha — Espanha — e que viraram duas óperas: As Bodas de Figaro, de Mozart — austríaco — e O Barbeiro de Sevilha, de Rossini — italiano —, escritas, inclusive, na ordem inversa das peças originais — cronologicamente, Figaro era barbeiro antes de se casar.

É mole ou quer mais? :P

Agora… como é que Figaro virou personagem da Disney eu vou ficar devendo…

Horósco estelar

If you’ve been thinking about making some modifications to household or property arrangements, get ready for your close-up, because you’re on. Your alluring ruler, Venus, the planet of emotional and material values, is supporting Jupiter, the planet of good fortune, and as trite as it sounds, if you build it they will come.
(Today’s star rating: ****
Swoon Star Guide: * Negotiable ** Good *** Really Good **** Stellar)

Eis aí minha passagem!
Toooooooodos a boooooooordo!!!

Semeadura

Meu coração anda por aí, ultimamente, como gato criado solto: de telhado em muro em janela… fica olhando a lua sorrindo, o sol se pondo, conversando com as estrelas – eu ainda não entendo o que elas falam, mas como tenho fé que ele entende tento não interromper a conversa. Vez em quando o safado se enrosca em algum portão, fica preso em alguma árvore, mia aflito, some por uns dias, volta meio magro e eu cuido para que ele fique bem. Mas há sempre um brilho nos olhos quando volta, me dizendo, ou melhor, tentando me dizer – “olhe, não está vendo?” – das coisas que ele viu e eu não sei, enquanto ele novamente se aconchega em meu peito aberto e ronrona, me enchendo de inquietude.

A decisão de abrir minhas costelas e deixá-lo explorar o mundo fora das grades foi difícil de tomar. Eu diria até que ele planejou sua liberdade à minha revelia, na calada da noite, quando meu mundo era escuro e ele, com seus olhos de jade, sussurrava para mim o caminho. E eu, à luz do dia, ainda pensava o que diabos estaria fazendo ali, sem nem perceber que tinha caminhado. Ele é danado. E assim foi até que ficasse óbvio, de uma clareza ridícula, que era ele quem sabia voar e não eu: meu coração era esfinge.

Não teve jeito: abri o peito a força e fechei meus olhos para não vê-lo partir, com medo de que não voltasse e eu ficasse aqui descompassado. Mas ele é caseiro e sempre volta pra me dizer, entre miados e suspiros, de cada possível amor. Ele não sabe o que quer. Ou melhor, sabe o que não quer, pois só lhe é dado saber o que já viu. Ele sabe disso, eu é que não sei e projeto, habilidoso arquiteto, minhas chances de portentosa alegria. Ele não. Ele vai lá, cheira, lambe e diz “sim” ou “não”. Bichano esperto.

No próximo sábado, 3º dia de maio, completaremos 27 anos, meu coração e eu. Temos nos entendido bem até, ele na sua linguagem, eu na minha, mas ainda não sabemos o que queremos. Ele anda meio inquieto, querendo alçar mais altos vôos, tentando alcançar as estrelas como se fossem vagalumes. Eu entendo o seu anseio, também eu estou cansado dessa paisagem. Vejo esgotadas as possibilidades da estação. Talvez até sábado planejemos uma viagem: um presente. Pois nós dois merecemos os presentes que a vida nos oferta, mas ainda não descobrimos como buscá-los. Viajemos, então! E que seja para a bem aventurança, para o bem querer. Para o alto e avante!

Saudade mata a gente

Senti falta de algumas pessoas que não puderam ir. Muita. E senti tanto mais falta quanto mais senti o desejo de estar presente, como se o espaço quisesse, em um esforço quântico, dobrar-se ali e emparelhar o que, de fato, já anda lado a lado: sentimento, esta relatividade que transforma distância em presença, proximidade em ausência e só obedece às leis do tempo.

