Todo dia ela faz tudo sempre igual

08 de março de 2010 - Sem comentários

Segunda-feira, dia internacional do #mimimi, da saudade, da dieta, da preguiça, da to-do list, de perder a hora, de acordar pra vida… e também do novo. Quer dizer, dia de tudo aquilo que a gente um dia vai fazer. Mas hoje, não; amanhã, talvez. Melhor seria chamar de dia do de novo.

(E calhou que hoje é o Dia Internacional da Mulher, mas poderia muito bem ser o dia internacional da TPM. A semelhança é patente: em qual outro dia um homem não sabe muito bem se o que vai dizer inspira amor ou ódio?

Enfim.)

Pra mim, segunda-feira é o dia do sonho acordado. É aquele dia em que você não quer, mas tem que; ou quer, mas não tem como. Ou como @giulieta disse hoje: “na segunda feira me sinto uma penélope desfazendo e refazendo as rendas das cores tecidas no final de semana”. Perfeita.

É assim que eu me sinto. E são tantas as cores, os sabores e o que sentir que a abstinência é quase uma síndrome; um ensaio do vazio. Me pego pensando no que estou sentindo e no que estava sentindo e no que (acho que) vou sentir e sei que essa é a armadilha que eu mais tenho que evitar. Então, contrariando a preguiça, a languidez e a melancolia, pra mim as segundas-feiras têm de ser cheias, ocupadas, movimentadas. Só assim pra eu me arrastar pra fora do perigoso devaneio e manter o fim de semana com seu encanto intocado, preservado no que ele é, simples e precioso, sem ponderações inúteis; mas lá, no fim de semana.

Ainda assim, segunda-feira é o dia de uma música na cabeça, no repeat. Uma tentativa sentimental de agarrar o tempo pelo rabo.

Ironicamente, o tempo taí pra ajustar tudo, tecendo seus dias com calma e paciência, correndo solto feito rio. (E rio represado transborda, inunda, invade, afoga.) Só é preciso seguir a trama, sem medo de se perder ou se enroscar. A sensação de deslocamento é ilusória, já que o tempo e o espaço das coisas nos habita (e não o contrário, como se crê). Pois o aqui e o agora é um só — somos nós.

Algumas considerações

05 de março de 2010 - Sem comentários

Ontem eu fiz uma escolha aparentemente simples, mas importante; rápida, porém muito pensada; sem alarde, só que perceptível: escolhi a mim. Tenho feito essa escolha com frqüência.

Se tem uma coisa que eu aprendi é que não interessam os grandes motivos ou situações, é o gesto que importa. Nunca abra mão de si mesmo porque você é o que sempre vai te fazer mais falta. Ceder é importante? Claro! Mas quem muito abaixa, mostra a bunda, já dizia o ditado. Ninguém te preserva quando a corda aperta, então não a deixe apertar. Aliás, nunca deixe que cheguem com ela perto do teu pescoço. Fora isso (o que é de medida absolutamente pessoal, admito), doe-se o quanto quiser e puder, de peito aberto — faz a vida valer a pena.

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Eu já desisti de explicar pra faxineira que nariz de porco não é tomada. Já tô na fase de achar ótimo quando ela vem, faz a faxina e não estraga nada. Por que eu vou perder meu tempo explicando que a fruteira não é porta-treco e que a bandeja (linda!) que enfeita o móvel não é o lugar dos fones de ouvido (enormes) do piano? Afinal de contas, eu tô falando da pessoa que resolveu guardar a furadeira dentro do cesto de roupa suja. Quédizê…

Taurino sofre!

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Os gatos agora resolveram mordiscar as pontas dos lápis aquareláveis que ficam em cima da minha mesa. Eu duvido que o gosto disso seja bom, mas vai entender.

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Levei uma surra da menina ao meu lado ontem na esteira. Sabe o Coiote correndo e o Papa-léguas disparando? Marromeno. Humilhação pura. Eu suando em bicas; ela linda, loira, gostosa e perfeita.

Fui comentar com o instrutor amigo e ele emenda:

— É, a genética masculina favorece!

Pausa.
Engasgo.
Espanto.

— Cumequié?
— Ela é operada.
— Quer dizer que ela é ele, digo, era ele? Agora ele é ela?
— Ahã!
— Sensacional!

Fiquei pensando se deveria ou não contar pro resto da mulherada da musculação, mas achei que já havia inveja suficiente no ambiente — sério, ela era um avião, zero cara de traveco.

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E quem diria: eu estou correndo, e bem. Sim, senhoras e senhores, 10Km em menos de 1h ou meus batimentos não sobem o suficiente pra atingir a zona de queima. De banha, claro.

Bye bye, pneus! Foi uma longa e compartilhada existência, mas vocês vão; eu fico. E as calças caem, que eu já não tenho mais furo nos cintos.

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Eu queria que o resto fosse assim fácil. Mas é mais fácil perder peso que ganhar juízo. Enfim, uma conquista de cada vez.

Alta tensão

04 de março de 2010 - Sem comentários

Hoje a ansiedade (misturada com a frustração) bateu. Até que demorou…

E o que eu fiz? Ora, qualquer coisa que uma pessoa sensata faria: QUALQUER outra coisa!

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Passou. Ufa!

Libera me

04 de março de 2010 - Sem comentários

Liberdade é uma coisa engraçada, né?

Metade das pessoas que se consideram livres, na verdade, estão sempre fugindo. E boa parte das que anseiam por liberdade, na verdade, elas mesmas se prendem — seja lá ao que for.

Eu penso, do alto da minha ignorância, que estar livre, de fato, é estar em paz com seus próprios grilhões.

Jura dizer a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade?

01 de março de 2010 - 1 comentário

Tá, eu confesso! Eu queria você aqui comigo hoje. Nenhum drama ou grande desdobramento filosofal, eu só… queria.

Além-mar

27 de fevereiro de 2010 - Sem comentários

Para quem quer se soltar invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento o amor e sei a dor de me lançar
Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar

(Cais, Milton Nascimento)

Ele dorme.

E eu, confesso, tenho medo. Medo de que, se o acordar, isso me desperte do meu sonho. Ah, porque eu sonho, sempre sonhei. A diferença é que hoje, ao invés de negar o sonho (ou a realidade), tenho a cabeça nas nuvens e os pés no chão — passar dos 30 e fazer as pazes com seu ascendente tem lá suas vantagens. Eu sei que vou sonhar, eu sei que se ele sumir eu vou ter que me virar na minha ansiedade, mas sei também que eu sou o dono das minhas escolhas e que tudo está aí para ser sentido.

E sei mais. Sei da solidez do meu abraço, da certeza do meu beijo, sei que sou exatamente isso que eu tento e represento ser na encenação de mim mesmo: um porto, uma certeza; terra firme. Eu me invento. E já está na hora de assumir — e não encenar — a minha natureza. Nem por isso não sou livre. Pois quem olha o porto não percebe que este é uma ilusão do imóvel; não nota, desatento, que a água que banha o cais nunca é a mesma e que, portanto, nunca está no mesmo lugar.

O que temos… não sei o que temos. O que ele tem não sei tampouco, pois não me pertence. Sei o que sinto agora, neste exato momento: felicidade, na forma de um calor gostoso, de querer bem; algo que me impele contra a distância. Sinto um tempo devagar quando ele não-está e um não-tempo quando enrosco os dedos em seus cabelos ou acompanho o vai-e-vem do seu ronco, como ondas de um mar profundo tombando em minha vasta costa. E mais não sei. Quando respiro fundo, não importa.

Todo barco retorna ao cais. E quando ele não está, o vento traz do mar o seu perfume.

Jardim

22 de fevereiro de 2010 - Sem comentários

Juntou seus papéis embaixo do braço, meteu alguns sonhos nos bolsos, apressado, e foi para a rua — era a vida que passava.

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Algumas coisas que sinto não permito que ganhem palavras antes da hora, nem mesmo em pensamento, pois suas formas são como prisões. Seria como podar uma planta precipitadamente, impedindo-a de crescer e abrir todos os seus ramos.

Outras, arranco logo é pela raiz.

Desapego

22 de fevereiro de 2010 - Sem comentários

A sensação é de entrar na sua própria casa abandonada. Olhar para teias de pensamentos e sentimentos empoeirados — alguns dos quais a gente tenta inabilmente varrer para debaixo do tapete — e não saber muito bem por onde começar.

Acho que é esse o problema: ter motivo. Porque, na verdade, acho que eu espero uma grande inspiração para voltar a escrever. Senhoras e senhores, ela não existe. O problema de um blog sem tema definido é que você não tem onde se agarrar a não ser em você mesmo.

Oi? E quem disse que eu quero isso? Ironicamente, escrevo logo depois de dizer que “acho que é hora de fechar as janelas…” E teve quem pensasse que eu me referia a desligar o computador ou me preparar para a próxima chuva. Ou não. Melhor assim. Mas as janelas eram outras.

Aqui não existem mais algumas parcerias de outrora. Não sei nem o quanto de mim ainda existe, e não digo das palavras, mas do ato. E, no entanto, ainda sou meu melhor parceiro. É que de repente, entrar aqui e escrever me pareceu tão anacrônico…

Mas sigamos. Navegar, navegar…

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Os gatos seguem cada vez mais lindos e cada vez com mais personalidade. Apesar da melancolia com que olham pela janela muitas vezes, acho que eles sabem ser felizes. A Menina com certeza, o Rabicó tem um olhar mais humano que às vezes me espanta. O que será que eles sentem? — o pensamento não me interessa nem o meu.

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As flores resistem bravamente nesse calor modorrento e compõem a minha mais linda metáfora.

(des)continuum

09 de julho de 2009 - 3 comentários

Tanto tempo que eu não apareço por aqui…

Pessoas, eu não preciso dizer que isto aqui não obedece mais, nem tempo, nem espaço, né? Só pra constar.

Viver e morrer numa noite transfigurada

31 de maio de 2009 - Sem comentários

Faz tempo, mas eu sou lento.

Passou meu aniversário e eu nem disse nada. Muita coisa rolou, na verdade, mas eu tenho deixado passar. Sei lá.

Três grandes ondas mexeram comigo na semana do meu aniversáro, em medidas e porporções diferentes e ortogonais. Três grandes vagalhões, cada um me pegou de um jeito.

Chegando aos trinta e três, gosto cada vez mais dos meus aniversários. Não pela festa em si, mas pelo momento. É quando eu morro e vivo ao mesmo tempo. É quando melhor deixo que algo em mim caia por terra e outro algo se alevante. E há, na alegria, um quê de esperançoso que inunda essa melacolia que ronda os meus dias.

Fiz o que queria. Desconfiio que nunca terei uma casa grande o suficiente, então vou lotar o espaço que tiver. De amor. Lúcido, bêbado, tímido ou desbragado. É disso que eu gosto! De rostos felizes, olhos brilhantes e multi-apetites saciados. Eu gosto é do riso farto.

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Perdi um amigo. Não era um amigo particularmente íntimo, acho que nunca nos demos essa chance, infelizmente — pra não ser injusto nem com um, nem com outro. Não importa. Pessoalmente, me doeu muito mais a dor inflingida aos amigos em comum do que a que era minha de fato. Eu sei que é estranho dizer isso — e até socialmente questionável —, mas é um fato que não posso negar. Não sei se é a relação comparativamente mais tranqüila que eu desenvolvi com a morte nos últimos anos e se ela, portanto, não me afeta como à maioria, ou se eu não me deixo afetar. Não sei, não sei. Fato é que eu sinto falta da pessoa enorme de quem meus amigos sentem falta, mais do que daquele pedacinho de pessoa apenas que eu pude conhecer. Não sei se pra alguém isso vai fazer sentido, mas é o que eu sinto — ou o que eu acho que sinto. Eu apenas gostaria que tivesse sido diferente, se é que era possível. E tenho sentimentos bons, desejos de boa viagem, acho que é o mais importante.

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O concerto foi do caralho! E você perdeu. Você perdeu muita coisa, na verdade, mas isso é apenas o que eu acho. E é justamente pra não ficar achando que eu abro mão — assim você não perde nada; nem eu.

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Te ver não foi fácil. Dois anos e quatro meses depois, eu achei que estava pronto — e estava! —, mas não foi fácil. Talvez porque reencontrar alguém seja reencontrar a si mesmo, alguém que não existe mais.

De pœnis inferni

12 de abril de 2009 - 4 comentários

Eu queria dormir hoje e só acordar mês que vem.
O outro lá que morre e eu aqui me matando — nem ressucitar eu sei!

Ah, esse inferno astral promete…

Lua cheia

11 de abril de 2009 - Sem comentários

“Ó, lua branca de fulgores e de encanto,
Se é verdade que ao amor tu dás abrigo,
Vem tirar dos olhos meus, o pranto,
Ai, vem matar essa paixão que anda comigo.

Ai, por quem és, desce do céu, ó lua branca,
Essa amargura do meu peito, ó vem e arranca,
Dá-me o luar da tua compaixão,
Ó, vem, por Deus, iluminar meu coração…”

(Chiquinha Gonzaga)

Cine-ópera

07 de abril de 2009 - Sem comentários

Vão dizer que não é o mesmo que assitir no teatro — e não é mesmo — e que as câmeras não favorecem o gênero teatral — o que é verdade em muitos casos mal dirigidos, mas em alguns outros há bons resultados. Só que poder assistir a uma montagem de ópera com qualidade internacional e elenco estelar, na telona do cinema, com som e imagens cristalinas em alta definição por 15 mangos (meia), desculpem, mas é sensacional.

La Sonnambula, de Bellini, com Nathalie Dessay e Juan Diego Flórez nos papéis principais foi um presente para começar a semana com os pés um pouco acima do chão. Vale a pena conferir a programação — eu já perdi três, argh! — e assitir algumas dessas montagens do Met porque, com certeza, pelo menos cada uma das passagens para assistir vai sair bem mais cara.

Porque às vezes é preciso ser triste

06 de abril de 2009 - Sem comentários

Longe de querer fazer apologia ao sofrimento, uma tristezinha às vezes cai bem. Foi o que eu vim conversando com os meus pés no caminho do cinema até em casa, por entre esquinas e caminhos tortos.

Assisti finalmente O Leitor. E não pretendo avaliar o filme — há várias outras palavras muito mais precisas que as minhas por aí — além do sentimento que ele me inspirou: tristeza. Tristeza em ver a vida desperdiçada. Tristeza nas escolhas, nos caminhos, na culpa, no arrependimento, na dor, no rancor, na incapacidade do perdão. Uma história em linhas tristes. Uma história que não é minha, mas é humana essa capacidade de criar ecos e eu chorei pela personagem, chorei com ela, imolada para expiar a minha própria tristeza.

É por isso que às vezes eu gosto de um bom filme triste. É pelo descarrego. É porque ele — assim como uma massagem consegue aliviar uma tensão quando não conseguimos relaxar — também tem o poder de descarregar nossas pequenas tristezas, os desgostos diários, aquelas pequenas porções de dor ou raiva que guardamos e não choramos porque, afinal de contas, nem é para tanto. Mas de onde vem, senão daí, a expressão lavar-se em lágrimas?

Escrivaninha

31 de março de 2009 - Sem comentários

perfect-desktop

O desktop perfeito, ever. Telão, mesão, plantinha, florzinha e almofada aquecida relaxante para as mãos.