Partícula adverbial polimórfica de agradecimento

Super obrigado para quem super compareceu na super festa! :)

Aos conhecidos, aos (des)desconhecidos, aos ilustres, aos difíceis — aos que foram embora bem no meio da festa, meu zóvo, deixo claro que isso não se faz —, aos que chegaram sem alarde e aos que sumiram e eu nem vi. Aos meus queridos. Meu beijo! :-*

Vou mumir feliz! :)

Let’s party!!!

“Abra suas asas, solte suas feras
Caia na gandaia, entre nessa festa
E leve com você seu sonho mais louco
Eu quero ver seu corpo lindo, leve e solto…”

Onrron! ;)

Roendo os dedos

Sim! Eu estou ansioso por causa da festa. :P Adoro fazer aniversário e quero ver TODO MUNDO lá hoje à noite. Não faço convites à toa, tampouco declaro afeto de forma leviana. Quem ainda não sabe já deveria ter percebido — fico, sim, triste se você, você ou mesmo você não for.

Agora, se eu esqueci de convidar você — ai, desculpa, fiz uma zona aqui com os e-mails! — larga a mão de ser orgulhoso, porra, e me liga, escreve, xinga, mas aparece!

E tu, inferno astral, vai preparando os fundilhos que não dá uma semana pra eu te enfiar um pé na bunda! :P

O, tradittori!

Eu falei que meu irmão trouxe muzzarella lááááá de Minas, terrinha da cunhada? Não? Pois é, estão todos contra mim! ;P

Festa de Aniversário

Amanhã eu vou comemorar o meu aniversário — com uma semana de antecipação, é só dia 3/5 — junto com ela. Eu sei que deveria ter falado isso antes, mas já foi difícil encontrar todos os e-mails enquanto estava em Campinas — e eu não sei mais pra quem mandei convite, socorro!

Gostaria de conhecer as pessoas com quem converso aqui e nunca vi — e as que já vi também!

Então, você que está lendo, seja rápido, não hesite: manda logo um e-mail pra eu te passar o endereço! ;)

A geração romântica

Sou latino por excelência. O melodrama exacerbado italiano ou o elegante romantismo francês me pegam de jeito pelos ouvidos. Mas eu tenho que dar a mão à palmatória: esses alemães sabem sofrer com classe.

No som, Fritz Wunderlich canta o ciclo de lieder entitulado Die Schöne Müllerin (“A Bela Moleira”), de Schubert em um verdadeiro dueto de piano — Hubert Giesen — e tenor. Wunderbar!

Páris, querido, essa é pra você.

Alta traição!

Eu tenho uma mãe ótima! Comento que vou passar a semana na base da alfafa e quando chego em casa ela me informa que guardou Toblerone pra mim, fez doce de maçã e doce de goiaba. Fácil assim, sabe? Detalhe: ela tá, realmente, de regime.

Presentinhos

Mas voltando ao Barroco. Como eu havia dito, ISSO é lamento. Usem e abusem! :) Quatro exemplos de Monteverdi:

Ohimè ch’io cado (Libro nono)
Si dolce è il tormento (Libro nono)
Quel sguardo sdegnosetto (Scherzi Musicali), 1632
O quam Pulchra

Dá pra notar aqui, claramente, que voz “branca” e voz sem vibrato são coisas completamente distintas. A voz de soprano de Montserrat Figueras possui brilho, foco, projeção, etc. Qualidades acústicas que demonstram uma voz bem empostada para o canto não amplificado — praticamente regra dentro canto erudito. O vibrato, onipresente na voz lírica dentro do repertório clássico e romântico, no barroco pode ser muito utilizado como elemento de ornamentação, assim como as várias articulações, trilos, apogiaturas e por aí vai. Trata-se de uma questão de estilo e interpretação.

Agora, se você quer saber mesmo sobre ornamentação pergunta pra ele que tem um prazer quase orgásmico no assunto.

Na 89FM da musculação nossa de cada dia

— Valendo 10 pontos: Lima é a capital de que país sul-americano?
— Iraque!
– sem nem pestanejar…

AH, CUMA??? Isso é que é um cidadão antenado – ou então tá levando essa história de globalização muito a sério. Coitado do Peru. :P

Garoto enxaqueca

Eu só queria saber por que cargas d’água as pessoas insistem em cantar repertório barroco com vozinha de sabiá em resguardo. Qualé o problema? Tá escrito em algum lugar que o povo daquela época não gozava, não virava os zoinho, não tinha buceta nem culhões?!

Tô eu aqui de bobeira, de saco cheio de estudar e descubro que por conta de algum colóquio de alguma das humanidades ia ter um concerto entitulado Loucura, Morte e Melacolia (Cantatas Venezianas do Século XVII), com peças de Claudio Monteverdi (1567-1643) e de Barbara Strozzi (1619-1677), uma compositora do período pouquíssimo conhecida, para teorba e voz. “Uau!”, pensei, tudo a ver com uma linha de pesquisa que estou começando a desenvolver em ópera. Li o programa, “uau!” novamente. Mas a mulher começou a cantar e, “uiii!”, acabou-se a graça. Voz opaca, sem brilho, sem colorido… ninguém merece! :P

Eu tô cricri hoje.
(em tempo: favor não confundir brilho, colorido – projeção, ponta, metal, etc. – com tamanho de voz)

Horóscopo

Patience is a virtue, and other fun tales: A business or financial matter may not be the province of Speedy Gonzales. And while you were probably counting on it having been resolved by now, your horoscope (not noted for its Pollyanna-esque tendencies) is happy to reassure you that any delays will benefit you in the end.

Paciência, uma pinóia! Eu quero é juros e correção monetária. :P

Inacreditável

COMO ASSIM, NINA SIMONE MORREU???

*sigh*

Tô cansado. Cadências e improvisações dissonantes, acordes diminutos são tudo o que consigo pensar no momento. Os céus ganham mais uma estrela.

Beijo na bunda e até segunda quinta

Cambada — intimidade é uma merda, né, fala a verdade —, fui! Três dias punks pela frente. Quem manda eu vagabundear pelo feriado? É, ninguém, mas eu a-do-ro!

Pra completar, um certo celular foi devidamente esquecido sobre o carro de uma certa prima. Se ligar, deixa recado que à noite eu resolvo.

Flores! Beijos aos chegados e aos seus. Saravá! Namastê! Amém!

More than words

Eu sei que ando meio calado por aí, mas é por falta do que dizer apenas. Coisa daqui, não de lá. Observo.

E aproveitando a mudez, vamos trocar o dial: Self-Portrait With Hair Down, da trilha original de Frida. Já disse que fiquei encantado com o filme? Pois é…

Update: Como eu ando meio preocupado, problemas de ordem prática, muitos repensamentos, não tem sobrado muito ânimo/energia para trocas do jeito que eu gostaria. E se tem uma coisa que eu aprendi nos últimos tempos é guardar energia pra quando eu preciso.

Mas isso passa — espero, com o fim desse inferno astral —, e se não passar eu chuto o balde. Ah, chuto! :)

Vestígios de estranha civilização

É impossível entrar na Oca do Ibirapuera e não ser transportado a um passado imperial, impressionante. São mais de 5000 mil anos de história ali, em fragmentos, peças, memória…

E com tanta coisa pra contar, não é de se admirar que aqueles guerreiros de terracota, assustadoramente vivos, expressivos, dialoguem com você. Pois cada um deles — maravilhosamente distintos — estava lá, defendendo o seu imperador, elo de ligação do mundo aos céus. É uma pena que eu não entenda chinês.