Hare Krishna

24 de março de 2009 - 3 comentários

Quando não tiver mais nada
Nem chão, nem escada
Escudo ou espada
O seu coração acordará…

(Mantra, Nando Reis)

E acordei com meus olhos felizes a procurar a luz de cada canto. Tive sonhos de um amor improvável, mas em sonho possível — e o que importa? Ao invés de acordar rapidamente, conversei com esse sonho, entorpeci-me de suas cores.

Procurei aquele CD com músicas felizes que a tristeza me fez guardar em um recôndito fundo de gaveta. Fui injusto com ele. Não tive escolha, nem sempre a felicidade faz bem. Quando não se está pronto para ser feliz ou essa felicidade é datada, ela dói tanto quanto qualquer outra dor. E as minhas foram muitas, muito minhas. Mas eu aprendi a olhar para o céu dentro de mim. Entendi que felicidade é um desejo e que um desejo é realidade — a minha realidade. Mais ainda, uma alegria não se torna triste porque suas cores desbotam. Assim é o amor.

Veja a rosa, por exemplo. Mesmo que lhe tirem as cores, o viço e lhe caiam as pétalas. Mesmo olhando agora para esta flor que murcha lentamente no solitário em minha mesa, quando fecho os olhos ela permanece rosa. Assim como todas as flores que recebi, em flor ou não. Como um mantra.

Instantâneos delitos de paixão

15 de março de 2009 - Sem comentários

Olhos nos olhos, borboletas no estômago, suor nas suas mãos urgentes. Tudo isso marcando uma inesperada cena de amor a dez passos do metrô.

— Você tá falando sério? — ela debocha.

Era uma vez o encanto. Passei pelos cacos e desci a escada, desgostoso como quem sai do cinema sem ter seu final feliz.

+

Um dia são teus olhos nos meus, em brasa — e mais nada. Outro, teu sorriso sem graça. Nosso caso daria um curta de comédia romântica, se tivesse romance.

+

Sentiria inveja se não sentisse uma certa devoção por casais felizes. É como se eu observasse um pequeno milagre, perdido em mim com minha estesia; minha epifania.

(um pouquinho) Mais do mesmo

15 de março de 2009 - Sem comentários

Eu confesso que estava quase caindo em tentação e ia comentar e citar novas e inquietantes declarações sobre o caso estupro-aborto-excomunhão, lidas algures. Mas a verdade é que nem a Santa se entende (se critica e se contradiz) — justiça seja feita que eu li um belo exercício de retórica vestido de compaixão (ou vice-versa) no jornal deles, mas aí desviamo-nos do fato. Pra que é mesmo que eu vou dar corda?

Eu vou é torcer pela menina.

Né?

09 de março de 2009 - Sem comentários

Sabe por que eu adoro cartunistas? Porque enquanto eu estrebucho pra dizer o que penso, o que acho, tal e coisa, coisa e tal, eles fazem uma tirinha genial e encerram o assunto.

Tipo isso. Gênio. Obrigado, Angeli.

ange09032009

…et in terra pax hominibus bonae voluntatis

06 de março de 2009 - 4 comentários

O chefe do departamento do Conselho Pontifício para a Família, do Vaticano, Gianfranco Grieco, afirmou que a decisão da Arquidiocese de Olinda e Recife de excomungar os responsáveis pelo aborto da menina de 9 anos — violentada em Alagoinha (a 230 km de Recife) — foi correta. A declaração foi publicada nesta sexta-feira pelo jornal italiano “Corriere della Sierra”. (Folha)

Aconteceu o que eu temia. Esta foi a semana dos absurdos — deve ser o calor, sabe; eu tô delirando. Tinha, né? Tinha que ser a Igreja Católica. Tinha que ir alguém lá e excomungar quem tá tentando salvar a vida de uma menina de 9 anos, que estava grávida de gêmeos e corria risco de vida porque foi estuprada pelo padrasto, de 23, que também estrupou a irmã dela, de 14, portadora de deficiências física e mental, e que as assedia há 3 anos. Eu não consigo imaginar um quadro mais dantesco.

“É muito, muito delicado, mas a Igreja nunca pode trair o seu anúncio, que é defender a vida desde a concepção até à morte natural, mesmo em face de um drama humano tão forte como o da violência de uma criança”, disse Grieco. (Folha)

Ah, não?! Que engraçado, eu jurava que foi essa mesma Igreja que bancou a dita Santa Inquisição, que condenou o sistema heliocêntrico, ameaçou e prendeu Galileu — um cristão fervoroso — e que queimou Giordano Bruno na fogueira, tudo em prol da “verdade teológica”. Que mais? Olha que a lista é vasta! Quer dizer que aborto em casos hediondos não pode, mas tacar fogo pode? Hipocrisia não é pecado?

Eu não sei excomunhão condena alguém ao inferno — considerando que essa pessoa acredite no inferno, claro —, mas eu espero que não. Já pensou, depois de tudo isso, ainda por cima ir parar no inferno e dar de cara com essa corja? Esconjuro!

+

Um update. Ah, desculpa, mas não vai dar!

Ela comentou comigo, de bate-pronto: quer dizer que excomungar mãe e médicos (preocupados com a vida da menina, num sentido muito maior do que apenas a sobrevivência a uma gravidez de altíssimo risco) pode, mas excomungar um extuprador não pode?

Ontem, dom José declarou à reportagem que o aborto é mais grave que o estupro, e por isso a Igreja Católica condena o primeiro caso com a excomunhão automática. (…) “Católico que é católico aceita a lei da igreja. Quem não aceita é católico mais ou menos, e isso não existe”, disse. Para os médicos, a continuidade da gestação de gêmeos poderia ser fatal à menina, que pesa cerca de 30 quilos. (Folha)

Claro. Esse realmente é um argumento de peso. Pena que seja hipócrita, desumano, impiedoso e tão cristão quanto um tijolo.

“Tenho pena do nosso arcebispo, que não conseguiu ser misericordioso com o sofrimento de uma criança inocente, desnutrida, franzina, em risco de vida, que sofre violência desde os seus seis anos.” (Rivaldo Mendes de Albuquerque, 51, médico, católico praticante)

Pois é. Um excomungado é muito mais cristão do que um punhado de bispos. Será que é preciso dizer mais alguma coisa?

Ditabunda

03 de março de 2009 - Sem comentários

Tem todo um bafafá rolando por causa do tal editorial da Folha, lá por meados de fevereiro, né? Pois é, eu só fiquei sabendo mesmo por causa da celeuma. É o jornal e seu revisionismo tacanho — e oportunista, vamos combinar, para um jornal que sempre se orgulhou de ser de centro-esquerda —, são os intelectuais de esquerda inflamando-se indignados — e, se menos oportunistas, também parciais, como todo discurso inflamado —, é o militar reformado fazendo comparações superficiais, é o jornal de novo, perdendo definitivamente a isenção e a elegância. Enfim, é o pau comendo, para variar. A única expressão realmente sensata, pacrece-me, foi a de Fernando de Barros e Silva, na própria Folha, que veio elegantemente ilustrar o quanto todo mundo está errado.

Mas uma coisa que me chamou a atenção no meio da argumentação toda foi a intrigante definição de valores: quer dizer então que existem ditaduras melhores que outras? Me digam… Não, me digam com sinceridade! Eu não sabia que ditadura de direita era diferente de ditadura de esquerda! Vou tentar me lembrar disso da próxima vez que toda e qualquer liberdade humana for ameaçada. Ora vamos, uma ditadura só e melhor que outra quando somos a favor dela. No fim de contas (de corpos, se preferirem) dá na mesma. E acho que hoje podemos afirmar com tranqüilidade que qualquer ditadura — tenha ela o background histórico que tiver, e aí, sim, temos uma questão de fato para discutir, não para justificar, mas para entender, incorporar e evoluir socialmente —, eu repito, toda ditadura é vil.

Isso dito, podemos seguir adiante sem pisar no mesmo buraco?