Mas havia vozes emudecidas dentre todos aqueles reflexos do passado que me seduziram mais do que tudo: o Qin, instrumento de cordas, inalcançável dentro de sua prisão de vidro; os sinos, dois conjuntos — um de mental e outro de placas de jaspe — formados por um sino maior e dezesseis sinos menores, distintos, cada um. Eu olhava ao redor pensando: “Está tudo aqui, vestimentas, feições, língua, poesia, costumes, tradições. Mas como eram as vozes, que som a alma dessas pessoas transmitia?” E como que em resposta eu ouvia um sussurro imemorial badalando: “Somos nós a voz que restou.” E sentia o ar tenso ao meu redor querendo vibrar com os ecos do passado.

Foi difícil manter as mãos nos bolsos.

Aspirina

Porque o desconsolo existe, óbvio. Não sou tolo a ponto de achar que estou imune a sua presença — à tua inominável ausência —, carência, desejo. Sinto falta do contato íntimo, tanto físico quanto emocional — que sexo apenas não enche o coração de ninguém. E é em dias como ontem que essa falta se pronuncia e cobra seu quinhão de um coração desgarrado. Eu me mantenho como posso — e é sempre muito. Mas não me seguro, já gastei tempo demais nessa vida sendo forte. Hoje, prefiro guardar minha força pra quando há foco, pois, como antes ela me manteve em pé, assim também a cegueira me impediu de aprender com as pedras. Eu nem as via, tropeçava sem nem saber por que.

Ocultar minha dor é como encobrir com a capa um problema. Que doa, se for pra doer e se isso me ajudar a entender meu caminho — eu me dôo. Pois sou menino, ralar-me faz parte da brincadeira. E desta forma são os analgésicos: tratam da dor, mas não da ferida. Vou seguindo o mais atento que posso. Se por um lado caminho seguro, consciente das minhas conquistas, por outro reviro desconfiado as pregas do meu umbigo. Certamente há muito mais a ser escavado, tudo que eu preciso é achar uma ponta em toda esta minha arqueologia.

Mas quando a dor embota a vida o que se há de fazer? Corro até a farmácia mais próxima — às vezes colo, às vezes cinema, Chico, Bethânia, chocolate ou bicicleta. Vôo alto, muito alto! Lanço mão do que me é belo, lírico e poético. Sofrer não vale a pena.

Futuros amantes
(Chico Buarque)

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

Friducha

Vê, na realidade, tudo o que eu precisava eram outros olhos. Não, não é verdade. Justo seria dizer que (por hora) me bastavam outros olhos. De qualquer maneira, assistir a vida intensa e vibrátil através do sofrimento, alegria e cores de Frida foi bálsamo em dia de desconsolo.

O filme é maravilhoso, assistam! Além das cores, das atuações, da música — ai… o que são aqueles lamentos (La Llorona), aquela velha cantando? —, do tango, é um retrato claro e nada piegas, otimista até, de como vida, dolorida e plena se configura em arte.

Um porém: tinha nada que ser em inglês o filme. Não estavam no México? Então!

(Your) love comes down like rain

Amplificado

Dia de chuva, tempo fechado
Na lua cheia parece
que tudo fica amplificado
As paredes do quarto
cada vez mais pesadas
o ar, o tempo
tudo empurra
pra dentro, pro fundo
pro início e pro fim
Trampolim

Em qual perturbadora combinação
de ansiolítico com cachaça
Bethânia canta Chico
até que o mundo
inteiro na janela
se desfaça

Maninha

Se lembra da fogueira
Se lembra dos balões
Se lembra dos luares dos sertões
A roupa no varal
Feriado nacional
E as estrelas salpicadas nas canções
Se lembra quando toda modinha
Falava de amor
Pois nunca mais cantei, ó maninha
Depois que ele chegou

Se lembra da jaqueira
A fruta no capim
O sonho que você contou pra mim
Os passos no porão
Lembra da assombração
E das almas com perfume de jasmim
Se lembra do jardim, ó maninha
Coberto de flor
Pois hoje só dá erva daninha
No chão que ele pisou

Se lembra do futuro
Que a gente combinou
Eu era tão criança e ainda sou
Querendo acreditar
Que o dia vai raiar
Só porque uma cantiga anunciou
Mas não me deixe assim, tão sozinho
A me torturar
Que um dia ele vai embora, maninha
Pra nunca mais voltar
(Chico Buarque)

Diálogo aquático

— Má — vulgo, a irmã —, vamos no cinema, vai?
— Ah, não. Hoje eu quero ir na Festa do Boi.
— Você quer dizer na Festa do Peixe-Boi, não é?
— …

Esperança

Amanhã — digo, hoje — vou ver The Pianist. Vamos ver se eu empato esse placar.

Não há como negar que o tema tem muito mais a ver comigo. Ou que, pelo menos, sob um aspecto eu vou poder entender e me identificar com o personagem. Quer dizer, é o que eu espero. Mas eu acho que Polansky sabe melhor o que tá fazendo, né não?

Bricando nos cinemas do Senhor

Se eu acredito em sinais? Acredito. Creio piamente que deveria ter ficado em casa. Mas não, eu tinha que ir assistir Dreamcatcher mesmo tendo acabado de pegar — digo, hoje, quer dizer, ontem — o livro pra ler. Vai, bestão! Eu não sei se o livro é ruim, mas o filme… Vou dizer só uma coisa: como é que alguém, em sã consciência, consegue colocar Morgan Freeman em um papel medíocre?! Ou melhor, como ele aceita? Afe…

E agora? Quem disse que eu tenho vontade de ler o livro?

E nem meia entrada eu paguei, que ódio! :P Coitado do meu amigo — que achou bom comprar o ingresso antes, com medo que acabasse —, não tinha como saber do fiasco, mas juntando com a horda de aborrecentes dentro da sala — que so foderam também, huahauhauhua! — eu devia era ter pedido meu dinheiro de volta!

Aparecida

Eu tenho muitos amigos, de vários tipos, em vários níveis, lugares, tanto no mundo quanto no peito. Talvez uma das mais curiosas seja a minha querida cyber-gorfo-life-trash-pirulita Renata, que de tão diferente de mim às vezes se torna tão claramente igual. Já perdi a conta de quantos blogs ela abriu e fechou, ergueu e chutou, só pra dizer sempre a mesma coisa. Já me perdi em letras e letras do Chico só pra entender aqui no peito o que ela sentia. E ela sente, sente como poucos a dor e a beleza de viver cada dia, erguendo castelos na areia e combatendo dragões.

Curupira faz anos hoje. E se muda de um prédio no centro para uma casa, com quintal e com árvore na calçada. Então, eu desejo a esse amor, a essa flor de dragão que hoje se dispa de seus espinhos, chute seu coturno e ande descalça. Hoje eu desejo cheiro de terra molhada, gosto de chuva e abraço de vento quente na pele gelada.

Que de hoje em diante, meu anjo, por onde quer que você pise, sempre, onde for que você ande, a cada beijo brote uma flor — que eu vejo dentro de você. Dentes-de-leão, marias-sem-vergonha e margaridas. Flores se nobreza alguma, mas cheias de vida.

Meu dia de peão fotográfico

Porque não basta ser irmão, tem que carregar equipamento, refletor, roupa, estojo de maquiagem, água, celular, opinar e ainda fazer sorrir a modelo (linda que é a minha irmã). Ta pensando o quê?

Amanhã, não basta ser amigo, tem que ajudar na mudança.

Se não deu pra perceber, eu levo esses cargos a sério.