Missiva

02 de março de 2009 - Sem comentários

Hoje senti sua falta, daquele jeito resiliente, que resiste a uma caminhada, dois copos de cerveja, faxina e arrumação de armário. Foi quando desci a rua e a tarde caía. Fazia um calor modorrento e o céu parecia pintado de um azul improvável, com uma lua pendurada, rindo insolente. Tanto lembrei de outras luas, já sem rostos, que senti minhas mãos vazias. Mercedes cantava nos meus ouvidos e eu ensaiava alguns passos, alheio, para não cair em mim.

De repente, me senti pequeno e inútil. É sempre assim quando acontece, me torno miúdo, quieto, melancólico. Sei das peças que eu mesmo prego em mim — essa é uma delas, antigo sucesso dos palcos; hoje é só reprise. Já não me aborreço porque sei que passa depois de uma boa noite de sono, geralmente. Então faço como os livros do móvel da sala: empilho-os no chão para que cada história escolha seu caminho e os devolva cada um ao seu devido lugar. Tiro coisas e troco de lugar, bagunço tentando me organizar. E então durmo com a mão no peito, procurando um papel para você na minha vida.

Eu só queria que você soubesse.

Dois irmãos

01 de março de 2009 - Sem comentários

Nos teus olhos
nem sempre
me vejo no espelho
e muitas vezes enxergo
contraste.

Mas não são também
os contrapontos
do desejo
o equilíbrio
dessa arte?

We apologize — and yet, we don’t.

28 de fevereiro de 2009 - Sem comentários

Às vezes, simplesmente é muito. É quando aquelas defesas, tão fragilmente erguidas, despencam. É como encarar a audiência nu, sem piada nem gracejo, sem toalha, sem jeito. E nenhuma audiência, por mais crítica que seja — e nunca o são tanto assim —, é pior que o próprio espelho.

“…Se lembra quando toda modinha
Falava de amor
Pois nunca mais cantei, ó maninha…”

Cinza

25 de fevereiro de 2009 - 1 comentário

“Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou…”

Carnaval traz sempre um quê de ressaca, mesmo quando não se bebeu — o meu caso. É um sentimento de vazio, quase tristonho, de quem quis muito e acabou meio sem querer no final. É aquele beijo que você quis roubar. Aquele rosto que levou teu olhar e não devolveu. Ou a cantada que você recebeu. O sorriso que alguém te deu e você não teve onde guardar. Não há bolsos no carnaval, a gente só leva o que consegue pendurar no pescoço. É uma alegria que, mesmo não sendo forçada, não é natural. Tanto desejo parece que esgota a gente e acordar na quarta-feira é sempre um pouco gris.

Acho que nosso problema é querer viver um eterno carnaval, como se não fosse possível ser feliz fora da folia. É a loucura que se instaura, fantasiada de razão, já que nada disso vale a pena, pois no carnaval — não me leve a mal — nada é certo, nada é prometido, apenas o querer constante e insaciável é permitido. E nosso desejo continua bloco afora, por entre uma gente que nem se vê, se abraça e se beija e caminha sem rumo, sem jeito, sem fim.

Mas no entanto, é preciso cantar. É preciso encontrar novos carnavais. E algum deles há de ser menos folia e mais canção, menos tristeza e mais sorriso, menos saudade e mais coração. E que o Carnaval seja apenas uma lembrança de dias gostosos de uma felicidade sem motivo. Uma fantasia de nós mesmos onde a gente achava que sabia e cantava cantigas de amor, quando o que buscava, sem saber, era um canto de paz.

“Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe…”

Oscarito

23 de fevereiro de 2009 - Sem comentários

Eu nunca tive realmente muita vontade de assistir à premiação do Oscar — eu nunca fui um fã que preste, é verdade. Daí que quando, pela primeira vez eu tenho esse impulso, devo agradecer à maravilha que é a internet e suas trasmissões… well, piratas. Porque claro que eu cancelei a TV a cabo por falta de uso (fora o preço abusivo).

Pena que mesmo assim eu não me toque do horário da cousa — não é que eu esqueci, eu não sabia mesmo! Mas valeu pelo gran finale ao ver o Sean Penn levar o douradinho. Não valeu pela Meryl Streep — quero meu dinheiro de volta!

Got Milk?

22 de fevereiro de 2009 - Sem comentários

Nasci em meados dos 70, mas acho que só comecei a acordar no finalzinho dos 90, já que na adolescência a gente só pensa que sabe das coisas; a adolescência é um sonho — ou um pesadelo. Talvez por isso a questão toda da emancipação do movimento gay pra mim seja apenas… história. Mais ou menos a diferença que deve ser quando eu penso no período da ditadura e quando meus pais é que pensam. Eles tiveram amigos presos, eles conheceram gente que sumiu ou fugiu às pressas pro exterior, e isso porque nunca pegaram em armas. Da mesma forma, as histórias mais tristes que eu conheço do mundo gay não são minhas. Minha saída do armário foi tão simples quanto dizer: “mãe, você sabe que teu filho é gay, né?”, e apresentar meu primeiro namorado, ou levar o outro pra almoçar numa casa cheia de família italiana num domingo de Páscoa; sem exagero. Não tenho mérito nenhum nisso. Eu tenho é sorte, muita sorte de ter nascido numa família amorosa e tolerante, que tem lá seus vários problemas, mas que nunca tratou esse tipo de diferença como um fantasma, um estigma.

Isso não me livrou de ter meus próprios fantasmas, entretanto. As maiores opressões que já sofri até hoje foram minhas, frutos de insegurança, medo, carência, etc. Mas sobretudo, o sentimento que a gente compra do mundo de ser errado. Tudo isso cai por terra quando você se sente pronto pra (se) enfrentar. Com 16, 20, 40 anos ou mais, há sempre um processo de emancipação, em relação ao mundo ou a si próprio.

E é por isso, acho eu, além da lírica humana (que atenua certas cruezas históricas) e da interpretação irretocável do Sean Penn no papel principal, que Milk me pegou em cheio. Porque não dá pra ficar indiferente quando você vê sua natureza sendo atacada impiedosamente, num exercício de hipocrisia sem limites. Muito menos quando de dentro da minoria uma voz se ergue, uma luz se acende, uma esperança se impõe. Isso é épico. Isso mexe com a gente.

+

Deixei os gatos ontem assistindo Aristogatas na TV, na esperança de que eles ganhassem um pouco de bons modos.

A julgar pelo rolo destroçado de papel higiênico que eu encontrei esta manhã, não gostaram nem um pouco do filme.

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Acabei de ver que este ano sai uma refilmagem de Star Trek. Vai ser um fiasco, os personagens não terão o mesmo jeitão, eu não sei como o enredo terá a mesma força depois de tanta ficção científica e uma horda revoltosa de trekkers vai se inflamar contra o que eles dirão ser indigno da memória da USS Enterprise — eu vou ficar de olho no Sr. Spock.

Vai ser lindo, mal posso esperar!

“…While combing my hair now,
And wondering what dress to wear now…”

19 de fevereiro de 2009 - Sem comentários

Sabe que eu gostei dessa história de ficar mudando de template?

Agora só falta eu criar vergonha na cara e mudar aquele branco da parede da sala… Devagar, né? Que lá não é só clicar e pronto.

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Eu ando doido com as coisas de casa. Quero uma luminária pro teto da sala. Quero que meu tapete fique pronto pra ontem. Quero almofadas coloridas. Quero uma mesa linda de jantar — essa é foda!

Só o dinheiro que não acompanha o meu ritmo. Ninguém deveria vir ao mundo com mais gosto que dinheiro. Parece que tudo onde eu bato os olhos é mais caro. Qualé? Tem graça não!

Se eu tivesse o mesmo gás pra arrumar as minhas coisas que eu tenho pra procurar coisinhas… Bom, eu seria virginiano, é verdade.

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Tirei aquela caixa do fundo do armário. O teu presente eu dei, o móbile de papel colorido acho que vou pendurar na sala. Mas os mil tsurus amarelos e prateados que eu dobrei pra você fiz voar. Eles agora habitam céus de algodão. Dizem que mil tsurus trazem sorte. Eu não podia mantê-los presos num fundo de armário, sorte — assim como o amor, assim como a amizade, assim como a felicidade — é algo que não se deve engaiolar.

O óbvio

18 de fevereiro de 2009 - Sem comentários

Eu mereço um amor possível — não um amor inventado, não um amor idealizado, não um amor perfeito, não um amor bandido; possível.

Já tava na hora dessa verdade entrar na minha cabeça e no meu coração.

+

Um oferecimento: coisas não necessariamente relacionadas anteriormente que poderiam muito bem passar longe daqui, mas não.

Da não-linearidade das coisas

17 de fevereiro de 2009 - Sem comentários

Porque faz tempo.

+

Coração na mão. É quando você não sabe o que fazer. Ou quando sabe, mas não pode. Ou quando pode, mas não deve. Ou quando deve, mas não consegue. Ou quando consegue, mas não adianta. Ou quando adianta, mas é pouco…

Deu pra entender?

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Oito anos de blog. E para quê? Metade poderia muito bem não ser escrita — ou dita, bem como na vida. Erros. Acertos. Bolas na trave. Ora bolas, quando eu paro para pensar, vejo que não sou mais eu em muita coisa, mas é aí que mora a injustiça: todo prado deve ao seu solo, cada camada que nele se assenta, a sua exuberância.

É por isso que eu estou ali e que cada pedaço, cheio de sua verdade temporal, sou e sempre serei eu, mesmo sem mais ser.

+

Chorei muito quando você se foi. Muito. Mas respeitei sua escolha silenciosa de partir. O mais difícil foi dizer adeus — um adeus que você nunca ouviu, dito para aquele pedaço de você que carraguei comigo (onde será que você me guardou? não importa). Foi quando fiz a minha escolha de não te procurar mais, de não saber de ti. Tive que colocar a razão sobre o desejo, simplesmente, e não por outro motivo: te procurar me faz mal e eu não posso permitir que você me machuque desse jeito, se você nem está aqui.

Mas se a razão acode, ainda assim o sentimento prevalece. Sem drama. E eu sinto, muito, como sempre senti. Sinto tudo, mesmo quando não faz sentido, porque é da minha natureza e porque é preciso purgar, pois sentimento engolido vira doença; e sentir é muito nobre. Portanto, eu sinto muito. Eu sinto muito…

…Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

+

Doismesesemeio sem monitor, vocês têm noção?
Eu quero que a Samsung morra e a notícia corra.

Sabe aquele jogo que eu tava doido pra jogar? Não joguei. Sabe aqueles filmes que eu tava esperando janeiro pra assistir? Não rolou. As séries? Nem. Eu tô para ver pós-venda mais esculhambado.

Amiga dona de casa, se você tem algo da Samsung, reze para que continue funcionando bem bonitinho porque senão… Agora, se a garantia acabou há, tipo, um mês, como no meu caso, reza, mas reza muito, pode ir rasgando a própria roupa e pedindo perdão se você, como eu, deu peteleco nas bolas de Cristo pendurado na cruz.

E prepare-se para muito Procon, que eu tô me preparando para um Pequenas Causas.

+

E tudo o que eu queria naquelas noites era abraçar teu cheiro e beijar teu sono.
Era o que você não queria me dar e o que eu não podia te pedir.

+

E como a vida não pode deixar de ser bela, a casa anda cheia dela. Rabicó e Menina crescem como se não houvesse amanhã. As plantas trazem serenidade e suas cores pouco a pouco vêm tomar conta do espaço. Quer dizer, isso quando a Menina não resolve arrancar-lhes as folhas ou derrubar o vaso — o exuzinho de quatro patas.

Para ajudar mantenho água e sal grosso do lado da porta. E alfazema nos travesseiros, sempre fofos, os lençóis limpos. Enquanto isso o corpo pede alma e a vida pede calma.

Temp[orary|late]

16 de fevereiro de 2009 - Sem comentários

Preguiça. Eu odeio mexer em html, php então, nem se fala! Simplesmente não sei, tenho que ficar analisando os scripts pra entender como funciona e daí alterar, incluir, tirar o que eu quero. Já não tenho mais tanta paciência pra tentativa e erro.

Depois que troquei o MT pelo WP, o Figaro, que já estava às moscas ficou pra lá de largado. Cada vez que eu abro uma página de código um torpor dos diabos me toma e eu arranjo outra coisa pra fazer.

Então vamos aderir aos templates pré-fabricados, né? Não é muito original, mas eu não tô nem aí. Um dia, quem sabe, eu me animo. Ou não.

Será que alguém tá morrendo de vontade de me dar um template novo? Hm… não?

Ato fálico

09 de dezembro de 2008 - 2 comentários

Essa merece registro.

Estava a bi amiga no restaurante japonês, obviamente já louca de saquê. Mesa com seis. Garçom danado.
– Moço, a gente vai querer mais sushi, sashimi e dois temakis. E ela vai querer um glory hole
Entra o coro:
HOT ROLLS!!!
Mão no colar.

Francamente…

Horoscópico

18 de novembro de 2008 - Sem comentários

Há um tempo eu gastava o meu tempinho publicando o meu horóscopo aqui — na verdade, há um tempo eu gastava o meu tempinho publicando qualquer coisa aqui. Mas ontem — a saber, domingo, que eu ainda não dormi —, depois de passar mais de seis horas numa mesa, petiscando, bebendo e falando da vida amorosa, da vida não-amorosa e da vida alheia com um amor de amiga, depois de uma semana de emoções saborosas, porém indigestas, fui dormir com febre. É, febre. Aquilo que eu nunca tenho, mas que às vezes eu tenho.

Daí que eu acordo hoje e abro meu e-mail:

A Lua se faz minguante entre os dias 17/11 e 19/11, Guilherme, sugerindo algum stress emocional. O risco aqui é de adoecimento por conta de excesso de passeios e farras. Procure observar a importância de manter o recolhimento e a discrição, ainda que a Lua na nona casa esteja lhe impelindo para viagens ou estudos em excesso. Relaxar as emoções é absolutamente essencial neste momento!

Então, né? Agora já foi. Dipirona ni mim.

Cafezinho

14 de novembro de 2008 - Sem comentários

E tudo o que eu queria falar era do absurdo que eu tenho achado de pagar uma fábula por cafés por aí. Culpa do Google. É só nesta terra que Starbucks e que tais conseguem cobrar o absurdo que cobram por uma mísera xícara de café? E falando da Starbucks, QUALQUER coisa ali é absurdamente cara. E vive cheio. Quem entende?

Cafezes

14 de novembro de 2008 - 6 comentários

Ok, eu já vi que não é novidade, mas é novidade pra mim. Ou não, vai ver que eu já soube disso, mas uma amnésia pós-traumática apagou qualquer vestígio dessa lembrança da minha cabeça. E, de qualquer modo, o absurdo também não ajuda, eu acho que vou acabar esquecendo tudo de novo, então vale a nota.

Quer dizer que eu estou aqui, quietinho, na minha, curtindo a minha vidinha, cuidando de coisas que só dizem respeito ao meu umbigo e tem gente por aí — muito pouca gente, acredito (ou espero) — tomando café de bosta?

Parece algum tipo de barrinha de cereais, não? Tá servido?

Eu sei que o tal do bichinho só come os frutos mais doces e maduros, eu sei que tem todo o processo químico que embosteia os grãos (mas não os digere, olha só, que maravilha!), conferindo aromas e sabores, hm… únicos, e sei também que tudo é lavado, lavado, lavado, torrado, moído, fervido, etc. Tudo isso eu sei, senhoras e senhores. Mas o que me espanta mesmo, não é o fato de ter gente que paga uma fábula pra experimentar essa iguaria — talvez um dia eu até experimente, vai saber! O que me espanta é pensar que alguém, um dia, viu um cocô cheio de bolotas, viu que era café, e teve a idéia piramidal de experimentar!