Humor lifting

— Gui, é você cantando nessa gravação?
— Hein? Não, sou eu não! É um barítono alemão, Nice.
— Nossa, eu podia jurar que era você cantando.
— Olha, quem me dera… :)

Dado o desconto de que a Nice, a faxineira aqui de casa, entende tanto de música erudita quanto eu de filologia, ser confundido com Dietrich Fisher-Dieskau faz um bem pro ego… ;)

Cês não tão entendendo…

Eu vou mandar tomar no meio do olho do cu — dicumforça!!! — a próxima pessoa de departamento jurídico que me ligar pra avisar que eu tenho um crediário com prestações não pagas, mesmo que seja de uma coxinha de padaria!

Esses filhos de uma ronquifuça só perdem pro desgraçado que furtou meu RG (no final de 2001, vejam só). Conferem o dito como lavam o próprio umbigo — pra que, diabos, eu deixei aviso de documento roubado no SERASA e no SPC? — e jogam meu nome nos sistemas de proteção de crédito assim que descobrem o endereço e o número de telefone do cadastro são falsos. Mas pra ligar avisando que EU tenho que ir ATÉ L? resolver essa pendenga eles bem que conseguem o número do meu celular, né? Perderam a mãe no escuro, foi?

Cansei! Se for pra gastar tutano com isso que seja processando essa corja. Ah, vou! Vou consultar os amigos advogados pra ver o que eu faço. “Danos morais e materiais”, no mínimo. Será que eles acham que eu vou pagar uma dívida que não é minha? Bem doidos!

Lírico

Como eu disse em um comentário — encerrando o dia, agora —, para mim é muito simples: arte é uma questão vital e vida, uma questão de arte. Entendeu?

Ué? Funcionou!

E não é que o Contato tá funcionando? Rapaz, eu fico assustado quando as coisas resolvem parar de funcionar sem mais por que, mas fico impressionado quando elas voltam a funcionar por obra e graça do espírito santo!

Meu lado computeiro não gosta muito disso não, mas eu mando ele calar a boca e não se fala mais no assunto.

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Uma queda considerável de acessos a esse humilde blog, mas eu tinha certeza de que isso ia acontecer.

Eu digo, eu aviso, o endereço aqui é http://cantorum.com/figaro, mas o povo insiste em anotar a URL do mundissa, o que eu posso fazer? :P Agora mudou.

Blé! :P

Eu esbravejo, mas passa. Tu vai ter que fazer melhor que isso, inferno astral, pra me derrubar. O sorriso continua aberto, a pele delicadamente bronzeada e o olhar radiante. Os canais de comunicação adjacentes funcionando – nada como ser geek, mesmo nas horas vagas – e o sol brilhando lá fora na piscina onde eu tava nadando, tá?

Te mete! :P

PS: Mas o Contato tá temporariamente suspenso – deu tempo de arrumar, não.

meuszóvomodeon

porradedomínioquesaidoarporcausade
umamerdadednsqueresolveemburrarb
emnomeiodofimdesemanaquandonãot
emninguémpraconsertaressabirsocaed
eixaomeuemailavernaviosmandandom
ensagemdeerropratudoquantoéremete
ntecomoseoendereçonãoexistisse.

saco…

Aviso aos navegantes, Atlântico Sul, Brasil

DNS em greve — tá tudo aqui, vocês só não sabem onde.

Ou seja, desde a madrugada deste domingo o domínio do mundissa.com, que hospeda todo o cantorum.com, incluindo páginas e os meus e-mails (!!!), está quase que absolutamente inalcançável. Uma ilha perdida em um triângulo das bermudas de algum ponto do ciberespaço.

Coloquei o blog rodando no servidor de casa — “servidor” é muita bondade pra um pentium-auxiliar-de-calculadora, mas enfim…

Agora, os e-mails, só deus! Façam-me a caridade de reenviar tudo, sim? Quando as mensagens de erro pararem é porque eles chegaram (eu espero).