Você consegue se imaginar pensando: “Hmmm… Esses grãos de café quase não estão digeridos, o que significa que as enzimas do trato intestinal de seja lá o que for que os comeu deve ter apenas alterado ligeiramente a estrutura das proteínas da semente. Isso pode ter ficado muito bom!” Não, né? Você provalemente, como eu, pisaria em cima de um troço desses e pensaria, no máximo: “Eca! Algum bicho aqui cagou café! Que nojo!” E é provavelmente por isso que quem vende esse néctar deve estar podre de rico. E nós, não, caro leitor. Nós temos nojo de café com cocô.

Um mundo onde gente toma sopa de ninho e café de bosta. Não é à toa que às vezes eu me sinta meio deslocado.

Fora do ar

23 de setembro de 2008 - Sem comentários

Ah, não tenho nada de interessante pra falar! A quem interessa que eu comprei sofá novo? Que importa se tava sol e não choveu?

Então. Quando alguma coisa realmente minha tomar forma, daí eu escrevo. Nada disso é meu, veja, nada disso sou eu. Não mais.

Mas só pra não passar em branco, diz aí que eu tô feliz.

Não brinca!

23 de setembro de 2008 - Sem comentários

Banda larga brasileira está entre as piores do mundo, diz estudo (O Globo)

O Brasil tem uma das piores redes de banda larga do mundo, segundo um estudo que analisou a internet rápida em 42 países do mundo. Na pesquisa, consuzida pelas universidades de Oxford e Oviedo, a pedido da Cisco, o Brasil ficou a frente apenas de Chipre, México, China e Índia.

Numa escala de 0 a 100 o Brasil fez 13 pontos, valor considerado inadequado para o uso de aplicativos comuns na rede hoje em dia, como navegação web, downloads de música, streaming básico de vídeo e chat por vídeo.

Etc, tal e coisa, coisa e tal… É mesmo, minha gente? Eles fizeram pesquisa pra descobrir isso? Era só me perguntar: 13 pontos, que nada, seriam uns 3, se muito!

Sem mais sarcasmo para o momento. :P

Olimpiada

22 de agosto de 2008 - 2 comentários

Eu não assisti a abertura. Não, eu não lembrei mesmo, provavelmente estava dormindo. Mas como a internet é minha pastora e download não faltará, logo eu resolvo isso.

E nem era sobre isso que eu queria falar. Esses dias me peguei assistindo TV por acaso. Porque é assim que eu assisto TV, muito de vez em quando e por acaso; sou incapaz de lembrar, por exemplo, que quinta às 10h da noite passa… O que é que tem de bom na quinta às 10h da noite mesmo? Enfim, não faz diferença, eu não vou lembrar de assistir! E ainda chamo novela das nove de novela das oito.

Voltando. Eu estava assistindo TV por acaso e me peguei pensando no absurdo de alguns esportes. Por exemplo, o que leva uma pessoa a treinar salto com vara? Não pode ser pra ficar em forma, vamos combinar. Nem pra ficar famoso e rico. Agora você imagina o Joãozinho ou a Mariazinha ficando grandinhos, virando pros pais e dizendo: “Eu quero ser atleta!” Daí os pais, já conformados que não vão ter um médico, engenheiro, economista ou advogado na família vão lá e compram uma bola pros guris. Ou uma bicicleta. Ou uma raquete. Ou uma peteca, que seja! A criança olha com aquela cara de desolação e diz: “Mas eu queria uma vara!” E aí, minha gente? Se bem que deve servir pra pular muro, vai que o rebento se dá bem na bandidagem?

Boxe eu não vou nem comentar! E aí, já é pessoal: eu não consigo entender por que duas pessoas ficam se batendo até quebrar todos os ossos da face, os dentes, terem um derrame ou que tal. Pra mim, a diferença disso e de uma briga de galo, é que o galo não tem escolha.

Mas na categoria de bizarrice olímpico-esportiva eu acho que nada ganha da marcha olímpica. Quem foi que inventou isso, meu deus?! Como eu vi mais de um dizer, parece que o caboclo tá mascando um chiclete com a bunda! Ou com vontade de fazer xixi. Ou com um grilo dentro da tanga. Ou então, minha teoria é que são todos dançarinos de lambada que, com o declínio do estilo, migraram, evoluíram e marcharam! Dá até pra ouvir: “Chorando se foi, quem um dia só me fez chorar…” É piada, só pode ser.

O bem queimado

18 de agosto de 2008 - Sem comentários

Apesar da piada ter vindo rápida — eu sei, péssima; não sei o que acontece com os meus neurônios vez em quando —, depois de um fim de semana brilhante, receber a notícia do incêndio que consumiu o Teatro Cultura Artística foi um choque sem precedentes pra mim. Talvez porque eu passe pela sua frente dia sim, dia não, talvez porque uma boa parte dos concertos e recitais memoráveis aos quais eu tive o privilégio de assistir aconteceram no seu grande palco e, com certeza, porque São Paulo perde, pelo menos por enquanto, um de seus oásis.

No entanto, o fato do painel que coroa sua fachada e, com alguma sorte, o acervo fonográfico do teatro terem sido poupados traz alguma misericórdia à tragédia. E digo misericórdia porque me chamou a atenção para a impermanência das coisas, natureza também das artes performáticas. Cada nota ali tocada ou cantada só existiu no momento em que soou. Felizes os que as ouviram. Seu registro, embora muito afortunado, é mero espectro da música que ali teve origem.

Estou fazendo drama, diriam. Eu digo que não. Sem querer desmerecer o silêncio — até porque do silêncio nasce o som, da meditação nasce a idéia, do repouso nasce o movimento —, acredito que cada oportunidade perdida de se expressar é uma possível experiência artística perdida. E pessoalmente, cada afeto contido, cada gesto abortado, cada palavra negada é um pedaço de vida não vivido.

Portanto, o teatro é mais que sua estrutura soçobrada e que, acredito, será reconstruída. O Teatro Cultura Artística é um símbolo e abrigo da excelência artística possível. Seu palco é o conjunto dos pés que ali pisaram; sua platéia, a soma de mil sentidos.

“Yo no buscaba a nadie y te vi…”

11 de agosto de 2008 - Sem comentários

— Fica aqui — ele disse.

E por um segundo eu juro que pensei em ficar e ganhar a vida cantando no metrô portenho. Um segundo… Um segundo que pareceu minuto, hora, enquanto eu me perdia naqueles olhos castanhos como os meus, enamorados como os meus. E enquanto os dias passavam, brincávamos de possível no impossível e escondíamos momentos de felicidade nos bolsos das calças para serem encontrados pela manhã.

Tanta doçura, tanta que o vento das madrugadas geladas não era capaz de cortar. O que me cortou foram os fios de lágrimas escorrendo de sua face devota. O que me cortou foram seus olhos me pedindo para ficar, enquanto sua boca pedia, tão gentil e urgentemente, para que eu me fosse antes do fim, antes dos outros:

— Eu não quero ver você entrar naquele táxi e ir embora — ele disse.

Mas ele disse tantas outras coisas, sem ter de usar uma única palavra. Meus dias foram pintados de azul; minhas noites, carmins. Foi na pele que eu aprendi um pouco de espanhol; na dele. Buenos Aires agora carrega uma outra beleza e eu já não sei como não voltar àquele porto. E por mais isolados e irreproduzíveis que por ora sejam, foram dias de doce abandono e intenso resgate. Queria lembrar também daquela outra música, que a despedida e seu universo tão restrito em nós abafou. Mas eu me lembro de você e isso basta — mentira!

As lágrimas que eu beijei foram as mesmas lágrimas que eu trouxe e depositei aqui; foram as tuas que me trouxeram as minhas de onde elas não conseguiam vir. Isso e uma música que fica para sempre, com o teu rosto, gravada, assim como meu perfume me pregou em você.

Mi Buenos Aires querido

28 de julho de 2008 - 4 comentários

A primeira impressão é de um pedacinho da Europa. Mas eu nunca fui à Europa, então essa é definitivamente uma impressão fabricada, apropriada, um saudade do que nunca se viu. A segunda é um pensamento fugaz, perdido em algumas esquinas: “Gente, eu tô em São Paulo!”, que vira fumaça quando o táxi entra na Av. Nove de Julho, quando se anda por San Telmo ou um prédio antigo e bem conservado assoma à vista; é outra arquitetura, outra idade. “Essa sensação acontece em todas as cidades grandes, todas elas são meio iguais no mundo”, ele diz. Mas é quando você começa a reparar nos cortes de cabelo, digamos, pitorescos, que você definitivamente se convence de que está é em Buenos Aires mesmo: será que algum outro lugar do mundo abusa tanto dos repicados? será que os mullets sobreviveram em cativeiro ao fim dos anos 80 tão bem quanto aqui?

Mas Buenos Aires é linda. Linda como uma cidade feita pra mim. Eu tenho esse hábito de me apropriar dos lugares que conheço, sabe? Absorvo como um suspiro e levo embora dentro de mim. Cada cor, cada som e cada cheiro é como um beijo roubado; cada beijo roubado é um retrato cravado no peito; cada peito, mais uma história de amor.

Dias sem você

16 de julho de 2008 - 2 comentários

Como se fosse saudade,
tirei o pó dos dias
e dei brilho no sorriso
para lembrar de você.

Limpei as janelas dos olhos,
troquei os lençóis da memória,
afofei o abraço;
até as plantas dos pés reguei.

Agora só falta te ver.

Este nobre vagabundo

13 de julho de 2008 - 2 comentários

Pra quem faz cara de “mas que moleza!” quando eu digo que acordo tarde no meio da semana. Que tal um ensaio começando às 21h do sábado, acordar às 8h do domingo pra uma missa e só chegar em casa lá pelas 23h, depois de sabe deus quantas horas de gravação?

Vagabundo é a p…!
É, aquela mesma.

+

O mais difícil dessa vida de músico é fazer o tempo render; nos dois sentidos. Você precisa de tempo pra estudar, tempo pra ensaiar, tempo pra dormir — a voz não resiste, não adianta — e tempo pra todas as outras coisinhas que todo mundo porventura tem, ou tem que ter. Mas você não entra às 8h e sai às 17h. Infelizmente, você também não tem carteira assinada e férias todo ano. E você perde tempo a toda hora; é um inferno: passou o dia e você não estudou aquela ária, não leu aquela música, não fez uma porra de um vocalise. A bagunça custa muito caro porque, efetivamente, não tem ninguém estalando a chibata nas tuas costas, te cobrando diretamente.

Aliás, toda a vez que alguém abre o sorrisão e, nas ocasiões mais improváveis, pede uma “palhinha” eu penso cá com as minhas pregas, as vocais: “Ei, me dá teu décimo terceiro?”

É fácil? Não. É possível? Sim. É provável. O que também não quer dizer que eu não pare vez ou outra, questionando minhas escolhas, meus caminhos. Às vezes, eu penso que tenho tantos talentos mais seguros pra me fiar, chãos mais firmes pra pisar… Mas daí eu olho pra trás e as outras escolhas parece que nunca existiram, não eram prováveis de fato, não pareciam… minhas.

Daí você vem e me pergunta: “Mas por que músico? Por que cantar?” E por mais poética, piegas ou absurda que pareça a resposta, ela vem sem pensar, simples e completa, quase óbvia: pra viver; não é?

Travessia

24 de junho de 2008 - 4 comentários

Quando você foi embora, fez-se noite em meu viver
Forte eu sou, mas não tem jeito
Hoje eu tenho que chorar
Minha casa não é minha e nem é meu este lugar
Estou só e não resisto, muito tenho pra falar
Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedra, como posso sonhar?
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar
Vou seguindo pela vida me esquecendo de você
Eu não quero mais a morte, tenho muito que viver
Vou querer amar de novo
E se não der, não vou sofrer
Já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver
Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedra, como posso sonhar?
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar
(Milton Nascimento e Fernando Brant)

+

Uma amiga minha diz que o drama é o combustível do universo — e como é que eu poderia discordar? Eu diria que o drama é como a entropia, que consome tudo sob o céu da criação; bem dizer o caos.

Então teríamos, de um lado a entropia, o caos, a paixão e o drama; do outro a entalpia, a ordem, a razão e o amor. Um bagunça, o outro arruma. Um é o que se tem, o outro é o que se perde. Um conserva, o outro transforma. Um é o que enrijece, o outro é o que transcende. E o que às vezes está num time, outras vezes está no outro…

Mas o que eu quero dizer com isso?
Nada. Eu só estou aqui de passagem; entropicando.

Na verdade, eu sei: o drama é um vício. E não é assim que a gente lida com o vício, falando dele, admitindo e tirando ele do caminho toda vez que ele aparece fazendo a gente tropeçar? Então, o que eu tento fazer hoje é respirar fundo e fazer coisas simples e que me dão foco quando eu sinto que o bicho tá pegando. Uma de cada vez. Funciona!

+

E já que eu estou filosófico, falemos — sem muito esforço, para evitar a fadiga — do dia dos namorados. Vocês vão dizer que isso foi há quase duas semanas. Eu sei, mas eu começo a escrever as coisas e largo mão. Este post por exemplo, eu esqueci, ficou perdido na gaveta.

Mas voltando. Eu não ligo, sério. É claro que, se estou namorando, é fácil (e gostoso!) entrar nessa onda. Mas não é por causa do dia dos namorados que eu vou me sentir amado — tem datas bem mais importantes, além de bem mais pessoais, como aniversário de namoro, por exemplo, e tem o dia-a-dia. Ou melhor: se eu não estou namorando, como é o caso, não é por isso que eu vou querer cortar meus pulsos nessa data específica. É muito pouco para um drama. Se é para sentir falta de um amor eu não escolho o dia — aliás, quem dera, seria bem mais conveniente! Eu sinto falta de um amor quando eu não me basto. É naqueles momentos feitos para serem compartilhados, quando uma alegria pede abraço, uma tristeza pede colo, um idéia pede ouvidos, um desejo pede boca, um problema pede ombro. (E não são todos os problemas, que alguns são só meus mesmo.) É quando um travesseiro pede o outro e uma xícara pede duas. Quando eu não sei mais muito bem o que vim fazer no mundo, daí então eu sinto falta de alguém para fazer do mundo um lugar menor e eu não me sentir ali tão perdido. Olhando assim, quem não há de convir que o dia dos namorados é um nada?

+

Eu não queria falar de choro em dois posts seguidos, mas não vai dar para escapar. É que existem choros e choros. Como eu não assisto novela, alguém mais aqui chorou assistindo House semana passada, quando a namorada do Wilson morre? Aquilo dói na pessoa, sabe? Como é fácil manipular as emoções as pessoas! — eu já deveria saber.

Mas eu achei legal o que ela disse sobre raiva não ser a última coisa que ela queria sentir. Penso que quando chegar a minha hora de subir um andar eu não quero ter nada disso também, especialmente pequenas mágoas. Venho me empenhando nisso e acho até que há algum progresso acontecendo. E antes que alguém pense “ó, que bom coração, como ele é bonzinho”, não é nada disso, até porque, convenhamos, que diferença faz pro mundo eu sentir mágoa de alguém ou não? Eu é que não quero ficar arrastando correntes à toa; isso tem a ver única e exclusivamente comigo, assim, egoísta, bem entendido. Vai que eu morro e fico aqui feito assombração! Deve ser que nem repetir o ano na escola: você já viu tudo aquilo e vai ter que ficar ali de novo. Tô fora! Sempre fui bom aluno. Quando eu me for, quero mesmo é ir embora.