Tem dia que a noite é escura

Vai tomar no cu, inferno astral!!! Quebrar o câmbio do carro 2h antes de eu sair pra festa não é azar, é uma puta de uma sacanagem — e hoje tá um friiio. Quero que se foda: eu vou! Se você quer que eu fique em casa vai ter que fazer melhor que isso. Sugiro uma chuva de meteoritos. :P

Horóscopo

Mais um dia para curtir a interioridade, ficar com as pessoas queridas, doar-se mais e levar a elas u pouco de sua alegria e confiança na existência. Você também poderá receber muitas provas de afeto e consideração. O sábado pede compreensão para com as falhas humanas. Seja cortês.

Onrron! Pode deixar que eu tô zen. :) A tarde tá linda e eu vou pedalar com a caçulinha que interioride (do quarto) hoje não tá com nada. À noite a gente conversa sobre essa coisa de doar-se mais, levar alegria… é, na festa! Hoje eu me acabo! ;P

Cumple años

Acabo de ser informado por fonte segura — quer fonte mais segura que um fã capaz de esperar 6 horas à porta do Theatro Mvnicipal por um autógrafo? — e de conferir em site oficial: Monstserrat Caballé completa, hoje, 70 anos!

São mais de 40 anos de carreira e a mulher continua cantando divinamente — e com seus pianissimos de tirar o fôlego. Então tá, né? Deixa eu aqui me recolher à minha insignificância, vou bater palmas no meu canto. ;) Brava!

Agora, como é que uma rádio como a Cultura FM não incluiu — ou se incluiu, não publicou — hoje na sua programação uma só homenagem a uma das vozes mais representativas da cena lírica depois de Maria Callas?

Se alguém souber de alguma programação especial em rádio ou TV, me avisa!

Noite de autógrafos

Eu (ainda) não comprei o livro porque, no que tange o âmbito financeiro, a situação é periclitante. :P

Mas como eu conheço a autora pessoalmente (ohohoho…), ainda assim faço questão do autógrafo. E quando ela for uma escritora famosa, cheia dos Pulitzers e congêneres, vou fazer todo mundo morrer de inveja! ;) Mas é melhor eu ler o livro primeiro…

Êxtase

(E. Chausson (1855-1899)) Le charme

Quand ton sourire me surprit,
Je sentis frémir tout mon être,
Mas ce qui domptait nous esprit,
Je ne pus d’abord le connaître.

Quand ton regard tomba sur moi,
Je sentir mon âme se fondre,
Mais ce que serait cet émoi,
Je ne plus d’abord en répondre.

Ce qui me vainquit à jamais,
Ce fut un plus douloureux charme;
Et je n’ai su que je t’aimais,
Qu’en voyant ta première larme.
(Armand Sylvestre)

O encanto

Quando o teu sorriso me surpreendeu,
Senti estremecer todo o meu ser,
Mas o que domava o meu espírito,
Não o soube logo reconhecer.

Quando o teu olhar pousou em mim,
Senti a minha alma enternecer-se,
Mas ao que seria essa emoção,
Não soube logo responder.

O que me venceu para sempre,
Foi um mais penoso encanto;
E só me apercebi que te amava,
Quando vi a tua primeira lágrima.

É pouco para descrever o recital de ontem. A mulher é um monstro! Um controle de fraseado, uma expressividade, uma interpretação tão delicada, tanto no lieder, quanto na mélodie française, que era difícil acreditar que uma mulher tão grande — ela é enorme de grande! — pudesse ter uma voz tão doce, tão sutil.

Tecnicamente, eu não tenho nada a dizer. Legatto perfeito, registros homogêneos, dicção clara, timbre redondo, excelente projeção. Virtuosismo sem um pingo de exibicionismo — coisa para poucos.

E, é claro, um CD a módicas 80 chibatadas. Já que até champagne serviram, não podiam ter vendido os CDs a preço de estudante também? Não? Meus zóvo! Resta-me então o sabor de uma oportunidade quase única. Valeu a fila que eu não peguei — terceiro na dita, ô rabo! — e o tempo de espera pelo ingresso. Ah, valeu!