Não, não estou fazendo planos de viagem antecipada…
Apenas aprendendo a levar pouca bagagem.

+

Pronto, vocês já têm um bom tanto de filosofia barata. Enjoy!
Deixem uma moedinha no chapéu ali do lado.

Disperso

05 de junho de 2008 - 4 comentários

Fecho os olhos para ver melhor.

São tantos os pensamentos que se vão naquele espaço entre os minutos que penso existir um outro eu, em um outro lugar, feito de pensamentos perdidos. Um outro eu que não existiria neste mundo, é certo, mas que é essencial para a minha sobrevivência. Sou eu.

+

Há marés em mim. E dia desses revivi emoções antigas. Difíceis, doídas. Foi como assistir a um filme onde a gente chora. Não chorei, mas foi como se tivesse. Imersão pura. Engraçado isso de se assistir… Engraçado, o caralho! Pode ser necessário, revelador, libertador — e várias outras palavras que também acabam com “dor” —, mas eu podia passar sem essa; não há Cristo que me convença do contrário.

Tá, ok, revi, reli, revirei minhas entranhas. Agora vai mais uma pá de cal por cima, que a vida segue é adiante. E eu quero é mais.

E melhor.

Tem uma música na minha cabeça: “Você não soube me amar! Você não soube me amar! Você não soube me amaaaaaaaaaar!”

Olha só que coisa boa: eu soube amar. Eu sei. Deus, como é bom!

+

E por falar em Cristo, eu não devia, mas vou falar, só para deixar bem claro que não me considero um espírito evoluído, mas ainda sou dono do meu nariz.

Você, cristã criatura que veio aqui dizer que falta Jesus no meu coração, vê se larga a mão de ser arrogante e não estraga a minha catarse. Ah, que coisa mais chata! Como você mesmo disse, leu um pedaço da minha história. E este pedaço, criança, é muito pequeno, é muito parcial e, acima de tudo, é muito meu. Sim, há um vazio, mas ele não tem o tamanho de Jesus, não, tem o tamanho da minha vida e de tudo o que eu ainda tenho para viver — duvido que Deus tenha te passado o script. E se Deus te mandou dizer que eu sou “dEle”, desculpa, ou você tá ouvindo coisas, ou Deus decididamente tá te encontrando pouca utilidade. Eu não discordo (nem concordo) que Deus pode me preencher esse vazio (sic), eu só discordo da sua interpretação da vontade divina. Estamos entendidos? Não responda, foi retórico.

Que Deus também te abençoe. Ou Namastê. Ou Saravá. E não, eu não estou sendo irônico, estou sendo inclusivo, e não intolerante.

+

Porto Alegre continua tendo o céu de azul mais impressionante que eu já vi. As pessoas me perguntam: “mas o que de tão especial você vê naquela cidade?” Como se, para ser especial ela tivesse que ter praia, ou isso, ou aquilo. Eu vejo de olhos fechados. Porto Alegre tem a cara de um segundo lar para mim, onde eu sou extremamente bem recebido e acolhido; mãos cuidadosas onde eu repouso meu coração. Eu entendo, e me basta.

+

Entrei na loja para comprar umas velas e acabei levando uma estrela. E as velas. E saí correndo antes que fosse tarde demais. Mas lá está ela, brilhante sobre o livreiro, iluminando o meu céu particular. Não é linda, linda, linda?

+

Me alimento de sorrisos. Dos meus sobrinhos — as coisinhas mais ricas e doces. Dos meus amigos. De quem estou conhecendo. De quem revejo — e de quem não vejo guardo um sorriso no bolso. E de mim, quando miro o rosto no espelho antes de sair para a rua e cuidar da vida. Tenho esse cuidado: sorrio, para não me esquecer de ser feliz.

É verdade que eu choro. Mas quem não come torresmo, mesmo sabendo que lhe entope as artérias?

Janelas

23 de maio de 2008 - 1 comentário

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim perdidamente…
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
(Ser poeta, Florbela Espanca)

Amo-te muito e sem descanso e sempre
E mais que a tudo e que à realidade
E como um louco e com serenidade
Amo-te com a dor de um amor ausente

Amo-te agora e pela eternidade
Como um bom deus sempre presente
Amo-te aflito e amo-te contente
E sem passado e nome e sem idade

Amo-te como uma criança, puro e casto
E com desejo e um amor devasso
E com saudade e mais do que podia

Amo-te enfim como um castigo
Sem fim, errante e sem amigo
Te esperando pra me raiar o dia
(Soneto de amar, Gabriel Dinnebier)

+

E é assim que, subindo no ônibus no meio da tarde ensolarada, na cidade que é sua sem dela ter nascido, você se vê refletido em você mesmo, duas vezes.

Sem coração

07 de maio de 2008 - 3 comentários

Se tem uma coisa que eu aprendi sobre amar nestes meus poucos anos de estrada é que não se pode medir o que a gente sente pelo eco que isso causa nos outros. Amar não tem nada a ver com ser amado e existem tantas formas de se amar, expressar ou exercitar esse amor que qualquer tentativa de comparar gesto e resposta é um absoluto tiro no escuro.

No entanto, é isso o que a gente quer e espera: resposta. E quando não há resposta, há mágoa — pequena, disfarçada, mas vai dizer que ela não existe? Na verdade, nos magoamos com nossas expectativas e jogamos no outro a responsabilidade pelos nossos anseios, os dejetos desse… amor?

O amor assim é uma criança mimada que precisa crescer e aprender a encarar a vida. Precisa aprender que nem tudo o que quer é dela e que o importante é fazer a sua parte. Se não é o que o outro espera, não adianta fazer bico, manha ou pior: fazer ofensa, grosseria. Amor assim, como uma criança igual, incomoda. Tampouco é o outro menos capaz de amar ou receber amor. Se não é o seu amor que ele quer, então não é. Ponto. Fim de história. Inútil enumerar ou discorrer sobre um sem-número de fatores. Estúpido deixar-se machucar em vão. É ridículo, é sofrido, é infantil. E tal qual crianças que se dão ou não, sem porquê, assim é o amor-criança. Ou a paixão.

Amor maduro é amor construído, que sabe o seu valor sem precisar que o outro o reconheça ou o receba. Ama sem medo, dá sem rancor. Quando sentires se alinham e pensamentos se completam, o amor caminha junto e cresce para se tornar o que tem de ser; ambos se beneficiam porque é gostoso, é positivo, é natural. Quando não, ele parte, porque se ama, antes de mais nada; sabe que na dor também há renovação. Não se cega com a decepção. Assim se aprende.

Amar assim enobrece. Aquele outro, emburrece.

What a wonderful day!

03 de maio de 2008 - 4 comentários

+

I see trees of green, red roses too
I see them bloom for me and you
And I think to myself what a wonderful world.

I see skies of blue and clouds of white
The bright blessed day, the dark sacred night
And I think to myself what a wonderful world.

The colors of the rainbow so pretty in the sky
Are also on the faces of people going by
I see friends shaking hands saying how do you do
They’re really saying I love you.

I hear babies cry, I watch them grow
They’ll learn much more than I’ll never know
And I think to myself what a wonderful world
Yes, I think to myself what a wonderful world.

+

Com um céu desses pela manhã, quem precisa de parabéns? ;)

Viajante

30 de abril de 2008 - Sem comentários

Se vai viajar
leva então na bagagem
um sorriso.

Se vai viajar me leva
um punhado de sol,
um bocado de brisa.

Guarda a memória
do retorno
no fundo dos olhos.

Edredom forever

20 de abril de 2008 - 2 comentários

Ok. Chove…
Eu não vou sair de casa.

O mercado que se foda.